{"id":1162,"date":"2025-05-16T06:00:00","date_gmt":"2025-05-16T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/?post_type=speech&#038;p=1162"},"modified":"2025-03-14T23:47:58","modified_gmt":"2025-03-14T23:47:58","slug":"o-valor-das-almas-e-grande","status":"publish","type":"speech","link":"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/talks\/kristin-l-matthews\/o-valor-das-almas-e-grande\/","title":{"rendered":"O valor das almas \u00e9 grande"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><strong><em>Pretendemos modificar a tradu\u00e7\u00e3o se for necess\u00e1rio. Para dar sugest\u00f5es, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bom dia, amigos. H\u00e1 alguns meses tive a oportunidade de viajar para a It\u00e1lia pela primeira vez. Enquanto estive l\u00e1, vi obras de arte criadas pelos grandes mestres: Michelangelo, Botticelli, Fra Angelico e muitos outros. Em Mil\u00e3o, pude ver a famosa pintura&nbsp;<em>A \u00daltima Ceia<\/em>&nbsp;de Leonardo da Vinci. Este mural est\u00e1 no refeit\u00f3rio do Convento de Santa Maria delle Grazie e, para v\u00ea-lo, \u00e9 preciso comprar bilhetes com anteced\u00eancia e esperar para ter seus 15 minutos com a pintura. Quando minha hora se aproximava, fui conduzida com outras 24 pessoas a uma \u00e1rea de espera e, ent\u00e3o, guiada por duas c\u00e2maras com controle de ar, ap\u00f3s as quais finalmente pude ficar em frente \u00e0 pintura por 15 minutos de reflex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto estava l\u00e1, contemplei a pintura e por que ela \u00e9 considerada inestim\u00e1vel \u2013 cujo valor \u00e9 incomensur\u00e1vel. \u00c9 porque a pintura \u00e9 antiga, criada no s\u00e9culo XV? \u00c9 por causa de onde est\u00e1 localizada &#8211; em Mil\u00e3o? \u00c9 porque o acesso \u00e9 limitado \u2013 poucas pessoas podem v\u00ea-la, ent\u00e3o \u00e9 mais valiosa do que pinturas que qualquer pessoa pode ver? \u00c9 porque foi amea\u00e7ada no passado \u2013 como quando Napole\u00e3o usou o convento como um arsenal, uma pris\u00e3o e um est\u00e1bulo ou quando foi parcialmente destru\u00eddo por bombas durante a Segunda Guerra Mundial? \u00c9 porque ela foi pintada em um estilo n\u00e3o convencional \u2013 em uma parede seca versus no gesso molhado \u2013 tornando-a mais fr\u00e1gil e rara? \u00c9 por causa de quem a pintou \u2013 o grande mestre, da Vinci? \u00c9 por causa de seu tema?<\/p>\n\n\n\n<p>Eu ponderei sobre essas perguntas e outras enquanto sentava e olhava para esta pintura. Gostaria de poder dizer que eu encontrei respostas profundas que me abalaram completamente, mas em vez disso eu encontrei mais perguntas. Como medimos o valor? O que faz algo \u2013 e, mais importante, algu\u00e9m \u2013 valer a pena?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-definindo-o-valor\">Definindo o valor<\/h2>\n\n\n\n<p>Como professora de literatura e cultura, \u00e9 meu trabalho olhar para sistemas de significado e valor, a l\u00edngua sendo o primeiro e mais importante deles. Se consultarmos o&nbsp;<em>Oxford English Dictionary <\/em>\u2013<em> <\/em>a quinta obra-padr\u00e3o para todos que cursam ingl\u00eas<em> <\/em>\u2013 lemos o seguinte na explica\u00e7\u00e3o para a<em> <\/em>palavra<em> value<\/em>&nbsp;(n) [ou <em>valor<\/em> (substantivo) em portugu\u00eas]:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2022 valor ou qualidade medido por um padr\u00e3o de equival\u00eancia<\/em><br><em>\u2022 um padr\u00e3o de estimativa ou troca<\/em><br><em>\u2022&nbsp;algo<\/em>&nbsp;<em>que valha a pena ter<\/em><br><em>\u2022 valor material ou monet\u00e1rio de algo<\/em><br><em>\u2022 uma avalia\u00e7\u00e3o<\/em><br><em>\u2022 posi\u00e7\u00e3o ou import\u00e2ncia relativa<\/em><br><em>\u2022 valor baseado em estima<\/em><br><em>\u2022 estimativa&nbsp;baseada em conveni\u00eancia ou utilidade,<\/em>&nbsp;<em>real ou suposta,<\/em> <em>posteriormente estendida<\/em>&nbsp;<em>a um indiv\u00edduo ou grupo<\/em><br><em>\u2022 opini\u00e3o ou gosto por uma pessoa ou coisa<\/em><br><em>\u2022 valor ou dignidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o<\/em><sup>1<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com essas defini\u00e7\u00f5es, o valor de uma coisa depende de ideias de estimativa, conveni\u00eancia, agradabilidade e dignidade. Ele se encontra no n\u00facleo da palavra&nbsp;<em>avaliar \u2013<\/em> analisar \u2013 mas muitas vezes n\u00e3o fazemos as perguntas: \u201cQuem determina o sistema de valor pelo qual estamos considerando, classificando e hierarquizando pessoas ou coisas? Quem determina o mecanismo de avalia\u00e7\u00e3o e os \u00edndices do que \u00e9 avaliado? Quem define o \u2018padr\u00e3o de equival\u00eancia\u2019 que diz que algumas coisas t\u00eam maior valor do que outras?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Como seres humanos, uma das coisas que fazemos para entender nosso mundo \u00e9 criar sistemas de significado que nos ajudem a organizar as sensa\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias e objetos que encontramos. Lembro-me de uma vez quando eu estava lendo com meu sobrinho mais velho, Connor, enquanto ele estava aprendendo categorias diferentes de animais \u2013 como, um cachorro n\u00e3o \u00e9 uma vaca e uma vaca n\u00e3o \u00e9 uma zebra. Como o animal se parecia, como ele soava e o que ele comia eram fatores importantes enquanto ele aprendia a identificar essas diferentes esp\u00e9cies. Da mesma forma, criamos categorias como nacionalidade, ra\u00e7a, etnia, sexo, afilia\u00e7\u00e3o religiosa, partido pol\u00edtico, estado civil e assim por diante para organizar e dar sentido \u00e0 diversidade da humanidade. No entanto, muitas vezes usamos esses sistemas aparentemente descritivos para determinar o valor dos outros. Essas hierarquias de valor, feitas pelo homem, podem causar divis\u00e3o, contenda e desentendimentos acerca do valor pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o sistema de Deus de nos valorizar promove conex\u00e3o, compaix\u00e3o e amor. Somos Suas filhas e filhos. Ele nos ama incondicionalmente, eternamente e inalteravelmente. Nosso valor \u00e9 infinito porque somos Suas filhas e filhos. Nenhum esp\u00edrito \u00e9 mais valioso do que o outro. Ent\u00e3o, por que n\u00e3o conseguimos amar e &#8220;avaliar corretamente&#8221; as filhas e os filhos de Deus? Lemos em Doutrina e Conv\u00eanios 18:10 que &#8220;o valor das almas \u00e9 grande \u00e0 vista de Deus&#8221;, mas realmente acreditamos nisso, ou marcamos essa escritura em nossas mentes como apenas para fins mission\u00e1rios? Hoje gostaria de refletir sobre como podemos alinhar melhor a maneira como valorizamos os outros com a forma como o Senhor valoriza Suas filhas e filhos para que possamos ser verdadeiros disc\u00edpulos de Cristo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-qual-e-o-seu-valor\">Qual \u00e9 o seu valor?<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, qual \u00e9 o seu valor?&#8221; Esta \u00e9 uma pergunta que eu ouvi por acaso em um voo recentemente. (Em minha defesa, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o ouvir tudo que est\u00e1 acontecendo ao seu redor em um avi\u00e3o.) Em resposta \u00e0 pergunta, o senhor que foi solicitado citou n\u00fameros de portf\u00f3lio de investimentos, propriedades e sua riqueza financeira l\u00edquida. Meu primeiro pensamento foi: &#8220;Minha nossa! Espero que ningu\u00e9m avalie meu valor pelo que est\u00e1 na minha conta poupan\u00e7a; caso contr\u00e1rio, estarei em apuros.&#8221; Ent\u00e3o eu pensei mais sobre como fatores externos, tais como a riqueza, s\u00e3o usados para atribuir valor aos indiv\u00edduos. Lembrei-me do romance de Edith Wharton,&nbsp;<em>A idade da inoc\u00eancia.<\/em>&nbsp;Neste livro, Wharton satiriza o intrincado conjunto de c\u00f3digos que as pessoas muito ricas usavam para ditar o comportamento e medir o valor na Era Dourada de Nova Iorque. As pessoas que obedeciam a esses c\u00f3digos r\u00edgidos eram aceitas na alta sociedade como um membro valioso. Aqueles que n\u00e3o cumpriram ou n\u00e3o conseguiam cumprir esses c\u00f3digos eram tachados como vulgares, de classe baixa e \u2013 a pior de todas as designa\u00e7\u00f5es \u2013 &#8220;desagrad\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu ensino esse romance, meus alunos n\u00e3o t\u00eam dificuldade em rir desses personagens e de sua superficialidade. Mas n\u00f3s, como povo do in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, tamb\u00e9m temos c\u00f3digos que separam os &#8220;bonitos&#8221; dos &#8220;feios&#8221;. Em grupo, come\u00e7amos a identificar v\u00e1rios marcadores ou c\u00f3digos que poderiam ser usados para classificar os outros e criamos uma lista: o que as pessoas vestem, que celular t\u00eam, que laptop usam, que carro dirigem, quais bandas ouvem, qual tamanho de jeans usam, qual \u00e9 o status de seu relacionamento, em que complexo de apartamentos vivem, a quais filmes assistem, que pelos faciais deixam crescer e assim por diante. Meus alunos descobriram que essas coisas que parecem descrever, na verdade, <em>prescrevem<\/em>&nbsp;certos comportamentos e cren\u00e7as considerados importantes para a aceita\u00e7\u00e3o e valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes n\u00e3o sabemos que estamos atribuindo valor \u00e0s pessoas de maneiras que contradizem ou desafiam nossas cren\u00e7as professadas como crist\u00e3os. Riqueza, apar\u00eancia f\u00edsica, educa\u00e7\u00e3o, ra\u00e7a, etnia, g\u00eanero, sexualidade, afilia\u00e7\u00e3o religiosa e partido pol\u00edtico s\u00e3o apenas algumas categorias que podem ser usadas para elevar algumas pessoas e diminuir outras. Quer gostemos de admitir ou n\u00e3o, \u00e9 humano classificar e atribuir valor aos outros e, mais frequentemente, atribu\u00edmos valor maior \u00e0s pessoas que s\u00e3o como n\u00f3s do que \u00e0s pessoas que s\u00e3o diferentes. \u00c9 clich\u00ea agora dizer isso, mas tememos o que n\u00e3o conhecemos, ent\u00e3o a diferen\u00e7a se torna suspeita ou &#8220;ruim&#8221;, enquanto a familiaridade gera conforto, e a mesmice se torna mais valiosa. Al\u00e9m disso, o medo de n\u00e3o atingir o objetivo ou o medo de n\u00e3o ser suficiente muitas vezes impulsiona esses comportamentos negativos. Porque tememos ser de alguma forma &#8220;menos&#8221;, procuramos elevar-nos acima dos outros para nos convencer de que somos valiosos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-falsos-sistemas-de-valor\">Falsos sistemas de valor<\/h2>\n\n\n\n<p>De onde v\u00eam esses sistemas que medem o valor? Estes sistemas n\u00e3o s\u00e3o eternos nem transcendentes, mas s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es humanas baseadas em lugar e tempo e que, na maioria das vezes, beneficiam aqueles em posi\u00e7\u00f5es de poder que criaram esses sistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, ideias pseudocient\u00edficas de superioridade racial que elevam os anglo-sax\u00f5es acima de todos os outros foram perpetuadas por s\u00e9culos, a fim de justificar a desvaloriza\u00e7\u00e3o e desumaniza\u00e7\u00e3o de pessoas n\u00e3o brancas para que suas terras pudessem ser confiscadas e seus corpos usados como escravos ou s\u00faditos. At\u00e9 recentemente, as narrativas sociais disseram que os seres humanos na posse de dois cromossomos X eram intelectualmente inferiores, predispostos \u00e0 irracionalidade emocional e incapazes de governar os outros &#8211; muito menos governar a si mesmos. Esta valoriza\u00e7\u00e3o impediu as mulheres de adquirirem propriedades e educa\u00e7\u00e3o, de votarem em elei\u00e7\u00f5es e de participarem na esfera p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses sistemas humanos pelos quais os seres humanos foram avaliados, categorizados e classificados mudaram com o tempo e o lugar. Obviamente, esses sistemas que elevam alguns e diminuem outros s\u00e3o destrutivos e levaram a guerras, escraviza\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o \u2013 viol\u00eancia em escala social e global.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses falsos sistemas de valor tamb\u00e9m t\u00eam um impacto negativo em uma escala menor &#8211; no indiv\u00edduo e em seu senso de auto-estima e lugar na comunidade. Ser informado que voc\u00ea \u00e9 menos, que nunca se encaixar\u00e1 ou somar\u00e1, ou que voc\u00ea ser\u00e1 aceito apenas quando mudar quem voc\u00ea \u00e9, \u00e9 destrutivo emocional, espiritual e, \u00e0s vezes, at\u00e9 mesmo fisicamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Um sistema de valoriza\u00e7\u00e3o que tem consequ\u00eancias negativas para sentimentos de valor individual \u00e9 a beleza. Os seres humanos se esfor\u00e7am muito para alcan\u00e7ar uma beleza ideal: exerc\u00edcios extremos, cirurgia pl\u00e1stica, dist\u00farbios alimentares, rituais de maquiagem elaborados, tratamentos extensos de cabelo e unhas e compras compulsivas. Todos esses comportamentos derivam do desejo de ser bonito porque somos ensinados a acreditar que pessoas bonitas s\u00e3o mais valiosas do que outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui em Utah, n\u00e3o estamos imunes a essa tend\u00eancia. Em novembro de 2007<em>,<\/em>&nbsp;a<em> <\/em>revista <em>Forbes<\/em> nomeou Salt Lake City a cidade mais v\u00e3 dos Estados Unidos porque tinha mais cirurgi\u00f5es pl\u00e1sticos e usava mais produtos de beleza per capita do que qualquer outra grande cidade dos Estados Unidos.<sup>2<\/sup>&nbsp;Dirijam pelas rodovias e voc\u00eas ver\u00e3o an\u00fancio ap\u00f3s an\u00fancio oferecendo uma solu\u00e7\u00e3o para melhorar sua apar\u00eancia. Navegue no feed do Facebook ou assista a um intervalo comercial durante o hor\u00e1rio nobre da televis\u00e3o e voc\u00eas ver\u00e3o v\u00e1rios exemplos em que os corpos s\u00e3o objetificados, envergonhados e vinculados ao valor individual de cada um. Se ficarmos presos no deserto que s\u00e3o os reality shows, estamos sujeitos a dezenas de shows de cirurgia pl\u00e1stica, shows de reforma, shows de &#8220;namoro&#8221; e competi\u00e7\u00f5es perigosas de perda de peso que nos inundam com a mensagem de que nunca se pode ser bonito o suficiente e que a felicidade \u00e9 baseada na pele, dentes, cabelo, peso, forma e guarda-roupa. Lemos em 1 Samuel 16:7 que &#8220;o homem v\u00ea o que est\u00e1 diante dos olhos, por\u00e9m o Senhor olha para o cora\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 e a obsess\u00e3o da nossa cultura moderna com a beleza confirma isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta obsess\u00e3o tem seus custos. Em uma confer\u00eancia geral, o \u00c9lder Jeffrey R. Holland comentou sobre este falso sistema de valor e sua natureza destrutiva, implorando a mulheres jovens e idosas:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Rogo a voc\u00eas, mo\u00e7as, que se aceitem mais como s\u00e3o, inclusive o jeito e o formato de seu corpo, que anseiem menos por parecerem outra pessoa. Somos todos diferentes. <\/em>[&#8230;]<em> Se voc\u00eas estiverem obcecadas pelo manequim 38, n\u00e3o fiquem surpresas se suas filhas ou as Meninas-Mo\u00e7as de sua classe fizerem o mesmo, chegando a ficar doentes na tentativa de consegui-lo. <\/em>[&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;]<em> Isso \u00e9 <\/em>[&#8230;]<em> espiritualmente destrutivo e respons\u00e1vel por grande parte da infelicidade que as mulheres, inclusive as jovens, enfrentam no mundo moderno. E se as adultas est\u00e3o preocupadas com a apar\u00eancia \u2014 cortando, esticando e fazendo implantes e remodelando tudo o que pode ser remodelado \u2014 essas press\u00f5es e ansiedades sem d\u00favida afetar\u00e3o as crian\u00e7as. Em certo ponto, o problema se torna o que o Livro de M\u00f3rmon chamou de \u201cfantasias v\u00e3s\u201d.<\/em><sup>3<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Como disse o \u00c9lder Holland, essa preocupa\u00e7\u00e3o com a apar\u00eancia e essa ideia socialmente constru\u00edda de beleza como aquela pela qual achamos valor ou dignidade \u00e9 f\u00edsica e espiritualmente destrutiva \u2013 e n\u00e3o se limita apenas \u00e0s mulheres. Os homens tamb\u00e9m t\u00eam que lidar com as press\u00f5es de apar\u00eancia, dist\u00farbios alimentares, a obsess\u00e3o por exerc\u00edcios f\u00edsicos; e problemas psicol\u00f3gicos associados com a busca pela beleza est\u00e3o aumentando entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas bonitas s\u00e3o pessoas melhores? Deus as ama mais? Tenho certeza de que todos responder\u00edamos com um &#8220;n\u00e3o&#8221; retumbante; no entanto, voc\u00eas dizem \u201cn\u00e3o&#8221; quando olham no espelho e se criticam ou quando criticam os outros por sua apar\u00eancia? Acreditamos no que dizemos? Lembre-se: a beleza ideal \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o deste mundo. Podemos apontar os suspeitos usuais desse falso sistema de valor &#8211; o setor da moda, publicidade, televis\u00e3o e assim por diante. E sim, somos bombardeados com imagens que dizem: &#8220;Isso \u00e9 lindo. Se voc\u00ea for assim, voc\u00ea ser\u00e1 popular, ser\u00e1 importante, conseguir\u00e1 mais encontros, poder\u00e1 se casar, ser\u00e1 digno de amor.&#8221; Embora saibamos que isso \u00e9 falso, os \u00edndices de pessoas &#8220;cortando, esticando e fazendo implantes e remodelando tudo&#8221;, como disse o \u00c9lder Holland, e os \u00edndices de dist\u00farbios alimentares e depress\u00e3o entre estudantes universit\u00e1rios nesta universidade e em outras nos dizem que isso \u00e9 muito real.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-amar-o-teu-proximo\">Amar o teu pr\u00f3ximo<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das minhas obras favoritas de literatura \u00e9 a pe\u00e7a&nbsp;<em>O Sol Tornar\u00e1 a Brilhar,<\/em> de Lorraine Hansberry.&nbsp;Esta pe\u00e7a examina as maneiras pelas quais categorias de valor socialmente constru\u00eddas podem oprimir os indiv\u00edduos e oferecer uma corre\u00e7\u00e3o. A fam\u00edlia Younger \u00e9 pobre e negra, vivendo no Sul de Chicago ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial. As degrada\u00e7\u00f5es das pr\u00e1ticas racistas de moradia e contrata\u00e7\u00e3o os desgastaram, corroendo as rela\u00e7\u00f5es familiares e tirando a esperan\u00e7a de cada indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do terceiro ato, a fam\u00edlia Younger est\u00e1 se recuperando da not\u00edcia de que as a\u00e7\u00f5es de Walter Lee Younger perderam a pequena heran\u00e7a que poderia t\u00ea-los ajudado a melhorar sua situa\u00e7\u00e3o. Sua irm\u00e3, Beneatha, se rebela contra ele, dizendo que ele n\u00e3o \u00e9 mais um homem, mas &#8220;um rato sem dentes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mama, sua m\u00e3e, a corrige, lembrando-lhe que ela a ensinou a am\u00e1-lo, ao que Beneatha responde: &#8220;Am\u00e1-lo? N\u00e3o h\u00e1 mais nada para amar.&#8221; De fato, o peso opressivo do racismo disse \u00e0 fam\u00edlia Youngers tantas vezes que eles n\u00e3o valem nada, que eles est\u00e3o come\u00e7ando a acreditar.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, Mama diz, com raz\u00e3o, neste apelo memor\u00e1vel:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Sempre h\u00e1&nbsp;algo para ser amado. Filha, quando voc\u00ea acha que \u00e9 o momento que algu\u00e9m mais precisa ser amado? Quando eles fizeram o bem e deixaram as coisas mais f\u00e1ceis para todos? Bem, ent\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 aprendendo \u2013 porque esse n\u00e3o \u00e9 o momento, nem um pouco. \u00c9 quando ele est\u00e1 no seu ponto mais baixo e n\u00e3o consegue acreditar em si mesmo porque o mundo o chicoteou tanto! Quando voc\u00ea come\u00e7ar a medir algu\u00e9m, me\u00e7a-o certo, filha, me\u00e7a-o certo. Tenha certeza de que voc\u00ea considerou quais colinas e vales ele atravessou antes de chegar onde quer que esteja.<\/em><sup>4<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Mama lembra Beneatha de que todos os indiv\u00edduos valem a pena, que sempre h\u00e1 algo para amar, e que devemos repensar como medimos uns aos outros. Por fim, ela argumenta que a medi\u00e7\u00e3o correta n\u00e3o depende de fatores externos, mas sim se baseia no valor imut\u00e1vel de uma pessoa como ser humano. E para Mama, uma crist\u00e3 praticante, h\u00e1 mais: o valor n\u00e3o pode ser diminu\u00eddo e sempre h\u00e1 algo para amar, porque todos s\u00e3o filhos de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O Pai Celestial sabia que ter\u00edamos problemas com isso. De fato, as escrituras est\u00e3o cheias de ordens para resistir ao impulso humano de comparar as pessoas e, em vez disso, v\u00ea-las como Deus as v\u00ea. Por exemplo, Lev\u00edtico cont\u00e9m v\u00e1rias injun\u00e7\u00f5es aos israelitas para aceitar e amar todos aqueles entre eles. Lemos:<\/p>\n\n\n\n<p><em>E quando o estrangeiro peregrinar contigo na vossa terra, n\u00e3o o oprimireis.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Como um natural entre v\u00f3s ser\u00e1 o estrangeiro que peregrina convosco; am\u00e1-lo-\u00e1s como a ti mesmo, pois estrangeiros fostes na terra do Egito.<\/em>&nbsp;[Lev\u00edtico 19:33\u201334]<\/p>\n\n\n\n<p>Deus ordenou aos israelitas que olhassem para al\u00e9m de constru\u00e7\u00f5es humanas de nacionalidade ou pr\u00e1tica religiosa e que vissem e amassem um &#8220;estrangeiro&#8221; como &#8220;natural entre v\u00f3s&#8221;. Ele ordenou que n\u00e3o oprim\u00edssemos aqueles que percebemos como diferentes. Ele pediu que reconhec\u00eassemos que as divis\u00f5es s\u00e3o artificiais porque <em>todos<\/em> s\u00e3o filhos e filhas de Deus. Ele tamb\u00e9m lembrou aos israelitas que eles tamb\u00e9m eram estrangeiros e que <em>todos<\/em> n\u00f3s somos estrangeiros em um momento ou outro em nossas vidas. Se Deus demonstrou e podia demonstrar miseric\u00f3rdia para com eles &#8211; Seus filhos e filhas &#8211; ent\u00e3o eles tamb\u00e9m deveriam demonstr\u00e1-la para com os outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes disso, Deus ordenou aos israelitas, &#8220;amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor&#8221; (Lev\u00edtico 19:18). N\u00e3o h\u00e1 ressalvas aqui &#8211; n\u00e3o &#8220;amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo a menos que ele seja X, Y ou Z&#8221; &#8211; mas um mandamento para a inclus\u00e3o total. A declara\u00e7\u00e3o final &#8220;Eu sou o Senhor&#8221; ressalta quem est\u00e1 falando e distingue o mandamento divino de amar de forma inclusiva da tend\u00eancia humana de distinguir, avaliar, discriminar e tolerar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-irmaos-e-irmas-em-deus\">Irm\u00e3os e irm\u00e3s em Deus<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das minhas palavras menos favoritas \u00e9 <em>tolerar<\/em> porque seu uso popular atribui uma superioridade ao falante e uma inferioridade ao objeto de seu di\u00e1logo. Voc\u00eas toleram a identidade, as cren\u00e7as ou as a\u00e7\u00f5es de outra pessoa, o que implica que sua pr\u00f3pria identidade, cren\u00e7as ou a\u00e7\u00f5es s\u00e3o superiores. No entanto, este n\u00e3o \u00e9 o caminho do Senhor, e nossos l\u00edderes nos mostraram isso. Em um devocional do SEI, o \u00c9lder Dallin H. Oaks definiu a toler\u00e2ncia como &#8220;uma atitude cordial e justa para com as opini\u00f5es e pr\u00e1ticas alheias ou para com as pessoas que as adotam ou praticam&#8221;.<sup>5<\/sup>&nbsp;Observem as palavras&nbsp;<em>cordial <\/em>e&nbsp;<em>justa<\/em>&nbsp;nesta defini\u00e7\u00e3o. O \u00c9lder Oaks tamb\u00e9m exigiu &#8220;que estejamos mais cientes da natureza da toler\u00e2ncia&#8221;, salientando que &#8220;todos [&#8230;] s\u00e3o irm\u00e3os em Deus&#8221; e, portanto, merecem respeito.<sup>6<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><em>O respeito m\u00fatuo<\/em>&nbsp;\u00e9 o termo que o \u00c9lder Russell M. Nelson usou em uma confer\u00eancia geral sobre toler\u00e2ncia, citando uma declara\u00e7\u00e3o recente do Qu\u00f3rum dos Doze Ap\u00f3stolos que dizia: &#8220;Acreditamos sinceramente que ao tratarmos uns aos outros com considera\u00e7\u00e3o e compaix\u00e3o, descobriremos que podemos todos coexistir em paz, apesar de nossas mais profundas diferen\u00e7as&#8221;.<sup>7<\/sup>&nbsp;&#8220;Considera\u00e7\u00e3o e compaix\u00e3o&#8221; &#8211; n\u00e3o condescend\u00eancia &#8211; s\u00e3o os atributos que nossos l\u00edderes nos convidam a magnificar.<\/p>\n\n\n\n<p>O Presidente Dieter F. Uchtdorf disse em seu discurso &#8220;V\u00f3s Sois Minhas M\u00e3os&#8221;:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Quando penso no Salvador, com frequ\u00eancia imagino-O com as m\u00e3os estendidas para consolar, curar, aben\u00e7oar e amar. Ele sempre conversava de <\/em>igual para igual<em> com as pessoas \u2014, nunca as fazia sentir-se <\/em>inferiores<em>. Ele amava o humilde e o manso, e caminhava ao lado deles, ministrando-lhes e oferecendo-lhes esperan\u00e7a e salva\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Foi isso que fez durante Sua vida mortal; \u00e9 isso que estaria fazendo caso vivesse entre n\u00f3s hoje; e \u00e9 isso que devemos fazer como Seus disc\u00edpulos e membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos \u00daltimos Dias.<\/em><sup>8<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>A conota\u00e7\u00e3o&nbsp;de&nbsp;<em>tolerar<\/em> que sugere julgamento, condescend\u00eancia e desagrado n\u00e3o funciona com o exemplo do Senhor de falar<em>&nbsp;de igual para igual<\/em> com as pessoas versus faz\u00ea-las sentir-se <em>inferiores<\/em>, e sua determina\u00e7\u00e3o de amar a todos liberalmente, sem nada reter. Como ele e nossos l\u00edderes ensinaram, a compaix\u00e3o, o respeito, a justi\u00e7a, a amizade e a considera\u00e7\u00e3o definem como devemos olhar para a diferen\u00e7a de opini\u00e3o, cren\u00e7as e posi\u00e7\u00e3o na vida, pois, como disse o \u00c9lder Oaks, todos s\u00e3o irm\u00e3os e irm\u00e3s em Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Cristo se recusou a reconhecer distin\u00e7\u00f5es de classe, nacionalidade, ra\u00e7a, g\u00eanero, pol\u00edtica ou f\u00e9 entre as pessoas, mas ao inv\u00e9s disso viu cada indiv\u00edduo como um filho de Deus digno de seu tempo, servi\u00e7o, ensinamentos e amor. Quando uma mulher doente, que era desprezada por todos os outros, se aproximou Dele para obter ajuda e tocou Sua roupa, Ele n\u00e3o a condenou nem a rejeitou, mas a aben\u00e7oou (ver Lucas 8:43-48). Quando uma mulher pecadora se aproximou Dele para lavar os p\u00e9s, Cristo n\u00e3o a castigou, mas aceitou seu ato de caridade (ver Lucas 7:37-38). Quando os fariseus O criticaram por comer com um publicano \u2013 um homem que representava a profiss\u00e3o errada, a pol\u00edtica errada e uma na\u00e7\u00e3o estrangeira ocupante \u2013 Cristo os repreendeu dizendo que Sua palavra e Seu amor eram para todos (ver Marcos 2:15\u201317; Lucas 15:1\u20132). Finalmente, quando Jesus viu a mulher samaritana no po\u00e7o, Ele n\u00e3o a evitou como os costumes exigiriam por ser uma mulher e por ser samaritana, mas falou com ela, a ensinou e a amou (ver Jo\u00e3o 4:5-42).<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, as par\u00e1bolas de Cristo ensinam que precisamos ver al\u00e9m das divis\u00f5es criadas pelo homem que classificam e avaliam as pessoas, e v\u00ea-las por quem e pelo que s\u00e3o: filhos e filhas de Deus. O bom samaritano em Lucas 10 \u00e9 um exemplo perfeito disso. Todos sabemos a hist\u00f3ria: Antes do samaritano vir, um sacerdote e um levita passaram pelo homem ferido. Ent\u00e3o veio um samaritano. Esse suposto inimigo de Israel poderia ter dito: &#8220;Ah, esse cara \u00e9 um estrangeiro&#8221;, &#8220;Esse cara \u00e9 meu inimigo&#8221;, &#8220;Esse cara \u00e9 de outra igreja&#8221;, ou &#8220;Algu\u00e9m deve cuidar dele porque ele n\u00e3o \u00e9 meu problema nem vale o meu tempo&#8221;. Em vez de ver essas diferen\u00e7as e divis\u00f5es, o samaritano viu este homem como um ser humano de valor e agiu com base nessa vis\u00e3o. Foi esse homem de fora de sua sociedade \u2013 esse estranho \u2013 que teve compaix\u00e3o do homem roubado, enfaixando suas feridas e providenciando seu abrigo e cuidados adicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Usando esta par\u00e1bola, Cristo ensinou que precisamos amar e cuidar de todas as pessoas, n\u00e3o apenas aquelas como n\u00f3s, porque todas valem a pena para Ele. Al\u00e9m disso, como Ele est\u00e1 compartilhando essa li\u00e7\u00e3o com seus disc\u00edpulos, Ele est\u00e1 ensinando que uma medida de nosso discipulado a Ele \u00e9 como tratamos todos os outros. Ser\u00e1 que n\u00f3s julgamos e ignoramos os outros? Ou paramos para ajudar e ministrar a eles?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-tornar-nos-verdadeiros-discipulos-de-cristo\">Tornar-nos verdadeiros disc\u00edpulos de Cristo<\/h2>\n\n\n\n<p>Isso me lembra algo que a fil\u00f3sofa francesa Simone de Beauvoir escreveu: &#8220;A vida de algu\u00e9m tem valor enquanto algu\u00e9m atribui valor \u00e0 vida dos outros, por meio do amor, da amizade, da indigna\u00e7\u00e3o e da compaix\u00e3o&#8221;.<sup>9<\/sup>&nbsp;Agora, eu argumentaria que todas as vidas t\u00eam valor, mas que nosso valor como disc\u00edpulos de Cristo depende de como atribu\u00edmos valor \u00e0 vida dos outros. Se desvalorizarmos, rebaixarmos, denegrirmos ou desprezarmos os outros, diminu\u00edmos nosso discipulado e destru\u00edmos aquilo que nos torna humanos: a compaix\u00e3o. Mas quando valorizamos os outros, n\u00e3o s\u00f3 demonstramos o melhor que a humanidade tem, mas tamb\u00e9m ampliamos nosso discipulado.<\/p>\n\n\n\n<p>Repetidamente, as escrituras, os profetas, os ap\u00f3stolos e o pr\u00f3prio Senhor nos convidam a amar todas as pessoas. Aqui est\u00e3o alguns exemplos. Como eu li anteriormente, Lev\u00edtico 19:18 nos diz para &#8220;[amar] o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo&#8221; &#8211; uma ordem reiterada em Mateus 19:19. No evangelho de Jo\u00e3o lemos as palavras que se tornaram um hino amado na comunidade santo dos \u00faltimos dias:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a v\u00f3s, que tamb\u00e9m v\u00f3s uns aos outros vos ameis.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nisto todos conhecer\u00e3o que sois meus disc\u00edpulos, se vos amardes uns aos outros.<\/em>&nbsp;[Jo\u00e3o 13:34; ver tamb\u00e9m &#8220;Amai-vos uns aos outros&#8221;, Hinos, 2002,197.]<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto desta ordem \u00e9 Cristo aconselhando os seus disc\u00edpulos e preparando-os para a obra de proselitismo que est\u00e3o prestes a realizar. No entanto, este mandamento tamb\u00e9m se estende a n\u00f3s, Seus disc\u00edpulos nos \u00faltimos dias. Se cremos Nele, devemos estender o amor uns aos outros \u2013 e n\u00e3o apenas aos que est\u00e3o dentro do corpo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos \u00daltimos Dias, mas a todos os Seus filhos nesta terra. Se acreditarmos Nele, faremos como N\u00e9fi pediu: &#8220;[prosseguimos] com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperan\u00e7a e amor a Deus e a <em>todos os homens [e mulheres<\/em>]&#8221; (2 N\u00e9fi 31:20, grifo da autora). Se crermos Nele, faremos como o povo do rei Benjamim fez e &#8220;[daremos] gra\u00e7as ao Senhor [nosso] Deus [e nos regozijaremos] e [nos encheremos] de amor para com Deus e <em>todos os homens [e mulheres]<\/em>&#8221; (Mosias 2:4; grifo da autora).<\/p>\n\n\n\n<p>As escrituras repetidamente nos dizem que discipulado significa amar uns aos outros. Mais uma vez, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma qualifica\u00e7\u00e3o aqui. As escrituras n\u00e3o dizem: &#8220;Amai a Deus e a todos os homens e mulheres, exceto \u00e0queles que s\u00e3o ou fazem tal coisa.&#8221; N\u00e3o, somos ordenados a&nbsp;amar <em>todos<\/em>&nbsp;os homens e mulheres se quisermos ser contados entre os disc\u00edpulos de Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>Nas Institutas,<\/em>&nbsp;o reformador crist\u00e3o Jo\u00e3o Calvino falou do verdadeiro discipulado e da sua exig\u00eancia de reconhecer todos os seres humanos como filhos e filhas de Deus dignos de amor. Calvino assumiu v\u00e1rios argumentos provendo falsos sistemas de valoriza\u00e7\u00e3o, desarmando-os com o evangelho do amor. Ele escreveu:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Se dissermos que \u00e9 um estranho, o Senhor imprimiu nele uma marca que dever\u00edamos reconhecer facilmente. <\/em>[&#8230;] <em>Se alegarmos que \u00e9 desprez\u00edvel e de nenhum valor, o Senhor nos contestar\u00e1, relembrando-nos que o honrou criando-o \u00e0 sua imagem. Se dissermos que n\u00e3o h\u00e1 nada que nos ligue a ele, o Senhor nos dir\u00e1 que se coloca no lugar dele para que reconhe\u00e7amos nele os benef\u00edcios que ele [o Senhor] nos tem feito. Se dissermos que ele n\u00e3o \u00e9 digno de que demos sequer um passo para ajud\u00e1-lo, a imagem de Deus, que devemos contemplar nele, \u00e9 digna de que por ela nos arrisquemos, contudo o que temos mesmo que tal homem, al\u00e9m de n\u00e3o merecer nada de n\u00f3s tamb\u00e9m nos fez muitas inj\u00farias ultrajantes, ainda assim isso n\u00e3o \u00e9 causa suficiente para que deixemos de am\u00e1-lo, agrad\u00e1-lo e servi-lo.<\/em><sup>10<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>O que Calvino ensina repetidamente \u00e9 que a imagem e a gra\u00e7a de Deus s\u00e3o encontradas em todos aqueles a quem n\u00f3s rejeitar\u00edamos ou denegrir\u00edamos. Ele tamb\u00e9m enfatiza que todos estamos conectados e que ningu\u00e9m \u00e9 melhor do que outro. E porque todos os seres humanos s\u00e3o filhos e filhas de Deus, todos merecem o nosso afeto e que os &#8220;[amemos], [agrademos] e [sirvamos]&#8221;. Ou, para voltar \u00e0 palestra do Presidente Uchtdorf, porque todos t\u00eam a imagem de Deus gravada em seus semblantes e o sacrif\u00edcio de Cristo inscrito em suas almas, todos s\u00e3o chamados a serem Suas m\u00e3os \u2013 para servir, abra\u00e7ar, acolher, consolar, e levantar os outros. Lemos em Mor\u00f4ni 8:16 que &#8220;o perfeito amor lan\u00e7a fora todo o medo&#8221;. O amor a Deus e aos nossos semelhantes afasta nosso medo da diferen\u00e7a e de n\u00e3o estar \u00e0 altura. O amor nos santifica, dando-nos ainda maior capacidade de amar.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 a mensagem do meu livro favorito das escrituras, 1 Jo\u00e3o. Nesta ep\u00edstola, o autor descreve a natureza do amor de Deus e o amor que \u00e9 o verdadeiro discipulado:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor \u00e9 de Deus, e qualquer que ama \u00e9 nascido de Deus e conhece a Deus.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Aquele que n\u00e3o ama n\u00e3o conhece a Deus; porque Deus \u00e9 amor.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unig\u00eanito ao mundo, para que por ele vivamos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nisto est\u00e1 o amor: n\u00e3o que n\u00f3s tenhamos amado a Deus, mas que ele nos amou a n\u00f3s, e enviou seu Filho para propicia\u00e7\u00e3o pelos nossos pecados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Amados, se Deus assim nos amou, tamb\u00e9m nos devemos amar uns aos outros. <\/em>[&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;]<em> Deus \u00e9 amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele.&nbsp;<\/em>[&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00f3s o amamos porque ele nos amou primeiro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Se algu\u00e9m diz: Eu amo a Deus, e odeia seu irm\u00e3o, \u00e9 mentiroso. Pois quem n\u00e3o ama seu irm\u00e3o, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem n\u00e3o viu?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus ame tamb\u00e9m seu irm\u00e3o.<\/em>&nbsp;[1 Jo\u00e3o 4:7-11, 16, 19-21]<\/p>\n\n\n\n<p>Deus nos ama porque somos Seus filhos e filhas e somos de infinito valor. Porque Ele nos ama e nos aben\u00e7oou com a Sua gra\u00e7a, somos ordenados a ver todos os outros como filhos e filhas de Deus e a am\u00e1-los, a amar nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Esta ep\u00edstola nos adverte quanto \u00e0 nossa potencial hipocrisia: se dizemos que amamos a Deus, mas depois humilhamos os outros, n\u00e3o amamos realmente a Deus porque esse amor baniria a m\u00e1 vontade de nossos cora\u00e7\u00f5es. Como lemos em Jo\u00e3o, &#8220;Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unig\u00eanito, para que todo aquele que nele cr\u00ea n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna&#8221; (Jo\u00e3o 3:16). &#8220;Deus amou o mundo de tal maneira&#8221; &#8211; n\u00e3o partes do mundo ou certas pessoas que vivem neste mundo, mas o mundo inteiro &#8211; que Ele nos deu Seu Filho, o que foi um enorme sacrif\u00edcio de Sua parte. E, em troca, Ele pede que sacrifiquemos nossas pequenas divis\u00f5es, sectarismo t\u00f3xico e falsas hierarquias de valor para reconhecer o valor de cada ser humano e filho ou filha de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<em>porqu\u00ea<\/em> do amor \u00e9 claro \u2013 o&nbsp;<em>como<\/em>, \u00e0s vezes, nem tanto. Amar todos os filhos de Deus requer humildade e o desejo de faz\u00ea-lo. Isso significa que temos que mudar a forma como olhamos para os outros para que n\u00e3o vejamos mais as pessoas como demografia, mas como filhos e filhas de Deus. Isso n\u00e3o vem f\u00e1cil ou imediatamente, mas requer persist\u00eancia e trabalho duro. \u00c0s vezes, podemos falhar, mas se falharmos, devemos perdoar a n\u00f3s mesmos e tentar novamente, enquanto nos esfor\u00e7amos para nos tornarmos melhores disc\u00edpulos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-seu-valor-infinito\">Seu valor infinito<\/h2>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, qual \u00e9 seu valor? Espero que voc\u00eas saibam que est\u00e3o acima e al\u00e9m dessas falsas medidas de valor que n\u00f3s, humanos, criamos. Voc\u00eas t\u00eam um valor infinito que n\u00e3o tem nada a ver com o que seu portf\u00f3lio cont\u00e9m, o tamanho que usam, sua pol\u00edtica, a cor de sua pele, seu g\u00eanero, e assim por diante. Por qu\u00ea? Primeiro, porque cada um de voc\u00eas \u00e9 um ser humano, e todos os seres humanos t\u00eam valor. Segundo, porque voc\u00eas s\u00e3o um filho ou uma filha de pais celestiais que os amam e os veem pelas pessoas valiosas que voc\u00eas s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 meu testemunho de que Deus \u00e9 amor, que o evangelho de Jesus Cristo \u00e9 um evangelho de amor, e que o verdadeiro discipulado requer compartilhar esse amor com todas as pessoas. Espero que sejamos capazes de reconhecer e rejeitar esses falsos sistemas de valor que diminuem e dividem e, em vez disso, abracemos o amor, que \u00e9 o verdadeiro discipulado. E eu digo essas coisas em nome de Jesus Cristo. Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"template":"","tags":[],"class_list":["post-1162","speech","type-speech","status-publish","hentry","event_type-devocional","speaker-kristin-l-matthews","topic-amor","topic-caridade","topic-felicidade","topic-natureza-divina","topic-vida"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.5 (Yoast SEO v27.5) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>O valor das almas \u00e9 grande | BYU Speeches Portugu\u00eas<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Qual \u00e9 seu valor? 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