Narrando nossas vidas Macy R. West 31 de julho de 2026 https://speeches.byu.edu/por/talks/macy-r-west/narrando-nossas-vidas/ --- Pretendemos modificar a tradução se for necessário. Para dar sugestões, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu Bom dia élder e irmã Christofferson, élder Gong, élder e irmã Gilbert, presidente e irmã Reese, professor Dr. Karad, membros do conselho administrativo, renomados membros do corpo docente, membros da administração da universidade e ilustres convidados. E, por último, mas certamente não menos importante, bom dia aos meus colegas da turma de 2024 da Universidade Brigham Young! O lugar que vocês conquistaram aqui hoje é o resultado de anos de trabalho árduo. Parabéns! Gostaria de contar uma breve história a vocês. Na verdade, ela é uma história sobre histórias. No verão, após o meu primeiro ano na faculdade, fiquei muito feliz ao receber uma proposta de emprego no campus para a qual eu havia me candidatado. No meu primeiro dia, notei imediatamente que os outros funcionários não só eram mais velhos do que eu como também, ao contrário de mim, tinham vasta experiência profissional relevante. Mas não deixei que isso me abalasse e mergulhei no trabalho. Adorava meu emprego e gosto de pensar que eu tive um bom desempenho. Após alguns meses nesse emprego, descobri sem querer que havia mais por trás da história. Eu havia recebido a proposta de emprego por engano. Sim, é isso mesmo. Eles nunca tiveram a intenção de me contratar! Houve uma confusão com os nomes no processo seletivo, e o empregador me enviou a oferta por e-mail sem querer. Mas, como aceitei a oferta tão rapidamente e eles eram educados demais para mencionar o erro, resolveram me dar uma chance. Vejam bem, eu não tinha as qualificações necessárias para o cargo. Mas convenci-me de que deviam ter visto algo em mim. Então, mantive a confiança e fiz o trabalho da melhor maneira possível. Na realidade, não tenho certeza se eles realmente viram algo em mim, e eu tinha todos os motivos para me sentir inadequada. Mas essa não foi a história que eu contei a mim mesma. Com base na minha confiança infundada, acabei modificando meu comportamento para atender às expectativas do cargo.  Eu não conto essa história para parecer especialmente competente. Não sou, e posso garantir que não merecia esse emprego. Eu conto essa história para enfatizar o quanto a narrativa que atribuímos às nossas vidas é importante. A formatura é um evento que suscita reflexão em duas direções: nós olhamos para o passado que nos trouxe até este momento e também contemplamos o nosso futuro. A capacidade de refletir sobre as nossas vidas — de nos imaginarmos em diferentes lugares e em diferentes épocas — é algo que tem fascinado filósofos há muito tempo. Martin Heidegger, filósofo alemão do século XX, argumentou que os seres humanos são os únicos seres para os quais ser, em si, é um problema.1 Ou seja, não apenas vivemos; refletimos sobre a vida e nos preocupamos se estamos vivendo da maneira correta. E como refletimos sobre a vida e lhe damos sentido? Como alguns observaram, as aranhas tecem teias, os castores constroem barragens e os humanos… bem, nós contamos histórias.2   Ao relembrarmos nosso tempo na BYU, tenho certeza de que muitas de nossas histórias compartilham alguns elementos em comum: a busca desesperada por uma vaga para estacionar às 8h55 da manhã antes de uma aula às 9h e a dúvida se vale a pena arriscar estacionar na vaga de quinze minutos; a revisão frenética de um guia de estudos no saguão do centro de avaliações; ou a necessidade de desviar das constantes obras de construção no campus. Cada um de nós também deixou sua marca neste campus de maneiras únicas. Lembro-me do macarrão com queijo que derramei em uma das belas cadeiras do prédio Joseph Fielding Smith. Apesar de todos os meus esforços para limpá-la, a mancha continua visível até hoje. Também estou confiante de que nossas histórias na BYU compartilham características em comum. Elas nos lembram do privilégio que tivemos de frequentar uma instituição que valoriza o discipulado cristão juntamente com as atividades acadêmicas. Participamos de palestras e devocionais que nos convidam a ponderar as nuances do evangelho e a fazer perguntas instigantes. Tivemos aulas em que passamos por períodos de aprendizado intensivo, motivados pela consciência de que expandir nosso intelecto é de importância eterna.³ E formamos uma comunidade para toda a vida, com a qual podemos participar na “busca pela perfeição e pela vida eterna”.4  Acredito sinceramente que, para cada um de nós, nossas histórias na BYU são histórias de crescimento, conquista e superação de adversidades. E minha sincera esperança é que sejam também histórias de pertencimento, não importa quão pequena ou obscura seja a sua comunidade. Agora, quando eu uso a palavra histórias, vocês podem ser tentados a pensar em uma história como algo fictício ou inventado — ou como uma tentativa interesseira de reescrever a história. Ao contrário disso, as histórias que contamos a nós mesmos sobre nossas vidas são muito mais profundas: nossas histórias são quem somos. São as únicas lentes pelas quais podemos enxergar a nossa realidade e, através delas, vivenciamos as nossas memórias. A parte interessante de sua história é que você não é apenas o protagonista, mas também o narrador. Como todos nós já vimos, pessoas que observam os mesmos eventos muitas vezes têm interpretações muito diferentes deles. Isso demonstra que o que importa não é apenas o que nos acontece; mas também a narrativa que damos a esses eventos. Certa vez ouvi dizer que vivemos em histórias, não em anos. Então, embora possamos ser tentados a pensar que nossa experiência na BYU foi simplesmente algo que nos aconteceu, na verdade temos algum poder para ditar o significado e a importância dela. A forma como narramos as histórias das nossas vidas é extremamente importante, pois essas histórias não apenas determinam como enxergamos o passado, mas elas também moldam nosso futuro. Aqui está um pequeno exemplo: pesquisadores descobriram que pessoas que respondem afirmativamente quando questionadas sobre se irão votar têm, na verdade, maior probabilidade de votar por causa dessa declaração.5 Os participantes do estudo pareceram agir de acordo com as declarações que foram convidados a fazer. Sobre esta pesquisa, o filósofo contemporâneo J. David Velleman observou: “Muitos que, de outra forma, não teriam votado, acabam votando por terem dito que votariam, conformando assim suas vidas às suas próprias histórias.6 Como narradores de nossas próprias histórias, parecemos ter uma capacidade especial de prever e moldar o nosso futuro. A liberdade que acompanha essa capacidade de previsão pode, sem dúvida, ser assustadora. Afinal, não é igualmente fácil criarmos uma narrativa negativa sobre nós mesmos quanto uma inspiradora? E se nós — como eu já fiz mais de uma vez — olharmos para trás e percebermos que criamos um protagonista do qual não nos orgulhamos? Eis a melhor parte: nossas narrativas não são fixas. Por meio do nosso arbítrio e do dom do arrependimento, Cristo colocou a caneta em nossas mãos para recomeçarmos com uma página em branco, sempre que não estivermos satisfeitos com o que escrevemos. Nosso arbítrio é o nosso poder de autoria. E não carecemos de orientação quanto ao tipo de histórias que devemos escrever. A irmã Camille N. Johnson, enquanto presidente geral da Primária, expressou isso de forma precisa: Escrevam uma história na qual o caminho em que vocês estiverem seja estreito, um curso que os leve de volta ao seu lar celestial para que vivam na presença de Deus. Permitam que a adversidade e a aflição que fazem parte de toda boa história sejam um meio pelo qual vocês se aproximem de Jesus Cristo e se tornem mais semelhantes a Ele. Contem uma história na qual vocês reconheçam que os céus estão abertos.7  Em seu discurso inaugural para a comunidade da BYU em setembro do ano passado, o presidente C. Shane Reese ensinou que a BYU ainda está no processo de se tornar o que está destinada a ser.⁸ Sinto-me reconfortada com a visão do presidente Reese. Se a BYU — uma instituição com cerca de 150 anos de história — ainda está “no processo”, então, naturalmente, cada um de nós também está. Por meio de nosso arbítrio, somos parceiros de Deus em Seu ato contínuo de criação. À medida que narramos cada novo aspecto de nossa vida, estamos continuamente envolvidos em nosso próprio processo de desenvolvimento. Independentemente do tipo de diploma que vocês estejam recebendo hoje, convido-os a relembrar o seu milagroso poder de autoconstrução por meio da narrativa. A verdade é que já somos experientes contadores de histórias, quer percebamos isso ou não. Temos feito isso a vida toda. Agora, ao concluir a fase de “entre para aprender” de nossa experiência na BYU e ao iniciar a fase de “saia para servir”, temos a oportunidade de escrever uma história da qual nos orgulhamos. E acredito que as histórias de vocês também envolverão receber e aceitar ofertas de emprego que, de fato, são destinadas a vocês e para as quais vocês estão realmente qualificados. Turma de 2024 da BYU, parabéns pela conclusão deste capítulo da sua história. Que este ímpeto os conduza adiante com alegria e fé. Obrigada! © Universidade Brigham Young. Todos os direitos reservados.