“Corramos com paciência a carreira que nos está proposta” Bradley P. Owens 26 de junho de 2026 https://speeches.byu.edu/por/talks/bradley-p-owens/corramos-com-paciencia/ --- Pretendemos modificar a tradução se for necessário. Para dar sugestões, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu Bom dia, irmãos e irmãs. É maravilhoso estar com vocês. Obrigado por participarem deste devocional do campus. Ao olhar para a audiência aqui presente, vejo familiares, amigos e colegas, bem como ex-alunos. Sou profundamente grato por cada um de vocês. Seus exemplos de serviço, fé e bondade têm aprofundado meu desejo de seguir Jesus Cristo, pois consigo ver reflexos Dele em vocês. Obrigado por estarem aqui. Sou grato por vocês. Amo vocês. Oro para que o Espírito do Senhor esteja conosco hoje para nos abençoar com a inspiração, o conforto e a cura de que cada um de nós possa precisar individualmente. Uma das maiores bênçãos que recebi por causa da BYU foi ter encontrado minha maravilhosa esposa, Cathy, enquanto eu cursava a graduação aqui. Ela tinha acabado de voltar de sua missão na Suíça e se mudado para nossa ala de adultos solteiros. Eu estava tentando criar coragem para convidá-la para sair, mas, por algum motivo, estava mais nervoso que o normal. Por volta dessa época, o comitê de atividades da nossa ala de adultos solteiros criou uma caixa de encontros às cegas, na qual os membros da ala podiam colocar os nomes de duas pessoas que eles achavam que formariam um bom casal. Em seguida, o comitê de atividades entrava em contato com as duas pessoas e dizia: “Vocês têm um encontro às cegas. Encontrem-se na esquina tal na quinta-feira às seis.” No entanto, o detalhe era que, na verdade, não era para usar a caixa de encontros às cegas para nossas próprias aventuras românticas. Mas senti que havia um propósito maior a ser cumprido. Então, coloquei meu nome e o da Cathy na caixa e, em seguida, interpretei o papel de um parceiro de encontro às cegas surpreso e encantado. Nós nos divertimos muito, ficamos noivos seis meses depois e nos casamos. No dia do nosso casamento, o comitê de atividades nos presenteou com a caixa de encontros às cegas, considerando-nos sua maior história de sucesso. Então, embora tudo tenha dado certo no final, nosso relacionamento começou sob o pretexto de engano e quebra de regras. Por sinal, leciono ética empresarial aqui na BYU. Como professor de ética empresarial, tenho a bênção de lecionar para cerca de 350 alunos por ano, e adoro isso. Um dos meus principais objetivos é ajudar meus alunos a se prepararem para prosperar ao longo da vida, aumentando sua capacidade de tomar decisões baseadas no Evangelho e em princípios, tanto no trabalho quanto na vida. Como o curso é tão focado na tomada de decisões, tenho me reunido com muitos alunos, individualmente, para conversar sobre escolhas importantes para suas vidas. Aprendi que alguns alunos sentem que a vida não está se desenrolando exatamente como esperavam e que tem sido muito mais difícil do que imaginavam. Alguns sentem que o ritmo da vida é rápido demais e que não conseguem acompanhá-lo. Alguns têm perguntas para as quais não encontram respostas no momento, e outros se sentem frustrados porque têm esperado muito mais tempo do que imaginaram para que seus desejos justos sejam realizados. Essas preocupações da vida podem parecer ainda mais difíceis de suportar durante seus anos como jovens adultos — o que o Élder Robert D. Hales chamou de “a década decisiva”¹ —, período no qual as escolhas feitas por um jovem adulto terão um impacto significativo sobre como as décadas restantes se desdobrarão. Tenho refletido em espírito de oração sobre como ajudar meus alunos — e qualquer outra pessoa que se sinta esgotada em sua jornada mortal — a encontrar a força renovada de que precisam para seguir em frente com fé e paciência. Para contextualizar alguns princípios fundamentais, gostaria de contar uma história real que ouvi há alguns anos e que ainda me surpreende até hoje. A história de Cliff Young Em 1983, um fazendeiro de 61 anos entrou em contato com os organizadores de uma ultramaratona de cerca de 875 km entre Sydney e Melbourne, na Austrália, e pediu para ser inscrito na corrida.2 Como os outros participantes eram ultramaratonistas conhecidos e experientes — alguns detentores de recordes3 e outros patrocinados por marcas esportivas —, o pedido desse fazendeiro foi recebido com ceticismo. “Você sabe qual é a distância dessa corrida?”, perguntaram os organizadores. “O que o faz pensar que pode completá-la?”4 O fazendeiro insistiu que sabia a extensão da corrida e que acreditava poder terminá-la. Sendo de uma família de fazendeiros pobres que não podia comprar cavalos ou quadriciclos, ele costumava correr com suas botas de borracha que iam até os joelhos para reunir quase 2.000 ovelhas em uma área muito grande antes de uma tempestade, às vezes correndo por três dias para reunir todo o rebanho. Ele calculou que, se conseguia correr por três dias, também conseguiria fazê-lo por cinco ou seis dias e completar a corrida. Os organizadores da corrida relutantemente permitiram que o fazendeiro se inscrevesse. Na manhã da corrida, os outros corredores apareceram com equipes de apoio experientes em trailers com chuveiros e camas confortáveis para seus corredores. Em contraste, esse fazendeiro chegou em uma van velha e enferrujada, com uma equipe de apoio inexperiente e apenas um par de tênis de corrida.5 O tiro de largada soou, e os corredores dispararam pelas ruas. Os observadores notaram que a passada desse agricultor parecia mais um arrastar de pés do que uma corrida, seu ritmo sendo muito mais lento do que o dos outros.6 Os jornais viram esse agricultor, que treinava usando botas de borracha, como uma curiosidade na corrida,7 e quase ninguém o levou a sério como candidato à vitória. No entanto, para o choque de toda a nação e do mundo das corridas, esse agricultor de 61 anos chamado Cliff Young não só venceu a ultramaratona como também bateu o recorde anterior por dois dias, completando os 875 km em cinco dias e quinze horas. Como isso aconteceu? Com base na minha leitura da biografia de Cliff e de outros artigos que detalham esse resultado surpreendente,8 uma das principais razões pelas quais Cliff Young venceu foi que quase nada deu certo para ele no primeiro dia da corrida. Então, o que deu errado? Primeiro, durante as horas iniciais da corrida, devido a um trecho mal sinalizado do percurso, ele se perdeu ao seguir outro corredor que não conhecia o caminho.9 Essa experiência fortaleceu a determinação de Cliff de não imitar o que os outros corredores estavam fazendo, incluindo seu ritmo e estratégia, mas sim correr essa prova fazendo o que lhe parecia certo. Em segundo lugar, para compensar o fato de ter se perdido e corrido mais devagar do que seus concorrentes, Cliff correu mais algumas horas na primeira noite do que havia planejado a princípio. Quando ele finalmente terminou de correr, por volta da meia-noite, alguns membros de sua equipe de apoio haviam adormecido e não cumpriram a única tarefa que lhes fora atribuída: preparar um jantar quente para ele. Apesar da frustração, Cliff simplesmente comeu algo frio de uma lata e depois desabou em um sono exausto.10 Na época, era senso comum entre os corredores que era preciso dormir pelo menos seis horas por noite durante essas maratonas de vários dias para manter energia suficiente para chegar até o fim. Por isso, o chefe de equipe de Cliff, Wally, era responsável por acordá-lo às seis da manhã para que pudessem partir bem cedo. Mas o terceiro problema para Cliff e sua equipe ocorreu quando o alarme tocou e Wally voltou a cochilar. Ele então acordou assustado e, sem colocar os óculos, correu até o veículo onde Cliff estava dormindo e disse: “Cliff, levante-se. Eu dormi demais. Já passa das seis!” Cliff se levantou rapidamente, calçou os sapatos e saiu correndo pela estrada, pensando que seus concorrentes já estavam correndo. Mas quando o sol não apareceu por um tempo que pareceu horas, Cliff finalmente perguntou a Wally que horas eram. Envergonhado, Wally disse que eram quatro da manhã. Ele havia acidentalmente ajustado o despertador para duas e meia, em vez de seis. Cliff mal havia dormido duas horas naquela noite.11 Mas, em vez de ficar chateado ou desistir, ele simplesmente continuou avançando um passo de cada vez. Ele descobriu que conseguia correr o dia inteiro sem problemas com duas a três horas de sono, comendo alimentos muito simples enlatados. Isso ajudou a maximizar seu tempo a cada dia, o que mudou drasticamente o resultado da corrida. As dificuldades imprevistas que ele enfrentou durante a primeira parte da corrida acabaram, na verdade, contribuindo para o seu bem. Sua resposta resiliente aos desafios inesperados levou a vantagens inesperadas. No quinto e último dia da corrida, parecia que a coragem e a determinação desse herói improvável pulsavam nos corações de milhões de australianos a cada passo que Cliff dava em direção à linha de chegada, unindo o país em uma celebração nacional. Naquele dia, Cliff se tornou um símbolo da garra e da determinação australianas. De uma forma muito real, nossas vidas são como uma ultramaratona que testa os limites de nossa resistência espiritual. O apóstolo Paulo ensinou: “Corramos com paciência a carreira que nos está proposta”.¹² Esta experiência mortal, que foi cuidadosamente concebida como parte do plano de nosso amoroso Pai Celestial, tem o objetivo de nos ajudar a nos desenvolver como discípulos de Seu Filho e a alcançar nosso potencial máximo. No entanto, essa experiência pode parecer difícil de suportar às vezes. Podemos nos cansar e nos perguntar se realmente conseguiremos. Assim como ninguém acreditava que Cliff Young conseguiria terminar — muito menos vencer — a corrida, também podemos ter céticos que tentam nos convencer de que não conseguiremos ter sucesso na vida. Esses céticos podem ser outras pessoas, o adversário e, às vezes, nós mesmos. Mas, por meio das escrituras, do Espírito e das bênçãos patriarcais, vocês sabem que são filhos e filhas de Deus. O Pai Celestial acredita em vocês. Vocês fizeram a escolha sábia de vir a esta Terra para correr esta corrida tão importante e, desde então, fizeram muitas boas escolhas que os trouxeram até onde estão hoje. Isso pode lhes dar uma confiança crescente de que podem não apenas completar esta corrida mortal, mas fazê-lo de maneira magnificamente bem-sucedida. Independentemente dos desafios ou desvantagens atuais que possam acreditar ter, vocês podem silenciar as fontes de dúvida para fazer e se tornar mais do que podem imaginar. A chave para todos nós é nos unirmos plenamente ao Salvador. Falando dessa chave vital e de alguns temas da história heróica de Cliff Young, quero convidar todos a refletir sobre quatro decisões essenciais que podemos tomar — especialmente vocês que estão na década decisiva — que, tenho certeza, nos ajudarão a continuar a correr com paciência esta carreira mortal que nos foi proposta. Arrepender-se e realinhar-se regularmente Primeiro, decidam arrepender-se e realinhar-se com o caminho regularmente. Assim como Cliff Young, às vezes podemos nos perder, desviar do rumo ou seguir alguém que não conhece o caminho. Esse princípio de se arrepender e se realinhar continuamente é enfatizado em primeiro lugar porque, muito mais importante do que nossa velocidade ou ritmo nesta corrida, é se nossa direção atual está alinhada com o destino final desejado. São necessárias correções frequentes de rumo porque a vida pode ser uma experiência cheia de distrações, desvios e tentativas de nos desviar do caminho. O presidente Russell M. Nelson nos ensinou a abraçar o arrependimento como um hábito diário alegre, enfatizando que: Nada é mais libertador, mais enobrecedor ou mais crucial para nosso progresso individual do que um enfoque constante, diário no arrependimento. O arrependimento (…) é a chave para a felicidade e a paz de consciência. Quando acompanhado da fé, o arrependimento permite que tenhamos acesso ao poder da Expiação de Jesus Cristo.13 Também adoro a perspectiva que o Élder Weatherford T. Clayton compartilhou em um devocional da BYU há vários anos sobre o aspecto de realinhamento do arrependimento: Sempre que nos voltamos mais para Cristo, estamos nos arrependendo. . . . Quando oramos sinceramente ao Pai, em um sentido muito real, estamos nos arrependendo. Quando lemos as escrituras e as ponderamos, estamos nos arrependendo. À medida que fazemos mudanças por causa do que estamos aprendendo sobre Cristo e Seu evangelho, estamos nos arrependendo. Quando fazemos coisas que nos tornam melhores, mais bondosos, mais gentis, mais sensíveis, mais espirituais, mais virtuosos e mais verdadeiros, estamos nos arrependendo. . . . Embora todos nos arrependamos de coisas pecaminosas em nossa vida, a maior parte do nosso arrependimento vem de ouvir Suas palavras e cumpri-las — de nos voltarmos [ou retornarmos] a Ele.14 Alguns meses após voltar de minha missão, alguém que eu conhecia bem e que era mais velho e mais instruído do que eu na época, me chamou à parte e tentou, por horas, encher-me de dúvidas sobre minha fé. A experiência me deixou em um estado de escuridão espiritual por um tempo. Embora me sentisse como se estivesse em uma nuvem espiritual, continuei com meu hábito de ler o Livro de Mórmon e orar diariamente. Mesmo passando por dificuldades espirituais, não me parecia certo interromper esses hábitos diários — mesmo que, durante esse período, fosse mais difícil sentir a luz do céu — porque sabia que eles haviam me trazido respostas e bênçãos no passado. Algumas semanas após essa experiência, enquanto lia o Livro de Mórmon, tive uma forte impressão de abrir meu diário da missão e ler algumas de minhas experiências missionárias. Isso teve um impacto profundo em mim durante esse momento difícil. Li sobre várias experiências em que me senti envolvido pelo amor de Deus durante momentos especialmente difíceis. Por exemplo, quando senti um aumento significativo na minha capacidade de aprender o idioma cantonês; quando tive impressões sobre aonde ir e o que dizer que, mais tarde, se provaram inspiradas; quando senti uma calma profunda mesmo estando ameaçado pelo perigo; e quando experimentei a poderosa luz espiritual que inundava a sala cada vez que meu companheiro e eu testificávamos da Primeira Visão. Ao reler o registro dessas experiências passadas, senti a névoa espiritual começar a se dissipar. O efeito cumulativo de reviver essas experiências tão reais foi uma prova contundente da mão de um Deus amoroso em minha vida. Uma grande paz e clareza retornaram à medida que o poder do meu próprio testemunho, proveniente de minhas próprias experiências, reafirmou a verdade do evangelho restaurado. Isso aconteceu conforme permiti que o Espírito me ensinasse do que o Élder Neal A. Maxwell chamou de “o púlpito da memória”.¹⁵ Essa experiência reflete o seguinte ensinamento inspirado do Élder Neil L. Andersen: Trilhamos nosso caminho ao longo da vida em constante oração, com uma determinação de guardar nossos convênios e com o dom do Espírito Santo. Quando as dificuldades pessoais, as dúvidas ou o desânimo escurecem nosso caminho, ou quando as condições do mundo que estão fora de nosso controle fazem-nos duvidar do futuro, as lembranças espirituais determinantes de nosso livro da vida são como pedras luminosas que ajudam a clarear o caminho adiante, assegurando-nos de que Deus nos conhece, que Ele nos ama e que mandou Seu Filho, Jesus Cristo, para nos ajudar a voltar para casa.16 Serei eternamente grato por ter registrado essas “lembranças espirituais determinantes”, para que o Espírito pudesse me guiar de volta a elas quando meu caminho se tornasse obscuro. Espero e oro para que todos possamos seguir o conselho inspirado do Élder Andersen de continuar a registrar e revisar nossas lembranças espirituais significativas e, assim, realinhar continuamente nossa mente e nosso coração com o Senhor.17 Abraçar a prática do arrependimento com alegria e do realinhamento constante ao caminho do convênio nos ajudará a correr com paciência a carreira que nos está proposta. Antecipar e aceitar as adversidades Em segundo lugar, decidam antecipar e aceitar as adversidades. Um dos meus principais objetivos como professor de ética é evitar que meus alunos acabem na prisão. Sei que esse objetivo pode parecer uma meta bem baixa, mas é verdade. Todas as sextas-feiras de manhã, na Instituição Correcional Central de Utah, os detentos se reúnem em uma pequena capela para um devocional. Nas ocasiões em que os visitei como orador convidado, perguntei-lhes: “Se eu pudesse levá-los comigo para minhas aulas de ética e pedir que compartilhassem a lição mais importante que aprenderam em sua jornada de vida, qual seria?” Um por um, eles se levantavam e, às vezes entre lágrimas, compartilhavam lições sérias aprendidas por meio de grande sofrimento. Um disse: “Desenvolvam hábitos positivos de enfrentamento. Após meu divórcio, recorri a coisas que não deveria para lidar com minha solidão.” Outro disse: “Cultivem diligentemente seus relacionamentos mais importantes. Eu não fiz isso e, quando a vida deu uma guinada para pior, não tive a rede de apoio de que precisava.” Outro mencionou honrar os convênios e disse: “Tratei minha filiação à Igreja como um prato de lentilhas, e realmente me arrependo disso.” Outro disse: “Fiquem muito atentos às racionalizações. Foi só quando a porta se fechou na minha cela que a venda finalmente caiu dos meus olhos e percebi o quanto eu havia ficado entorpecido e quantas racionalizações eu havia aceitado.” O que une suas histórias é que a maioria desses detentos reconheceu não ter reagido bem a alguma forma significativa de adversidade. Relacionado a isso, enquanto cursava a graduação aqui na BYU, recebi uma tarefa em uma aula de desenvolvimento humano. Sorteei aleatoriamente três números que se correlacionavam com uma longa lista de grandes reviravoltas na vida, como falência, divórcio, doença crônica e a morte prematura de um ente querido. Pediram-me que escrevesse sobre como eu esperava lidar com essas provações específicas. Embora não fosse a tarefa mais agradável, foi uma descoberta significativa e valiosa. O instrutor enfatizou que, embora não possamos saber de antemão quais serão os desafios específicos que enfrentaremos, sabemos que cada um de nós passará por formas significativas de adversidade na vida. Podemos nos preparar agora aceitando essa realidade, desenvolvendo mecanismos positivos de enfrentamento e resiliência, e voltando nosso coração para as coisas eternas que não mudam. Em nossas vidas, assim como na corrida de Cliff Young, adversidades inesperadas podem levar a vantagens inesperadas, proporcionando-nos discernimento e maior autoconsciência que podem mudar positivamente nossos hábitos, orientar nosso curso de ação e ajudar a acelerar nosso progresso no caminho do convênio. O próprio Salvador prometeu: “No mundo tereis aflição; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.”18 Um dia, no início de nosso casamento, minha esposa e eu tivemos uma manhã terrível em que nada deu certo. Quebrei o cano embaixo da pia da cozinha. Bati o carro em um poste a caminho da loja de ferramentas. Perdi minhas chaves enquanto estava na loja. E ainda, assustei minha esposa quando ela não me ouviu chegar da loja de ferramentas. Com meu imaturo cérebro de um homem de 23 anos, achei que aparecer do nada e surpreendê-la iria aliviar o clima de um dia estressante e seria engraçado. Não foi. Ela desabou no chão, chorando. E eu queria fazer o mesmo. Para dar o devido crédito à minha esposa, ela sugeriu, em vez disso, que nos ajoelhássemos e fizéssemos uma oração. Ao fazê-lo, uma certa paz começou a voltar. Após a oração, ambos tivemos a impressão de que deveríamos ir ao templo. Então, em nosso pequeno carro amassado, dirigimos até o Templo de Provo, em Utah, para o que foi uma das sessões de selamento mais edificantes espiritualmente e emocionalmente curativas que já experimentei. As dificuldades do dia e a gravidade de nossos problemas pareciam desaparecer e foram substituídas por paz, segurança e esperança. Nosso senso de adversidade está intimamente ligado à nossa percepção do grau em que nossas experiências se alinham com nossas expectativas. Uma maneira de “pensar celestial”19 sobre o futuro é tentar substituir as expectativas por esperança. Já foi dito que “expectativas são ressentimentos premeditados”20, mas esperança implica um sentimento de gratidão voltado para o futuro. Enquanto a esperança leva a um anseio grato e uma flexibilidade proativa, as expectativas são frequentemente associadas a um sentimento insatisfeito de merecimento e a uma resistência rígida. Enquanto a esperança está centrada em Deus e nas promessas eternas, as expectativas baseiam-se nas pessoas e nas circunstâncias. Enquanto a esperança está ligada a uma identidade eterna, as expectativas estão ligadas a papéis e identidades mortais.²¹ EsperançaExpectativasAnseio gratoSentimento insatisfeito de merecimentoFlexibilidade proativaResistência rígidaCentrada em Deus e nas promessas eternasBaseiam-se nas pessoas e nas circunstânciasLigada a uma identidade eternaLigadas a papéis e identidades mortais Ao encararmos nossas vidas e as adversidades que enfrentamos através dessa lente de esperança, nos tornamos mais capazes de antecipar e aceitar as adversidades como uma parte essencial e significativa da jornada, o que nos ajudará a correr com paciência a carreira que nos está proposta. Apegar-se a Cristo e aos convênios Em terceiro lugar, e o mais importante, decidam apegar-se a Cristo e aos convênios que Ele torna possíveis. Ao contrário da inexperiente equipe de apoio de Cliff Young, Jesus Cristo vem guiando e capacitando almas para que concluam com sucesso esta corrida mortal há muito tempo. Quando as escrituras dizem que Ele é “poderoso para salvar”,²² isso significa que Ele é muito, muito bom nisso. De uma forma que não compreendemos totalmente, por meio do processo de Sua Expiação, o Salvador gerou um suprimento infinito de poder espiritual. O caminho do convênio é repleto desse poder em um grau e intensidade que não se encontram em nenhum outro lugar.²³ O Élder Dale G. Renlund ensinou: “Os múltiplos convênios nos aproximam de Cristo e nos conectam mais fortemente a Ele. Por meio desses convênios, temos mais acesso ao Seu poder.”24 Também nos foi ensinado que podemos ser dotados desse poder de convênio centrado em Cristo por meio do templo.25 Aprendi essa lição de maneira muito convincente durante um dos períodos mais difíceis de minha vida, quando eu, assim como alguns dos meus alunos, me senti exausto e totalmente sobrecarregado. Quando comecei meu doutorado em comportamento organizacional na Universidade de Washington, há vinte anos, não fazia ideia no que estava me metendo. A pilha de artigos acadêmicos que nos era designada a ler a cada semana parecia estar escrita em uma língua que eu não entendia, e ainda havia a pressão de tentar parecer inteligente ao discutir esses artigos com professores e outros alunos de doutorado. Durante aquele primeiro ano, muitas vezes senti que não fazia ideia do que as pessoas estavam falando. Outros alunos de doutorado da minha turma trabalhavam sete dias por semana e tomavam café para poderem ler até tarde da noite. Embora estivesse me esforçando mais do que nunca na vida, eu me preocupava por não conseguir acompanhar o ritmo. Apesar de orar por ajuda e orientação, comecei a sentir uma sensação esmagadora de inadequação e um desespero silencioso que durou meses. “Não consigo fazer isso”, disse eu à Cathy. “Não consigo acompanhar o ritmo. Isso é muito mais difícil do que eu imaginava.” Quando essa insegurança e cansaço estavam no auge, tive a seguinte impressão: “Posso ajudar se você passar mais tempo comigo”. Senti que a melhor maneira de passar mais tempo com Ele — com o Senhor — era em Sua casa. No começo, tentei ignorar esses sentimentos, pois parecia impossível incluir idas frequentes ao templo na minha agenda já tão cheia. Tempo era o recurso essencial que eu achava não ter. Mas eu sabia que o que estava fazendo até então não estava funcionando e senti a certeza de que as bênçãos viriam se eu tentasse cumprir meu convênio de colocar o Senhor e Sua obra em primeiro lugar. Então, assumi o compromisso pessoal de frequentar o templo várias vezes por mês. À medida que comecei a passar mais tempo no templo, as coisas começaram a mudar significativamente. Meu medo intenso em relação à minha capacidade e ao futuro começou a desaparecer. A paz que senti no templo começou a se espalhar para outras áreas da minha vida. Comecei a ver meu caminho com mais clareza e a sentir esperança. De maneira sutil, assim como a família de Leí, senti como se estivesse sendo guiado por um caminho mais direto em meio ao deserto da minha pós-graduação. Embora, na maioria das vezes, essa força adicional se manifestasse de maneiras sutis, houve algumas bênçãos que foram muito evidentes. Uma grande bênção foi um caso de estudo que caiu milagrosamente no meu colo. Quando eu disse ao meu orientador de dissertação que queria estudar o papel da humildade na liderança, ele disse: “Tudo bem, Brad, mas não tenho ideia de onde você encontraria uma amostra da vida real para coletar dados sobre isso”. No entanto, algumas semanas depois, ele me chamou ao seu escritório e, com uma expressão confusa no rosto, disse: “Brad, isso nunca aconteceu comigo antes. Ontem, um coach de liderança local entrou em contato comigo e disse que estava interessado em que um acadêmico analisasse sua abordagem ao treinamento de liderança. Ele disse que seu principal objetivo era ensinar os líderes a abraçarem a humildade.” Meu orientador, sendo um acadêmico muito conhecido e agnóstico, olhou para mim e disse: “Brad, o que está acontecendo? Isso não acontece por acaso.” Então, semicerrando os olhos, apontou para mim e perguntou: “Você tem… orado?” Foi bastante engraçado vê-lo tentar entender essa provisão milagrosa de uma amostra, que foi uma enorme misericórdia para um aluno de doutorado em dificuldade. Esse caso de estudo tornou-se a base da pesquisa que venho realizando há quinze anos. Apesar do meu início lento no programa de doutorado, terminei um ano antes do resto da minha turma, e sei que não teria conseguido isso sem a força adicional que vem por meio de Cristo e dos convênios do templo. Com relação à frequência ao templo, o Presidente Nelson ensinou recentemente na conferência geral: Nada vai protegê-los mais ao se defrontarem com as névoas de escuridão do mundo. Nada vai fortalecer mais seu testemunho de Jesus Cristo e Sua Expiação ou ajudá-los a compreender melhor o magnífico plano de Deus. Nada vai acalmar mais seu espírito durante os momentos de dor. Nada abrirá mais os céus. Nada!26 Sei que isso é verdade. Apegar-nos a Cristo e aos convênios, especialmente ao buscá-Lo em Sua casa sagrada, nos ajudará a correr com paciência a carreira que nos está proposta. Perseverar até o Fim Em quarto lugar, decidam que vocês nunca, jamais desistirão, que perseverarão até o fim. Quando perguntaram a Cliff Young sobre sua estratégia para a corrida, ele simplesmente disse que era “correr até a linha de chegada”.²⁷ Ele disse à sua equipe que, se começasse aquela corrida, não havia nenhuma chance de parar antes de alcançar o fim.²⁸ Dar passos — um pé depois do outro, repetidamente — em uma corrida pode parecer algo simples e repetitivo. Ainda assim, esses passos se acumulam ao longo de grandes distâncias e conduzem a realizações impressionantes e inspiradoras, como as de Cliff Young. Da mesma forma, o progresso espiritual contínuo em nossa maratona mortal acontece por meio de passos simples e repetidos que incluem oração sincera, estudo das escrituras, arrependimento com alegria, serviço e renovação e esforço para viver os convênios. E, em contraste com os passos físicos, que consomem energia, esses passos ou hábitos espirituais renovam nossa energia. Qualquer um desses passos praticado isoladamente gera impulso espiritual. Mas, quando combinamos todos esses passos, nossa força e nosso impulso realmente começam a crescer, e começamos a amar a corrida. Ganhamos crescente clareza e até mesmo certeza de que, por causa de Cristo, podemos alcançar com sucesso a linha de chegada celestial.²⁹ Esses passos santificadores e hábitos sagrados ajudam-nos a perseverar ou sobreviver espiritualmente e representam o trabalho individual que o Presidente Nelson tem suplicado que façamos para termos o Espírito conosco em nossa vida diária.³⁰ A palavra espírito vem do latim spirare, que significa “respirar”.³¹ Assim como os corredores conseguem aumentar sua capacidade pulmonar ao longo do tempo para melhorar sua resistência física, o presidente Nelson está, de certa forma, nos pedindo que entremos em forma espiritual para o que está por vir, aumentando nossa capacidade espiritual de receber o sopro divino do Espírito de maneira diária e contínua. Ao fazermos isso, ficaremos menos cansados e desgastados em nossa jornada. Ter o Espírito como nosso guia também é vital para perseverarmos até o fim, porque isso nos permite ter óleo em nossas lâmpadas para enxergar e nos realinhar com o caminho em um mundo que se torna cada vez mais sombrio antes da vinda do Noivo.³² Decidir perseverar até o fim, abraçando diariamente o poder renovador dos passos santificadores do evangelho, que convidam à companhia diária do Espírito, nos ajudará a correr com paciência a carreira que nos está proposta. Conclusão Para concluir, presto testemunho de que, por causa de Jesus Cristo, não apenas podemos completar esta maratona mortal, mas também fazê-lo com magnífico sucesso: com alegria, significado, crescimento e serviço ao próximo. Tomar firmemente a decisão em nosso coração de nos arrependermos e nos realinharmos regularmente, de anteciparmos e aceitarmos o papel da adversidade, de nos apegarmos a Cristo e aos convênios, e de perseverarmos até o fim nos unirá a Cristo em um relacionamento de renovação contínua. Independentemente de quaisquer desvantagens aparentes, de experiência limitada, de erros do passado, de pessoas em quem confiamos e que nos decepcionaram, ou do fato de que a vida não tem ido muito bem ultimamente, todos podemos chegar com sucesso à linha de chegada por causa de Jesus Cristo, pois nos foi prometido que aqueles que centralizam sua esperança Nele “correrão, e não se cansarão; caminharão, e não desfalecerão”.³³ E assim, “corramos com paciência [e com Jesus] a carreira que nos está proposta”, e deixemos que Ele, o “autor e consumador da [nossa] fé”,³⁴ nos ajude e nos renove a cada passo do caminho. Testifico que Ele vive. Testifico que Ele ama cada um de nós. E testifico que esta é Sua obra. Em nome de Jesus Cristo, amém. © Brigham Young University. Todos os direitos reservados.