{"id":1019,"date":"2024-11-01T06:00:00","date_gmt":"2024-11-01T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/?post_type=speech&#038;p=1019"},"modified":"2024-11-01T16:14:24","modified_gmt":"2024-11-01T16:14:24","slug":"curando-racismo-por-meio-de-jesus-cristo","status":"publish","type":"speech","link":"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/talks\/ryan-gabriel\/curando-racismo-por-meio-de-jesus-cristo\/","title":{"rendered":"Curando o racismo por meio de Jesus Cristo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><strong><em>Pretendemos modificar a tradu\u00e7\u00e3o se for necess\u00e1rio. Para dar sugest\u00f5es, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na primavera de 2018, tive a oportunidade de, junto com um grupo de professores e colegas administrativos aqui na BYU, viajar com um grupo de alunos para o Sul dos Estados Unidos para visitar v\u00e1rios locais famosos do movimento dos direitos civis dos negros. Um desses locais foi a Igreja Batista da Rua 16, em Birmingham, Alabama. A Igreja Batista da Rua 16 foi um centro de atividade do movimento de direitos civis nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960. Era um ponto de encontro para l\u00edderes do movimento, como o Dr. Martin Luther King Jr. e o reverendo Fred Shuttlesworth. Os paroquianos da igreja marcharam pelas ruas de Birmingham com a esperan\u00e7a de que sua a\u00e7\u00e3o integrasse uma cidade profundamente dividida.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado de fora da igreja, h\u00e1 uma pequena placa que lembra a morte de quatro meninas: Addie Mae Collins, Cynthia Wesley, Carole Robertson e Carol Denise McNair. Em 15 de setembro de 1963, em uma tentativa de prejudicar e intimidar a comunidade negra local, quatro supremacistas brancos colocaram aproximadamente quinze bast\u00f5es de dinamite ligados a um dispositivo de cronometragem sob as escadas dessa casa sagrada. A bomba explodiu, matando essas quatro meninas aben\u00e7oadas. Enquanto eu estava do lado de fora da igreja de tijolos vermelhos, l\u00e1grimas brotaram em meus olhos. Lamentei a perda daquelas quatro meninas. Hoje sinto rever\u00eancia pela coragem crist\u00e3 da sua comunidade de continuar a suportar a trag\u00e9dia e a insistir nos direitos civis pelos negros diante do imenso perigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Santos dos \u00daltimos Dias tamb\u00e9m foram v\u00edtimas de turbas violentas. Por exemplo, em 30 de outubro de 1838, uma cole\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias de Santos dos \u00daltimos Dias foi atacada em Hawn&#8217;s Mill, Missouri, por uma mil\u00edcia n\u00e3o autorizada. Nesse massacre, muitos homens Santos dos \u00daltimos Dias foram para a loja do ferreiro para montar uma defesa. No entanto, os milicianos podiam facilmente desparar contra o pr\u00e9dio porque havia grandes aberturas nas paredes. Por fim, os milicianos entraram na estrutura. Eles encontraram tr\u00eas meninos inocentes \u2014 Sardius Smith, Alma Smith e Charles Merrick \u2014 a quem atiraram. Dois morreram.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos de n\u00f3s conhecemos a trag\u00e9dia de Hawn&#8217;s Mill, causada por preconceito religioso. Podemos ter pouco ou nenhum conhecimento, no entanto, de eventos como o atentado \u00e0 Igreja Batista da Rua 16 que foram motivados por preconceito racial. Ampliar nossa compreens\u00e3o do sofrimento dos outros pode despertar a cardiade dentro de n\u00f3s. Nossos cora\u00e7\u00f5es podem se conectar em solidariedade sobre nossa experi\u00eancia compartilhada de lutar pela vida e &#8220;a [ter] em abund\u00e2ncia&#8221;.<sup>1<\/sup>&nbsp;Ao contemplarmos momentos hist\u00f3ricos desafiadores pelas lentes do evangelho de Jesus Cristo, aumentaremos nossa aprecia\u00e7\u00e3o pelo belo poder de cura do Pr\u00edncipe da Paz. Da mesma forma, descobriremos dicas da vida de e dos princ\u00edpios ensinados por nosso Salvador sobre como cumprir fielmente o encargo que o Presidente Russell M. Nelson nos deu de &#8220;liderar os esfor\u00e7os de banir atitudes e a\u00e7\u00f5es de preconceito&#8221;.<sup>2<\/sup><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-injustica-racial-historica-e-socorro-de-jesus-cristo\">Injusti\u00e7a racial hist\u00f3rica e socorro de Jesus Cristo<\/h2>\n\n\n\n<p>Na hist\u00f3ria dos Estados Unidos, h\u00e1 muito a ser admirado \u2014 muito mais do que eu poderia contar se tivesse a semana toda para falar com voc\u00eas. Um exemplo dessa hist\u00f3ria louv\u00e1vel \u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o e da Carta dos Direitos dos Estados Unidos. Esses documentos nos deram uma base s\u00f3lida e, como o \u00c9lder Quentin L. Cook declarou na confer\u00eancia universit\u00e1ria da BYU em agosto de 2020, &#8220;aben\u00e7oaram este pa\u00eds e protegeram pessoas de todas as religi\u00f5es&#8221;.<sup>3<\/sup>&nbsp;Juntamente com a honrosa hist\u00f3ria de nossa na\u00e7\u00e3o, infelizmente, h\u00e1 eventos como o atentado \u00e0 Igreja Batista da Rua 16 que marcaram a hist\u00f3ria de nossa na\u00e7\u00e3o \u2013 eventos em que atos de injusti\u00e7a racial destru\u00edram fam\u00edlias e suas comunidades e prejudicaram as esperan\u00e7as de uni\u00e3o e pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ilustrar, entre 1830 e 1850 nos Estados Unidos, as na\u00e7\u00f5es Cherokee, Muscogee, Seminole, Chickasaw e Choctaw ,foram deslocadas de suas terras ancestrais. Durante esta migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada conhecida como Trilha das L\u00e1grimas, eles enfrentaram fome, exposi\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as e morte. Durante a Grande Depress\u00e3o, centenas de milhares de cidad\u00e3os dos Estados Unidos de origem mexicana foram expulsos \u00e0 for\u00e7a ou coagidos a deixar o pa\u00eds. Durante a Segunda Guerra Mundial, mais de 100.000 japoneses americanos inocentes foram encarcerados em campos de concentra\u00e7\u00e3o. Certamente, aprender de eventos como esses pode gerar profunda compaix\u00e3o pelas fam\u00edlias que passaram por tanto sofrimento e injusti\u00e7a por motivos raciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Casos de injusti\u00e7a racial v\u00e3o muito al\u00e9m desses exemplos na hist\u00f3ria dos Estados Unidos, cada um dos quais merece considera\u00e7\u00e3o genu\u00edna. Em minha pesquisa, eu me concentro principalmente em como atos de injusti\u00e7a racial afetaram a comunidade afro-americana. O exemplo mais conhecido de injusti\u00e7a racial remonta ao que alguns chamam do pecado original da Am\u00e9rica: a escravid\u00e3o. A institui\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o foi introduzida nos Estados Unidos nos anos 1600s, quando cerca de 12,3 milh\u00f5es de africanos foram traficados para as Am\u00e9ricas.<sup>4<\/sup>&nbsp;Uma enorme riqueza foi gerada para aqueles que trabalhavam na ind\u00fastria escravista atrav\u00e9s da labuta injusta dos africanos \u2013 homens, mulheres e crian\u00e7as.<sup>5<\/sup>&nbsp;O cotidiano dos africanos escravizados era marcado por abusos horrendos. Em alguns casos, eles eram marcados com ferros quentes no peito ou no rosto.<sup>6<\/sup>&nbsp;Os escravos eram chicoteados, for\u00e7ados a usar m\u00e1scaras de ferro, colocados nos estoques, agredidos sexualmente e submetidos a outras formas de tortura.<sup>7<\/sup>&nbsp;Al\u00e9m da tortura, o arb\u00edtrio dos africanos escravizados era severamente limitado por um conjunto de leis chamadas c\u00f3digos de escravid\u00e3o. Por exemplo, era ilegal para uma pessoa escravizada possuir propriedades, comercializar bens, deixar a propriedade de um escravizador sem permiss\u00e3o, aprender a ler e escrever, falar sua l\u00edngua nativa ou se casar. As fam\u00edlias negras n\u00e3o tinham direitos sob a lei, o que significava que as crian\u00e7as eram arrancadas do abra\u00e7o gentil de seus pais e as esposas eram vendidas, para nunca mais olharem amorosamente nos olhos de seus maridos.<sup>8<\/sup>&nbsp;A escravid\u00e3o foi e \u00e9 um pecado contra a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra forma de injusti\u00e7a racial chamada arrendamento de condenados foi praticada contra os afro-americanos ap\u00f3s a Guerra Civil dos Estados Unidos. Durando at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1940, o arrendamento de condenados era um sistema de escravid\u00e3o legal em que os estados do Sul alugavam prisioneiros para empresas privadas, como minas e fazendas. A base legal do arrendamento de condenados foi encontrada na D\u00e9cima Terceira Emenda da Constitui\u00e7\u00e3o, que proibiu a escravid\u00e3o e a servid\u00e3o involunt\u00e1ria, mas isentou os condenados por um crime. Para aproveitar essa emenda, os estados do Sul aprovaram c\u00f3digos negros. Essas leis se aplicavam apenas aos afro-americanos e os sujeitavam a processos criminais pelos delitos mais triviais \u2014 atos que muitos de n\u00f3s j\u00e1 cometemos antes, como ficar em p\u00e9 sem um prop\u00f3sito aparente ou quebrar o toque de recolher. Essas leis efetivamente colocavam os negros, inclusive as crian\u00e7as, sob uma nova forma de escravid\u00e3o, na qual se deparavam com condi\u00e7\u00f5es de trabalho aterrorizantes que frequentemente terminavam em morte.<sup>9<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do leasing de condenados, o linchamento de negros era comum ap\u00f3s a Guerra Civil. De 1877 a 1950, houve cerca de 4.400 linchamentos documentados, consistindo em grande parte de afro-americanos. Os linchamentos eram eventos brutais de tortura e mutila\u00e7\u00e3o p\u00fablica, conhecidos por atrair multid\u00f5es de milhares de pessoas. Os linchamentos eram feitos predominantemente por brancos para aterrorizar as comunidades negras em um estado de medo e servid\u00e3o, e os eventos de linchamento eram frequentemente permitidos por autoridades estaduais e federais.<sup>10<\/sup>&nbsp;Para ilustrar a injusti\u00e7a selvagem do linchamento, consideremos Mary Turner. Em 1918, a Sra. Turner, uma mulher negra que estava gr\u00e1vida de oito meses, foi linchada na Ponte de Folsom, na Ge\u00f3rgia, por uma multid\u00e3o de homens brancos. O racioc\u00ednio dado pela multid\u00e3o para o linchamento foi que a Sra. Turner se manifestou contra o linchamento de seu marido.<sup>11<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 extremamente doloroso imaginar esse tipo de tratamento de nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Podemos encontrar paz, no entanto, no fato de que nosso Salvador conheceu e sentiu inteiramente a dor exata de cada escravo africano, das crian\u00e7as negras que morreram em minas escuras, de Mary Turner \u2014 cheio de seu filho \u2014 pendurada em agonia na Ponte de Folsom, e dos pequenos Sardius, Alma e Charles em Hawn&#8217;s Mill. Ele sofreu suas experi\u00eancias para que ficassem sob Seus ternos cuidados. Essa caracter\u00edstica sublime do Redentor \u00e9 destacada pelo profeta Alma, que declarou que Jesus Cristo<\/p>\n\n\n\n<p><em>tomar\u00e1 sobre si a morte, para soltar as ligaduras da morte que prendem o seu povo; e tomar\u00e1 sobre si as suas enfermidades, para que se lhe encham de miseric\u00f3rdia as entranhas, segundo a carne, para que saiba, segundo a carne, como socorrer seu povo, de acordo com suas enfermidades.<\/em><sup>12<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>O conhecimento de que Cristo sofre conosco pode proporcionar consolo a nosso cora\u00e7\u00e3o e nossa mente ao refletirmos sobre as injusti\u00e7as cometidas contra nossos irm\u00e3os e nossas irm\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-a-criacao-da-raca-e-encontrar-paz-em-jesus-cristo\">A cria\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a e encontrar paz em Jesus Cristo<\/h2>\n\n\n\n<p>O desenvolvimento de nossa concep\u00e7\u00e3o moderna de ra\u00e7a, na qual os grupos s\u00e3o definidos por suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas, foi estabelecido atrav\u00e9s de uma hist\u00f3ria complexa de colonialismo, sistemas econ\u00f4micos emergentes e na\u00e7\u00f5es e tentativas iniciais e equivocadas de entender as diferen\u00e7as comportamentais humanas atrav\u00e9s da ci\u00eancia. Por exemplo, os cientistas no s\u00e9culo XVIII come\u00e7aram a categorizar o mundo f\u00edsico, como plantas e animais, e isso se estendeu a grupos de indiv\u00edduos com caracter\u00edsticas f\u00edsicas semelhantes. Eventualmente, essa maneira de pensar levou a sistemas agora desmascarados de categoriza\u00e7\u00e3o racial que tentavam atribuir intelig\u00eancia e tra\u00e7os comportamentais \u00e0s caracter\u00edsticas f\u00edsicas de v\u00e1rios grupos raciais. Os primeiros cientistas que criaram categorias raciais conceberam que os brancos eram naturalmente superiores, o que contribuiu para justificar os males da escravid\u00e3o africana e os sistemas subsequentes de opress\u00e3o racial na Am\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu devocional recente,Presidente Dallin H. Oaks, primeiro conselheiro na Primeira Presid\u00eancia de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos \u00daltimos Dias, usou esta defini\u00e7\u00e3o de racismo: &#8220;envolvendo a ideia de que a pr\u00f3pria ra\u00e7a \u00e9 superior aos outros e tem o direito de govern\u00e1-los&#8221;.<sup>13<\/sup> &nbsp;Em outras palavras, racismo \u00e9 uma ideia de que existe uma hierarquia racial em que certos grupos s\u00e3o superiores a outros. No contexto dos Estados Unidos, a hierarquia racial coloca os brancos no topo e os afro-americanos e outras pessoas de cor na base.<\/p>\n\n\n\n<p>A justificativa para a hierarquia racial no in\u00edcio da hist\u00f3ria dos Estados Unidos aconteceu por v\u00e1rios meios. Al\u00e9m das justificativas cient\u00edficas equivocadas para as diferen\u00e7as raciais que mencionei, interpreta\u00e7\u00f5es distorcidas das sagradas escrituras foram usadas para argumentar que as pessoas com ascend\u00eancia africana estavam destinadas \u00e0 servid\u00e3o ou eram de alguma forma filhos inferiores de Deus. Racionaliza\u00e7\u00f5es como essas absolveram os indiv\u00edduos do grupo dominante de seus pensamentos, a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas racistas que desenvolveram para manter sua posi\u00e7\u00e3o dominante. Consequentemente, muitos que tinham vantagens sociais por causa de sua ra\u00e7a possu\u00edam a vis\u00e3o de que suas vantagens e o mau tratamento da sociedade aos grupos de pele mais escura eram aprovados pela natureza e por Deus. Essa perspectiva os imbuia com a cren\u00e7a de que sua posi\u00e7\u00e3o no topo da hierarquia racial era &#8220;certa&#8221; e n\u00e3o racista, levando alguns a pensar que a opress\u00e3o dos afro-americanos era justificada.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo disso \u00e9 que, em 1955, em um \u00f4nibus em Montgomery, Alabama, Rosa Parks se recusou a ceder seu assento a um homem branco. Rosa Parks foi presa. Durante aquela \u00e9poca, os afro-americanos foram relegados a sentar-se na parte de tr\u00e1s do \u00f4nibus. Se o \u00f4nibus estivesse cheio e uma pessoa branca entrasse e quisesse sentar, um indiv\u00edduo afro-americano teria que ficar de p\u00e9. Logo ap\u00f3s sua pris\u00e3o, l\u00edderes negros da igreja, exemplificando sabedoria e bravura, iniciaram um boicote ao sistema de \u00f4nibus para incentivar pol\u00edticas de transporte p\u00fablico mais justas. Dezenas de indiv\u00edduos da comunidade negra optaram por andar a p\u00e9 ou de carro em vez de andar de \u00f4nibus.&nbsp; Essa a\u00e7\u00e3o teve grandes consequ\u00eancias econ\u00f4micas na linha de \u00f4nibus, porque os afro-americanos representavam 75% de seus clientes.<sup>14<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Em resposta \u00e0 a\u00e7\u00e3o coletiva da comunidade negra, as casas de dois l\u00edderes do boicote \u2013 Dr. Martin Luther King Jr. e Reverendo Ralph Abernathy \u2013 foram incendiadas. Um reverendo luterano branco chamado Robert Graetz, que serviu a uma congrega\u00e7\u00e3o negra em Montgomery e que apoiou fortemente o boicote aos \u00f4nibus, tamb\u00e9m teve sua casa incendiada. Al\u00e9m disso, a cidade processou Martin Luther King Jr. e 89 outros na corte estadual sob o argumento de que era ilegal boicotar o sistema de \u00f4nibus.<sup>15<\/sup> &nbsp;Dr. King foi condenado. Pouco depois de seu veredicto de culpado, em 1956, 381 dias ap\u00f3s o in\u00edcio do boicote, a Suprema Corte dos Estados Unidos confirmou a decis\u00e3o de um tribunal distrital de que as leis de segrega\u00e7\u00e3o racial do Alabama para \u00f4nibus eram inconstitucionais. No dia seguinte, Rosa Parks andou em um \u00f4nibus integrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi preciso f\u00e9 para que os boicotadores suportassem essas indignidades di\u00e1rias, caminhassem resolutamente em um protesto crist\u00e3o pac\u00edficos e ainda encontrassem alegria. Imagino que algumas dessas pessoas profundamente crist\u00e3s que defenderam o que era certo, tanto negros quanto brancos, refletiram em momentos de solid\u00e3o pac\u00edfica as palavras de nosso Salvador:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os pobres de esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o reino dos c\u00e9us.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os que choram, porque eles ser\u00e3o consolados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os mansos, porque eles herdar\u00e3o a terra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a, porque eles ser\u00e3o fartos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcan\u00e7ar\u00e3o miseric\u00f3rdia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os limpos de cora\u00e7\u00e3o, porque eles ver\u00e3o a Deus.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os pacificadores, porque eles ser\u00e3o chamados filhos de Deus.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Bem-aventurados os que sofrem persegui\u00e7\u00e3o por causa da justi\u00e7a, porque deles \u00e9 o reino dos c\u00e9us.<\/em><sup>16<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Essas palavras aben\u00e7oadas provavelmente consolaram a suas almas, assim como confortam a minha. D\u00e3o esperan\u00e7a a quem anseia por um mundo mais justo. Com essas palavras, Cristo faz promessas gloriosas \u00e0queles que anseiam por comunidades pac\u00edficas. Ele tamb\u00e9m est\u00e1 profundamente ciente da persegui\u00e7\u00e3o e da resist\u00eancia que certamente vir\u00e3o \u00e0queles que trabalham para construir sociedades mais justas, e com isso Ele transmite uma vis\u00e3o de esperan\u00e7a e magn\u00edfica abund\u00e2ncia espiritual para aqueles que se dedicam a tal causa.<\/p>\n\n\n\n<p>Usando nossa pr\u00f3pria frase Santos dos \u00daltimos Dias, muitos desses indiv\u00edduos, negros e brancos, que lutaram por sociedades mais justas, choraram com os que choraram, consolaram os que necessitavam de consolo e serviram de testemunhas de Deus mesmo at\u00e9 a morte.<sup>17<\/sup>&nbsp;O m\u00e1rtir mais famoso da causa da liberdade foi o Dr. Martin Luther King Jr., mas houve outros indiv\u00edduos menos conhecidos que morreram para estender maior liberdade aos afro-americanos e, portanto, a todos os americanos. Por exemplo, o reverendo James Reeb era um ministro branco de Boston que foi morto por uma turba branca em Selma, Alabama. Viola Liuzzo era uma dona de casa branca e m\u00e3e de Detroit que dirigiu at\u00e9 Selma para transportar manifestantes pelo direito ao voto entre Selma e Montgomery. Ela foi tragicamente baleada e morta por um membro da Ku Klux Klan. Certamente, &#8220;Ningu\u00e9m tem maior amor do que este: de dar algu\u00e9m a sua vida pelos seus amigos&#8221;.<sup>18<\/sup><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-orgulho-ganancia-e-racismo\">Orgulho, gan\u00e2ncia e racismo<\/h2>\n\n\n\n<p>Devido aos sacrif\u00edcios humildes e santos das gera\u00e7\u00f5es anteriores, de todas as ra\u00e7as e etnias, fizemos avan\u00e7os nos Estados Unidos ao respeito \u00e0 igualdade racial. Como exemplo, o rec\u00e9m-eleito 117\u00ba Congresso dos EUA \u00e9 o mais diverso da hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds, no qual cerca de &#8220;um quarto dos membros votantes s\u00e3o minorias raciais ou \u00e9tnicas&#8221;.<sup>19<\/sup>&nbsp;Apesar dos progressos que fizemos, o racismo continua a ser uma for\u00e7a destrutiva na nossa sociedade. O racismo \u00e9 atraente porque proporciona \u00e0s pessoas um sentimento de orgulho. O sentimento de orgulho \u00e9 frequentemente justificado por no\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas de superioridade biol\u00f3gica, interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas das escrituras e conhecimento m\u00edope das realiza\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios grupos raciais e \u00e9tnicos. O advers\u00e1rio usa o orgulho, intr\u00ednseco ao racismo, para tentar distorcer um princ\u00edpio fundamental do plano de salva\u00e7\u00e3o: que somos todos filhos espirituais iguais de pais celestiais. Ele distorce este princ\u00edpio fundamental com o racismo para afirmar falsamente que os grupos raciais s\u00e3o inerentemente diferentes e que certos grupos raciais s\u00e3o melhores do que outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da simplicidade relativa desta estrat\u00e9gia, ela pode ser altamente eficaz. Sem d\u00favida, o perfume venenoso do orgulho pode atrair indiv\u00edduos inocentes que est\u00e3o em busca de um senso de prop\u00f3sito e destino para a filosofia da supremacia racial. No entanto, o fruto da filosofia da supremacia racial \u00e9 o \u00f3dio \u2013 \u00f3dio contra os pr\u00f3prios irm\u00e3os e irm\u00e3s, que \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00f3dio contra Deus. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos \u00daltimos Dias deixou claro que essa maneira de pensar n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio de um disc\u00edpulo de Cristo. Por exemplo, em 2017, ap\u00f3s uma violenta manifesta\u00e7\u00e3o supremacista branca em Charlottesville, Virg\u00ednia, a Igreja publicou a seguinte declara\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p><em>As atitudes supremacistas brancas s\u00e3o moralmente erradas e pecaminosas, e n\u00f3s as condenamos. Os membros da Igreja que promovem ou seguem uma &#8220;cultura branca&#8221; ou uma agenda de supremacia branca n\u00e3o est\u00e3o em harmonia com os ensinamentos da Igreja.<\/em><sup>20<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, \u00e9 pecado acreditar que a cor da pele ou a heran\u00e7a cultural torna algu\u00e9m inerentemente melhor do que um outro.<\/p>\n\n\n\n<p>O orgulho no que diz respeito \u00e0 ra\u00e7a e ao racismo pode se manifestar com grande sutileza, o que dificulta sua elimina\u00e7\u00e3o. Como mencionei antes, ser branco n\u00e3o \u00e9 simplesmente mais uma categoria racial; em nossa sociedade, os indiv\u00edduos brancos est\u00e3o no topo da hierarquia racial, tornando-os o grupo padr\u00e3o contra o qual outros grupos raciais s\u00e3o comparados. Por causa disso, n\u00e3o \u00e9 surpreendente que algumas grandes empresas de cuidados com a pele vendem lo\u00e7\u00e3o clareadora de pele especificamente para pessoas de cor. Estes produtos implicam que parecer mais claro e branco \u00e9 melhor. A raiz desse esquema \u00e9 encontrada no advers\u00e1rio. Por outro lado, convido-os n\u00e3o apenas a conhecer, mas a sentir que s\u00e3o filhos de amorosos pais celestiais que os criaram para parecerem exatamente como voc\u00eas s\u00e3o.\u00a0 Como declarou o Presidente Russell M. Nelson: &#8220;Cada um de n\u00f3s tem um potencial divino, pois cada um de n\u00f3s \u00e9 um filho ou uma filha de Deus. Somos todos iguais a Seus olhos. (&#8230;) Deus n\u00e3o ama uma ra\u00e7a mais do que outra&#8221;.<sup>21<\/sup> \u00a0Portanto, n\u00e3o importa o que o mundo nos diga, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de nos parecermos com qualquer outra pessoa para sermos dignos de amor e respeito. Nossos tons de pele est\u00e3o como devem ser, e s\u00e3o lindos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o orgulho seja altamente eficaz para atrair indiv\u00edduos para o racismo e justificar sua aplica\u00e7\u00e3o, a gan\u00e2ncia muitas vezes o motiva. O advers\u00e1rio oferece a for\u00e7a destrutiva do racismo como uma ferramenta perigosa para justificar a gan\u00e2ncia \u2014 a gan\u00e2ncia que se manifesta na opress\u00e3o de outras pessoas para obter ganhos materiais, poder e controle. A gan\u00e2ncia, no que diz respeito ao racismo em rela\u00e7\u00e3o aos afro-americanos, pode ser vista com grande clareza na hist\u00f3ria da escravid\u00e3o que descrevi anteriormente, mas tamb\u00e9m nos dias atuais. Pesquisadores que estudam a Grande Recess\u00e3o descobriram que ag\u00eancias de empr\u00e9stimos predat\u00f3rias \u2013 tudo em nome do lucro \u2013 visavam predominantemente comunidades negras e as canalizavam para empr\u00e9stimos hipotec\u00e1rios de alto custo e alto risco. Isso deixou as fam\u00edlias negras vulner\u00e1veis \u00e0 inadimpl\u00eancia de seus empr\u00e9stimos, \u00e0 retomada de suas casas e \u00e0 perda de grande parte de sua riqueza.<sup>22<\/sup>&nbsp;No final, esses dois tra\u00e7os profanos \u2013 orgulho e gan\u00e2ncia \u2013 s\u00e3o mutuamente solid\u00e1rios e conferem ao racismo uma for\u00e7a destrutiva colossal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-curar-o-racismo-por-meio-do-grande-mandamento-de-jesus-cristo\">Como curar o racismo por meio do grande mandamento de Jesus Cristo<\/h2>\n\n\n\n<p>Para combater o racismo e o orgulho e a gan\u00e2ncia associados a ele, o Rei dos reis convida cada um de n\u00f3s, com amor e magnanimidade, a &#8220;[vir] a mim todos v\u00f3s, extremos da Terra, comprai leite e mel sem dinheiro e sem pre\u00e7o&#8221;.<sup>23<\/sup>&nbsp;O Salvador convida todos n\u00f3s a participar de Suas abundantes d\u00e1divas de amor e reden\u00e7\u00e3o, nas quais a condi\u00e7\u00e3o racial e econ\u00f4mica s\u00e3o inconsequentes, nas quais cada um de n\u00f3s pode partilhar de Sua palavra sustentadora e na qual somos inerentemente iguais. Jesus Cristo nos ensinou que tamb\u00e9m devemos ser amorosos e generosos. Quando Jesus foi perguntado,<\/p>\n\n\n\n<p><em>Qual \u00e9 o grande mandamento na lei?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E Jesus disse-lhe: Amar\u00e1s ao Senhor teu Deus de todo o teu cora\u00e7\u00e3o, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Este \u00e9 o primeiro e grande mandamento.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E o segundo semelhante a este, \u00e9: Amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.<\/em><sup>24<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Essas poderosas declara\u00e7\u00f5es de nosso Salvador identificam claramente a quem devemos amar \u2014 <em>a <\/em>Deus <em>e uns aos outros \u2014<\/em> e o quanto \u2014 <em>com tudo o que temos<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o advers\u00e1rio tenta distorcer o grande mandamento por meio de formas perniciosas de racismo. Ele tenta nos convencer de que, se quisermos um mundo em que a ra\u00e7a n\u00e3o seja mais um fator que contribui para a forma como v\u00e1rios grupos s\u00e3o tratados, ent\u00e3o precisamos parar de nos concentrar na ra\u00e7a. Esta perspectiva funcionaria se viv\u00eassemos em uma sociedade ideal, sem hist\u00f3rico de escravid\u00e3o, arrendamento de condenados e linchamento. No entanto, vivemos em um mundo deca\u00eddo, um mundo que tem pecados hist\u00f3ricos que reverberam nos dias de hoje. Por exemplo, cientistas sociais observaram que as concentra\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas de escravos no Sul dos Estados Unidos est\u00e3o relacionadas aos padr\u00f5es contempor\u00e2neos de desigualdade racial nessa mesma regi\u00e3o do pa\u00eds.<sup>25<\/sup>&nbsp;Portanto, fingir que ra\u00e7a n\u00e3o \u00e9 importante, dizendo: &#8220;N\u00e3o vejo ra\u00e7a&#8221;, ou diminuir falsamente os impactos do racismo na vida dos filhos do Pai Celestial n\u00e3o faz nada para impedir o racismo que ocorre na educa\u00e7\u00e3o, no sistema de justi\u00e7a criminal, na moradia e no emprego \u2014 tudo isso afeta as oportunidades das fam\u00edlias e tem suas ra\u00edzes em um passado marcado por profunda e abrangente injusti\u00e7a racial. Fingir que ra\u00e7a n\u00e3o \u00e9 importante n\u00e3o demonstra compaix\u00e3o pelas experi\u00eancias de outras pessoas que, em virtude de suas experi\u00eancias com o racismo, sabem que \u00e9. O pr\u00f3prio Cristo nos pede que nos lembremos de Seu sofrimento e conhe\u00e7amos Seu sofrimento \u2014 que toquemos as cicatrizes em Suas m\u00e3os e Seus p\u00e9s.<sup>26<\/sup>&nbsp;Ele n\u00e3o nos pede que neguemos a dor do outro, mas que a conhe\u00e7amos e a toquemos. Negar a dor genu\u00edna do outro \u00e9 negar o pr\u00f3prio sofrimento que Cristo sentiu por ele em particular no Jardim do Gets\u00eamani e publicamente na cruz no Calv\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 f\u00e1cil, e em grande parte inocente, tentar n\u00e3o ver ra\u00e7a com a esperan\u00e7a de que isso nos ajudar\u00e1 a tratar as pessoas de forma justa e a v\u00ea-las como filhas de Deus, cheias de potencial divino. Reconhecer a identidade divina de uma pessoa \u00e9 sagrado, mas negar sua identidade racial pode levar a consequ\u00eancias negativas. \u00c9 claro que o objetivo continua a ser criar uma sociedade em que os indiv\u00edduos sejam julgados pelo conte\u00fado de seu car\u00e1ter, mas n\u00e3o podemos chegar l\u00e1 ignorando a cor de sua pele. Tentar n\u00e3o ver ra\u00e7a oculta de nossa vis\u00e3o as muitas maneiras pelas quais os indiv\u00edduos recebem ou negam oportunidades na sociedade apenas por causa de sua ra\u00e7a. Por exemplo, pesquisadores enviaram curr\u00edculos fict\u00edcios para an\u00fancios de ajuda, com os curr\u00edculos atribu\u00eddos aleatoriamente a indiv\u00edduos com nomes que soavam afro-americanos como Rasheed ou Jamal e nomes que soavam brancos como Brett ou Todd, apenas para observar que curr\u00edculos com nomes que soavam brancos eram muito mais propensos a receber uma segunda intrevista.<sup>27<\/sup>&nbsp;Consequentemente, tentar n\u00e3o ver ra\u00e7a diminui nossa capacidade de ver os desafios distintos de nossas irm\u00e3s e nossos irm\u00e3os e limita nossa capacidade de servi-los da maneira mais ben\u00e9fica poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>O que devemos fazer ent\u00e3o? Como podemos nos mover em dire\u00e7\u00e3o a uma comunidade de Si\u00e3o na qual o amor de Deus habita em nosso cora\u00e7\u00e3o? Podemos nos concentrar no grande mandamento. Uma maneira de amar a Deus de todo o cora\u00e7\u00e3o, alma e mente \u00e9 expressar gratid\u00e3o pela abund\u00e2ncia de dons que Ele nos concedeu. A express\u00e3o de nossa gratid\u00e3o, que \u00e9 uma forma de amor, pode ser mais do que um mero pensamento na mente; pode ser uma experi\u00eancia profunda e enriquecedora da alma, na qual nos concentramos em <em>sentir<\/em> gratid\u00e3o em nosso cora\u00e7\u00e3o, permitindo que esse <em>sentimento <\/em>emane por todo o ser. A gratid\u00e3o sentida \u00e9 a gratid\u00e3o que transforma. E dado que a raiz do racismo \u00e9 muitas vezes justificada pelo orgulho e motivada pela gan\u00e2ncia, sentir gratid\u00e3o expansiva pelos dons que recebemos de Deus pode nos dar uma compreens\u00e3o humilde de que dependemos totalmente Dele para tudo o que temos, tanto temporal quanto espiritual, e que ningu\u00e9m \u00e9 superior do que outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, podemos ser cheios de gratid\u00e3o para com Deus pela espantosa diversidade de pessoas, seus talentos e dons distintos e suas hist\u00f3rias culturais \u00fanicas; cada um deles contribui para o mosaico que \u00e9 a fam\u00edlia humana. Podemos ser gratos pelo fato de o Senhor convidar &#8220;todos a virem a ele e a participarem de sua bondade; e n\u00e3o repudia quem quer que o procure, negro e branco, escravo e livre, homem e mulher; e lembra-se dos pag\u00e3os; e todos s\u00e3o iguais perante Deus, tanto judeus como gentios&#8221;.<sup>28<\/sup>&nbsp;Podemos louvar a Deus por nos ordenar perdoar a todos,<sup>29<\/sup> incluindo aqueles que cometeram atos de viol\u00eancia racial no passado e aqueles que continuam a defender a ret\u00f3rica racista hoje. O perd\u00e3o dessas pessoas \u00e9 promovido pelo entendimento de que muitas delas, tanto do passado quanto do presente, seguiram as tradi\u00e7\u00f5es err\u00f4neas de seus pais, erros que foram nutridas pelo autor de todos os pecados, o advers\u00e1rio. Para ser claro, perdoar essas pessoas n\u00e3o significa que toleramos tal comportamento. Na verdade, n\u00e3o podemos roubar a justi\u00e7a. O perd\u00e3o significa que vemos essas pessoas como filhos de Deus e que nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e9 amoroso e puro para com elas. Al\u00e9m disso, em nossas ora\u00e7\u00f5es silenciosas, podemos dar gratid\u00e3o por nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s corajosos que sacrificaram suas vidas para que pud\u00e9ssemos viver em uma sociedade racialmente mais justa.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o segundo componente do grande mandamento, devemos amar nosso pr\u00f3ximo como a n\u00f3s mesmos. Se quisermos amar nosso pr\u00f3ximo como a n\u00f3s mesmos, devemos reconhecer suas necessidades, suas dores, suas esperan\u00e7as e seus sonhos. Conhecer sua heran\u00e7a cultural nos ajuda a fazer isso, mas se n\u00e3o tivemos o privil\u00e9gio de aprender sua hist\u00f3ria cultural, podemos ter certeza de que seu povo vivenciou triunfos maravilhosos e enfrentou sofrimento profundo. Essa maneira de ver os outros nos leva a v\u00ea-los como sendo t\u00e3o plenos, din\u00e2micos e reais quanto n\u00f3s. Sustentado pelo estudo e pela ora\u00e7\u00e3o, podemos apoiar essa perspectiva por meio de um santo testemunho de que nosso esp\u00edrito consiste do mesmo material divino, vindo dos mesmos pais celestiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para alcan\u00e7ar o segundo mandamento, tamb\u00e9m \u00e9 preciso questionar cuidadosamente nossas suposi\u00e7\u00f5es sobre aqueles que parecem diferentes de n\u00f3s. Por exemplo, voc\u00eas acreditam que a principal raz\u00e3o pela qual a pobreza econ\u00f4mica \u00e9 maior em alguns grupos raciais e \u00e9tnicos em compara\u00e7\u00e3o com outros \u00e9 por causa da no\u00e7\u00e3o de que os grupos economicamente mais pobres n\u00e3o valorizam o trabalho \u00e1rduo? Se sim, convido-os humildemente a observar aonde essa linha de pensamento os leva. Pode lev\u00e1-los a acreditar que os pobres desses grupos n\u00e3o s\u00e3o dignos de servi\u00e7o porque voc\u00eas percebem que eles apenas trouxeram sua condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sobre si mesmos. Ser\u00e1 que encontrar\u00e3o alegria nessa cren\u00e7a? Ser\u00e1 que os levar\u00e3o a amar seu pr\u00f3ximo como a si mesmos? Ser\u00e1 que essa perspectiva personifica o mandamento do Senhor de que &#8220;[amemos] uns aos outros, assim como [Ele nos] amou&#8221;?<sup>30<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m podemos olhar para Cristo como o exemplo de como amar nosso pr\u00f3ximo. Por meio da Expia\u00e7\u00e3o, Ele abnegadamente tomou sobre Si os pecados, as transgress\u00f5es, as dores e as tristezas de Suas irm\u00e3s e irm\u00e3os. Podemos trabalhar para seguir Seu sublime exemplo para ajudar a curar o racismo em nossa comunidade e construir pertencimento. Para ajudar a ilustrar isso, vou adaptar uma analogia da autora Isabel Wilkerson, ganhadora do Pr\u00eamio Pulitzer. Ela afirmou que a rela\u00e7\u00e3o que temos com os problemas sociais \u00e9 semelhante a indiv\u00edduos que herdaram uma casa antiga. A casa est\u00e1 em belos terrenos e tem um alicerce resistente, mas tem paredes deformadas, canos enferrujados e fia\u00e7\u00e3o defeituosa. Apesar de n\u00e3o sermos originalmente respons\u00e1veis por esses problemas, somos os donos herdados do que \u00e9 certo e errado com a casa.<sup>31<\/sup> &nbsp;Da mesma forma, os indiv\u00edduos podem afirmar, com raz\u00e3o, que n\u00e3o tiveram nada a ver com os pecados do passado, como a escravid\u00e3o e o linchamento, mas estamos vivendo <em>nos<\/em> legados de gera\u00e7\u00f5es passadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente, fomos aben\u00e7oados com o poder de agir e mudar nosso mundo; assim, neste exato momento, podemos decidir agir de uma forma verdadeiramente caridosa. Como representantes de Cristo, podemos trabalhar arduamente para curar os dolorosos legados do racismo que herdamos, legados que se manifestam de maneiras novas e perniciosas. Fazer isso nos ajudar\u00e1 a aliviar o sofrimento de outras pessoas. Foi isso que o Salvador fez por cada um de n\u00f3s. Ele tomou sobre Si pecados pelos quais n\u00e3o era respons\u00e1vel. Ele fez isso porque nos ama; podemos fazer isso porque O amamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Meus queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, todos n\u00f3s j\u00e1 pensamos, falamos ou nos comportamos de maneira preconceituosa em algum momento de nossa vida. A boa not\u00edcia \u00e9 que podemos nos voltar \u00e0 fonte de \u00e1guas vivas \u2014 Jesus Cristo e Sua Expia\u00e7\u00e3o \u2014 para nossa cura e reden\u00e7\u00e3o. Sua morte e Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o triunfante n\u00e3o apenas nos d\u00e3o a capacidade de reconciliar nosso relacionamento com o Pai Celestial, mas tamb\u00e9m de reconciliar nosso relacionamento uns com os outros. Podemos pedir desculpas quando magoamos algu\u00e9m, pedir perd\u00e3o a Deus e nos esfor\u00e7ar a cada dia para amar mais plena e completamente, melhorando nossa capacidade de personificar o grande mandamento. Ao aplicar a Expia\u00e7\u00e3o pessoalmente com a inten\u00e7\u00e3o de viver o grande mandamento, estamos coletivamente contribuindo para a cria\u00e7\u00e3o de Si\u00e3o \u2014 uma comunidade de &#8220;puros de cora\u00e7\u00e3o&#8221;.<sup>32<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m podemos ajudar a desenvolver essa comunidade unida de Si\u00e3o pelo estudo e pela f\u00e9. Podemos aprender sobre culturas que s\u00e3o diferentes das nossas. Por exemplo, podemos ler obras de escritores com quem normalmente n\u00e3o nos envolvemos, como Maya Angelou, que recebeu mais de 50 t\u00edtulos honor\u00e1rios, e Toni Morrison, que ganhou o Pr\u00eamio Nobel de Literatura e recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade. Podemos estudar a incr\u00edvel vida de Frederick Douglass<sup>33<\/sup> e as mulheres poderosas que contribu\u00edram para os movimentos dos direitos civis, como Ida B. Wells<sup>34<\/sup> e Fannie Lou Hamer.<sup>35<\/sup>&nbsp;Podemos desenvolver amizades aut\u00eanticas e amorosas com pessoas de diferentes ra\u00e7as, etnias e origens e ouvir humildemente e aprender com suas experi\u00eancias real da vida. Ao construir amizades atrav\u00e9s das linhas de diferen\u00e7a, \u00e9 fundamental reconhecer nossas semelhan\u00e7as. A uni\u00e3o em torno de nossas semelhan\u00e7as ajudar\u00e1 muito na constru\u00e7\u00e3o de pontes de coopera\u00e7\u00e3o e amizade duradoura. Podemos oferecer ora\u00e7\u00f5es sinceras e constantes para ter caridade por aqueles cuja hist\u00f3ria cultural \u00e9 diferente da nossa. \u00c0 Sua pr\u00f3pria maneira e por meio de Sua infinita intelig\u00eancia, o Pai Celestial responder\u00e1 nossas ora\u00e7\u00f5es para que sejamos cheios de caridade. \u00c9 minha sincera ora\u00e7\u00e3o que cada um de n\u00f3s tenha um cora\u00e7\u00e3o repleto de amor a Deus e uns aos outros, e fa\u00e7o isso no sagrado nome de Jesus Cristo. Am\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a9 Brigham Young University. Todos os direitos reservados.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"template":"","tags":[],"class_list":["post-1019","speech","type-speech","status-publish","hentry","event_type-devocional","speaker-ryan-gabriel","topic-caridade","topic-jesus-cristo","topic-responsabilidade"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.5 (Yoast SEO v27.5) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Curando o racismo por meio de Jesus Cristo | BYU Speeches Portugu\u00eas<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Como representantes de Cristo, podemos trabalhar arduamente para curar os dolorosos legados do racismo que herdamos.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/talks\/ryan-gabriel\/curando-racismo-por-meio-de-jesus-cristo\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" 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