Como ser feliz agora — e para sempre
Jean B. Bingham
Presidente Geral da Sociedade de Socorro
10 de dezembro de 2019
Presidente Geral da Sociedade de Socorro
10 de dezembro de 2019
Assim como uma simples lupa usa a luz do sol para colocar as coisas em foco, o evangelho de Jesus Cristo vai trazer foco para a sua vida com a luz do Filho de Deus, nosso Salvador e Redentor.
Pretendemos modificar a tradução se for necessário. Para dar sugestões, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu
Embora eu esteja muito feliz por estar aqui com vocês, é uma humilde experiência olhar para cada um de vocês daqui na frente e depois estender o olhar até as fileiras superiores deste auditório tão grande! Dessa perspectiva, porém, o que chama minha atenção é a luz em seus rostos, que indica um potencial tão grande de felicidade e sucesso no futuro.
A perspectiva é um fenômeno interessante. Dependendo da nossa posição ou dos instrumentos que usamos, o que estamos olhando parece mudar, muitas vezes dramaticamente. Por exemplo, quando olhamos para a lua a olho nu, ela parece ser um disco liso, plano e prateado que brilha suavemente e parece expandir ou diminuir noite após noite. No entanto, vista através de um telescópio poderoso, a lua parece muito diferente. Descobrimos que a parte que parece estar faltando está, na verdade, escondida na sombra e agora pode ser vista, completando a forma esférica. Podemos ver que a lua está cheia de crateras e manchas escuras e não irradia sua própria luz, mas reflete a luz do sol.
Os microscópios fornecem uma perspectiva ainda mais diferente. Esses instrumentos nos permitem observar algo muito de perto — tão de perto que, se vocês não souberem o que estão vendo, o objeto pode ser difícil de identificar. Esta perspectiva é útil na descoberta de pequenos detalhes que podem fazer uma grande diferença para todo o organismo ou sistema.
Que tal uma perspectiva aérea? Uma vista do alto pode fazer com que uma paisagem pareça muito diferente do que quando vista ao nível dos olhos — ou mesmo ao nível dos pés. E então há a perspectiva dos trilhos de trem. As linhas retas parecem convergir à medida que se estendem mais na distância. Os artistas usam essa técnica para fazer com que nossos cérebros “vejam” distância, profundidade e posição em suas representações de objetos, que na realidade, são desenhados em uma superfície plana.
Falando sobre ver com o nosso cérebro, sempre fiquei intrigada com as famosas escadas de Penrose, que parecem subir e descer ao mesmo tempo em uma sequência interminável. No ensino médio, eu costumava praticar desenhar outra ilusão de ótica, chamada tridente impossível, nas bordas do meu caderno de anotações, até conseguir fazê-la sem olhar para a referência. Fiquei fascinada com a figura, que apresenta duas perspectivas ao mesmo tempo – um cenário impossível para o cérebro aceitar prontamente.
A perspectiva também pode ser uma atitude particular em relação a algo, ou um ponto de vista. Olhando para uma situação através das lentes de nossas próprias experiências, tendemos a supor que nossa perspectiva é a “certa” e descartar outros pontos de vista como falhos ou incompletos. Até a escolha dos sabores de sorvete pode nos fazer balançar a cabeça em descrença diante do julgamento equivocado de um amigo. O que?! Vocês não acham que fudge com amêndoa assada é o melhor sabor que existe?!
O ponto de vista que torna todas as coisas claras é uma perspectiva eterna: a perspectiva perfeita e abrangente de nosso Pai Celestial. Com Sua capacidade de ver, saber e compreender todas as coisas passadas, presentes e futuras de uma forma mais elevada, mais ampla e mais profunda do que podemos, Sua perspectiva é completa.1
A partir de Seu ponto de vista, Deus vê a nós e as coisas ao nosso redor “como realmente são e . . . como realmente serão”.2 Seu ponto de vista é de longo prazo, em vez de se limitar ao aqui e agora, permitindo que Ele veja nosso potencial divino em vez de apenas nossa condição atual ou passada. E, Ele olha para todas as Suas criações pelas lentes do amor. Como se Ele usasse um poderoso microscópio, Deus vê o coração e a mente de cada um de Seus filhos a partir de uma perspectiva de misericórdia amorosa e apoio dedicado, em vez de críticas que destroem a esperança. E, com um alcance mais completo do que até mesmo o telescópio mais poderoso, Ele vê o panorama geral, observando o progresso em indivíduos, bem como em galáxias desde o começo até o fim de toda a eternidade.
Neste mundo, às vezes, desafios diários podem parecer esmagadores. Como profetizado, hoje toda a terra está “em comoção”.3 O problema está em todos os lados, em cada cidade e comunidade. Guerras e rumores de guerras, fomes e terremotos, falsos profetas e iniquidade onipresente 4 são nossas notícias diárias. Os relatos que ouvimos são criados pelas opiniões daqueles que gritam mais alto ou desejam poder acima de tudo. Pode ser difícil sentir-se seguro neste mundo com seus perigos sempre presentes que ameaçam o espírito, a mente e o corpo.
E há os nossos próprios desafios pessoais. Fazer aquele projeto com excelência e dentro do prazo, encontrar respostas para questões de relacionamento, viver com as consequências de escolhas ruins feitas por vocês e por outras pessoas que os afetam, lidar com problemas de saúde e restrições financeiras e lutar com uma série de outros problemas— tanto aqueles compartilhados por todos que estão aqui quanto aqueles desafios exclusivos de vocês— pode distrair e desencorajar.
Chaves para manter uma perspectiva eterna
Como ter uma perspectiva eterna nos ajuda a superar esses desafios pessoais aqui e agora? Como podemos encontrar alegria enquanto passamos por essas provações e tribulações diariamente e, às vezes, até mesmo de hora em hora? Adotar uma perspectiva eterna pode desempenhar um papel importante em uma jornada terrena bem-sucedida. Quando começamos com o conhecimento e a fé no plano de felicidade de Deus, confiamos na Expiação de Jesus Cristo e planejamos e agimos com fé e paciência, desenvolvemos uma perspectiva eterna que nos permite progredir e ser felizes, independentemente das circunstâncias.
1. Tenham conhecimento do plano de felicidade de Deus e fé Nele.
Vamos pensar nessas chaves. Primeiro, entender nossa identidade divina é fundamental para nosso progresso e felicidade. Quando sabemos quem somos, por que estamos aqui, e para onde queremos ir, podemos fazer escolhas que tragam a maior felicidade e evitar o máximo de dor e angústia, tanto agora quanto nas eternidades.
Quando sabem que “vós também no princípio estáveis com o Pai”,5 vocês percebem que são seres eternos, e que, literalmente, são filhos de Deus. Pensem nisso! Que espírito glorioso devemos ter tido naquela época pré-mortal! Seu valor divino é absoluto por causa de sua paternidade divina. Sabendo que a perspectiva de Deus é baseada no “conhecimento das coisas como são, como foram e como serão”,6 vocês têm certeza de seu valor imutável. Devido às escolhas que fizeram na pré-mortalidade, vocês têm um papel essencial no plano de felicidade de Deus em um momento muito significativo da história do mundo. Seus pais celestiais prepararam vocês para virem à Terra com essas verdades incorporadas em seu espírito,7 e vocês e eu estávamos animados para tentar nos tornar como Eles. Vimos a felicidade Deles e instintivamente queríamos essa mesma alegria. Afinal, é para isso que fomos criados: Ele disse: “Os homens [e as mulheres] existem para que tenham alegria”.8
O presidente Russell M. Nelson observou que a alegria é
um princípio que é fundamental para nossa sobrevivência espiritual. É um princípio que se torna ainda mais importante à medida que se aumentam as tragédias e as dissimulações ao nosso redor. . . .
. . . A alegria que sentimos tem pouco a ver com as circunstâncias de nossa vida e tem tudo a ver com o enfoque de nossa vida.
Quando o enfoque de nossa vida é o Plano de Salvação criado por Deus . . . e Jesus Cristo e Seu evangelho, podemos sentir alegria a despeito do que está acontecendo — ou não — em nossa vida. A alegria vem Dele e por causa Dele. Ele é a fonte de toda alegria”.9
2. Tenham confiança e segurança em Jesus Cristo e em Sua Expiação
Ter confiança e segurança em Jesus Cristo e em Sua Expiação é a segunda chave: Quando confiamos no Salvador e na realidade de Sua infinita Expiação, podemos progredir eternamente.
Mesmo depois de começarmos a trilhar o caminho do convênio, todos nós temos a tendência de nos desviar para a beira da estrada ou de tropeçar e cair. De alguma forma, podemos perder nosso caminho por um tempo. A alegre verdade é que, por causa da Expiação de Jesus Cristo, nenhum de nós está eternamente perdido! Saber que nosso Salvador expiou por nossos pecados— e forneceu um exemplo perfeito de como viver neste período mortal de existência— nos dá grande esperança e segurança de que podemos, de fato, nos tornar mais semelhantes a Ele, sentir alegria nesta vida e, finalmente, voltar ao nosso lar celestial. Seu poder redentor é total porque [Ele] desceu abaixo de todas as coisas”10 e tomou sobre Si as dores, aflições, tentações, doenças, enfermidades e pecados de cada um de nós.11 Ele sabe como elevar e fortalecer cada um de nós em nossos desafios individuais porque Ele sentiu cada um deles.
Jesus Cristo não só está disposto a nos ajudar, mas Ele está esperando e quer nos ajudar! Lembram da parábola do filho pródigo? O pai nem sequer esperou que o filho chegasse em casa; assim que o viu, correu ao seu encontro. Nosso Salvador também tem uma “visão à distância”. Ele nos vê “ainda longe”12 e nos encontra lá, pronto para nos curar, perdoar, confortar e encorajar, quando nos aproximamos Dele em nossas difíceis provações. Com Sua ajuda, podemos superar adversidades, resistir às tentações e progredir no caminho de volta aos nossos pais celestiais.
3. Planejem
No entanto, para realmente progredirmos, devemos ser intencionais. Vocês já ouviram dizer que, se vocês não tiverem um plano, então consequentemente vocês farão parte do plano de outra pessoa. Portanto, a terceira chave é planejar. Vocês perguntam: “Por onde eu começo?” Comecem pelo início, com sua identidade e propósito divinos.
Alguns de vocês já tiveram experiências realmente difíceis em suas jovens vidas. Dadas as mensagens negativas que vocês podem ter recebido de outras pessoas sobre seu valor divino através dessas experiências, vocês podem se perguntar se realmente são filhos ou filhas queridos de pais celestiais e até mesmo se é possível se tornarem como Eles depois de tudo o que vocês enfrentaram. A resposta é um enfático sim! Com linguagem bíblica, eu gostaria de “exortá-los”, o que significa convidá-los com toda a sinceridade fervorosa do meu coração, a aprender e se alegrar em sua identidade e propósito eternos.
Façam um plano— assim como planejam seu estudo de química, literatura, estatística ou teoria musical— para entender sua identidade divina e realizar seu verdadeiro potencial. Leiam e estudem as escrituras, antigas e modernas. Leiam e estudem as palavras dos profetas vivos; aceitem seus convites para agir. Frequentem regularmente o templo, onde vocês serão lembrados do plano de felicidade do Pai Celestial e de seu potencial para o progresso eterno. Sirvam aos outros, tanto quando designados como em suas interações diárias com estranhos, familiares e amigos. Seguir o exemplo de Jesus Cristo dessa maneira simples expandirá sua capacidade de reconhecer as bênçãos do céu. Honrem o Dia do Senhor e tomem o sacramento com humilde propósito. Guardem os mandamentos e as promessas feitas nos convênios batismais e no templo. E, acima de tudo, orem ao seu Pai Celestial com frequência, digam a Ele como vocês se sentem, peçam Sua ajuda e observem e ouçam Suas respostas em sua vida diária.
Se forem feitos de forma consistente, esses pequenos e simples atos trarão grandes benefícios espirituais e até mesmo temporais. Eles vão ajudá-los a saber quem vocês realmente são e a evitar as armadilhas do adversário — que lhes diz que vocês são apenas o produto de seu passado, que vocês não podem mudar, que seu valor é determinado por seus erros ou pelos efeitos dos erros dos outros sobre vocês. Essas ideias são falsas, mas podem parecer convincentes se estiverem se sentindo desencorajados e se negligenciarem sua conexão com o céu. Sem essas práticas fundamentais, sua perspectiva eterna será obscurecida, e será difícil lembrar quem vocês são, por que vocês estão aqui e para onde vocês querem ir.
O triângulo de Penrose me lembra as filosofias mundanas que tentam apresentar dois conceitos opostos como verdade. À primeira vista, as aceitamos como reais. Então, quando olhamos mais de perto, percebemos que há um problema. À medida que olhamos novamente, podemos começar a pensar que a justaposição é bastante inteligente ou atraente e tentar conciliar a ideia falsa com a verdadeira. No fundo, reconhecemos que ambos os conceitos não podem estar corretos, mas nos convencemos de que há uma maneira de “conciliá-los”. Assim como eu pratiquei reproduzir o tridente impossível até que eu pudesse fazê-lo sem olhar para o original, repetimos a filosofia errônea até nos convencermos de que ela pode ser verdade.
Por exemplo, profetas antigos e vivos ensinaram a verdade absoluta de que viver a lei da castidade trará felicidade agora e no futuro, mas o mundo diz que qualquer grau de descumprimento é preferível e possivelmente até mais saudável para expressar a sexualidade. Outra falsidade que compete com a verdade eterna é a de que os requisitos de dignidade tiram nosso arbítrio individual. Fomos ensinados que ser dignos de estar no templo nos abençoa e protege de inúmeras maneiras, mas alguns se incomodam com o rigor desses requisitos e racionalizam que a “liberdade” pessoal é mais importante do que a obediência às leis de Deus.
De alguma forma, nos convencemos de que sabemos melhor e mais do que nosso Pai Celestial quando ignoramos Suas súplicas para “[vir] a Cristo e [ser] aperfeiçoados nele”,13 preferindo seguir nosso próprio caminho. Isso inevitavelmente resulta em aprendizado através de experiências tristes. Meu sogro fazendeiro costumava dizer com ironia: “O bom senso vem da experiência, e a experiência vem do mau senso”. Erros podem ser oportunidades de aprendizado se escolhermos mudar. Em todos os casos, o adversário quer que nos concentremos em uma perspectiva terrena, limitando assim nossa capacidade de progredir eternamente. E o progresso é o propósito dessa experiência mortal!
Quantos de vocês são adultos? Se o levantar de mãos significa que vocês têm dezoito anos de idade ou mais, vocês estão corretos: Vocês são legalmente adultos. No entanto, artigos recentes sugerem que muitas pessoas da sua idade não se consideram um adulto. Elas acham que, por não possuírem uma casa ou não terem três filhos com menos de cinco anos ou não estarem em um ritmo acelerado em sua carreira desejada, elas ainda não estão “grandinhas”. Deixem-me contar um segredo: não importa quantos anos vocês tenham, vocês ainda sentirão a necessidade de crescer!
Adulting — um termo atual para “o processo de amadurecer” — não significa necessariamente progredir de acordo com a definição mundana de sucesso. Alguns dizem que tornar-se um adulto inclui ceder a comportamentos que são claramente prejudiciais para crianças, mas que de alguma forma são aceitos no mundo como apropriados para aqueles de idade legal. Esse critério não é piedoso! Tornar-se um adulto significa assumir a responsabilidade por suas ações, procurar contribuir para a felicidade dos outros, em vez de apenas se concentrar em si mesmo, e manter compromissos com Deus e com o homem. Foi isso que o grande profeta Helamã, nos dias que antecederam a primeira vinda do Senhor Jesus Cristo, ensinou a seus filhos Néfi e Leí quando “principiaram a crescer no Senhor”.14
Ao contrário do nosso crescimento físico, não amadurecemos espiritualmente a menos que estejamos dispostos a mudar e a adotar um modo de vida mais elevado e santo. O presidente Nelson observou que temos que nos afastar das falsas filosofias do mundo e deixar de lado algumas coisas que “parecem inofensivas”15 para “crescermos no Senhor”. Existem algumas atividades ou ocupações que limitam seu progresso espiritual, físico, social ou intelectual? O que Jesus fez em Sua vida mortal para crescer “de graça em graça”16 e crescer “em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens”?17 Ele era humilde, disposto a aprender, e obediente, agia com amor e usava seus dons e habilidades para servir aos outros. Ele se concentrou em fazer a vontade do Pai e manteve uma perspectiva eterna. Ao aprender e servir dessa maneira, Ele também elevou e fortaleceu os outros e experimentou uma alegria profunda que perdurará através das eternidades. Nunca podemos errar ao escolher seguir o exemplo de Jesus Cristo.
4. Priorizem
Então, façam um plano e, ao planejar, priorizem, que é a próxima chave. Independentemente da natureza dos seus desafios, olhar para eles com uma perspectiva eterna irá ajudá-los a entender as prioridades certas. Colocar as coisas em perspectiva é uma habilidade valiosa que nos permite progredir no meio de informações confusas ou pontos de vista conflitantes. Isso nos ajuda a entender o que é importante e o que não é. Em vez de sermos paralisados pela incerteza, podemos usar a perspectiva eterna como uma ferramenta para determinar nossa direção quando sinais mundanos podem estar apontando o caminho errado.
Assim como o telescópio, que dá informações adicionais sobre coisas que parecem muito distantes do aqui e agora, uma perspectiva eterna nos dá um panorama mais completo baseado em verdades que não mudam com o tempo. E, semelhante a um microscópio, uma perspectiva eterna nos encoraja a mergulhar profundamente na autoavaliação. Essa verificação pessoal os ajudará a saber onde vocês precisam mudar, o que, por sua vez, os concentrará nas escolhas mais importantes e impactantes que os aproximarão de seus objetivos eternos.
Quando Jesus tinha doze anos de idade, Ele viajou para Jerusalém para os dias de festa com Sua família. Quando o grupo partiu para casa, eles descobriram que Jesus não estava com eles. José e Maria procuraram por três dias até que o encontraram ensinando no templo. Sua resposta ao motivo pelo qual Ele não veio com eles é instrutiva. Ele respondeu: “Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?”18 Ele entendeu o foco de Sua vida e priorizou de acordo com isso.
Vocês já perguntaram a Deus: “O que devo fazer?” Sua resposta, sem dúvida, será instrutiva para vocês. Tirem um tempo para perguntar e refletir, descobrir o que é de maior prioridade e, em seguida, usar o seu tempo de acordo com isso. O Senhor prometeu que quando fizermos as coisas mais importantes primeiro, as outras coisas serão realizadas no tempo e na ordem certos. O élder David A. Bednar nos encorajou
não permitir que as preocupações deste mundo dominem nosso tempo e nossa energia de modo que negligenciemos as coisas eternas que mais importam.… Às vezes tentamos correr tanto que chegamos a esquecer em que direção estamos indo e o motivo por que corremos.19
Orar, estudar as escrituras, ministrar às pessoas com amor como o Salvador fez, honrar o Dia do Senhor e frequentar o templo — essas coisas pequenas e simples na verdade “[desviam] nosso olhar das coisas do mundo e [o elevam] às bênçãos da eternidade”,20 produzindo resultados surpreendentes sempre que as mantivermos em primeiro plano.
Apenas algumas semanas atrás, conheci duas mulheres encantadoras em Roma, na Itália. Uma é solteira e tem trinta e poucos anos; a outra é casada há vinte anos e não pode ter filhos. Podemos assumir que ambas sejam infelizes e que estejam ansiando pelo que mais desejam no mundo. No entanto, ambas escolheram se concentrar em suas bênçãos atuais e estão vivendo vidas plenas de paz e alegria, apesar de ainda não terem todos os seus objetivos eternos atingidos. Literalmente, cada pessoa que encontrei — que também as conhecia — expressava entusiasticamente seu amor, profunda admiração e apreço por essas mulheres maravilhosas, comentando que suas contribuições consistentes para a felicidade dos outros eram inestimáveis. As duas decidiram encarar a própria vida sob uma perspectiva eterna, priorizando os elementos sobre os quais tinham controle.
Brandon, outro amigo notável, escolheu viver com essa mesma perspectiva.21 Paralisado em um acidente quando tinha dezoito anos, pouco antes de sair para uma missão de tempo integral, ele havia vivido tantos anos sem mobilidade física quanto com um corpo totalmente funcional e altamente atlético. Brandon será o primeiro a dizer-lhes que a mudança foi extremamente difícil de aceitar, mas ele escolheu usar seus consideráveis dons e talentos para abençoar os outros, em vez de ficar remoendo o que gostaria de ter. Ao servir em um bispado, sua sensibilidade ao Espírito permite-lhe entender, consolar e encorajar aqueles com quem se aconselha. Novamente, escolher priorizar as coisas sobre as quais ele tem controle permite que ele experimente uma alegria inesperada e progrida eternamente.
A vida certamente não é “justa” ou “igual” quando as circunstâncias individuais são consideradas. No entanto, o Senhor dá a cada um de nós o que precisamos, se estivermos dispostos a aceitá-lo. Provações e desafios não só são inevitáveis, mas também são necessários para o aperfeiçoamento. É verdade, como escreveu o autor de Hebreus:
“Toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela”.22
E quando fazemos escolhas ruins, devemos viver com as consequências e, esperamos, aprender com elas. O livro de Provérbios nos dá a perspectiva eterna sobre essas consequências:
Filho meu [ou filha], não rejeites a correção do Senhor, nem te enojes da sua repreensão.
Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai, ao filho [ou filha] a quem quer bem.23
Porque Ele nos ama, nosso Pai Celestial nos ajuda a ver os erros que cometemos. Quando reconhecemos e assumimos esses erros, podemos optar por mudar e melhorar e, assim, sermos realmente mais felizes do que se tivéssemos continuado no caminho original, mais fácil, mas prejudicial.
5. Agir com fé
Planejar e priorizar nos dá direção. Agir com fé é o próximo passo. Vocês podem estar hesitantes em seguir em frente, pensando que vão cometer erros — e vocês estão certos! Mas avançar é a única maneira de progredir. Nesta conferência geral passada, o élder Dieter F. Uchtdorf disse: “Lembrem-se de que o discipulado não significa fazer as coisas com perfeição; o discipulado é fazer as coisas com intenção.”24
Erros e até mesmo fracassos acontecem com todos nós. Quando algo não funciona como planejado, pode ser desanimador. Deixem-me contar-lhes uma experiência de fracasso que tive. Todo ano, minha família aguarda com ansiedade uma iguaria especial no Natal: tortinhas de limão feitas a partir de uma receita de Emma Jane Eastham Ratcliffe, minha bisavó inglesa cheia de fé. Essas delícias são pequenas conchas do tamanho da palma da mão, com uma massa delicada e folhada, recheadas com um creme de limão amanteigado, doce e intensamente saboroso.
Na primeira vez que as preparei, ficaram lindas, acomodadas nas formas de muffin, mas, ao tentar retirá-las, cada uma se despedaçou. Quase nenhuma delas saiu inteira. Meu primeiro pensamento foi: “Eu nunca mais vou tentar!” No entanto, com o incentivo da minha família, que achava que as pilhas de migalhas de limão pegajosas estavam deliciosas, mesmo sem terem nenhuma beleza, eu tentei novamente. Muitos anos depois, consigo fazer com que a maioria das tortas saia inteira. No processo aprendi que é preciso muito tempo e atenção cuidadosa aos detalhes, bem como paciência e persistência para fazer algo que é de alta qualidade.
O progresso espiritual também requer tempo e atenção aos detalhes, bem como paciência e persistência. E não importa quantos erros cometamos, o Salvador está lá para nos ajudar a aprender como agir e ser melhores. Não precisamos ser perfeitos de uma só vez; o que importa é o nosso esforço. Nosso Pai Celestial não espera perfeição de nós nesta vida, mas espera que continuemos tentando.
Pensem novamente nos trilhos do trem. A perspectiva parece estreitar-se à medida que se estendem à distância, mas agir com uma perspectiva eterna é, na verdade, o oposto: quanto mais vivemos plenamente os princípios do evangelho de Jesus Cristo, mais expansivo se torna o nosso futuro.
Recentemente, conheci uma mulher que passou os últimos quatro anos na cadeia. Quando jovem, ela ouvia as filosofias do mundo e convenceu-se de que podia exercer todas as opções oferecidas. No entanto, com o passar do tempo, ela acabou perdendo o poder de escolher por si mesma. Somente quando ela se tornou humilde e confiou na capacidade de Deus para curá-la, ela foi capaz de se afastar das tentações do mundo e livrar sua vida dos comportamentos e atitudes prejudiciais que ela havia adotado. Agora ela está cheia de fé, confiante na capacidade do Senhor para ajudá-la a realizar seu potencial divino. Ela tem um mundo de possibilidades aberto a ela e se alegra com sua liberdade de fazer as escolhas que a levarão de volta ao seu lar celestial.
E o que dizer dessa visão panorâmica em comparação com ficar parado na rua ou olhar de baixo para cima? Uma perspectiva eterna nos dá a capacidade de ver o panorama geral, bem como de ver nossos companheiros de viagem como os indivíduos com grande potencial que eles realmente são, ao mesmo tempo em que nos lembra da necessidade de sermos humildes — porque todos tropeçamos às vezes, e todos precisamos de ajuda para alcançar nosso objetivo de vida eterna.
Assim como uma simples lupa usa a luz do sol para colocar as coisas em foco, o evangelho de Jesus Cristo vai trazer foco para a sua vida com a luz do Filho de Deus, nosso Salvador e Redentor. Ele olha para todas as suas criações com a luz do amor, sabendo que o amor dissolve as diferenças, suaviza a dor, diminui o sofrimento, eleva o espírito e capacita o progresso.
Assim como ensinou o rei Benjamim:
Acreditai em Deus; acreditai que ele existe e que criou todas as coisas, tanto no céu como na Terra; acreditai que ele tem toda a sabedoria e todo o poder, tanto no céu como na Terra; acreditai que o homem não compreende todas as coisas que o Senhor pode compreender.25
Acreditem que vocês são, de fato, filhos ou filhas de pais celestiais, que vocês foram amados e aprenderam verdades eternas Deles. Acreditem que guardar os mandamentos de Deus e seguir a orientação de nosso profeta irá ajudá-los a se tornarem o que realmente querem se tornar.
Prometo que, ao planejar, priorizar e agir com humilde fé no amor de Deus e na Expiação de Jesus Cristo, vocês desenvolverão uma perspectiva eterna que os ajudará a superar os desafios de sua vida e sentirão alegria inesperada, até mesmo indescritível. Vocês serão guiados e abençoados, elevados e fortalecidos para seguir o caminho do convênio que os levará a se tornarem o seu melhor eu eterno. Disso presto testemunho, em nome de Jesus Cristo. Amém.
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Notas
1. Ver Isaías 55:8–9.
2. Jacó 4:13.
3. (D&C 45:26)
4. Ver Mateus 24:6–7, 11–12.
5. (D&C 93:23)
6. (D&C 93:24)
7. Ver D&C 138:56
8. 2 Néfi 2:25.
9. Russell M. Nelson, “Alegria e sobrevivência espiritual”, Liahona, novembro de 2016.
10. (D&C 88:6)
11. Ver Alma 7:11–13.
12. Lucas 15:20.
13. Morôni 10:32.
14. Helamã 3:21.
15. Russell M. Nelson, “Tesouros espirituais”, Liahona, novembro de 2019.
16. (D&C 93:13)
17. Lucas 02:52.
18. Lucas 02:49.
19. David A. Bednar, “Grandíssimas e preciosas promessas”, A Liahona, novembro de 2017.
20. Bednar, “Grandíssimas e preciosas promessas”
21. Ver “Push Forward in Life [Siga em frente na vida]: A Survivor’s Story [A história de um sobrevivente], vídeo Hope Works [A esperança funciona], Inspiration, A Igreja de Jesus Cristo, churchofjesuschrist.org/inspiration/latter-day-saints-channel/watch/series/hope-works/push-forward-in-life-a-survivors-story-hope-works.
22. Hebreus 12:11.
23. Provérbios 3:11–12
24. Dieter F. Uchtdorf, “Sua grande aventura”, Liahona, novembro de 2019)
25. Mosias 4:9.

Jean B. Bingham, presidente geral da Sociedade de Socorro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, proferiu este discurso no devocional do dia 10 de dezembro de 2019.