Aprender a arte de curar Elaine S. Marshall 4 de setembro de 2026 https://speeches.byu.edu/por/talks/elaine-s-marshall/aprender-a-arte-de-curar/ --- Pretendemos modificar a tradução se for necessário. Para dar sugestões, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu Este ano, a Faculdade de Enfermagem da Universidade Brigham Young comemora seu 50º aniversário. Tudo começou em 1952. Naquele ano, David O. McKay era nosso profeta, Dwight D. Eisenhower era nosso presidente, e o apresentador Dick Clark começou o show American Bandstand. A Faculdade de Enfermagem da BYU realizou um concurso de design de moda para o uniforme de enfermagem, e as alunas passaram a usar o modelo vencedor. Ainda bem que hoje também há homens na profissão. Senão, talvez ainda estaríamos usando aquele vestidinho azul na escola todos os dias. Muita coisa mudou em 50 anos! Embora a Faculdade de Enfermagem tenha começado na BYU em 1952, os líderes da Igreja, por meio da Sociedade de Socorro, sempre apoiaram a educação em enfermagem. Belle Spafford era a presidente geral da Sociedade de Socorro na época e serviu no comitê avaliador daquele concurso para decidir o uniforme (ver Maurine M. Harris, comp., History of the Brigham Young University College of Nursing, Volume 1 [História da Faculdade de Enfermagem da Universidade Brigham Young, volume 1], Provo: Brigham Young University, 1974, p. 9; ver também coleção particular de álbuns de recortes da Faculdade de Enfermagem da BYU). A irmã Spafford recebeu um título honorário da BYU no mesmo ano em que a primeira turma de enfermagem se formou e fez seu juramento. Hoje é o aniversário dela. Nascida há 107 anos, em 8 de outubro, a irmã Spafford foi presidente geral da Sociedade de Socorro por quase 30 anos, de 1945 a 1974. Esses foram os anos da minha infância e juventude. Por meio de minha mãe e de minha avó, que pronunciavam seu nome com reverência, a irmã Spafford foi meu primeiro contato com o trabalho da Sociedade de Socorro. Nessa última década, a Faculdade de Enfermagem adotou um tema que eu gostaria de examinar. A frase é “Aprender a arte de curar”, derivada de um verso da terceira estrofe de um hino escrito por Susan Evans McCloud e K. Newell Dayley (“Lord, I Would Follow Thee,” Hymns, 1985, 220). Nossa herança de aprender a arte de curar começou já nos primórdios da Igreja restaurada. Logo depois que a Sociedade de Socorro foi organizada, em 1842, o profeta Joseph Smith designou “mulheres nobres e elevadas (…) para irem entre os enfermos e ministrarem às suas necessidades” (em “Nursing in the Relief Society” [A prática da Enfermagem na Sociedade de Socorro], Relief Society Magazine 2, nº 7, julho de 1915, pp. 316–17). Quando os santos chegaram ao Vale do Lago Salgado, Brigham Young estabeleceu um Conselho de Saúde. Mulheres foram para o leste para estudar medicina. Em 1873 (ano em que Linda Richards se formou na Nova Inglaterra como a primeira enfermeira profissional dos Estados Unidos), o presidente Young pediu que três mulheres de cada ala da Igreja estudassem enfermagem. Eliza R. Snow viajou pessoalmente pelo vale recrutando estudantes de enfermagem “por amor a Sião” (ver “An Address by Miss Eliza R. Snow” [Um discurso proferido pela senhorita Eliza R. Snow], Woman’s Exponent 2, nº 8, 15 de setembro de 1873, p. 63). As primeiras aulas foram ministradas pelas médicas da Igreja. As formandas “eram abençoadas e designadas para seu trabalho profissional” (ver “Home Affairs, Classes in Obstetrics” [Economia doméstica, Cursos de Obstetrícia], Woman’s Exponent 10, nº 6, 15 de agosto de 1881, p. 44). Uma das minhas imagens favoritas é a fotografia da Dra. Ellis Shipp cercada por suas alunas de enfermagem. (Como diretora, eu gostaria de poder sentar-me em meu melhor traje de domingo, adornada com flores e cercada por estudantes dedicadas com seus coques impecáveis e uniformes brancos engomados.) Em 1898 foi fundada a Escola de Enfermagem da Sociedade de Socorro. A irmã Emma A. Empey serviu como superintendente da escola e supervisora de enfermagem solidária durante todo o período de funcionamento. Ela era a Florence Nightingale [enfermeira britânica considerada a fundadora da enfermagem moderna] da Faculdade de Enfermagem da BYU. A mensalidade era de 50 dólares para todo o programa. As formandas eram designadas por líderes do sacerdócio e se comprometiam, sob juramento, a servir onde fosse necessário e a cobrar no máximo seis dólares por semana (“Pioneer Midwives” [Parteiras Pioneiras], em Kate B. Carter, comp., Our Pioneer Heritage [Nossa herança pioneira], Salt Lake City: Daughters of Utah Pioneers, 1963, 6:493–94). Aquelas enfermeiras não eram apenas treinadas na ciência mais avançada da época, mas também aprendiam e praticavam fielmente a arte de curar. Elas viam seu trabalho como um chamado espiritual. Muitas vezes, permaneciam com as famílias dos pacientes, oravam com essas famílias e em seu favor, e chamavam os élderes para administrar bênçãos do sacerdócio. As mulheres da Sociedade de Socorro fundaram o Hospital Deseret em 1882 especificamente para oferecer uma assistência à saúde de qualidade em um ambiente de fé e cura. Em 1905 foi fundado o Hospital SUD Groves. Ele deu origem às faculdades de enfermagem da Universidade de Utah e da Universidade Brigham Young.1 É uma honra servir entre professores e alunos com uma herança como essa, que equilibram seu fascínio pela ciência com devoção ao Senhor e compreendem que o Salvador, Jesus Cristo, é a fonte de toda cura. Já compartilhei antes minha lembrança do primeiro dia em que comecei a praticar a cura. Não foi exatamente há 50 anos — mas quase. Mal consegui dormir na noite anterior ao meu primeiro dia como enfermeira. Lembro-me disso com muita nitidez. O ar da primavera estava fresco, e o sol parecia incomumente brilhante. Dois sentimentos conflitantes faziam meu coração bater forte. A princípio, eu sentia coragem e mal podia esperar para inserir aquele primeiro tubo no primeiro orifício. Por outro lado, eu tinha medo de que, por pura inexperiência, pudesse violar a promessa de “não causar dano”. Como estudante de enfermagem, eu não tinha a bênção de um paciente simulado por computador que os nossos alunos têm hoje. Hoje, os alunos da Faculdade de Enfermagem da BYU podem programar um manequim chamado Sam para ter qualquer doença ou lesão. Ele reage aos tratamentos e medicamentos oferecidos pelos alunos. Os alunos já até o “mataram” algumas vezes! Consequentemente, também aprenderam a ressuscitá-lo tão bem quanto qualquer médico da televisão. Naquele meu primeiro dia, vesti cuidadosamente minhas meias de compressão, meu pequeno vestido branco de nylon e meus sapatos ortopédicos nada elegantes. O toque final era a touca branca engomada que mantinha meu cabelo comprido bem preso por baixo. Eu mal podia esperar para manusear os instrumentos, ajustar a infusão dos líquidos e realizar os procedimentos de tratamento. Eu queria curar. Eu queria cuidar. Eu queria restaurar vidas. Desde aquele dia, aprendi muito sobre a cura. Aprendi que curar é um processo de restaurar e tornar-se pleno novamente. Nesta manhã, gostaria de compartilhar seis lições que aprendi sobre a arte de curar. Curar dói Primeiro, curar dói. Quando eu era uma jovem enfermeira no hospital, dificilmente passava um dia sem que um paciente perguntasse: “Vai doer?” Se eu tivesse sido completamente sincera, a resposta sussurrada quase sempre teria sido: “Sim, vai doer.” Aprendi que curar dói. A vida dói. A cura realmente só começa quando enfrentamos a dor em toda a sua força e então crescemos por meio dela com toda a força da nossa alma. Para cada recompensa de aprendizado e crescimento, algum grau de dor é sempre o preço. O autor M. Scott Peck nos lembra que, se não quisermos amor nem dor, “teremos que abrir mão de muitas coisas” (M. Scott Peck, The Road Less Traveled [A trilha menos percorrida], New York: Simon and Schuster, 1978, p. 133). Acho que vocês teriam que abrir mão de namorar, de se formar, de se casar ou de ter filhos. Em algum momento de suas vidas vocês passarão por uma crise devastadora ou uma dor profunda que ameaçará todo senso de lógica, esperança ou certeza. E, não importa como vocês saiam dela, nada jamais será o mesmo. As dores vêm na forma de perdas únicas, surpresas indesejadas, esperança que se desvanece ou luto. Neste semestre, talvez vocês não consigam a média de 4.0 necessária para manter sua bolsa de estudos, ou talvez não sejam aceitos na pós-graduação ou não comecem a carreira que desejavam. Talvez aquela pessoa especial não tenha tido a mesma “revelação” que vocês acham que tiveram. Talvez esta seja a melhor aparência que vocês jamais terão. Talvez alguém em quem vocês confiavam não tenha estado presente quando precisaram. Talvez alguém em seu passado os tenha ferido profundamente, e não há como mudar isso. Eu conheço essa dor. Também, vivo um pouco de cada dia esperando pelo céu, para então poder ver meu filho e minha mãe novamente. No semestre passado, dois de nossos alunos de enfermagem perderam seus pais. Imagino que nenhum sucesso na escola, na carreira ou na vida será exatamente o mesmo para eles. Alguns de nós sofrem as dolorosas consequências do pecado ou simplesmente de decisões equivocadas. Alguns de vocês talvez estejam agora envolvidos em atividades com outras pessoas — ou talvez na internet — que desejariam nunca ter começado. Ou talvez tenham caído na armadilha das dívidas. Sofremos quando vemos nossas próprias falhas ou quando observamos, impotentes, as decisões imprudentes de outras pessoas. Nossas vidas mudam para sempre não apenas pela dor, mas também ao enfrentarmos nossa necessidade de cura. Às vezes, simplesmente temos exigências demais ou sentimos que não estamos à altura. O acúmulo dos estresses diários pode drenar esperança e energia, gota a gota, levando ao esgotamento espiritual — deixando uma necessidade de cura. A dor faz parte da vida. A dor nos leva à fonte da cura. O élder Jeffrey R. Holland advertiu: O mundo ao seu redor está se tornando um lugar cada vez mais hostil e pecaminoso. Às vezes, isso respinga em nós e, talvez, no caso de alguns de vocês, esteja quase os afogando… …Vocês podem mudar. Vocês podem ser ajudados. Vocês podem tornar-se plenos novamente, seja qual for o problema. Tudo o que Ele pede é que vocês se afastem da escuridão e venham para a luz, Sua luz, com mansidão e humildade de coração… Cristo “tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si”, declarou Isaías, “e pelas suas feridas somos curados” — se o quisermos (Isaías 53:4-5; Mosias 14:4-5. Ver Jeffrey R. Holland, “Come unto Me” [Vinde a Mim], Brigham Young University 1996–97 Speeches, Provo: BYU, 1997, 189; ênfase no original). Podemos tomar o remédio curador da Expiação de nosso Salvador, que prometeu: “Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que eu te sararei” (2 Reis 20:5). A cura é ativa — vocês precisam estar presentes Minha segunda lição é que a cura é ativa — vocês precisam estar presentes. Seu amigo, seu marido ou esposa, ou mesmo sua mãe não podem fazer isso por vocês. Vocês precisam enfrentar o problema e a dor. Para iniciar o processo de cura, é preciso reconhecer e sentir a dor. Apenas aqueles que não sentem, aqueles sem consciência, não podem curar-se. Certa vez, minha mãe me contou sobre uma experiência que teve em uma manhã de inverno, quando dirigia para verificar o gado no pasto mais baixo. Ela notou um carro parado na beira da estrada. Dentro dele, reconheceu uma jovem mãe e três crianças. Quando minha mãe perguntou se precisavam de ajuda, a mulher, com lágrimas nos olhos, lembrou-lhe que aquele era o local do acidente que, duas semanas antes, havia matado seu marido. Ela respondeu: “Só estamos aqui para sentir a dor.” Naquele primeiro dia como enfermeira, eu supunha que tratar, cuidar e curar fossem sinônimos. Aprendi que não são a mesma coisa. Curar não é o mesmo que tratar o problema. Tratar o problema é limpo, rápido e finalizado — muitas vezes sob anestesia. O antibiótico mata o patógeno; o bisturi remove a malignidade; o medicamento corrige a química alterada. A cura, no entanto, muitas vezes é um processo de recuperação e crescimento que dura a vida inteira, apesar de — e talvez até por causa de — agressões físicas, emocionais ou espirituais duradouras. Ela exige tempo. Podemos orar por uma solução imediata quando, na verdade, o que precisamos mesmo é de cura. Seja para a reconstrução celular, para a reabilitação de nervos e músculos, para a recuperação emocional ou para o perdão espiritual, a cura requer trabalho, tempo e energia. A cura não pode acontecer em uma sala cirúrgica onde a dor é apenas uma lembrança adormecida. O tratamento é passivo, enquanto você submete seu corpo ao profissional de saúde. A cura é ativa. Ela requer toda a energia de todo o seu ser. Você precisa estar presente, totalmente desperto, consciente e participando dela enquanto acontece. A cura é pessoal Minha terceira lição é que a cura é um processo pessoal. O hino “Sim, Eu Te Seguirei” diz que “nos recônditos da alma dores há que não se vêem” (Hinos, 1985, nº 134). Em O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry escreveu: “É um lugar tão secreto, a terra das lágrimas”. O élder Neal A. Maxwell ensinou: Há, no sofrimento da mais alta ordem, um ponto que se alcança — um ponto de solidão — em que o indivíduo (assim como o Salvador, em uma escala muito maior) deve suportá-lo… sozinho. Mesmo os fiéis podem perguntar-se se conseguem suportar mais ou se de alguma forma foram abandonados. Aqueles que… permanecem ao pé da cruz muitas vezes podem fazer muito pouco para ajudar a absorver a dor e a angústia. É algo que nós mesmos devemos suportar para que nossa vitória seja completa (Neal A. Maxwell, All These Things Shall Give Thee Experience [Todas essas coisas te servirão de experiência], Salt Lake City: Deseret Book, 1979, 43). A cura não é apenas pessoal. Ela é sagrada. Um processo de cura pessoal não significa cura por abandono. Há algo tão sagrado em se partilhar do poder da Expiação para vencer o sofrimento, a decepção ou o pecado, que tal processo acontece na intimidade do relacionamento especial entre o mortal e o divino. A cura envolve uma comunhão pessoal e íntima com o Salvador, o Mestre que cura. Isso inspira uma reverência e admiração profundamente pessoais. Enquanto esteve na Terra, Jesus muitas vezes curou em particular e depois partiu. Quando curava, frequentemente ordenava: “Olha, não o digas a ninguém, mas vai” (Mateus 8:4; ver também Lucas 8:56). Dizer que a cura é pessoal não diminui o maravilhoso poder que vem da ajuda e da compaixão de outras pessoas. De fato, muitas vezes a cura pessoal não acontece sem a ajuda de outros. Mas grande parte do trabalho de cura é realizada a sós, dentro do coração, na companhia do Espírito do Senhor. Essa cura silenciosa não é um acontecimento único. Ela ocorre como um processo ao longo da vida. Não dá para simplesmente tirar um dia de folga ou começar amanhã, como se fosse uma nova dieta, e voltar curado. Ela acontece silenciosamente enquanto enfrentamos a dor. Acontece ao longo do tempo, enquanto vivemos, trabalhamos, estudamos e servimos aos outros. A cura nos ensina A quarta lição da arte de curar é que a cura nos ensina. Quando enfrentamos uma grande perda ou dor, podemos tentar “voltar ao normal” ou ao jeito que as coisas eram antes, mas nada será o mesmo. A dor nos muda, mas não da mesma maneira que a cura nos ensina. A cura pode ajudar a nos tornarmos mais sensíveis e mais despertos para a vida. Ela inspira arrependimento e obediência. Convida os dons da humildade e da fé. Abre nosso coração para as profundas complexidades da verdade, da beleza, da divindade e da graça. Orson F. Whitney escreveu: Nenhuma dor que sofremos… é desperdiçada. Ela contribui para nosso aprendizado, para o desenvolvimento de… paciência, fé, fortaleza e humildade. Tudo o que sofremos…, especialmente quando suportamos com paciência, edifica nosso caráter, purifica nosso coração, expande nossa alma e nos torna mais ternos e caridosos, mais dignos de ser chamados filhos e filhas de Deus… [E] é por meio da tristeza e do sofrimento, do trabalho árduo e das tribulações, que adquirimos o aprendizado que viemos aqui obter e que nos tornará mais semelhantes a nosso Pai e nossa Mãe Celestiais (citado em Spencer W. Kimball, Faith Precedes the Miracle [A fé precede o milagre], Salt Lake City: Deseret Book, 1972, 98). Devemos ajudar os outros a serem curados A quinta lição de se aprender a arte de curar é a obrigação — e também o grande dom — de ajudar outras pessoas a serem curadas. O presidente Gordon B. Hinckley advertiu: Como membros da Igreja de Jesus Cristo, nosso ministério é de cura, e temos o dever de tratar as feridas e aliviar a dor daqueles que sofrem. Invoco o poder de cura de Cristo sobre um mundo atormentado pela ganância e pela discórdia, sobre famílias angustiadas por discussões e egoísmo, e sobre pessoas sobrecarregadas pelo pecado, pelas dificuldades e pelas tristezas (Gordon B. Hinckley, “The Healing Power of Christ” [O poder de cura de Jesus Cristo], Ensign, novembro de 1988, 59). Todos os dias, alguém em seu caminho está sofrendo, alguém está com medo, alguém se sente inadequado, alguém precisa de um amigo. Alguém precisa que vocês percebam, que estendam a mão e o ajudem a ser curado. Talvez não saibam quem no momento, mas vocês podem oferecer encorajamento e esperança. Vocês podem ajudar a curar feridas de incompreensão e contenda. Vocês podem servir “na causa do Mestre que cura” (Hinckley, “Healing Power,” 52). A cura é um dom do Salvador, que convida: “Vinde a Mim” A última e maior lição sobre a cura é que ela é um dom divino que está sempre disponível por meio de um amoroso Pai Celestial. Se tiverem uma dor, tristeza, decepção, pecado ou mesmo um ressentimento que precisa de cura, o Salvador simplesmente diz: “Vinde a mim.” Nas últimas semanas, ao estudar as escrituras, li apenas os relatos de Jesus curando. Fiquei tocada e admirada ao perceber quanto da missão do Senhor nesta Terra foi dedicado à cura. Quando Jesus chamou e ordenou os Doze, Ele lhes deu especificamente o poder de curar (ver Mateus 10:1; Marcos 3:14–15) e instruiu-os a usar seus dons “de graça” (Mateus 10:8). As escrituras dizem que, quando Jesus curava, “toda a multidão se admirava” (Mateus 12:23). As pessoas traziam seus enfermos, seus cegos e mudos (Mateus 12:22), os que estavam possuídos por demônios (Mateus 12:22; ver também Marcos 1:32) e até seus mortos. Elas buscavam-No todos os dias, até o anoitecer. Tão grande era Sua reputação e Seu poder de cura que procuravam “ao menos [tocar] a orla das suas vestes; e todos os que as tocavam ficavam sãos” (Mateus 14:36). “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando… pregando o evangelho… e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” (Mateus 9:35). Quando Néfi também recebeu a visão que seu pai, Leí, havia tido, ele contemplou as multidões e as pessoas enfermas sendo “curadas pelo poder do Cordeiro de Deus” (1 Néfi 11:31). Quando o Salvador visitou as Américas, Ele “curou a todos, à medida que foram conduzidos a sua presença” (3 Néfi 17:9). O presidente Hinckley prometeu: Jesus de Nazaré curou os enfermos entre os quais andou. Seu poder regenerador está conosco ainda hoje… Seus ensinamentos divinos, Seu exemplo incomparável, Sua vida inigualável e Seu sacrifício infinito trarão cura aos corações partidos, reconciliação aos que vivem em contenda e discussões e até paz às nações em guerra, se buscados com humildade, perdão e amor (Hinckley, “Healing Power,” 52). O élder Holland nos lembra: É por isso que fazemos convênios solenes baseados no sacrifício expiatório de Cristo, e é por isso que tomamos sobre nós Seu nome. De tantas maneiras quanto possível, tanto figurativa quanto literalmente, procuramos tomar sobre nós Sua identidade. Buscamos Seus ensinamentos e recontamos Seus milagres. Enviamos testemunhas dos últimos dias… ao redor do mundo para declarar Sua mensagem. Chamamo-nos Seus filhos e filhas e testificamos que Ele é a única fonte de vida eterna. Suplicamos que Ele abra para nós as portas do céu e confiamos eternamente que o fará, com base em nossa fidelidade. [Holland, “Come unto Me,” 188] O élder Holland também observou: A Igreja… é mais como um hospital preparado para aqueles que desejam ficar bem… Para alguns de vocês isso significa simplesmente viver com mais fé, acreditar mais. Para outros, significa arrepender-se agora mesmo… Para praticamente todos nós, significa viver mais de acordo com as inspirações e promessas do Espírito Santo e “prosseguir com firmeza em Cristo, tendo perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens” (2 Néfi 31:20).  [Holland, “Come unto Me,” 189] Há cento e oitenta e dois anos os céus foram abertos. Há cento e sessenta anos a Sociedade de Socorro deu início à educação de enfermeiras para cuidar das necessidades de cura dos santos. Há cinquenta anos nasceu, na BYU, uma faculdade de enfermagem para capacitar estudantes a aprender ciência, habilidade e cura. Hoje, cada um de nós, nesta universidade com sua missão especial, tem uma oportunidade única de conhecer o Mestre que Cura e aprender a arte de curar. Deixo-lhes meu testemunho de que Ele vive — o Salvador, o Mestre que Cura, Aquele que “trará cura debaixo das suas asas” (Malaquias 4:2). Digo isso em Seu nome, amém. © Brigham Young University. Todos os direitos reservados.