“A mais desejável de todas as coisas” Salani Lesā Pita 2 de julho de 2026 https://speeches.byu.edu/por/talks/salani-lesa-pita/a-mais-desejavel-de-todas-as-coisas/ --- Pretendemos modificar a tradução se for necessário. Para dar sugestões, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu Bom dia, amigos. Sinto-me feliz por estar com vocês hoje. Como foi dito na minha introdução, tenho poucas credenciais ou distinções em meu nome. Então, quando fui convidada a falar neste devocional, duas perguntas naturalmente vieram à minha mente: “Por que eu?” e “Por que agora?” Ao buscar, em espírito de oração, a orientação do Senhor para saber o que Ele gostaria que eu compartilhasse com vocês hoje, recebi uma resposta para a primeira pergunta. Por que eu? Porque devo compartilhar duas experiências pessoais específicas com vocês, as quais aconteceram ao longo de vários anos na minha vida. Uma diz respeito a um pequeno caderno vermelho e a outra diz respeito ao meu segundo filho. O que eu ainda não sei é a resposta para a segunda pergunta: Por que agora? Minha esperança é que o Senhor revele a resposta desta pergunta a cada um de vocês através dos sussurros do Espírito enquanto passamos tempo juntos nesta manhã. Experiência 1: O caderno vermelho Para falar-lhes sobre o pequeno caderno vermelho, vou começar em abril de 2010. Foi quando o presidente Henry B. Eyring deu um discurso na Conferência Geral chamado “Agir com Toda a Diligência”. No final do discurso, ele disse o seguinte: Encerro agora com o seguinte conselho para os servos do Senhor no sacerdócio: ponderem profunda e diligentemente as escrituras e as palavras dos profetas vivos. Perseverem em oração para que o Espírito Santo lhes revele a natureza de Deus, o Pai, e de Seu Filho Amado. Peçam fervorosamente que o Espírito lhes mostre o que o Senhor deseja que façam. Planejem fazê-lo. Prometam-Lhe que obedecerão. Prossigam com determinação até terem feito o que Ele pediu. E depois, orem para agradecer pela oportunidade de servir e para saber o que fazer em seguida.1 Essas são as palavras que eu li em 2010 durante meus estudos pessoais. Mas estas são as palavras que eu ouvi e senti: Este é um padrão muito importante. Você precisa começar a fazer isso. Então, dividi o conselho dele em pontos-chave (porque meu cérebro tem essa coisa de compreender através da organização), e percebi que havia sete ações que eu precisava praticar. Todas elas, exceto uma, começavam com a letra P. Isso era ótimo, pois me ajudaria a memorizá-las. 1. Ponderem profunda e diligentemente as escrituras e as palavras dos profetas vivos. 2. Perseverem em oração para que o Espírito Santo lhes revele a natureza de Deus, o Pai, e de Seu Filho Amado. 3. Peçam fervorosamente que o Espírito lhes mostre o que o Senhor deseja que façam. 4. Planejem fazê-lo. 5. Prometam-Lhe que obedecerão. 6. Prossigam com determinação até terem feito o que Ele pediu. 7. Orem para agradecer pela oportunidade de servir e para saber o que fazer em seguida. Olhei para a lista e senti que estava cumprindo a primeira ação, mas eu definitivamente poderia me tornar mais diligente. A segunda eu nunca sequer tinha pensado em fazer. E a terceira parecia ser a ação da qual todas as outras dependiam, porque eu não poderia planejar fazê-la, prometer obedecer, e assim por diante, sem primeiro saber pelo Espírito o que o Senhor queria que eu fizesse. Então, comecei a seguir o conselho do presidente Eyring de ser mais diligente no estudo das escrituras e das palavras dos profetas vivos, assim como a orar diariamente pelos conselhos número dois e três. Um dia, durante meus estudos, vários meses depois, li o seguinte em um artigo do élder Neil L. Andersen: Como podemos usar esse dom celeste como uma bússola vital para nossas ações diárias? Precisamos crer que, mesmo com nossas fraquezas, a voz mansa e delicada que sentimos vem de nosso Pai. Devemos orar, pedir e buscar e depois não ter medo, quando as respostas nos vierem ao coração e à mente. Precisamos crer que são divinas. Elas o são.2 Também li estas palavras do profeta Mórmon, conforme registradas por seu filho Morôni no Livro de Mórmon: Eis, porém, que aquilo que é de Deus convida e impele a fazer o bem continuamente; portanto, tudo o que convida e impele a fazer o bem e a amar a Deus e a servi-lo, é inspirado por Deus.3 Essas são as palavras que eu li. Estas são as palavras que ouvi e senti: Todo pensamento bom que você tem é inspirado por Deus. Acredite que seus bons pensamentos são divinos. Eles o são. Então, comecei a prestar mais atenção aos pensamentos positivos que eu tinha — os empurrõezinhos para agir, fazer ou dizer algo. Fiquei surpresa com quantos pensamentos bons eu tinha ao longo do dia. Isso foi em uma época da minha vida em que eu tinha quatro filhos pequenos em casa, um dos quais tinha necessidades especiais e precisava de cuidados constantes. Eu também tinha um chamado na Igreja que exigia tempo, e não demorou para eu começar a me sentir sobrecarregada por não conseguir fazer todas as coisas boas que pensava em fazer. Às vezes, eu tinha a ideia de fazer algo enquanto estava preparando o jantar ou cuidando de uma das crianças, mas acabava esquecendo aquela boa ideia na correria da minha vida. Por volta dessa época, ouvi o élder Richard G. Scott falar o seguinte: Se for para atender aos propósitos do Senhor, Ele pode trazer à nossa memória tudo o que já nos ocorreu. Isso não deve enfraquecer nossa determinação de registrarmos as impressões do Espírito. Esse registro detalhado da inspiração mostra a Deus que Suas comunicações são sagradas para nós e também ampliará nossa habilidade de recapturá-las.4 Essas são as palavras que ele disse. E estas são as palavras que ouvi e senti:  Você deveria pegar um caderno e anotar os bons pensamentos que tiver quando não puder colocá-los em prática imediatamente. Dessa forma, você não esquecerá, e ainda poderá fazer um plano para cumpri-las, prometer ao Senhor obedecer e agir com determinação até que tenha feito o que Ele pediu. O Espírito mostrou-me o que fazer e lembrou-me dos outros passos aconselhados pelo presidente Eyring. Foi aí que comecei a usar este pequeno caderno vermelho. [Uma foto foi mostrada.] Mantive-o sempre à mão durante todo o dia para para poder anotar rapidamente meus bons pensamentos à medida que o dia avançava. Minhas primeiras anotações incluíam coisas como: Visite [tal amigo(a)]. Planeje e realize uma noite de jogos para [tais amigos(as)]. Comece a fazer [isso] para ajudar [esse filho] a aprender a ler. Jejue por [esta bênção específica] para [esta pessoa específica]. Convide [este(a) amigo(a) específico(a)] para caminhar nos sábados de manhã. Não muito tempo depois de começar a usar este caderno, fui chamada e designada como presidente das Moças em minha ala, e meu caderno começou a se encher de pensamentos sobre cada uma das minhas trinta moças. Servi nesse chamado por quinze meses, até nossa família mudar para outro estado por questões de trabalho. Em nosso novo lar, meu caderno começou a se encher de pensamentos sobre membros da minha nova ala, vizinhos e colegas de trabalho. Ao longo dos anos, houve momentos em que eu tinha um bom pensamento e era capaz de colocá-lo em prática imediatamente. E também houve casos em que o momento específico em que o pensamento surgiu tornou qualquer ação impossível. Esse foi o caso, certa noite, enquanto eu estudava e me veio o pensamento de checar como a Camilla estava. Na época, meu marido, Todd, havia pegado o nosso único carro que funcionava para levar nossos meninos para uma atividade dos Rapazes, e a Camilla morava longe de minha casa. Então, mandei uma mensagem para ela e perguntei como estava. Trocamos mensagens durante a hora seguinte, e descobri que ela tinha tido vertigem e precisou faltar vários dias de trabalho. Mas ela estava se sentindo muito melhor, tinha voltado ao trabalho naquele dia, e agora estava limpando sua casa. Após concluir meus estudos naquela noite, tive este pensamento: Você deveria levar sopa para a Camilla. Não seria possível fazer isso naquele momento, então eu anotei no meu caderno. Vendo os meus horários de trabalho e os da Camilla, o mais cedo que eu conseguiria entregar a sopa seria depois do meu expediente no dia seguinte.Eu nem tinha sopa para levar para ela, então coloquei um alarme no meu telefone para me lembrar de ir direto ao mercado e comprar alguma sopa assim que saísse do trabalho. O dia seguinte foi difícil no trabalho, e no final do dia, eu tinha esquecido completamente sobre a sopa. Quando entrei no meu carro, ansiando por chegar em casa, meu alarme tocou, lembrando-me da sopa. Eu estou tão cansada, pensei. Só quero ir para casa. Não é como se ela estivesse esperando por mim. Talvez seja melhor levar amanhã. Eu estava prestes a fazer exatamente isso quando o conselho do presidente Russell M. Nelson, que ele havia dado apenas alguns dias antes, voltou à minha mente: Escolham fazer o trabalho espiritual necessário para desfrutar o dom do Espírito Santo e ouvir a voz do Espírito com mais frequência e de modo mais claro. Juntamente com Morôni, exorto-os a “virdes a Cristo e a vos apegardes a toda boa dádiva” neste domingo de Páscoa, começando com o dom do Espírito Santo, que pode e vai mudar sua vida.5 Naquele dia em que o presidente Nelson falou, eu havia me comprometido a melhorar. Eu sabia que o bom pensamento que havia tido era a voz do Espírito e que minha ação em relação àquela impressão era o trabalho necessário para poder ouvir o Espírito com mais frequência e de modo mais claro. Então, em vez de adiar a minha ação ainda mais e ir para casa, fui até o mercado, comprei sopa e fui direto para a casa da Camilla. Ela deve ter chegado do trabalho já, pensei, enquanto corria escada acima para o apartamento dela. Bati na porta e esperei um pouco. Quando ela finalmente abriu a porta, foi apenas uma frestinha, o suficiente para que eu pudesse ver que as luzes estavam apagadas e ela estava em seu roupão de banho. Ofereci a sacola com a sopa através da pequena fresta na porta e disse: “O Senhor me pediu pra trazer sopa pra você.” Camilla estendeu a mão, pegou a sacola e começou a chorar. Ela me contou que tinha um forte resfriado e não tinha ido trabalhar naquele dia. Ela disse que quinze minutos antes de eu chegar, estava revirando seu apartamento, procurando por uma sopa que ela achava que tinha. Após uma busca minuciosa, ela se sentou, derrotada, e clamou: “Jesus, você poderia, por favor, me deixar tomar um pouco de sopa?” “O Senhor certamente ama você, Camilla”, foi a minha resposta ao ouvir seu relato. Eu podia sentir Seu amor tão fortemente enquanto estava lá – Seu amor por ela e Seu amor por mim. Ao voltar para o meu carro, pensei em como o Senhor poderia ter respondido à oração de Camilla, ajudando-a a encontrar sopa em seu armário – até mesmo em um armário que ela tinha certeza de já ter verificado antes. Em vez disso, Ele me convidou a participar de Seu milagre. Senti meu amor por Ele aumentar, assim como minha conexão com Ele. Alguns anos depois, compartilhei essa experiência em uma reunião de domingo em meu estado natal. Uma jovem mãe que havia sido uma das minhas Moças dez anos antes estava presente. Mais tarde, ela se inclinou em minha direção e perguntou: “Estou nesse livro?” “Sim”, respondi. “Sabia!” ela disse. “Porque quando você começou [a fazer essa coisa específica], mudou minha vida.” Fiquei muito grata por podermos reconhecer juntas e lembrar novamente o amor do Senhor por nós. Então, por que agora? Por que essa é a experiência que o Senhor queria que eu compartilhasse com vocês hoje? Espero que tenham recebido ou venham a receber uma resposta a essa pergunta por meio do poder do Espírito Santo. Que bons pensamentos e sentimentos tiveram ao ouvir meu relato? Convido-os a reservarem um momento para anotá-los. Vou compartilhar algumas das verdades que o Espírito me ensinou por meio dessa experiência. Nem todas as anotações em meu caderno têm uma conclusão. Por dez anos, eu não sabia o efeito que uma inspiração teve sobre aquela jovem. Mas o fato de eu não conhecer ou ver o efeito não mudou o fato de que ele ocorreu. Vi o suficiente para saber com certeza que, sempre que ajo com fé para seguir um sussurro do Senhor, Seus propósitos são cumpridos.6 Não preciso conhecer Seu propósito para ser obediente,7 e não preciso ver Seu propósito cumprido para que isso aconteça. Estou disposta a seguir em frente com fé e deixar os resultados nas mãos Dele. Meu caderno, que antes era novo e bonito, agora está assim. [Foi mostrada uma foto de um caderno bastante usado.] Mas ele significa muito mais para mim agora do que quando era novo. Agora, ele me lembra do amor de Deus por cada um de Seus filhos e filhas e do desejo do Senhor de nos incluir em Sua obra. Posso afirmar com confiança que “faço parte de Sua Igreja e de Seu reino; e faço parte de Sua causa para levar a redenção a todos os filhos de Deus”8 — e vocês também. O meu grau de envolvimento depende de mim. Ao longo dos anos, houve momentos em que não fui tão diligente quanto em outros em ouvir, reconhecer e responder à voz do Espírito. Mas sempre que deixo o Senhor saber que desejo fazer parte de Sua obra, em qualquer função que Ele queira que eu sirva, Ele me inclui.9 Não preciso ser perfeita para ser incluída em Sua obra.10 Às vezes, os recursos do meu smartphone são úteis para registrar um bom pensamento ao longo do dia. Às vezes, uso o recurso Lembretes ou o aplicativo Calendário para registrar uma impressão. Outras vezes, envio uma mensagem de texto para mim mesma para não esquecer. Também já rabisquei uma nota no verso de uma nota fiscal e a coloquei no bolso com uma oração para que o Senhor me ajudasse a lembrar que ela estava lá. Independentemente da ferramenta que uso para me ajudar, é importante que eu pare para reconhecer um pensamento divino e mostrar minha intenção de obedecer.11 É em obediência a um pensamento divino que agora compartilho com vocês uma segunda experiência, que envolve meu filho Sa’olotoga. Nós o chamamos de Sa’o, para abreviar. Sa’o é o segundo dos meus quatro filhos e nasceu com muitos desafios, incluindo ser surdo e sem sensibilidade ao toque. Embora estivesse fisicamente no mundo, ele era incapaz de se mover, ouvir ou sentir o mundo ao seu redor. Neurologistas nos ensinaram que poderíamos ajudar Sa’o usando padrões intencionais e consistentes. Todos os dias, várias vezes ao dia, eu realizava uma sessão de padronização com Sa’o usando exercícios como estes: eu pegava uma xícara de água quente e uma xícara de água gelada e colocava uma colher de metal em cada xícara. Então eu dizia: “Isso está quente” e colocava a colher da água quente na parte de trás do pulso de Sa’o. A colher não estava quente o suficiente para queimar, mas quente o suficiente para que ele reconhecesse a temperatura. Em seguida, eu dizia: “Isto está frio” e colocava a colher da água gelada na parte de trás do outro pulso dele. Eu repetia esse padrão usando texturas, dizendo: “Isto é macio” ou “Isto é áspero”. Sa’o também tinha sessões táteis de massagem, batidinhas, coçadinhas e atrito com penas para ajudá-lo a aprender a sentir, bem como sessões de padronização várias vezes ao dia para ajudá-lo a aprender a se mover. Agora vocês podem estar pensando: por que você precisava dizer verbalmente a ele o que ele deveria estar sentindo, se ele era surdo? Eu tive o mesmo pensamento quando nos ensinaram o que fazer por ele. Mas eu queria muito ajudá-lo e não queria que meu ceticismo interferisse em suas chances de receber ajuda. Então, decidi confiar que os médicos especialistas sabiam mais do que eu e segui fielmente suas instruções. Ao mesmo tempo, fazíamos sessões de padrões auditivos ao longo do dia para ajudar Sa’o a ouvir. Eu dizia coisas como “Isso é um sino de mão”, “Isso é um pardal” ou “Isso é um caminhão de bombeiros”. Aliás, foi assim que aprendi que isso é um puma e isso é um puma da BYU. Durante cada sessão de padrão auditivo, garantíamos que não houvesse outros ruídos que distraíssem, para que fosse fácil para o Sa’o discernir os sons. Com o tempo, Sa’o começou a mostrar sinais de que conseguia ouvir coisas. Percebemos isso pela primeira vez com seu reflexo de susto. Ainda me lembro do dia em que ele tinha cerca de quinze meses e se assustou e chorou porque alguém fechou a porta com força. Outra vez, ele olhou na minha direção quando eu o chamei. E então, um dia, quando eu disse: “Isto está quente”, ele reagiu antes mesmo de eu colocar a colher em seu pulso. Pudemos interromper esse padrão específico, mas ainda levou vários anos para que ele desenvolvesse totalmente o reflexo de retirar a mão ao tocar em algo quente. Ao longo dos anos, Sa’o aprendeu a engatinhar, rastejar, andar e até correr — bem, é mais como um trote. Ele ainda não fala e tem muitos outros desafios, mas consegue ouvir e sentir o mundo ao seu redor e se comunica conosco de várias maneiras. Há muitas verdades que o Espírito me ensinou por meio desta experiência. Compartilharei apenas algumas. Assim como nosso corpo físico pode se tornar insensível devido a trauma ou negligência, nosso espírito pode tornar-se endurecido ou incapaz de discernir o amor de Deus por nós. A respeito disso, o élder Dale G. Renlund disse o seguinte: Podemos às vezes não sentir o Seu amor, mas esse amor está sempre presente. O amor de Deus é perfeito, mas nossa capacidade de senti-lo não é. . . . comportamentos que nos distanciam do Espírito Santo, incluindo o pecado, prejudicam nossa capacidade de reconhecer o amor de Deus. De modo similar, nossa percepção do amor de Deus pode ser deturpada por circunstâncias desafiadoras e enfermidades físicas ou mentais, entre outras coisas.12 Sei que não tenho sentido o amor de Deus de forma consistente ao longo da minha vida. Há momentos em que o sinto tão intensamente que me emociona e me leva a lágrimas de alegria. E, outras vezes, em meio a circunstâncias desafiadoras, minha percepção de Seu amor fica abalada. Ajudar meu filho a ouvir e sentir com seu corpo físico era importante para a segurança dele. Sem a capacidade de sentir dor, Sa’o não tinha nenhum aviso de que uma ação estava lhe causando dano físico, e precisava depender da intervenção de outras pessoas para sua segurança. Mas ser capaz de ouvir e sentir também era importante pela alegria que isso trazia à sua vida. Sa’o encontra tanta alegria e fascínio nas sensações das coisas do dia a dia — coisas que eu tomo como garantidas —, como a textura de uma folha ou o toque da água. Da mesma forma que a sensibilidade física é importante, sentir o amor de Deus é essencial não apenas para a nossa segurança espiritual, mas também pela alegria que traz para nossas vidas. O presidente Nelson disse: Asseguro-lhes de que seu Pai Celestial e Seu Amado Filho, Jesus Cristo, amam vocês. (…) Diversas vezes, oro por vocês para que sintam o amor Deles por vocês. Vivenciar o amor Deles é vital.13 Ser capaz de sentir remorso quando pecamos é um sinal de que conseguimos sentir o amor de Deus por nós. É um mecanismo de segurança para nos proteger de danos adicionais. Mas sentir Seu amor também nos traz grande alegria. Quando Néfi recebeu um tour da visão de seu pai sobre a árvore da vida, um anjo perguntou se ele sabia o significado da árvore que seu pai havia visto em visão. Néfi respondeu: Sim, é o amor de Deus, que se derrama no coração dos filhos dos homens; é, portanto, a mais desejável de todas as coisas. E [o anjo] falou-me, dizendo: Sim, e a maior alegria para a alma.14 Vocês já experimentaram a alegria do amor Dele? A alegria que você sente independentemente do que esteja ou não acontecendo em sua vida?15 O profeta Alma, no Livro de Mórmon, fez uma pergunta semelhante a uma congregação em Zaraenla: “Se haveis experimentado uma mudança no coração, se haveis sentido o desejo de cantar o cântico do amor que redime, eu perguntaria: Podeis agora sentir isso?”16 Talvez sua resposta a essa pergunta seja “Sim”. Ou talvez seja “Não. Eu realmente não sinto isso agora. Não como já senti antes.” Talvez sua resposta seja “Não sei se alguma vez senti isso.” Sei que, independentemente de onde estejamos nesse espectro, podemos aprender a reconhecer o amor de Deus ou aumentar nossa capacidade de senti-lo por meio de um padrão consistente e intencional. Assim como usei vários exercícios para o desenvolvimento físico de Sa’o, há várias coisas que podemos fazer em nossos esforços de desenvolvimento espiritual para sentir o amor de Deus, e a sobreposição desses esforços é benéfica. Destacarei quatro exemplos desses esforços hoje. 1. Orar O primeiro é orar. O presidente Nelson disse: Entendam que com a falta de experiências com Deus, podemos duvidar de Sua existência. Então, coloquem-se em uma posição em que comecem a ter experiências com Ele. Humilhem-se. Orem para que sejam capazes de ver a mão de Deus em sua vida e no mundo a seu redor. Peçam a Ele que digam a vocês se Ele realmente existe — se Ele os conhece. Perguntem a Ele como Ele se sente sobre vocês. E então escutem”.17 Considero significativo o que Leí vivenciou pouco antes de ver a árvore da vida — ou, em outras palavras, pouco antes de ver o amor de Deus. Estas são suas palavras: E depois de haver caminhado pelo espaço de muitas horas na escuridão, comecei a orar ao Senhor para que tivesse compaixão de mim segundo sua terna e infinita misericórdia. E aconteceu que depois de orar ao Senhor, vi um campo largo e espaçoso. E aconteceu que vi uma árvore cujo fruto era desejável para fazer uma pessoa feliz.18 Infelizmente, eu já fiz a mesma coisa: caminhei na escuridão e lutei sozinha por algum tempo antes de me lembrar de clamar ao Senhor por misericórdia. Às vezes foi porque eu não percebi, no início, quanto tempo a luta iria durar, e meu primeiro instinto foi cingir meus lombos e perseverar. Embora essa não seja uma abordagem ruim, uma abordagem muito melhor é perseverar com a ajuda do Senhor. 2. Buscar o Espírito Depois que Leí orou e viu a árvore da vida, ele ainda precisou se aproximar da árvore e comer de seu fruto.19 Pelos relatos no sonho dele sobre outros que se esforçavam para fazer o mesmo, isso não foi uma tarefa rápida nem fácil. Ver o amor de Deus não é o mesmo que partilhar do amor de Deus, e Deus não nos forçará a partilhar de Seu amor.20 Em vez disso, podemos usar nosso arbítrio para nos engajar em esforços padronizados consistentes que se complementam com a oração para nos ajudar a partilhar do amor de Deus. Um desses esforços é estar onde o Espírito de Deus está presente.21 Podemos fazer isso arrependendo-nos diariamente, estudando as escrituras, partilhando do sacramento, estudando as palavras dos profetas vivos, adorando no templo, fazendo história da família e colocando-nos consistentemente em lugares santos. Assim como nossa família precisou remover distrações auditivas durante a padronização de Sa’o, quando consistentemente nos colocamos em lugares onde as distrações mundanas são minimizadas, podemos ouvir e sentir mais facilmente o Espírito testificar a verdade ao nosso coração e à nossa mente. O presidente Nelson disse: A verdade mais importante que o Espírito Santo testificará a vocês é que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Ele vive! Ele é nosso advogado junto ao Pai, nosso Exemplo e nosso Redentor.22 Jesus Cristo é o amor de Deus. Quanto mais O conhecermos e O amarmos, mais conheceremos e sentiremos o amor de Deus por nós.23 3. Lembrar da Bondade de Deus O rei Benjamim ensinou este próximo esforço a seu povo, conforme registrado no Livro de Mórmon: …Quisera que vos lembrásseis e sempre guardásseis na memória a grandeza de Deus e vossa própria nulidade; e sua bondade e longanimidade para convosco (…) e que vos humilhásseis com a mais profunda humildade, invocando diariamente o nome do Senhor e permanecendo firmes na fé naquilo que está para vir (…). E eis que vos digo que, se fizerdes isso, sempre vos regozijareis e estareis cheios do amor de Deus (…).24 Lembrar da bondade de Deus nos permite partilhar de Seu amor e sempre nos regozijarmos. 4. Servir ao Próximo O último esforço que destacarei, que nos ajuda a partilhar do amor de Deus, é servir aos outros por Ele. Cada experiência em meu pequeno caderno vermelho, juntamente com inúmeras outras, ajudou-me a sentir o amor de Deus — Seu amor por aqueles a quem sirvo e Seu amor por mim. Assim como meu filho Sa’o precisou da ajuda de outras pessoas em sua jornada física, nós precisamos uns dos outros em nossa jornada para sentir o amor de Deus de maneira mais abundante em nossa vida. Cada vez que servimos alguém e nos esforçamos para ver e amar uns aos outros como o Salvador o faz, estamos, em essência, dizendo: “Este é o amor de Deus. Este é o amor de nosso Salvador.”25 Se hoje vocês sentem que suas orações não são ouvidas ou que não conseguem sentir o amor de Deus por vocês, saibam que todo esforço que vocês fazem importa, mesmo que ainda não o reconheçam. O Pai Celestial e Jesus Cristo conhecem, ouvem e amam vocês. Isso é tão certo quanto a verdade de que vocês existem. Espero que nosso tempo juntos tenha contribuído, ainda que de maneira pequena, para seus esforços de sentir o amor Deles por vocês de forma mais abundante. Eu os incentivo a continuar com seus esforços padronizados. Não desistam. Orem por ajuda para não desistir.26 Sei que nosso profeta vivo e os apóstolos são testemunhas especiais de Jesus Cristo. Dar ouvidos às palavras deles tem me ajudado a conhecer o Salvador e tornou-os belos aos meus olhos. Sei que eles falam as palavras de Cristo e que, ao nos banquetearmos com suas palavras, “as palavras de Cristo vos dirão todas as coisas que deveis fazer”27 e “o Espírito Santo . . . vos mostrará todas as coisas que deveis fazer”.28 Jesus Cristo vive. Ele é o amor de Deus. Descobri por mim mesma que sentir Seu amor vale qualquer esforço. Verdadeiramente é “a mais desejável de todas as coisas” e “a maior alegria para a alma”. Compartilho estas coisas com vocês em nome de Jesus Cristo. Amém. © Brigham Young University. 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