Devocional

Achegar-se a Jesus Cristo

10 de fevereiro de 2026

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Quaisquer que sejam suas dúvidas, a maneira de sobrepujá-las é aproximar-se de Jesus Cristo. Constantemente, Ele tem nos ensinado que Ele é o Caminho.


Meus queridos irmãos e irmãs, é bom estar aqui. Vocês são um público muito amado pelo Senhor, e Ele deseja que todos regressem à Sua presença.

Desde que iniciei o meu trabalho como presidente da BYU em 1971, falei para muitas audiências da BYU, mas nunca o fiz anteriormente como líder d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Como vosso atual líder, tenho orado a pedir inspiração sobre o que vos devo dizer e ao público mais vasto que incluímos com a tecnologia atual.

Vocês estão a celebrar o 150º aniversário da BYU. Eu era o presidente da BYU quando celebrámos o 100º aniversário. Nesse ano, o Presidente Spencer W. Kimball proferiu o seu histórico “Second Century Address” (Discurso do segundo século). Aquele segundo século já vai a meio. Em que se transformou a BYU na sua procura para alcançar aqueles desafios proféticos? Que transformação ocorreu convosco, com experiência adicional vivida no segundo século? Para reforçar as inspirações espirituais que já partilhei com a liderança da vossa universidade, acredito firmemente que o destino da Universidade Brigham Young é tornar-se naquilo que os profetas do passado e do presente sabiam que poderia vir a ser. Com a consagração e a liderança desta comunidade, a BYU tornar-se-á a grande universidade do Senhor — não à maneira do mundo, mas à maneira do Senhor.

Neste momento dirijo-me a uma plateia da BYU mas, o que tenho a dizer, aplica-se a todos os que seguem as palavras de um profeta.

I. Introdução

Gostaria de agradecer aos muitos amigos e membros que oraram e manifestaram-me o seu apoio neste novo chamado. As frequentes menções ao “manto” do chamado que desceu sobre mim, fazem com que comece por fazer algumas observações sobre o significado deste termo.

A palavra manto é utilizada na Bíblia para descrever o manto do profeta Elias que desceu sobre Eliseu como símbolo da passagem da autoridade profética. O termo manto surgiu na história da Igreja restaurada, em muitos relatos da reunião em Nauvoo, sobre quem deveria suceder ao assassinado Joseph Smith. Muitos dos presentes registaram a sua experiência de que o “manto de Joseph” pousou sobre Brigham Young. Aquelas experiências assumiram muitas formas. Alguns tiveram experiências visuais, alguns ouviram a voz de Joseph, muitos tiveram uma sensação — cada um de nós recebe revelação de forma diferente.

Quando Russell M. Nelson foi chamado como nosso profeta, tive uma experiência semelhante. Eu tinha-me sentado ao lado deste apóstolo nas reuniões do Quórum dos Doze Apóstolos durante 34 anos, mas quando o “manto” de profeta pousou sobre o Presidente Nelson, senti que os seus dons proféticos tinham sido magnificados. Todos testemunhámos a sua profunda liderança.

Após a morte do Presidente Nelson, experimentei um outro significado do “manto”. Para os observadores, isto simboliza uma transferência da autoridade do sacerdócio. Para a pessoa que recebe esta autoridade, esta é muito diferente e muito real. No espaço de poucos minutos após saber da morte do nosso Presidente, senti o peso da responsabilidade pousar sobre mim, juntamente com importantes inspirações sobre o que eu deveria fazer agora.

Como vosso líder, oro pelo que o nosso Pai Celestial deseja para cada um de nós: que sejamos, ou nos tornemos, membros ativos d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, perseverando no caminho do convénio rumo às eternidades. Precisamos das orações uns dos outros. Sinto o efeito positivo das vossas orações. Sou grato e amo-vos.

II. Questões doutrinárias para os Santos dos Últimos Dias

Sinto que devo enfatizar o aviso do Presidente Russell M. Nelson, quando disse que “nos dias que estão por vir, não será possível sobreviver espiritualmente sem a orientação, a direção, o consolo e a influência constante do Espírito Santo”. Um dos muitos motivos pelos quais precisarão da influência constante do Espírito Santo é por viverem numa época em que o adversário se tornou tão eficaz a disfarçar a verdade que, se não tiverem o Espírito Santo, serão enganados. Há muitos obstáculos pela frente. As distrações serão muitas. Mesmo os membros ativos podem, por vezes, ter preocupações sobre algumas questões históricas, doutrinárias ou sociais relacionadas com a Igreja. Quero ajudar todos os nossos membros a ultrapassar dúvidas presentes ou futuras. Quaisquer que sejam essas dúvidas, a forma de as ultrapassar é achegarem-se ao nosso Salvador Jesus Cristo. Ele ensinou-nos, vezes sem conta, que Ele é o caminho.

Partilho quatro inspirações que nos aproximarão do nosso Salvador:

  • Primeiro, fortalecer a nossa fé n’Ele;
  • Segundo, aumentar a nossa humildade;
  • Terceiro, procurar ajuda de outras pessoas;
  • E em quarto lugar, ter paciência.

A primeira coisa a fazer é concentrarmo-nos em desenvolver a nossa fé em Deus e na missão do Seu Filho, Jesus Cristo. Uma fé forte requer mais do que um desejo forte — significa tentar diariamente, um passo de cada vez, com oração e estudo das escrituras. Podemos aumentar o nosso compromisso para com os princípios no primeiro artigo de fé, que diz: “Cremos em Deus, o Pai Eterno, e no Seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo”. Estes princípios são a âncora da nossa fé em Deus e manter-nos-ão ancorados na verdade do evangelho e no exemplo de serviço ao próximo dado pelo nosso Salvador.

III Humildade

Em segundo lugar, aumentar a humildade aproxima-nos de Jesus Cristo. Isto ajudar-nos-á a ultrapassar as dúvidas sobre a doutrina do Senhor. Quando somos humildes, conseguimos ouvir a Sua voz com mais clareza. Todos nós precisamos de ajudantes que nos ensinem humildade. Partilho uma experiência pessoal do início da minha vida, que me ajudou a regressar ao caminho da humildade. No meu primeiro ano como professor na Faculdade de Direito da Universidade de Chicago, um membro de renome do corpo docente faleceu, e o reitor pediu-me para lecionar as suas aulas durante algumas semanas até que aparecesse um professor substituto. Eu não estava muito familiarizado com aquele tema jurídico, por isso esforcei-me bastante e finalmente senti-me pronto para me congratular por ter concluído a tarefa. Depois, um aluno disse-me algo que achei ser um elogio. Ele disse: “Sr. Oaks, eu estava nessa aula em que lecionou em vez do Professor [fulano], e devo dizer que fiquei realmente impressionado. Um dia, o senhor será um bom professor”.

Porque é que aquela experiência me ajudou? Eu tinha excesso de confiança nas minhas capacidades como professor, e aquele aluno proporcionou-me uma perspetiva que tem sido uma bênção para mim, até aos dias de hoje.

O Presidente Ezra Taft Benson deu-nos um grande ensinamento sobre a humildade e fê-lo como parte dos seus memoráveis ensinamentos sobre o orgulho. “O antídoto para o orgulho”, ensinou, “é a humildade — a mansidão, a submissão”. “A humildade responde à vontade de Deus — ao temor dos Seus juízos e às necessidades daqueles que nos rodeiam.” Ele suplicou: “Escolhamos ser humildes”. Eu acrescento: olhem para as necessidades dos outros e a humildade virá como consequência.

Tal como a fé em Deus, a humildade é uma virtude mestra que nos ajuda a aprender outras virtudes necessárias para nos tornarmos naquilo para que o nosso Pai Celestial e o Seu Filho Unigénito nos criaram.

Num discurso proferido aqui na BYU há muitos anos, o presidente Spencer W. Kimball definiu a humildade como “capacidade de aprender”. Ele explicou:

“A humildade é a capacidade de aprender — a capacidade de perceber que nem todas as virtudes e aptidões estão concentradas em si mesmo. […] A humildade nunca acusa nem é contenciosa. […] A humildade arrepende-se e não procura justificar os seus erros. É perdoar os outros, reconhecendo que podem existir erros do mesmo tipo ou [que nós próprios cometemos]. […] A humildade não procura a popularidade nem a notoriedade; não exige honras”.

A humildade é um dos mandamentos mais poderosos que nos foram dados para nos guiar na nossa viagem mortal. Prepara-nos para o nosso encontro marcado com o nosso Salvador e Redentor, Jesus Cristo. Cuidado para não se distraírem. Lembrem-se da Sua parábola das dez virgens — queremos estar entre as cinco humildes que foram admitidas à presença do Senhor.

O Senhor ama todos os Seus filhos e anseia pelo seu regresso, mas todos conhecemos exemplos de missionários que regressaram e interromperam o seu crescimento espiritual por períodos de inatividade. Sabemos de jovens que colocaram em risco o seu crescimento espiritual ao afastarem-se dos ensinamentos da Igreja, como aqueles que demonstram pouca vontade de casar ou de ter filhos. E há membros adultos que não procuram ser um povo que faz convénios, como homens que não se preparam para a ordenação ao Sacerdócio de Melquisedeque.

Aqueles cuja fé e atividade na Igreja restaurada estão a diminuir são motivo de grande preocupação para os seus líderes proféticos. Nós amamos-vos, jovens e idosos, homens e mulheres. E o Senhor também! Deus é incansável na Sua busca amorosa por cada um de vocês. Guardem os mandamentos e sejam fiéis aos convénios que fizeram a fim de vos guiar no caminho do convénio. Nunca permitam que a vossa aprendizagem secular limite os vossos horizontes.

Estamos gratos por saber que existem dois métodos para obter o conhecimento necessário: (1) as revelações evolutivas do homem descobertas pelo método científico e (2) as verdades reveladas pelo método espiritual, que começa com a fé em Deus e se baseia nas escrituras, no ensino inspirado e na revelação pessoal. Não existe um conflito fundamental entre o conhecimento adquirido por estes diferentes métodos, porque Deus, o nosso Pai Eterno e omnipotente, conhece toda a verdade e convida-nos a aprender por ambos os métodos.

Aqueles que não acreditam em Deus e rejeitam formalmente a “moralidade religiosa tradicional”, baseando-se unicamente em “provas científicas”, encaixam na descrição do Livro de Mórmon daqueles que “vivem sem Deus no mundo”.

O Elder Richard L. Evans tinha uma boa resposta para aqueles que são apanhados de surpresa por algumas provas científicas que parecem contradizer a nossa interpretação das escrituras:

“Pode haver algumas discrepâncias aparentes”, disse. “Não se preocupem com elas. A eternidade é muito tempo. Tenho um grande respeito pela aprendizagem, pelo esforço académico e pelo ambiente universitário. […] Tenho um grande respeito pela ciência, pelos cientistas e pela procura da verdade. Mas lembrem-se disto: a ciência (mesmo quando é verdadeira, definitiva e factual), é simplesmente, a descoberta, pelo homem, de algumas coisas que Deus já conhece e controla no seu ordenamento do universo. […] Deus não nos revelou tudo o que sabe. Acreditamos na revelação contínua. Sejam pacientes. Mantenham-se humildes e equilibrados em todas as coisas.”

A humildade, a fé e a confiança no Senhor são antídotos para a vacilação. Tal como ensina o Livro de Mórmon, o Senhor “abençoa e faz prosperar os que colocam nele a sua confiança”. Confiar no Senhor é uma necessidade específica para todos os que comparam incorretamente os mandamentos de Deus e os ensinamentos dos Seus profetas às mais recentes descobertas e à sabedoria do homem.

IV. Procurar ajuda junto de outros fiéis bem informados

Uma terceira forma de nos aproximarmos do nosso Salvador é conviver com outros crentes. Isto inclui conversas com pessoas de confiança, membros da Igreja local e outros amigos fiéis.

Lembrem-se: para sobreviver espiritualmente, precisarão da influência constante do Espírito Santo. Estamos rodeados por uma abundância de especulações e informações falsas em podcasts e nas redes sociais. Algumas pessoas podem protestar ou questionar a veracidade da doutrina da Igreja, sem conhecerem ou sequer compreenderem a plenitude dessa doutrina.

Não se deixem persuadir por informações falsas ou imprecisas. Debatam as vossas preocupações com amigos fiéis e bem informados, e levem sempre essas preocupações ao Senhor.

O Senhor revelou-nos muito pouco sobre algumas coisas. Por exemplo, sabemos muito pouco sobre o mundo espiritual que se segue à mortalidade, ou mesmo sobre o mundo espiritual que a precedeu. Esta falta de conhecimento pode ser prejudicial quando nos baseamos nas crenças sobre estes assuntos, de pessoas bem-intencionadas que ensinam para além do que Deus escolheu revelar. Confiar em Deus, tanto no que sabemos como no que não sabemos, é uma grande proteção contra dúvidas baseadas em ideias erradas, em vez de nos basearmos naquilo que Deus escolheu revelar.

Partilho a experiência de um sábio presidente de estaca aqui neste campus. Ele foi abordado por um jovem da sua comunidade que o admirava e que lhe pediu para ser o seu mentor nos negócios. Passadas algumas semanas, o jovem confidenciou: “Devo partilhar consigo que decidi afastar-me da Igreja. Deixei de acreditar”. Surpreendido, o presidente de estaca começou imediatamente a partilhar o seu profundo testemunho do evangelho que lhe trouxera tanta alegria, paz e inspiração. O jovem ficou atónito, olhou para ele com lágrimas nos olhos e disse: “Há meses que não ouço ninguém falar assim. Tenho andado com amigos que não acreditam”. Digo a todos vós, como aquele sábio presidente de estaca disse ao jovem: procurai amigos e companheiros que se esforcem por seguir o Senhor, com quem possam sentir o Espírito e fortalecer a vossa fé.

Rodeiem-se de pessoas que acreditam. Um grande profeta do Livro de Mórmon ensinou esta verdade:

“Acreditai em Deus; acreditai que ele existe e que criou todas as coisas, tanto no céu como na Terra; acreditai que ele tem toda a sabedoria e todo o poder, tanto no céu como na Terra; acreditai que o homem não compreende todas as coisas que o Senhor pode compreender.

E novamente, acreditai que vos deveis arrepender de vossos pecados e abandoná-los e humilhar-vos diante de Deus”.

Protejam-se, renovando semanalmente os vossos convénios, participando do sacramento e fazendo um esforço constante para viver de acordo com esses convénios sagrados. Aqueles que receberam a investidura devem incluir a frequência regular ao templo. Resumidamente, permaneçam no caminho do convénio. Estas práticas simples irão proteger-vos e fortalecer-vos.

V. Paciência

Todos estamos em constante evolução. Todos estamos em pontos diferentes naquilo a que o Presidente Nelson chamou “o caminho do convénio”. Precisamos de ser pacientes uns com os outros e, ocasionalmente, até connosco próprios. Ultrapassar a dúvida — ao resolver conflitos entre o avanço do conhecimento científico e os ensinamentos, por vezes incompletos, da religião — pode ser um processo demorado, tal como desenvolver a fé ou adquirir humildade. Agarrem-se ao primeiro artigo de fé, mesmo que haja incerteza em relação a outras coisas. E enquanto esperam, esperem no Senhor, o que inclui confiar no Seu tempo, bem como nas Suas promessas.

E enquanto esperamos, devemos ocupar-nos com serviço. Jesus ensinou e demonstrou, vezes sem conta, o poder do serviço aos outros.

Meus queridos irmãos e irmãs, testifico de Jesus Cristo, tal como os apóstolos são ensinados a testificar do Seu nome, isto é, a Sua obra sagrada, em todo o mundo. Testifico das verdades ensinadas pela Igreja restaurada. E partilho convosco e testifico da veracidade destas coisas que hoje falei. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Dallin H. Oaks

Dallin H. Oaks, presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, proferiu este discurso em 10 de fevereiro de 2026