Fé: Um princípio essencial do evangelho
Larry L. Howell
Professor no Departamento de Engenharia Mecânica da BYU
7 de junho de 2011
Professor no Departamento de Engenharia Mecânica da BYU
7 de junho de 2011
Na vida, é fácil ficarmos ocupados com todo tipo de coisa, até mesmo com coisas importantes, mas precisamos ter cuidado para não negligenciar aquilo que é essencial; caso contrário, nenhuma das outras coisas realmente importará.
Pretendemos modificar a tradução se for necessário. Para dar sugestões, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu
Há alguns anos, fui convidado para ser o orador principal numa conferência internacional em Londres. Foi uma grande honra profissional e uma ótima oportunidade de representar meu laboratório e a universidade perante um público internacional. Eu estava animado para a viagem e fiz os preparativos típicos: Organizei minha viagem, preparei meu discurso, forneci materiais para as pessoas que anunciavam a palestra e até mesmo planejei rotas no metrô de Londres para eu poder ir à Igreja e visitar lugares interessantes que eu ainda não conhecia. O dia chegou, minhas malas estavam prontas e eu estava a caminho de Londres.
Foi então que descobri que meu passaporte estava vencido. Meu passaporte estava vencido!
A conferência vinha anunciando minha palestra em seu site havia meses. Quando os participantes se inscreveram na conferência, receberam um programa que incluía minha foto e biografia. Mas, eu não iria comparecer porque meu passaporte estava vencido. Aquilo que pensei que seria uma grande honra se tornou uma das maiores vergonhas da minha vida. Eu tinha feito muitas coisas para me preparar para a viagem, mas negligenciei algo essencial. E por ter negligenciado essa coisa essencial, nenhuma das outras coisas importava. O fato de eu ter contado e arrumado o número certo de pares de meias para a viagem não importava porque eu tinha esquecido algo essencial.
Na vida, é fácil ficarmos ocupados com todo tipo de coisa, até mesmo com coisas importantes, mas precisamos ter cuidado para não negligenciar aquilo que é essencial; caso contrário, nenhuma das outras coisas realmente importará. Eu gostaria de falar sobre uma das coisas mais essenciais em nossas vidas: o primeiro princípio do evangelho – “Fé no Senhor Jesus Cristo” (Regras de Fé 1:4).
Alguns de vocês podem estar revirando seus olhos e pensando, “Fé? Esse é um conceito tão básico. Eu já entendo isso desde os seis anos de idade.” A fé pode ser um conceito simples em certos aspectos, mas toda vez que estudo sobre ela, percebo que ainda há muito que não compreendo. Então vou confessar que, embora eu pudesse escolher qualquer tema para o devocional de hoje, escolhi justamente algo que ainda não entendo completamente.
O que eu sei sobre a fé, aprendi tanto pelo estudo quanto pela experiência de vida. Gostaria de ilustrar alguns dos conceitos de fé usando experiências pessoais sobre como me tornei engenheiro. Espero que essas histórias nos ajudem a entender os conceitos e também sejam relevantes para aqueles que estão em situações semelhantes neste momento da vida.
Eu cresci na maravilhosa comunidade de Portage, Utah. Eu ouvi algumas pessoas se referirem a Portage como sendo um lugar “remoto.” Não concordo necessariamente com isso, mas vou explicar. Segundo o censo mais recente, a população de Portage é de 245 habitantes. Portage fica no condado de Box Elder, que é maior do que o estado de Connecticut, mas tem apenas cerca de 50.000 habitantes, a maioria dos quais está concentrada em Tremonton e Brigham City. Então, é seguro dizer que há bastante espaço para explorar. E era exatamente isso que meus amigos e eu fazíamos durante a infância: explorávamos as montanhas fazendo trilhas, mochilando e acampando. Muitas vezes eu estava com amigos, mas às vezes ia sozinho para refletir, orar e simplesmente desfrutar as criações de Deus. Lembro-me de momentos em que estava a quilômetros de qualquer outra pessoa, e pisava em um lugar e pensava que talvez eu fosse a única pessoa na história da humanidade a ter pisado ali. Foi emocionante pensar que eu tinha estado em algum lugar onde ninguém nunca havia estado antes. Essa mesma emoção é algo que me atrai na engenharia. Na engenharia — especialmente na pesquisa e desenvolvimento — tenho a oportunidade de fazer coisas que nunca foram feitas antes: expandir os limites do conhecimento, criar novas tecnologias que farão diferença no mundo e, de certa forma, pisar onde ninguém mais pisou.
Mas isso vem com um desafio: fazer coisas que nunca foram feitas antes requer que você se aventure no desconhecido. Não dá para simplesmente seguir outra pessoa ou repetir o que já foi feito. Ainda assim, mesmo sem ter um conhecimento perfeito da solução para os problemas em que se está trabalhando, há coisas que servem de evidência daquilo que se espera. Por exemplo, modelos matemáticos de fenômenos físicos nos ajudam a prever como algo se comportará antes de ser construído. Esses modelos nos fornecem evidências de coisas que ainda não se veem. Podemos construir e testar protótipos para avaliar como as partes de um futuro sistema funcionarão. Além disso, nossas experiências passadas nos dão confiança de que, se nos adequarmos a certas leis físicas, tudo sairá conforme o esperado.
Você provavelmente consegue perceber os paralelos entre a pesquisa em engenharia e a fé. O Apóstolo Paulo ensinou que “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem” (Hebreus 11:1). Embora não tenhamos um perfeito conhecimento de todas as coisas espirituais, há coisas que nos dão esperança. Por exemplo, como os modelos matemáticos usados pelos engenheiros, as promessas dadas nas escrituras nos ajudam a prever as bênçãos que resultam do cumprimento de certos mandamentos (ver D&C 1:37; 82:10; 130:20–21). Podemos testar protótipos espirituais seguindo o conselho do Salvador em João 7:17, vivendo uma doutrina e descobrindo por meio de nossa própria experiência se ela é verdadeira. Também podemos refletir sobre a influência que a mão de Deus já teve em nossa vida no passado e, assim, confiar que Ele continuará presente no futuro.
Mas o primeiro princípio do evangelho não é apenas a fé; é a fé no Senhor Jesus Cristo. Gostaria de falar sobre cinco coisas diferentes relacionadas à fé em Jesus Cristo. Elas são parafraseadas do manual Pregar Meu Evangelho (ver PME 2004, pp. 61–62).
Primeiro, ter uma firme crença de que Ele é o Filho Unigênito de Deus e o Salvador e Redentor do mundo. Essa crença é provavelmente a primeira coisa em que pensamos quando falamos de fé. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).
Segundo, reconhecemos que podemos voltar a viver com nosso Pai Celestial somente se confiarmos na graça e misericórdia de Seu Filho. Néfi ensinou: “Não há outro nome dado debaixo do céu, mediante o qual o homem possa ser salvo, a não ser o deste Jesus Cristo do qual falei” (2 Néfi 25:20). Entendemos que é essencial guardar os mandamentos e receber as ordenanças de salvação. Mas, como mortais, simplesmente não temos o poder de nos salvar; é somente através da Expiação de Cristo que podemos ser salvos. Conforme Néfi ensinou: “É pela graça que somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer” (2 Néfi 25:23). Portanto, não há necessidade de discussões entre fé e obras – precisamos de ambas.
Terceiro, confiamos Nele e no que Ele diz. Foi nesse ponto que senti que minha compreensão sobre fé começou a mudar. A fé em Jesus Cristo é mais do que apenas acreditar Nele; é confiar Nele, que Ele nos ama, que sabe o que é melhor para nós e que Seus mandamentos são para nosso benefício. Às vezes, até mesmo a falta de resposta às nossas orações pode nos ajudar a fortalecer nossa confiança Nele, e podemos entender que Sua vontade é melhor do que nossos próprios desejos. O Élder Joseph B. Wirthlin ensinou:
A fé existe quando a confiança absoluta naquilo que não podemos ver se une a uma ação absolutamente condizente com a vontade do Pai Celestial. Sem essas três – primeiro, a confiança absoluta; segundo, a ação e terceiro, a absoluta conformidade – sem essas três coisas, temos um pobre substituto, uma fé fraca e hesitante. (Porventura Achará Fé na Terra? A Liahona, Novembro de 2002).
Adequar nossas ações à vontade de nosso Pai Celestial vem dessa confiança.
Vou contar uma história para ilustrar a importância de confiar na vontade de Deus acima de nossos próprios desejos. Eu não conheço lugar melhor para desenvolver fé durante a infância do que Portage, Utah. É uma comunidade SUD maravilhosa, com pessoas incríveis. Mas não é exatamente o que você imaginaria como um caminho natural para a profissão de engenheiro. Quando jovem, conheci pouquíssimas pessoas que haviam se formado na faculdade, e acho que nunca tinha conhecido um engenheiro. Para ser honesto, pensei que engenheiros eram pessoas que conduziam trens. Então, naquela época da minha vida, não havia como orar e pedir a Deus que me ajudasse no caminho para o que hoje considero ser o emprego dos meus sonhos como professor de engenharia na BYU. Eu não poderia ter feito esse pedido porque nem sabia que esse tipo de trabalho existia ou que eu gostaria disso. Mas Deus sabia. É provável que, com minha compreensão imatura, eu tenha orado por outras coisas. Agora, sou grato por essas orações não terem sido respondidas da maneira que eu provavelmente teria desejado na época. Recordar essas experiências me ajuda a compreender que meu entendimento hoje ainda é imaturo comparado ao entendimento de Deus, e que devo confiar Nele mesmo quando as respostas às minhas orações não são as que espero no momento.
Mas a mão de Deus está em nossas vidas mesmo quando não a reconhecemos. Parte de minha compreensão sobre a orientação de Deus no caminho para minha carreira veio de forma incomum. Há alguns anos, o embaixador da Finlândia nos Estados Unidos estava visitando o campus, e eu fiz parte de um grupo convidado para almoçar com ele. Enquanto ele e eu conversávamos, o assunto naturalmente se voltou para o meu tempo como missionário na Finlândia, e mencionei algumas das bênçãos que vieram dessa experiência. Eu disse ao embaixador que uma das bênçãos foi que quando eu concluí meu serviço missionário, eu sabia de alguma forma que eu queria ser um engenheiro. Esse entendimento veio até mim enquanto eu estava focado no trabalho missionário, sem pensar no meu próprio futuro. Considerei isso como o cumprimento da promessa encontrada no Novo Testamento: que ao perdermos nossa vida a serviço de Deus, a encontramos (ver Mateus 10:39; 16:25). Ainda acredito firmemente nessa verdade, mas o embaixador fez uma observação interessante.
Ele explicou que, enquanto eu estava na Finlândia, fui exposto a uma cultura de alta tecnologia. Ele compartilhou dados que mostraram que uma porcentagem extraordinária de finlandeses estudam ciência, matemática e engenharia na faculdade. Ele explicou ainda que, quando jovem, ele e seus amigos, em vez de acompanharem atletas e celebridades, podiam nomear os principais pesquisadores científicos do país e o que eles faziam. Ele disse que eu fui exposto a essa cultura e que isso provavelmente influenciou minha forma de pensar. Refleti sobre isso e pensei nas grandes pessoas que conheci e respeitei na Finlândia, e sabia que elas haviam causado um impacto em mim. Cheguei à conclusão de que tanto o embaixador quanto eu estávamos certos. E também percebi que ele havia apontado uma bênção que eu ainda não havia reconhecido. Além de cumprir propósitos espirituais mais importantes com meu chamado missionário, Deus estava me colocando no lugar certo para viver experiências que me ajudariam a descobrir minha futura carreira. Essa percepção me fez pensar em quantas outras ternas misericórdias Deus havia me concedido e que eu não tinha reconhecido antes. Experiências como essa me ajudam a lembrar de confiar em Deus.
Voltei da minha missão e estudei engenharia mecânica aqui na BYU. Eu também tive a extraordinária sorte de me casar com minha esposa, Peggy. À medida que minha formatura se aproximava, tive o desejo de obter um diploma avançado. Peggy havia se formado em contabilidade e trabalhava em uma boa empresa de contabilidade pública local. Eu amava a BYU, e fazia sentido continuar aqui para um mestrado.
No entanto, ao pensarmos e orarmos a respeito, tivemos a clara impressão de que eu deveria aceitar uma oferta de emprego de uma empresa aeroespacial no Texas. Embora isso não parecesse tão óbvio no início, com o tempo, os benefícios dessa decisão ficaram claros. Já tínhamos nossa primeira filha, Angela, e Peggy poderia ficar em casa com ela. A empresa oferecia um programa que cobria os custos da pós-graduação em tempo parcial. Várias universidades locais ofereciam cursos cujas aulas eram transmitidas para a empresa por circuito interno de TV. A empresa me permitiria assistir às aulas durante o dia, desde que eu compensasse o tempo depois. Outra vantagem do trabalho era que eu seria engenheiro no projeto do YF-22, o primeiro protótipo do que se tornaria o F-22 Raptor da Força Aérea dos EUA. Essa foi uma oportunidade incomum para um universitário recém-formado, e estava em sintonia com meu amor por fazer coisas novas.
Nossa família se mudou para o Texas, e tive uma ótima experiência profissional. Mas também foi algo intenso. Era um projeto secreto de defesa, com prazos apertados, e eu era obrigado a trabalhar mais de 60 horas por semana. Somando isso às responsabilidades de um chamado na Igreja e de uma família em crescimento, simplesmente não era viável cursar uma pós-graduação naquele momento.
Fiquei desapontado e talvez até um pouco frustrado. Estávamos tentando fazer o que sentíamos ser certo e seguir as impressões espirituais que havíamos recebido, mas o objetivo de conseguir um diploma avançado parecia estar fora de alcance. No entanto, mais uma vez, o plano de Deus se mostrou muito melhor do que o meu. Ao aceitar aquele emprego, além de ganhar uma valiosa experiência profissional, as longas horas de trabalho vinham acompanhadas de pagamento de horas extras, que conseguimos economizar com a intenção de usá-las como entrada para a compra de uma casa – ou pelo menos foi o que pensávamos. Ter aquele dinheiro no banco nos deu a coragem necessária para, mais tarde, seguir com os estudos de pós-graduação em tempo integral.
Então, nossa família – que agora incluía nosso filho Travis – se mudou para Indiana, onde cursei mestrado e doutorado na Universidade Purdue. Ter essas portas abertas me deu a experiência educacional que eu precisava para seguir minha carreira atual. Quando terminei meu doutorado, nosso terceiro filho, Nathan, tinha nascido. E, como vocês podem imaginar, muitos outros milagres e ternas misericórdias foram necessários antes de eu me formar. Eu gostaria de poder dizer que foi a fé que tive em Cristo que fez tudo isso acontecer, mas o que posso dizer é que essa experiência – e tantas outras como ela – me deram oportunidades de refletir e reconhecer a mão de Deus em minha vida. Essas experiências fortaleceram minha confiança Nele. Quando as coisas parecem não sair como eu esperava, posso me lembrar dessas experiências e confiar Nele e em Sua vontade.
Quarto, sabemos que Ele tem o poder de cumprir Suas promessas. Suas promessas são realmente extraordinárias. Por exemplo, considere a Ressurreição. Uma vez que alguém está morto e enterrado, não há poder na terra que possa trazê-lo de volta. Não há ciência, não há medicina, não há engenharia, e não há nenhum médico que possa fazer isso. No entanto, sabemos que através do poder da Ressurreição de Cristo, nossos entes queridos que partiram antes de nós ressuscitarão, e teremos a oportunidade de estar juntos novamente. Isso nos dá esperança para a próxima vida. Como Alma ensinou:
O espírito e o corpo serão novamente reunidos em sua perfeita forma; os membros e juntas serão restaurados à sua devida estrutura. . . .
Esta restauração acontecerá com todos, tanto velhos como jovens, tanto escravos como livres, tanto homens como mulheres, tanto iníquos como justos; e não se perderá um único cabelo de sua cabeça, mas tudo será restaurado à sua perfeita estrutura. [Alma 11:43–44]
Essa é uma promessa incrível.
Embora a ressurreição vença a morte física, Cristo também promete que, por meio de Sua Expiação, podemos vencer os efeitos da morte espiritual e ser perdoados de nossos pecados. Às vezes, pode ser mais difícil acreditar que nossos pecados podem ser perdoados do que acreditar que nosso corpo pode ser ressuscitado. Mas Isaías disse: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (Isaías 1:18). Algumas pessoas sentem que o perdão se aplica a outras pessoas, mas não a si mesmas. Mas, por meio da fé, inclusive do conhecimento de que Cristo tem o poder de cumprir Suas promessas, podemos saber que esse poder também se aplica a nós. Alguém aqui pode estar pensando: “Você não sabe sobre esse pecado terrível, esse segredo ou coisa humilhante do meu passado.” Mas eu posso testificar que isso também pode ser apagado. Testifico a vocês que Jesus Cristo tem o poder de cumprir Suas promessas.
Quinto, aceitar e aplicar Sua Expiação e ensinamentos. Se acreditarmos em Cristo, confiarmos Nele e soubermos que Ele tem poder para cumprir Suas promessas – e Ele prometeu que podemos ser perdoados de nossos pecados se nos arrependermos – então, naturalmente, nos arrependeremos. Então, vemos que o primeiro princípio do evangelho leva ao segundo princípio.
A fé é fundamental para o nosso compromisso de guardar os mandamentos. Por exemplo, vamos considerar a lei do dízimo. Se eu pago dez por cento da minha renda como dízimo, significa que terei dez por cento a menos para gastar. A matemática é simples. Mas também conhecemos a promessa de Deus em Malaquias: Se pagarmos nossos dízimos e ofertas, Ele “abrirá as janelas do céu e derramará uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolhermos” (Malaquias 3:10). Portanto, se tivermos fé no Senhor Jesus Cristo, acreditaremos Nele, confiaremos Nele e saberemos que Ele tem poder para cumprir Suas promessas, inclusive a promessa de abrir as janelas do céu quando pagamos o dízimo. Então, pagar o dízimo deixa de ser apenas uma questão financeira e passa a ser uma demonstração de fé. O mesmo acontece com a Palavra de Sabedoria ou com qualquer outro mandamento.
Assim, a fé leva à ação.
Deixem-me compartilhar outro exemplo de minha trajetória até me tornar engenheiro. Como mencionei antes, quando concluí meu serviço missionário, estava determinado a me tornar engenheiro. Mas havia vários obstáculos no meu caminho – e um dos principais era que eu estava completamente despreparado em matemática. Eu não tinha dois pré-requisitos necessários para cursar cálculo, que é o ponto de partida para os estudos de engenharia. Felizmente, fui movido à ação pelo sentimento de que estava sendo conduzido na direção da minha carreira. Fui à livraria mais próxima na Universidade Estadual de Utah e comprei livros didáticos para os pré-requisitos que eu precisava: álgebra e trigonometria. Naquele verão, eu trabalhava durante o dia e estudava matemática à noite. Como nunca tinha feito um curso de matemática universitária, eu não sabia exatamente o que era esperado, então estudei os livros do começo ao fim, resolvendo todos os exercícios de números ímpares, comparando minhas respostas com as do final do livro, refazendo os problemas que errava e usando os resumos dos capítulos como se fossem provas para testar minha compreensão. Quando o semestre de outono se aproximou, eu estava nervoso para cursar cálculo, já que não havia feito oficialmente os pré-requisitos. Marquei uma conversa com um professor de matemática, contei a ele o que tinha feito durante o verão e, com certo receio, perguntei se ele achava que eu estava preparado para cursar cálculo. Ele se recostou na cadeira, me olhou com curiosidade e disse: “Acho que você vai se sair bem.”
Alguns de vocês, ao ouvirem falar de um verão assim, devem estar pensando que o mais surpreendente não é eu ter me tornado engenheiro, mas o fato de eu ter conseguido me casar. Felizmente, nem todos os meus verões foram assim, e fico feliz em dizer que, além de me casar, me casei muito bem. Isso deve dar esperança para alguns de vocês.
Há uma série de coisas que podemos fazer para edificar nossa fé. A oração é um dos aspectos fundamentais nesse sentido. Sinto grande consolo com a história do Novo Testamento sobre um pai que levou seu filho a Jesus para ser curado. Jesus explicou-lhe a necessidade da fé, e o homem respondeu: “Eu creio, Senhor; ajuda a minha incredulidade” (Marcos 9:24). Outra maneira importante de edificar a fé é estudar a palavra de Deus nas escrituras e nos ensinamentos dos profetas modernos. Como mencionei anteriormente, também fortalecemos nossa fé vivendo um mandamento e adquirindo nosso próprio testemunho de sua veracidade (ver João 7:17). Uma maneira importante de construir nossa fé é arrepender-se e sentir o poder da Expiação em nossas vidas. Quero incentivar vocês a fazer mais uma coisa: reflitam sobre as experiências de suas vidas e procurem por momentos em que conseguiram ver a mão de Deus. Às vezes, são necessários alguns anos de perspectiva para ver essa influência; nem sempre é óbvio no curto prazo. Mas, ao reconhecerem os momentos que pareciam ser desafios e provações, poderão perceber, no final, que essas experiências foram as que mais os ajudaram. Deixem que isso fortaleça sua confiança em Deus e em Sua vontade.
Aprendemos com Pregar Meu Evangelho:
Quando obedecemos a Deus, Ele nos abençoa. Ele nos dá forças para enfrentar os desafios da vida. Ele ajuda-nos a mudar os desejos de nosso coração. Por meio de nossa fé em Jesus Cristo, Ele pode nos curar, tanto física quanto espiritualmente. [Pregar Meu Evangelho, 2004, p. 62]
Assim como o meu passaporte era essencial para a minha viagem a Londres, a fé em Jesus Cristo é essencial para a nossa salvação eterna. Ela nos leva a guardar os mandamentos e aplicar a Expiação de Jesus Cristo. Um dia estarei diante do tribunal de Deus. E, naquele momento, ninguém vai me perguntar qual era a minha profissão. Ninguém vai se importar com quantos artigos publiquei ou quantas patentes recebi; essas coisas não terão qualquer relevância. Mas a fé em Jesus Cristo, o arrependimento, receber as ordenanças de salvação e perseverar até o fim são essenciais, e, se não fizermos essas coisas, nada mais importará.
Quero deixar meu testemunho de que a Igreja é verdadeira, que Jesus é o Cristo, nosso Salvador e nosso Redentor. Digo essas coisas em nome de Jesus Cristo. Amém.
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Larry L. Howell era professor da BYU no Departamento de Engenharia Mecânica quando este discurso foi dado no devocional do dia 7 de junho de 2011.