Como eu te amo? Jeffrey R. Holland 12 de junho de 2026 https://speeches.byu.edu/por/talks/jeffrey-r-holland/como-eu-te-amo/ --- Pretendemos modificar a tradução se for necessário. Para dar sugestões, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu Estou muito feliz por estar aqui com vocês no dia seguinte ao Dia dos Namorados e no dia anterior ao aniversário da irmã Holland.  Adivinhem o que está em minha mente! Adivinhem sobre o que vou falar! Sim, vou falar sobre o amor, porque Shakespeare me obrigou a isso. Vejam bem, hoje é quinze de fevereiro [Dia dos Namorados nos EUA]. Se fosse quinze de março, seriam os idos de março. E talvez vocês se lembrem de que Brutus participou do assassinato de Júlio César exatamente nos idos de março. Coube a Marco Antônio vingar-se de Brutus no grande discurso fúnebre, o mesmo Marco Antônio que deixou Cleópatra guiá-lo a um beco sem saída. Não importa que os idos de fevereiro tenham sido, na verdade, anteontem. Certamente não vou permitir que isso me impeça de falar sobre o amor, romance e casamento, um tema completamente alheio aos interesses dos estudantes no campus da BYU e raramente mencionado aqui durante todo este mês. Façam-me um favor: façam de conta que estão interessados — nem que seja apenas porque a irmã Holland é minha namorada e amanhã é o aniversário dela. Olhem, conquistar a irmã Holland não foi nada fácil. Eu me esforcei, me esforcei e me esforcei até que, finalmente, tive coragem de pedir a mão dela em casamento. Em um clima romântico, perguntei da forma mais terna e humilde que consegui: “Pat, quer se casar comigo?” Ao que ela respondeu: “Ah, meu querido, meu amor… sim! Sim, sim, sim! Quando vamos marcar a data? Ah, temos que reservar o templo. Eu já sei exatamente quais cores quero para as madrinhas. Vamos fazer a recepção em um salão ou ao ar livre? E alguém precisa ficar com o livro de convidados. E eu já consigo imaginar o bolo que queremos…” Então ela parou no meio da frase e disse: “Ah, meu querido. Você está tão emocionado que ficou sem palavras. E eu aqui, falando sem parar. Você não gostaria de dizer algo nesta noite tão especial?”  Ao que respondi: “Acho que já falei demais.” Ela contesta essa história ao lembrar-me que, quando cheguei para nosso primeiro encontro, seu irmãozinho gritou: “Ei, bonitona, seu chiclete chegou!” Na verdade, nenhuma dessas histórias é verdadeira, mas quem sabe? Talvez vocês possam usá-las algum dia, quando tiverem que discursar na BYU sobre amor e casamento. Agora, permitam-me falar sério. O que aprendi sobre o amor romântico e a beleza do casamento aprendi com a irmã Holland. Sinto-me honrado por ser seu marido e me alegro por vocês pelo fato de ela estar novamente neste campus esta manhã, nem que seja apenas por uma ou duas horas. Certa vez, eu disse a respeito dela, parafraseando o que o Adão de Mark Twain disse sobre sua Eva: “Onde quer que ela estivesse, lá era o paraíso” (ver “O Diário de Adão e Eva”). Desejo falar a vocês nesta manhã sobre o amor semelhante ao de Cristo e sobre o que acredito que ele pode e deve significar em suas amizades, namoro, noivado e outros compromissos sérios e, por fim, no casamento. Abordo este assunto bem consciente de que, como me disse uma jovem recém-noiva no mês passado, “Certamente há muitos conselhos por aí!” Não desejo acrescentar desnecessariamente a essa retórica sobre o amor, mas acredito que, abaixo apenas da sua condição de membros da Igreja, a mais importante de todas as associações que terão no tempo e na eternidade será o casamento — e, para os fiéis, o que não vier no tempo virá na eternidade. Portanto, talvez vocês todos me perdoem por oferecer, sim, mais conselhos. Mas desejo que sejam conselhos das escrituras, conselhos do evangelho. Conselhos, se me permitem, tão fundamentais para a vida quanto para o amor — igualmente aplicáveis a homens e mulheres. Não têm nada a ver com modas, tendências do momento ou truques do ofício, mas tem tudo a ver com a verdade. Quero, então, nesta manhã, colocar suas amizades, seus encontros e, por fim, seus casamentos em um contexto das escrituras e falar-lhes sobre aquilo que procurarei transmitir como o verdadeiro amor. Após um longo e maravilhoso discurso de Mórmon sobre o tema da caridade, o sétimo capítulo de Morôni nos diz que essa mais elevada das virtudes cristãs é mais precisamente chamada de “o puro amor de Cristo”. E permanece para sempre; e para todos os que a possuírem, no último dia tudo estará bem.  Portanto, … rogai ao Pai, com toda a energia de vosso coração, que sejais cheios desse amor que ele concedeu a todos os que são verdadeiros seguidores de seu Filho, Jesus Cristo; que vos torneis filhos [e filhas] de Deus; que quando ele aparecer, sejamos como ele, porque o veremos como ele é; … que sejamos purificados, como ele é puro. [Morôni 7:47–48]  A verdadeira caridade, o amor absolutamente puro e perfeito de Cristo, só foi conhecida uma única vez neste mundo — na pessoa do próprio Cristo, o Filho vivo do Deus vivo. É esse amor de Cristo que Mórmon descreve com certo detalhe para nós, assim como o fez o apóstolo Paulo alguns anos antes, ao escrever aos coríntios nos tempos do Novo Testamento. Como sempre, Cristo é o único que fez tudo corretamente, que o fez de maneira perfeita, que amou da forma como todos nós devemos tentar amar. Ainda que não alcancemos esse padrão, ele permanece diante de nós como um ideal divino. É uma meta para a qual devemos continuar a nos voltar e a nos esforçar — e, certamente, uma meta que devemos continuar a valorizar. E, ao falarmos disso, quero lembrar-lhes que, como Mórmon ensinou claramente, esse amor, essa capacidade, essa aptidão e essa reciprocidade que todos tanto desejamos é um dom. É algo que é “concedido” — essa é a palavra usada por Mórmon. Não vem sem esforço e não vem sem paciência, mas, assim como a própria salvação, no final das contas é um dom, dado por Deus aos “verdadeiros seguidores de seu Filho, Jesus Cristo”. As soluções para os problemas da vida são sempre soluções do evangelho. Não apenas as respostas são encontradas em Cristo, mas também o poder, o dom, a concessão, e o milagre de se dar e receber essas respostas. Neste assunto de amor, nenhuma doutrina poderia ser mais encorajadora para nós do que essa. Tomei como título de minhas palavras a maravilhosa frase da Sra. Browning: “Como eu te amo?” (Elizabeth Barrett Browning, Sonetos da portuguesa [1850], n. 43). Nesta manhã, não vou “contar as maneiras”, como diz o poema, mas fico impressionado com sua escolha de advérbio — não quando eu te amo, nem onde eu te amo, nem por que eu te amo, nem por que não me amas, mas, sim, como. Como é que demonstro isso? Como revelo meu verdadeiro amor por ti? A Sra. Browning estava certa. O amor verdadeiro é melhor expresso no “como”, e é nesse “como” que Mórmon e Paulo mais nos ajudam. O primeiro elemento do amor divino — o amor puro — ensinado por esses dois profetas é sua bondade, sua natureza altruísta e sua falta de ego, vaidade e de uma obsessão avassaladora consigo mesmo. “E a caridade é sofredora e é benigna e não é invejosa e não se ensoberbece; não busca seus interesses” (Morôni 7:45). Já ouvi o Presidente Hinckley ensinar, tanto em público quanto em particular — o que suponho que todos os líderes tenham dito — que a maioria dos problemas no amor e no casamento, em última análise, começa com o egoísmo. Ao delinear o amor ideal, no qual Cristo — o homem mais altruísta que já viveu — é o grande exemplo, não é surpreendente que esse comentário das escrituras comece justamente aqui. Há muitas qualidades que vocês vão querer procurar em um amigo ou em um namoro sério — e ainda mais em um cônjuge e companheiro eterno — mas certamente entre as primeiras e mais fundamentais dessas qualidades estão o cuidado e a sensibilidade para com os outros, um ego tão pequeno que permita que a compaixão e a cortesia se tornem evidentes. “A melhor parte da vida de um bom homem [é] a sua … bondade,” disse Sr. William Wordsworth (Lines Composed a Few Miles Above Tintern Abbey [Linhas Compostas a Poucas Milhas da Abadia de Tintern][1798], linhas 33–35). Há muitas limitações em todos nós que esperamos que os nossos amados ignorem. Suponho que ninguém seja tão bonito ou tão bonita quanto deseja, ou tão brilhante na escola, ou tão espirituoso na fala, ou tão rico quanto gostaríamos. Mas, em um mundo de talentos e fortunas variadas que nem sempre podemos controlar, acho que isso torna ainda mais atraentes as qualidades que podemos controlar — qualidades como a consideração, a paciência, uma palavra amável e o verdadeiro prazer na realização de outra pessoa. Estas qualidades não nos custam nada e podem significar tudo para quem as recebe. Eu gosto da linguagem de Mórmon e de Paulo que diz que alguém que ama verdadeiramente “não se ensoberbece”. Imaginem alguém inflado de orgulho — não é uma ótima imagem? Vocês já estiveram com alguém tão pretensioso, tão cheio de si mesmo que parecia o boneco da Michelin? O comediante Fred Allen disse, certa vez, que viu um homem desses andando pela Alameda dos Namorados, segurando a sua própria mão. O verdadeiro amor floresce quando nos preocupamos mais com outra pessoa do que com nós mesmos. Esse é o grande exemplo expiatório de Cristo para nós, e deve ser mais evidente na bondade que demonstramos, no respeito que oferecemos e no altruísmo e cortesia que empregamos nas nossas relações pessoais. O amor é algo frágil, e alguns elementos da vida podem tentar abalá-lo. Grandes danos podem ser causados se não estivermos em mãos ternas, mãos carinhosas. Entregar-nos totalmente a outra pessoa, como fazemos no casamento, é a maior prova de confiança que podemos dar em qualquer relação humana. É um verdadeiro ato de fé — fé que todos nós devemos estar dispostos a exercer. Se o fizermos da maneira correta, acabamos por compartilhar tudo com a outra pessoa: todas as nossas esperanças, todos os nossos medos, todos os nossos sonhos, todas as nossas fraquezas e todas as nossas alegrias. Nenhum namoro, noivado ou casamento sério merece esse nome se não investirmos nele tudo o que temos e, ao fazê-lo, nos entregarmos completamente à pessoa que amamos. Não podemos ter sucesso no amor se ficarmos com um pé atrás por receio. A própria natureza do empreendimento exige que nos apeguemos um ao outro o mais firmemente possível e mergulhemos juntos. Nesse espírito, e no espírito do pedido de Mórmon por puro amor, quero que vocês entendam a vulnerabilidade e a delicadeza do futuro de seu parceiro, que é colocado sob a sua responsabilidade. Quer seja homem ou mulher, a responsabilidade é a mesma. A irmã Holland e eu estamos casados há quase 37 anos, quase o dobro do tempo que vivemos um sem ou outro. Talvez eu não saiba tudo sobre ela, mas conheço 37 anos de sua vida, e ela conhece o mesmo de mim. Eu conheço os gostos dela e ela conhece os meus. Conheço suas preferências e interesses, suas esperanças e sonhos, e ela conhece os meus. À medida que o nosso amor cresce e a nossa relação amadurece, tornamo-nos cada vez mais abertos um com o outro sobre tudo isso. O resultado é que agora sei com muito mais clareza como ajudá-la e, se eu me permitir, sei exatamente o que irá machucá-la. Na honestidade do nosso amor — amor que não pode ser verdadeiramente como o de Cristo sem essa devoção total — certamente Deus me responsabilizará por qualquer dor que lhe causar ao explorá-la ou machucá-la intencionalmente, quando ela tem colocado tanta confiança em mim, tendo abandonado há muito tempo qualquer forma de autoproteção para que pudéssemos ser, como dizem as escrituras, “ambos uma carne” (Gênesis 2:24). Prejudicá-la ou impedi-la, de qualquer forma, para o meu próprio benefício ou vaidade ou para exercer domínio emocional sobre ela me desqualifica imediatamente como marido. De fato, condenaria minha alma miserável ao encarceramento eterno naquele grande e espaçoso edifício que Leí diz ser a prisão daqueles que vivem de “fantasias vãs” e do “orgulho do mundo” (1 Néfi 11:36, 12:18). Não é de se admirar que esse edifício esteja no lado oposto do campo em relação à árvore da vida que representa o amor de Deus! Em tudo o que Cristo foi, Ele nunca foi invejoso ou presunçoso, nunca foi consumido pelas Suas próprias necessidades. Ele nunca, nunca mesmo, procurou ganhar vantagem à custa de outra pessoa. Ele se alegrava com a felicidade dos outros — a felicidade que Ele poderia lhes proporcionar. Ele sempre foi bondoso. Em um relacionamento amoroso, não quero que passem sequer cinco minutos com alguém que os menospreze, que os critique constantemente, que seja cruel às suas custas e que ainda por cima chame isso de humor. A vida já é difícil o suficiente sem que a pessoa que os deveria amar ataque a sua autoestima, sua dignidade, sua confiança e alegria. Ao lado dessa pessoa, vocês merecem se sentir fisicamente protegidos e emocionalmente seguros. Membros da Primeira Presidência ensinaram que “qualquer [tipo] de abuso físico ou mental a qualquer mulher não é [digno] de nenhum portador do sacerdócio” e que nenhum “portador do sacerdócio de Deus [deve] maltratar a esposa de qualquer maneira, diminuí-la, ofendê-la ou aproveitar-se indevidamente [dela ou de qualquer outra] mulher” — e isso inclui amigas, namoradas e noivas, quanto mais esposas! [James E. Faust, “O lugar de honra mais elevado”, A Liahona, julho de 1988, pp. 35-38, e Gordon B. Hinckley, “Estender a mão com amor e bondade” A Liahona, janeiro de 1983, pp. 130-133] Se estiverem apenas indo comer pizza ou jogar tênis, que seja com alguém que vá proporcionar uma diversão boa e saudável. Mas, se for algo sério, ou se querem que se torne sério, por favor, encontrem alguém que desperte o melhor em vocês e que não tenha inveja do seu sucesso. Encontrem alguém que sofra quando vocês sofrem e que encontre a própria felicidade na sua. O segundo segmento deste sermão das escrituras sobre o amor que se encontra em Morôni 7:45 diz que a verdadeira caridade — o verdadeiro amor — “não se irrita facilmente, não suspeita mal e não se regozija com a iniquidade”. Pensem em quantas discussões poderiam ser evitadas, quantas mágoas poderiam ser poupadas, quanta indiferença e tratamentos de silêncio poderiam ser eliminados e, no pior dos casos, quantas separações e divórcios poderiam ser evitados se não nos irritássemos tão facilmente, se não suspeitássemos mal uns dos outros e se não apenas não nos regozijássemos com a iniquidade, mas também não nos regozijássemos nem mesmo com pequenos erros. Ataques de birra não são fofos nem mesmo em crianças. Em adultos, eles são desprezíveis, especialmente adultos que deveriam amar um ao outro. Nos irritamos com muita facilidade; somos propensos demais a achar que nosso parceiro quis nos ferir — quis nos fazer mal, por assim dizer; e, em uma reação defensiva ou ciumenta, muitas vezes nos regozijamos quando o vemos cometer um erro e encontrá-lo em falta. Vamos demonstrar um pouco de disciplina quanto a isso. Agir de forma um pouco mais madura. Mordam a língua se for preciso. “Melhor é o longânimo do que o valente, e o que governa o seu espírito do que o que toma uma cidade” (Provérbios 16:32). Pelo menos uma diferença entre um casamento tolerável e um ótimo casamento é justamente essa disposição de deixar algumas coisas passarem sem comentários, sem reação. Eu mencionei o Shakespeare anteriormente. Em um discurso sobre amor e romance, era de se esperar uma referência a Romeu e Julieta. Mas, permitam-me fazer referência a uma história bem menos virtuosa. No caso de Romeu e Julieta, o resultado foi fruto da inocência que se perdeu, uma espécie de erro triste e doloroso entre duas famílias que deveriam ter agido melhor. Mas, na história de Otelo e Desdêmona, a tristeza e a destruição são calculadas — são motivadas por malícia desde o início. De todos os vilões das obras de Shakespeare, e talvez de toda a literatura, não há ninguém que eu deteste tanto quanto Iago. Até mesmo o nome dele me soa maléfico para mim, ou pelo menos assim se tornou. E qual é a sua maldade e a trágica, quase indesculpável suscetibilidade de Otelo a ela? É a violação de Morôni 7 e de 1 Coríntios 13. Entre outras coisas, eles procuraram o mal onde não existia, abraçaram a iniquidade imaginária. Os vilões aqui não se regozijaram “na verdade”. Da inocente Desdêmona, Iago disse: “Transformo a sua virtude em piche; e de sua própria bondade faço a rede que há de enredar a todos” (William Shakespeare, Otelo, ato 2, cena 3, linhas 366–68). Semeando dúvidas e insinuações diabólicas, provocando a inveja, o engano e, finalmente, uma ira mortal, Iago provoca Otelo a tirar a vida de Desdêmona — a virtude transformada em piche, a bondade distorcida numa rede fatal. Agora, graças aos céus, nesta manhã aqui em Happy Valley [“Vale Feliz”, apelido dado à região de Utah Valley, onde se encontra a BYU], não estamos falando de infidelidade, real ou imaginária, nem de assassinato. Mas, no espírito de uma educação universitária, vamos aprender as lições que nos estão sendo ensinadas. Pensem o melhor um do outro, especialmente daqueles que vocês dizem amar. Presumam o bem e duvidem do mal. Cultivem em si mesmos o que Abraham Lincoln chamou de “os melhores anjos da nossa natureza” (Primeiro Discurso de Posse, 4 de março de 1861). Otelo poderia ter sido salvo até mesmo no último momento, quando beijou Desdêmona e a pureza dela era tão evidente. “Esse [beijo] quase convence a Justiça a quebrar sua espada!”, disse ele (ato 5, cena 2, linhas 16–17). Bem, ele teria sido poupado da morte de Desdêmona e de seu próprio suicídio se tivesse despedaçado naquele exato momento o que considerava ser a espada da justiça, em vez de, figurativamente falando, usar a espada contra ela. Esse trágico conto elisabetano poderia ter tido um final belo e feliz se apenas um homem, que então influenciou outro, não tivesse suspeitado mal e não tivesse se regozijado com a iniquidade, mas sim com a verdade. Em terceiro e último lugar, os profetas nos dizem que o amor verdadeiro “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13:7). Novamente, isso é essencialmente uma descrição do amor de Cristo. Ele é o maior exemplo de alguém que sofreu, creu, esperou e suportou todas as coisas. Somos convidados a fazer o mesmo no namoro e no casamento, da melhor maneira que pudermos. Perseverem e sejam fortes. Tenham esperança e fé. Há coisas na vida sobre as quais temos pouco ou nenhum controle. Estas coisas têm que ser suportadas. Algumas decepções têm que ser vividas no amor e no casamento. Essas são coisas que ninguém deseja na vida, mas que, às vezes, acontecem. E quando acontecem, temos que suportá-las; temos que acreditar; temos que esperar que tais tristezas e dificuldades acabem; temos que perseverar até que as coisas se resolvam no final. Um dos grandes propósitos do amor verdadeiro é ajudar um ao outro nesses momentos. Ninguém deveria ter que enfrentar tais tribulações sozinho. Podemos suportar praticamente qualquer coisa se tivermos alguém ao nosso lado que realmente nos ame, que alivie o fardo e torne a carga mais leve. A respeito disso, o Professor Brent Barlow, um amigo que também é membro do corpo docente da BYU, falou-me há alguns anos sobre a marca de Plimsoll. Quando jovem, na Inglaterra, Samuel Plimsoll era fascinado por observar o carregamento e descarregamento de navios. Ele logo percebeu que, independentemente do espaço de carga disponível, cada navio tinha sua capacidade máxima. Se um navio excedesse esse limite, provavelmente naufragaria. Em 1868, Plimsoll entrou para o Parlamento e aprovou uma lei de marinha mercante que, entre outras coisas, exigia o cálculo da capacidade de carga de cada navio. Como resultado, linhas foram desenhadas no casco de cada navio na Inglaterra. À medida que a carga era colocada, o cargueiro afundava cada vez mais na água. Quando o nível de água na lateral do navio atingia a marca de Plimsoll, o navio era considerado carregado em sua capacidade máxima, independentemente de quanto espaço restasse. Graças a isso, o número de mortes de britânicos no mar foi grandemente reduzido. Tal como os navios, as pessoas têm capacidades diferentes em momentos diferentes e até mesmo dias diferentes em suas vidas. Em nossos relacionamentos, precisamos definir as nossas próprias marcas de Plimsoll e ajudar a identificá-las na vida daqueles que amamos. Juntos, precisamos vigiar os níveis de carga e ser prestativos em aliviar ou, pelo menos, reajustar parte do peso se virmos que quem amamos está afundando. Então, quando o navio do amor estiver estabilizado, podemos avaliar a longo prazo o que precisa continuar, o que pode ser adiado para outro momento, e o que pode ser deixado de lado permanentemente. Amigos, namorados e cônjuges precisam ser capazes de monitorar o estresse um do outro e reconhecer as diferentes marés e estações da vida. Devemos isso uns aos outros: estabelecer limites e, então, ajudar a descartar certas coisas se a saúde emocional e a força de nossos relacionamentos estiverem em risco. Lembrem-se: o amor puro “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” e ajuda os entes queridos a fazerem o mesmo. Permitam-me concluir. Nos testemunhos finais de Mórmon e Paulo, eles declaram que “a caridade [ou o puro amor] nunca falha” (Morôni 7:46, 1 Coríntios 13:8). Ela está presente em todos os momentos, bons e maus. Ela resiste sob o sol e na sombra, em meio à dor mais profunda e em direção à luz. Ela nunca falha. Foi assim que Cristo nos amou, e é assim que Ele esperava que nos amássemos uns aos outros. Numa exortação final a todos os Seus discípulos de todas as épocas, Ele disse: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei a vós” (João 13:34; ênfase adicionada). É claro que essa perseverança cristã no romance e no casamento exige mais do que qualquer um de nós realmente possui. Ela requer algo maior — requer uma investidura dos céus. Lembrem-se da promessa de Mórmon: que esse amor — o amor pelo qual todos ansiamos e ao qual nos apegamos — é concedido aos verdadeiros seguidores de Cristo. Vocês querem capacidade, segurança e proteção no namoro e no romance, na vida conjugal e na eternidade? Sejam verdadeiros discípulos de Jesus. Sejam Santos dos Últimos Dias genuínos, comprometidos em palavras e ações. Acreditem que sua fé tem tudo a ver com seu romance, porque realmente tem. Separem o namoro do discipulado por sua própria conta e risco. Ou, para dizer de forma mais positiva, Jesus Cristo, a Luz do Mundo, é a única lâmpada pela qual vocês podem ver com sucesso o caminho do amor e da felicidade para vocês mesmos e para quem vocês amam. Como eu devo te amar? Como Ele ama, pois Seu amor “nunca falha”. Assim testifico e expresso o meu amor por vocês e por Ele. No sagrado nome do Senhor Jesus Cristo, amém. © Intellectual Reserve, Inc. Todos os direitos reservados.