{"id":1070,"date":"2025-03-14T06:00:00","date_gmt":"2025-03-14T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/?post_type=speech&#038;p=1070"},"modified":"2025-03-14T23:46:58","modified_gmt":"2025-03-14T23:46:58","slug":"o-dom-da-incerteza","status":"publish","type":"speech","link":"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/talks\/amy-tanner\/o-dom-da-incerteza\/","title":{"rendered":"O dom da incerteza"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><strong><em>Pretendemos modificar a tradu\u00e7\u00e3o se for necess\u00e1rio. Para dar sugest\u00f5es, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Levei muito tempo para escrever este discurso de devocional. \u00c0s vezes, quando tenho a oportunidade de fazer um discurso ou dar uma aula, sei imediatamente sobre o que quero falar. Isso aconteceu h\u00e1 alguns meses em minha ala. O bispo veio \u00e0 minha porta e perguntou se eu estaria disposto a falar no domingo seguinte, e eu imediatamente soube sobre o que queria falar. Quando me sentei para escrever aquele discurso, parecia que ele tinha se escrito sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Este devocional foi muito diferente. Desde o momento em que me pediram para falar, senti-me atormentado pela incerteza sobre o que dizer. Dois meses depois, eu tinha escrito e descartado p\u00e1ginas e p\u00e1ginas de rascunhos e pensamentos semiformados. Eu n\u00e3o sabia o que o Senhor queria que eu lhes dissesse hoje. N\u00e3o sabia o que eu queria lhes dizer hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, finalmente, uma semana antes de ter que enviar o texto do meu discurso, aceitei que talvez o que eu precisasse falar hoje fosse sobre&nbsp;<em>n\u00e3o saber.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja estranho dizer isso, j\u00e1 que cresci em uma igreja que encoraja os membros desde muito jovens a dizer as palavras &#8220;Eu sei&#8221;, mas o que tenho mais certeza nesta vida \u00e9 que n\u00e3o sabemos todas as coisas. Na verdade, na grande escala de toda a verdade, \u00e9 bem poss\u00edvel que, estatisticamente falando, n\u00e3o saibamos nada. E com isso quero dizer que, porque Deus e a verdade s\u00e3o t\u00e3o vastos e t\u00e3o grandes, as coisas que sabemos s\u00e3o t\u00e3o pequenas em compara\u00e7\u00e3o que tornam esse conhecimento essencialmente inexistente. Ent\u00e3o, hoje quero falar sobre essa ideia de n\u00e3o saber e sobre encontrar Deus em nossa incerteza.<\/p>\n\n\n\n<p>Quero acrescentar esta advert\u00eancia: Falo a partir da minha pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia. Paulo, em sua ep\u00edstola aos cor\u00edntios, falou sobre dons espirituais \u2014 os dons da sabedoria, do conhecimento, da f\u00e9 e da cura.<sup>1<\/sup>&nbsp;Confesso abertamente que provavelmente n\u00e3o me foi dado o dom do conhecimento. \u00c0s vezes em minha vida, tive f\u00e9 e esperan\u00e7a, mas, em geral, meu conhecimento muitas vezes pareceu um pouco t\u00eanue. No entanto, passei a acreditar que a incerteza pode ser uma d\u00e1diva tanto quanto o conhecimento, por isso vou conversar com voc\u00eas hoje com esse esp\u00edrito de incerteza.<\/p>\n\n\n\n<p>Gostaria de discutir v\u00e1rios aspectos do n\u00e3o saber. Minha esperan\u00e7a \u00e9 que em pelo menos uma delas voc\u00eas encontrem algo \u00fatil ou de valor para viver, frequentar a escola, desenvolver seu testemunho, construir relacionamentos e sair pelo mundo para fazer o que quer que voc\u00eas fa\u00e7am nesta Terra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-ha-maneiras-diferentes-de-saber\">H\u00e1 maneiras diferentes de saber<\/h2>\n\n\n\n<p>Primeiro, acho que \u00e9 \u00fatil falar um pouco sobre o conhecimento em si. Usamos a express\u00e3o &#8220;eu sei&#8221; de muitas maneiras, mas elas n\u00e3o s\u00e3o todas iguais. Considerem as declara\u00e7\u00f5es seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Eu sei que 2 + 3 = 5.<\/p>\n\n\n\n<p>2. Eu sei que em um dia claro, o c\u00e9u \u00e9 azul.<\/p>\n\n\n\n<p>3. Eu sei que amo meus pais.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas declara\u00e7\u00f5es usam a frase &#8220;eu sei&#8221;, mas a maneira como conhe\u00e7o cada uma dessas coisas n\u00e3o \u00e9 a mesma. Vejam a primeira declara\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 f\u00e1cil para mim como professora de matem\u00e1tica. Se eu pegar dois objetos distintos, M&amp;M&#8217;s por exemplo, e combin\u00e1-los com mais tr\u00eas M&amp;M&#8217;s, terei cinco M&amp;M&#8217;s. Embora eu tenha reconhecido que a verdade em matem\u00e1tica \u00e9 muito mais complexa do que costumamos imaginar, \u00e9 no entanto muito dif\u00edcil contestar a declara\u00e7\u00e3o de que 2 + 3 = 5.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas agora considerem a segunda declara\u00e7\u00e3o: o c\u00e9u \u00e9 azul. Na superf\u00edcie, parece igualmente indiscut\u00edvel. Creio que todos concordar\u00e3o comigo que, num dia claro, o c\u00e9u fica azul. Mas n\u00e3o sei se quando olhamos para o c\u00e9u todos vemos a mesma coisa. E se uma pessoa \u00e9 incapaz de ver o c\u00e9u, o que significa que o c\u00e9u \u00e9 azul? Cientificamente podemos falar de luz e comprimentos de onda, mas isso n\u00e3o reflete minha&nbsp;<em>experi\u00eancia<\/em>&nbsp;de ver azul. Na verdade, aprendi recentemente que as l\u00ednguas antigas n\u00e3o tinham uma palavra para azul e que, na falta de uma palavra para descrever a cor, as pessoas que falavam essas l\u00ednguas podem ter sido incapazes de sequer ver a cor azul. Para explorar essa possibilidade, o pesquisador Guy Deutscher decidiu fazer o que in\u00fameros pesquisadores j\u00e1 fizeram: ele experimentou em sua pr\u00f3pria filha. Quando sua filha era muito jovem, ele tinha o cuidado de nunca descrever a cor do c\u00e9u para ela. Finalmente, um dia ele pediu que ela olhasse para cima e descrevesse a cor, mas ela n\u00e3o tinha ideia de como descrev\u00ea-la. A princ\u00edpio, o c\u00e9u n\u00e3o se encaixava em nenhuma ideia de cor para ela..<sup>2<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Isso complica a verdade da minha declara\u00e7\u00e3o de que o c\u00e9u \u00e9 azul.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando considero a terceira declara\u00e7\u00e3o, de que sei que amo meus pais, tenho que admitir que n\u00e3o h\u00e1 uma maneira objetiva de medir isso. Na verdade, falhei vergonhosamente em algumas medidas simples de amor. No ano passado, quando meu pai me ligou no anivers\u00e1rio dele, eu nem disse feliz anivers\u00e1rio para ele! Ainda assim, posso dizer que sei com 100% de certeza que amo meus pais e realmente acredito que eles sabem o mesmo. \u00c9 apenas um tipo diferente de conhecimento do que o conhecimento que 2 + 3 = 5.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se trata de assuntos relacionados ao Esp\u00edrito, frequentemente ouvimos as palavras &#8220;eu sei&#8221;:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Eu sei que a igreja \u00e9 verdadeira.<\/li>\n\n\n\n<li>Eu sei que Jesus me ama.<\/li>\n\n\n\n<li>Eu sei que a obedi\u00eancia traz b\u00ean\u00e7\u00e3os.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Acho que \u00e0s vezes presumimos que qualquer declara\u00e7\u00e3o de &#8220;eu sei&#8221; precisa significar &#8220;eu sei&#8221; da mesma forma que eu sei que 2 + 3 = 5. Mas n\u00e3o podemos saber essas coisas da mesma maneira, porque s\u00e3o tipos diferentes de verdade e est\u00e3o acess\u00edveis a n\u00f3s de maneiras diferentes. O que eu acho que geralmente queremos dizer \u00e9 que estamos&nbsp;<em>igualmente confiantes<\/em>&nbsp;nessas coisas. Mesmo assim, alguns de n\u00f3s estamos e outros n\u00e3o. Nem todos recebemos o dom do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Creio que \u00e9 importante entender o tipo de conhecimento que devemos buscar. Conhecimento de que 2 + 3 = 5 \u00e9 bastante definido, mas o conhecimento sobre a cor do c\u00e9u nasce de nossa experi\u00eancia com o c\u00e9u. N\u00e3o apenas a cor do c\u00e9u est\u00e1 sempre mudando, mas, \u00e0 medida que ganhamos experi\u00eancia, nossa capacidade de descrever o que estamos vendo e at\u00e9 mesmo nossa pr\u00f3pria capacidade de ver podem mudar e crescer \u2014 assim como nossa capacidade de conhecer a Deus pode mudar e crescer ao longo de nossa vida. Se eu presumir que conhecer a Deus \u00e9 como saber que 2 + 3 = 5 e ent\u00e3o eu vivencio algo que entra em conflito com meu entendimento, eu tenho que voltar \u00e0 prancheta com toda a aritm\u00e9tica. Mas se conhecer a Deus \u00e9 mais como conhecer a cor do c\u00e9u, conflitos aparentes com meu entendimento atual t\u00eam o potencial de expandir em vez de destruir minha vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O conhecimento das coisas espirituais tamb\u00e9m se manifesta em como esse conhecimento orienta nossas a\u00e7\u00f5es. \u00c9 muito menos importante saber que amo meus pais do que demonstrar esse amor por eles e continuar tentando mesmo quando minhas express\u00f5es s\u00e3o imperfeitas. O conhecimento de que a Igreja \u00e9 verdadeira, de que Deus vive ou de que Jesus nos ama \u00e9 menos importante do que o que nossa f\u00e9 e esperan\u00e7a nos obrigam a fazer. O conhecimento do amor de Deus \u00e9 importante, mas como aceito esse amor e permito que ele mude a mim mesmo e ao mundo ao meu redor, mesmo quando meus esfor\u00e7os s\u00e3o imperfeitos, \u00e9 muito mais importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Um conhecimento completo e seguro tamb\u00e9m pode ser limitante e, honestamente, n\u00e3o to interessante. Um conhecimento vivo que muda, cresce, se adapta e nos motiva para a a\u00e7\u00e3o \u00e9 um conhecimento que abra\u00e7a estados de incerteza e de n\u00e3o saber. Estes estados nos levam \u00e0 mudan\u00e7a e ao crescimento. Na verdade, como seres humanos, tendemos a passar rapidamente de fatos simples como 2 + 3 = 5 para quest\u00f5es complexas do que podemos fazer com esses fatos e, em seguida, para perguntas que estendem nossa compreens\u00e3o al\u00e9m de seus limites aparentes. A matem\u00e1tica \u00e9 muito maior e muito mais aberta do que 2 + 3 = 5, assim como Deus \u00e9 muito maior do que imaginamos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-as-vezes-estamos-errados-sobre-o-que-sabemos\">\u00c0s vezes estamos errados sobre o que sabemos<\/h2>\n\n\n\n<p>Quero seguir em outra dire\u00e7\u00e3o agora e abordar outro lado do n\u00e3o saber. Gostaria de come\u00e7ar com uma hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Certo dia, enquanto eu trabalhava nesse discurso do devocional em casa, minha filha de 4 anos estava brincando no sof\u00e1 ao meu lado. Nosso cachorro Jin latiu para a porta dos fundos, querendo entrar na casa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00ea pode deixar Jin entrar?&#8221; perguntei ao minha filha. Porque para que servem as crian\u00e7as, a n\u00e3o ser para fazer as pequenas tarefas que voc\u00ea mesmo n\u00e3o tem vontade de fazer?<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em vez de pular com \u00e2nimo para ajudar, minha filha me informou: &#8220;Jin n\u00e3o latiu&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Bem, acabei de ouvi-lo&#8221;, disse a ela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Jin n\u00e3o est\u00e1 fora&#8221;, ela respondeu.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Bem&#8221;, eu disse, &#8220;na verdade, estou olhando para a porta e o vejo do lado de fora&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ele&nbsp;<em>n\u00e3o<\/em>&nbsp;est\u00e1 do lado de fora&#8221;, insistiu ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Como eu estava trabalhando em um discurso devocional sobre conhecimento, decidi fazer aquela coisa de &#8220;experimentar com seus pr\u00f3prios filhos&#8221; e perguntei: &#8220;Voc\u00ea&nbsp;<em>sabe&nbsp;<\/em>que Jin n\u00e3o est\u00e1 fora?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Com grande confian\u00e7a, ela olhou para mim e disse: &#8220;Eu&nbsp;<em>sei<\/em>&nbsp;que Jin n\u00e3o est\u00e1 fora&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento, levantei-me e deixei nosso cachorro entrar, e minha filha exclamou: &#8220;Oh, mam\u00e3e, Jin&nbsp;<em>estava<\/em>&nbsp;do lado de fora!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Sua aparente surpresa genu\u00edna me convenceu de que ela n\u00e3o estava mentindo quando, diante das evid\u00eancias visuais e auditivas, ela me informou que nosso cachorro n\u00e3o estava realmente latindo do lado de fora para entrar.&nbsp;&nbsp;Acredito que ela realmente sabia que o cachorro n\u00e3o estava do lado de fora porque ela queria que ele n\u00e3o estivesse fora. Teria sido inconveniente para ela se ele estivesse fora, porque ela teria que parar de brincar e deix\u00e1-lo entrar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma anedota engra\u00e7ada quando se trata da minha filha teimosa e determinada, mas fazemos isso o tempo todo. Quando sabemos algo, \u00e9 prov\u00e1vel que nos agarremos a esse conhecimento o mais firmemente que pudermos, mesmo quando estamos enganados. Geralmente n\u00e3o percebemos que estamos fazendo isso. Claro que n\u00e3o, porque&nbsp;<em>sabemos<\/em>!<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa mente humana \u00e9 constru\u00edda para dar sentido ao mundo ao nosso redor, para categorizar, avaliar e colocar nossas experi\u00eancias e observa\u00e7\u00f5es em caixas simples. A capacidade de criar ordem e organiza\u00e7\u00e3o a partir do caos que nos rodeia \u00e9 incrivelmente importante para a nossa sobreviv\u00eancia e bem-estar. Mas uma consequ\u00eancia dessa capacidade humana bem desenvolvida \u00e9 que todos n\u00f3s achamos que sabemos e entendemos muito mais do que realmente sabemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das minhas hist\u00f3rias favoritas da hist\u00f3ria da matem\u00e1tica \u00e9 a hist\u00f3ria do postulado das paralelas. Por volta de 300 a.C., Euclides de Alexandria escreveu um livro chamado&nbsp;<em>Os<\/em>&nbsp;<em>Elementos<\/em>, no qual ele essencialmente construiu a geometria com base em cinco postulados ou declara\u00e7\u00f5es que s\u00e3o aceitos como verdade sem precisar de racioc\u00ednio ou argumento adicional. Quatro de seus cinco postulados s\u00e3o bem diretos. Uma delas, por exemplo, foi que, com dois pontos determinados, podemos tra\u00e7ar uma linha reta ligando esses dois pontos. Mas o quinto postulado tem causado problemas aos matem\u00e1ticos nos \u00faltimos dois mil\u00eanios. Este postulado diz:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Caso uma reta, caindo sobre duas retas, fa\u00e7a os \u00e2ngulos interiores e do mesmo lado menores do que dois retos, sendo prolongadas as duas retas, ilimitadamente, encontrarem-se no lado no qual est\u00e3o os menores do que dois retos.<\/em><sup>3<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um pouco complicado, mas essencialmente esse postulado nos permite acreditar em algumas coisas sobre linhas paralelas, ou linhas que nunca se cruzam, que intuitivamente parecem ser verdadeiras sobre linhas paralelas.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que os matem\u00e1ticos n\u00e3o estavam convencidos de que esse conceito era conclusivo. O quinto postulado parecia mais uma ideia sobre o espa\u00e7o geom\u00e9trico que precisava ser discutida, do que uma conclus\u00e3o que poderia ser apresentada sem argumentos. Durante s\u00e9culos, os matem\u00e1ticos tentaram encontrar uma maneira de fazer esse argumento usando apenas os quatro primeiros postulados e talvez um novo postulado mais evidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pessoa que trabalhou neste problema no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII foi Giovanni Girolamo Saccheri. Ele atacou o problema usando quadril\u00e1teros e achou que tinha conseguido uma solu\u00e7\u00e3o. Em sua Proposi\u00e7\u00e3o XXXIII ele afirmou que um determinado resultado contr\u00e1rio seria &#8220;repugnante \u00e0 natureza da linha reta&#8221;.<sup>4<\/sup>&nbsp;Basicamente, Saccheri sabia o que uma linha reta deveria fazer e sabia o que linhas paralelas deveriam fazer. Em \u00faltima an\u00e1lise, seu argumento para a verdade do postulado paralelo dependia do fato de que, sem ele, as linhas retas acabavam se comportando de maneiras &#8220;repugnantes&#8221; \u00e0 sua natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas um s\u00e9culo depois e mais de dois mil anos depois que Euclides escreveu seu livro&nbsp;<em>Os<\/em>&nbsp;<em>Elementos,<\/em>&nbsp;um grupo de matem\u00e1ticos finalmente perguntou: &#8220;E se estivermos errados sobre a natureza das linhas retas? E se em alguns espa\u00e7os as linhas se comportarem de uma maneira, mas em outros espa\u00e7os elas se comportarem de uma maneira completamente diferente?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao deixar de seus conhecimentos de lado, eles descobriram algo fascinante: se reconsiderassem a maneira como as linhas paralelas funcionam, a geometria n\u00e3o se desfazia. Na verdade, ao ajustar essa condi\u00e7\u00e3o, eles conseguiram criar ou talvez descobrir uma geometria estranha, nova e maravilhosa que agora chamamos de geometria hiperb\u00f3lica, que \u00e9 matematicamente t\u00e3o v\u00e1lida quanto a geometria euclidiana que voc\u00eas aprenderam no ensino m\u00e9dio, embora seja muito mais dif\u00edcil para os humanos compreender.<\/p>\n\n\n\n<p>A matem\u00e1tica, quando voc\u00eas passam tempo com ela, tem um tipo particular de beleza que nem sempre \u00e9 bem transmitida em nossas experi\u00eancias escolares. A geometria hiperb\u00f3lica tem sua pr\u00f3pria beleza, tanto matematicamente quanto visualmente. Mas abrir a porta para essa beleza exigia que os humanos admitissem que o que eles pensavam que sabiam poderia realmente estar errado.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que \u00e9 importante questionarmos o que achamos saber e nos abrirmos \u00e0 ideia de que pode ser errado, mesmo (e talvez especialmente) quando estar errado seria inconveniente ou desconfort\u00e1vel para n\u00f3s. Posso at\u00e9 me perguntar as seguintes perguntas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Tenho certeza de que realmente entendo o cora\u00e7\u00e3o e as inten\u00e7\u00f5es de outra pessoa, ou ser\u00e1 que minhas pr\u00f3prias experi\u00eancias tornam dif\u00edcil para mim entender o que est\u00e3o pensando?<\/li>\n\n\n\n<li>Quando discordo de algu\u00e9m, tenho certeza de que estou certa e eles est\u00e3o errados, ou posso ter pontos cegos?<\/li>\n\n\n\n<li>Posso aprender com a perspectiva de outra pessoa?<\/li>\n\n\n\n<li>Quando a maneira de falar, agir, pensar, adorar, etc. de outra pessoa \u00e9 desconhecida para mim, tenho certeza de que meu desconforto \u00e9 a falta do Esp\u00edrito, ou ser\u00e1 que ainda n\u00e3o aprendi a ver Deus naquele ambiente espec\u00edfico?<\/li>\n\n\n\n<li>Tenho certeza de que tenho pleno entendimento de determinado princ\u00edpio ou mandamento do evangelho, ou poderia aprender algo ao fazer perguntas ou ouvir as experi\u00eancias de outra pessoa?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Aceitar que talvez n\u00e3o saibamos o que achamos saber n\u00e3o significa que precisamos abrir m\u00e3o de toda certeza ou convic\u00e7\u00e3o. Em vez disso, a abertura para estar errado pode ser uma posi\u00e7\u00e3o humilde de f\u00e9 na qual a &#8220;esperan\u00e7a nas coisas que n\u00e3o se veem&#8221;<sup>5<\/sup>&nbsp;pode florescer ao nos permitirmos aceitar que h\u00e1 coisas que n\u00e3o s\u00e3o vistas para n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-deus-das-coisas-perdidas-nao-responde-a-todas-as-perguntas\">O Deus das Coisas Perdidas n\u00e3o responde a todas as perguntas<\/h2>\n\n\n\n<p>Finalmente, seria f\u00e1cil para mim enquadrar o t\u00f3pico da incerteza como &#8220;incerteza at\u00e9&#8221;, com a expectativa de que n\u00e3o saber \u00e9 apenas um passo no processo para conhecer. Mas, embora possamos obter maior entendimento ao longo de nossa vida, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 fim para o n\u00e3o saber na mortalidade. Na verdade, haver\u00e1 muitas vezes em nossa vida em que as respostas n\u00e3o vir\u00e3o e em que o n\u00e3o saber \u00e9 um estado aparentemente permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das coisas que sempre amei no evangelho \u00e9 a promessa de respostas e certeza para aqueles que buscam diligentemente. Pode-se dizer que a hist\u00f3ria de nossa Igreja nos \u00faltimos dias come\u00e7a com&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.churchofjesuschrist.org\/study\/scriptures\/nt\/james\/1?lang=por\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tiago 1:5<\/a>: &#8220;E se algum de v\u00f3s tem falta de sabedoria, pe\u00e7a-a a Deus, que a todos d\u00e1 liberalmente, sem repreens\u00e3o, e ser-lhe-\u00e1 dada&#8221;. Eu mesmo j\u00e1 passei por momentos em minha vida em que senti a orienta\u00e7\u00e3o e as respostas flu\u00edrem do c\u00e9u. Ao termos fome e sede de respostas, podemos ver todo o prop\u00f3sito do evangelho como o de fornecer respostas, e podemos ignorar o mist\u00e9rio de Deus e a import\u00e2ncia das perguntas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu era jovem, acreditava no Deus das Coisas Perdidas. Tenho v\u00e1rias lembran\u00e7as de ter orado freneticamente ao Pai Celestial para que encontr\u00e1ssemos aquele \u00faltimo livro da biblioteca, aquele que era para entregar hoje, porque n\u00e3o pod\u00edamos ir \u00e0 biblioteca at\u00e9 que tiv\u00e9ssemos encontrado todos os livros, e eu tinha certeza de que tinha literalmente procurado em todos os lugares. Em retrospectiva, \u00e9 f\u00e1cil olhar para os baixos riscos da situa\u00e7\u00e3o e ver a tolice em meus apelos fren\u00e9ticos. \u00c9 f\u00e1cil explicar o fato de que o livro sempre foi encontrado eventualmente. Ainda assim, tive algumas poucas experi\u00eancias espec\u00edficas em que senti que uma ora\u00e7\u00e3o inconsequente foi respondida de uma maneira dif\u00edcil de explicar. H\u00e1 pouco tempo, vi meu filho passar por isso pela primeira vez quando, ap\u00f3s sua simples ora\u00e7\u00e3o, localizamos imediatamente as chaves que est\u00e1vamos procurando h\u00e1 dias. N\u00e3o sei se s\u00e3o respostas \u00e0s ora\u00e7\u00f5es, mas, nos momentos em que aconteceram, senti como se Deus estivesse me estendendo a m\u00e3o com amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma dificuldade que a maioria de n\u00f3s enfrenta ao passar da f\u00e9 da inf\u00e2ncia para a f\u00e9 adulta \u00e9 a quest\u00e3o de por que Deus responderia a uma ora\u00e7\u00e3o por chaves perdidas, mas n\u00e3o responderia ora\u00e7\u00f5es que s\u00e3o muito mais consequentes: ora\u00e7\u00f5es sobre decis\u00f5es importantes da vida, ora\u00e7\u00f5es por respostas a perguntas desconcertantes, ora\u00e7\u00f5es por cura e recupera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as terr\u00edveis, ou ora\u00e7\u00f5es pela paz em um mundo assolado por trag\u00e9dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, eu pessoalmente ainda acredito em um Deus de Coisas Perdidas. Creio que Deus \u00e0s vezes responde a essas ora\u00e7\u00f5es n\u00e3o apesar de suas inconsequ\u00eancias, mas por causa delas. Creio que uma resposta a uma ora\u00e7\u00e3o sobre chaves perdidas pode ser uma mensagem de amor de nossos Pais Celestiais, que sabem que, quando se trata de assuntos de maior import\u00e2ncia, teremos dificuldade em ver Suas m\u00e3os em nossa vida. Esta vida n\u00e3o \u00e9 o tempo para recebermos todas as respostas, nem \u00e9 o tempo para que tudo seja resolvido. \u00c0s vezes, Deus nos revela Sua vontade, mas muitas vezes somos obrigados a seguir em frente na incerteza.<\/p>\n\n\n\n<p>Este momento de sua vida \u00e9 um momento de tomada de decis\u00f5es. Sei por experi\u00eancia pr\u00f3pria e pelo meu trabalho como orientadora acad\u00eamica que, \u00e0s vezes, pode parecer cansativo. Quando eu tinha vinte e poucos anos, lembro-me de olhar para tr\u00e1s na d\u00e9cada anterior e perceber que eu tinha tomado uma decis\u00e3o importante e transformadora a cada ano daquela d\u00e9cada. Foi muito exaustivo. O ritmo das grandes tomadas de decis\u00e3o diminuiu para mim, mas n\u00e3o parou. Acontece que tomar decis\u00f5es potencialmente transformadoras \u00e9 apenas uma parte da vida adulta.<\/p>\n\n\n\n<p>O papel que Deus desempenha ao tomar essas decis\u00f5es, no entanto, nem sempre \u00e9 constante. \u00c0s vezes, voc\u00eas saber\u00e3o por conta pr\u00f3pria o que querem fazer, e Deus est\u00e1 l\u00e1 para desempenhar um papel de apoio. Foi assim que me senti em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 minha decis\u00e3o de ir para a BYU como estudante de gradua\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tive nenhuma grande revela\u00e7\u00e3o; era apenas onde eu queria estudar. Em outras ocasi\u00f5es, voc\u00eas podem sentir que Deus os leva a uma dire\u00e7\u00e3o muito espec\u00edfica, talvez at\u00e9 mesmo a uma dire\u00e7\u00e3o que voc\u00eas n\u00e3o teriam escolhido por si mesmos. Quando estava decidindo para onde iria para o doutorado, eu sabia para onde queria ir, mas tive v\u00e1rias experi\u00eancias espirituais poderosas que me levaram a outra dire\u00e7\u00e3o. At\u00e9 hoje tenho grande certeza de que, apesar dos desafios, era exatamente onde eu precisava estar naqueles cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas em outros momentos voc\u00eas n\u00e3o ter\u00e3o certeza. Voc\u00eas n\u00e3o ter\u00e3o certeza sobre o que Deus quer que voc\u00eas fa\u00e7am e voc\u00eas n\u00e3o ter\u00e3o certeza sobre o que desejam fazer. Quando terminei o doutorado, senti-me perdida nestas duas \u00e1reas. Pensei que 11 anos de ensino superior deveriam ter me deixado com uma no\u00e7\u00e3o clara do que eu queria ser quando crescesse, mas em vez disso, essas \u00e1guas pareciam mais turvas do que nunca. Pensei que, \u00e0quela altura de minha vida, deveria ter me sentido mais confiante de que poderia ouvir e conhecer a vontade do Senhor, mas naquela \u00e9poca parecia que os c\u00e9us estavam em sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento, a \u00fanica coisa que eu podia fazer era seguir em frente. Eu queria seguir em frente no caminho certo, mas a \u00fanica coisa que eu podia fazer naquele per\u00edodo era seguir em frente por&nbsp;<em>um<\/em>&nbsp;caminho. Eu queria saber que tudo ia dar certo, mas isso n\u00e3o era algo que eu pudesse saber. Aceitar a incerteza \u00e9 dif\u00edcil, mas em alguns momentos de nossa vida \u00e9 a \u00fanica coisa que podemos fazer.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-deus-pode-transformar-nossas-pedras-em-luz\">Deus pode transformar nossas pedras em luz<\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muito tempo adoro a hist\u00f3ria do irm\u00e3o de Jarede. Ele recebeu muita orienta\u00e7\u00e3o do Senhor enquanto ele e sua fam\u00edlia e amigos eram guiados em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 terra prometida. Mas a parte da hist\u00f3ria que mais amo \u00e9 quando o Senhor o fez responder \u00e0 sua pr\u00f3pria pergunta. O irm\u00e3o de Jarede tinha seguido as instru\u00e7\u00f5es do Senhor de construir barcos, mas havia um problema. Os vasos estavam fechados e sem janelas; como resultado, n\u00e3o havia luz dentro das embarca\u00e7\u00f5es. Quando o irm\u00e3o de Jarede se aproximou do Senhor, pareceu que ele esperava uma resposta:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00d3 Senhor, eis que fiz conforme me ordenaste; e preparei os navios para meu povo e eis que neles n\u00e3o h\u00e1 luz.&nbsp;\u00d3, Senhor, consentir\u00e1s que cruzemos estas grandes \u00e1guas na escurid\u00e3o?<\/em><sup>6<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em vez de dar uma solu\u00e7\u00e3o ao irm\u00e3o de Jarede, o Senhor lhe disse o que ele provavelmente j\u00e1 sabia: N\u00e3o pode ter janelas e n\u00e3o pode levar fogo.<sup>7<\/sup>&nbsp;E ent\u00e3o o Senhor voltou o problema para o irm\u00e3o de Jarede e essencialmente perguntou: &#8220;O que voc\u00ea acha?&#8221;<sup>8<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria das vezes, quando realmente n\u00e3o sei o que fazer, prefiro que Deus me diga o que fazer, porque tenho certeza de que posso fazer uma bagun\u00e7a e que Deus pode me impedir de fazer bagun\u00e7a. Quando deixados \u00e0 nossa pr\u00f3pria sorte \u2014 como tantas vezes acontece \u2014 e quando deixados para seguir em frente diante da incerteza \u2014 como tantas vezes estamos \u2014, no final, todos tomaremos uma decis\u00e3o da qual nos arrependemos, magoaremos algu\u00e9m que pretend\u00edamos ajudar, seguiremos um caminho sem sa\u00edda ou nos encontraremos no lugar errado na hora errada.<\/p>\n\n\n\n<p>O irm\u00e3o de Jarede pensou na pergunta do Senhor e decidiu produzir dezesseis pedras de rocha fundida para que o Senhor as tocasse a fim de que brilhassem:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00d3 Senhor, n\u00e3o te ires contra teu servo por causa de sua fraqueza .&nbsp;.&nbsp;.&nbsp;n\u00e3o obstante, \u00f3 Senhor, deste-nos o mandamento de invocar-te, para que de ti recebamos de acordo com nossos desejos.<\/em><sup>9<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>E o Senhor concedeu o desejo do irm\u00e3o de Jarede e estendeu a m\u00e3o para tocar as pedras e faz\u00ea-las brilhar.<sup>10<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Ao aceitarmos as incertezas da vida e seguirmos em frente, mesmo sabendo que nem tudo sair\u00e1 como gostar\u00edamos ou esperar\u00edamos, criamos nossas pr\u00f3prias pedras para o Senhor tocar e transformar em luz. Talvez algo de bom aconte\u00e7a quando seguirmos em frente na escurid\u00e3o. Talvez algo ruim aconte\u00e7a. Provavelmente ser\u00e1 um pouco dos dois. Mas Deus pode tocar todas essas pedras. Se tomarmos nossa decis\u00e3o e oferecermos nossa decis\u00e3o ao Senhor, Ele pode transformar todas as nossas pedras em luz. Ele pode nos dar oportunidades de fazer o bem, edificar relacionamentos, encontrar f\u00e9, mudar e crescer, mesmo com as pedras mais duras que oferecemos a Ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Como professora, passei muito tempo cuidadosamente planejando as aulas. Articulo metas de aprendizado e, em seguida, crio tarefas, atividades e perguntas de debate destinadas a atingir essas metas. Tento antecipar o pensamento dos alunos e descobrir como reagir ao pensamento deles. Mas minhas melhores li\u00e7\u00f5es geralmente s\u00e3o aquelas que convidam a um elemento de incerteza, li\u00e7\u00f5es nas quais n\u00e3o sei exatamente o que os alunos dir\u00e3o ou como abordar\u00e3o um problema em particular \u2013 e eles tamb\u00e9m n\u00e3o sabem. E as li\u00e7\u00f5es verdadeiramente transcendentes \u2014 aquelas ap\u00f3s as quais volto para casa e n\u00e3o consigo parar de contar ao meu marido sobre a coisa incr\u00edvel que aconteceu na aula \u2014 s\u00e3o sempre aquelas em que algo aconteceu que eu n\u00e3o podia prever ou planejar. \u00c9 no limiar da incerteza que a verdadeira magia acontece. Como Mestre dos mestres, Deus certamente permitiria essa incerteza em Seus planos de li\u00e7\u00e3o para nossa vida. E \u00e9 quando deixamos de lado nossa necessidade de conhecimento e certeza que Deus pode entrar em nossa vida em Sua amplitude e realizar verdadeiros milagres.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-deus-e-maior-do-que-podemos-saber-mas-deus-nos-conhece\">Deus \u00e9 maior do que podemos saber, mas Deus nos conhece<\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algumas semanas, meu marido e eu fizemos uma viagem para Boston. H\u00e1 muitas igrejas bonitas e antigas em Boston, e na manh\u00e3 de domingo decidimos aproveitar a oportunidade e assistir a um culto na Old South Church, no centro da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O culto, os rituais e a m\u00fasica eram desconhecidos para mim. Sair do familiar me ajudou a prestar um tipo de aten\u00e7\u00e3o diferente do que costumo fazer em minhas experi\u00eancias familiares e confort\u00e1veis na igreja aos domingos. Um hino particularmente me impressionou com seu sentimento semelhante a um salmo. Come\u00e7ou com uma express\u00e3o de incerteza: &#8220;\u00d3 Deus, Deus meu, \u00f3 Deus gracioso, por que parece t\u00e3o longe de mim?&#8221;<sup>11<\/sup>&nbsp;E enquanto cant\u00e1vamos as quatro estrofes, eu me vi esperando um ponto de virada que nunca veio, esperando que o hino terminasse com algo como &#8220;Deus, voc\u00ea pode se sentir longe de mim, mas eu sei que voc\u00ea est\u00e1 l\u00e1&#8221;. Em vez disso, cada vers\u00edculo continuou seu questionamento. Por que h\u00e1 dor e sofrimento no mundo? Ser\u00e1 que Deus est\u00e1 mesmo l\u00e1 e ser\u00e1 que Deus se importa? N\u00e3o havia resolu\u00e7\u00e3o, apenas perguntas, e por dias n\u00e3o consegui parar de pensar no hino.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todas as escrituras e discursos que existem sobre certeza e conhecimento, podemos perder o mist\u00e9rio e a maravilha que v\u00eam nos limites de nossa certeza, os momentos em que n\u00e3o sabemos. N\u00e9fi confessou: &#8220;Sei que [Deus] ama seus filhos; n\u00e3o conhe\u00e7o, no entanto, o significado de todas as coisas&#8221;.<sup>12<\/sup>&nbsp;Em Alma, somos lembrados de que &#8220;f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 ter um perfeito conhecimento das coisas&#8221;<sup>13<\/sup>&nbsp;e que &#8220;h\u00e1 muitos mist\u00e9rios que permanecem ocultos, que ningu\u00e9m os conhece, a n\u00e3o ser o pr\u00f3prio Deus&#8221;.<sup>14<\/sup>&nbsp;Jac\u00f3 expressou essa admira\u00e7\u00e3o pelo mist\u00e9rio de Deus:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Eis que grandes e maravilhosas s\u00e3o as obras do Senhor.&nbsp;Qu\u00e3o insond\u00e1veis s\u00e3o as profundezas de seus mist\u00e9rios! E \u00e9 imposs\u00edvel ao homem descobrir todos os seus caminhos.<\/em><sup>15<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Para mim, \u00e9 um belo mist\u00e9rio que eu possa deixar de plenamente compreender Deus, mas que, no entanto, em minha pr\u00f3pria incompreens\u00e3o, posso sentir que tenho alguma compreens\u00e3o do amor infinito de Deus por mim. Nem sempre me sinto confort\u00e1vel com a incerteza, mas agora reconhe\u00e7o que a certeza pode ser uma restri\u00e7\u00e3o. Quando somos capazes de abrir espa\u00e7o para a incerteza em nossas vidas e para a possibilidade de coisas que est\u00e3o al\u00e9m de nossa compreens\u00e3o, podemos nos aproximar de nosso Deus, que nos conhece intimamente, mesmo que nosso estado humano nos impe\u00e7a de conhecer plenamente a Deus. Como Paulo disse de forma t\u00e3o bela: &#8220;Porque agora vemos por espelho, em enigma, mas ent\u00e3o veremos face a face; agora conhe\u00e7o em parte, mas ent\u00e3o conhecerei como tamb\u00e9m sou conhecido&#8221;.<sup>16<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Nesta vida sabemos apenas em parte e, de fato, quanto mais aprendo, mais vejo que n\u00e3o sei. Mas tamb\u00e9m acredito que Deus nos conhece completamente e que, em nossa incerteza, podemos aceitar o amor de Deus por n\u00f3s como certo e constante. Talvez n\u00e3o saibamos&nbsp;<em>como<\/em>&nbsp;Deus transformar\u00e1 nossas pedras em luz, mas podemos ter esperan\u00e7a de que Deus&nbsp;<em>vai<\/em>&nbsp;transformar nossas pedras em luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Digo essas coisas em nome de Jesus Cristo, am\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a9 Brigham Young University. 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