{"id":1301,"date":"2025-09-05T06:00:00","date_gmt":"2025-09-05T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/?post_type=speech&#038;p=1301"},"modified":"2026-01-10T01:19:57","modified_gmt":"2026-01-10T01:19:57","slug":"encontrando-a-estrada-para-o-carater","status":"publish","type":"speech","link":"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/talks\/david-brooks\/encontrando-a-estrada-para-o-carater\/","title":{"rendered":"Encontrando a estrada para o car\u00e1ter"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><strong><em>Pretendemos modificar a tradu\u00e7\u00e3o se for necess\u00e1rio. Para dar sugest\u00f5es, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Falarei um pouco de algumas das coisas que aprendi sobre como viver uma vida boa e moral. Em seguida, falarei sobre o tipo de cidad\u00e3os que acho que todos n\u00f3s precisamos ser para termos uma boa cultura democr\u00e1tica e um car\u00e1ter democr\u00e1tico saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha vida come\u00e7ou de forma imprevis\u00edvel. Cresci em Greenwich Village, na d\u00e9cada de 1960, com pais que eram de certa forma de esquerda. Quando eu tinha cinco anos, eles me levaram a um encontro hippie, ao qual as pessoas iam para simplesmente <em>ser<\/em>. Uma das coisas que eles faziam nesses encontros era colocar fogo em uma lata de lixo e jogar suas carteiras nela para demonstrar sua liberta\u00e7\u00e3o do dinheiro e das coisas materiais. Eu vi uma nota de cinco d\u00f3lares pegando fogo na lata de lixo, ent\u00e3o corri, coloquei a m\u00e3o no fogo, peguei o dinheiro e fugi. Esse foi meu primeiro passo rumo \u00e0 direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu tinha sete anos, li um livro sobre o urso Paddington e decidi que queria ser escritor. Lembro-me de que no ensino m\u00e9dio eu j\u00e1 estava profundamente envolvido com a escrita. Eu queria namorar uma mulher chamada Bernice. Ela n\u00e3o queria namorar comigo; queria namorar outro rapaz. Lembro-me de pensar: &#8220;O que ela est\u00e1 pensando? Eu escrevo muito melhor do que aquele cara&#8221;. Mas esses eram os valores dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, quando eu tinha dezoito anos, os respons\u00e1veis pela admiss\u00e3o nas universidades de Columbia, Brown e Wesleyan decidiram que eu deveria ir para a Universidade de Chicago. H\u00e1 um ditado sobre como a Universidade de Chicago \u00e9 um lugar intenso e intelectual: \u201c\u00c9 uma escola batista onde professores ateus ensinam S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino a alunos judeus.\u201d Eles t\u00eam camisetas que dizem: \u201cClaro que funciona na pr\u00e1tica, mas ser\u00e1 que funciona na teoria?\u201d Ou seja, a universidade era extremamente intelectual. E eu era muito cabe\u00e7a naquela \u00e9poca. Fiz uma especializa\u00e7\u00e3o dupla em hist\u00f3ria e celibato enquanto estava em Chicago.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a grande oportunidade da minha vida aconteceu l\u00e1, quando William F. Buckley, um colunista renomado, veio ao campus. Escrevi uma par\u00f3dia muito maldosa sobre ele por ser um um exibido que vivia se gabando de conhecer gente famosa, o que ele aparentemente achou engra\u00e7ado, porque no final de seu discurso, ele disse ao corpo estudantil: \u201cDavid Brooks, se voc\u00ea estiver na plateia, quero lhe dar um emprego\u201d. Infelizmente, eu n\u00e3o estava na plateia. Mas liguei para ele tr\u00eas anos depois, e o emprego ainda estava dispon\u00edvel. E foi a\u00ed que tudo come\u00e7ou pra mim.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha carreira tem tido uma trajet\u00f3ria bastante est\u00e1vel e muito sem gra\u00e7a. Sou um colunista conservador do <em>The New York Times<\/em>, um trabalho que comparo ao de rabino-chefe em Meca. Fa\u00e7o um programa na rede PBS chamado <em>The News Hour<\/em>, que \u00e9 um programa excelente, anteriormente apresentado por Jim Lehrer. \u00c9 um programa que, na minha opini\u00e3o, tem muita civilidade e bons valores. Mas ele \u00e9 para um p\u00fablico experiente. Portanto, se uma senhora de 93 anos vier at\u00e9 mim no aeroporto, j\u00e1 sei o que ela vai dizer: \u201cEu n\u00e3o assisto ao seu programa, mas minha m\u00e3e adora\u201d. Fazemos muito sucesso nos lares de idosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, comecei a escrever livros e a ler livros. E \u00e0 medida que fui ficando mais velho, escrevendo mais livros e lendo mais livros, fiquei tamb\u00e9m um pouco mais sens\u00edvel e um pouco mais feminino. Sou o \u00fanico homem nos Estados Unidos que terminou o livro <em>Comer, Rezar, Amar<\/em>,<sup>1<\/sup> se \u00e9 que voc\u00eas se lembram desse livro. Por volta da p\u00e1gina 123, eu j\u00e1 estava amamentando, o que foi surpreendente para mim.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quatro anos, escrevi um livro chamado <em>A Estrada para o Car\u00e1ter<\/em>.<sup>2<\/sup> \u00c9 um livro sobre car\u00e1ter. Aprendi que escrever um livro sobre car\u00e1ter n\u00e3o te d\u00e1 um bom car\u00e1ter e que nem mesmo ler um livro sobre car\u00e1ter transmite um bom car\u00e1ter. Mas comprar um livro sobre car\u00e1ter te d\u00e1 um bom car\u00e1ter, por isso recomendo que fa\u00e7am isso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-as-mentiras-da-meritocracia\">As mentiras da meritocracia<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando voc\u00ea caminha pela vida &#8211; pelo lado profissional da vida &#8211; voc\u00ea caminha com um determinado conjunto de valores. Pegamos jovens que come\u00e7am cheios de intensidade e os colocamos no processo de admiss\u00e3o \u00e0 faculdade, que ensina que status e realiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o a ess\u00eancia da vida. Depois, eles saem pelo mundo e levam o tipo de vida que eu levei: uma vida dentro da meritocracia, tentando fazer sucesso, tentando alcan\u00e7ar, tentando contribuir e tentando construir uma identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa meritocracia nos proporciona&nbsp; muitas conquistas. Na estrada vindo de Salt Lake City at\u00e9 aqui, vi v\u00e1rias grandes empresas ao longo do caminho. Elas merecem ser reconhecidas e celebradas. Mas h\u00e1 elementos na meritocracia que, se forem aceitos de forma pura, isolados de um sistema moral s\u00e3o, na verdade, mentiras.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira mentira da meritocracia \u00e9 que o sucesso profissional traz felicidade. Eu sou o exemplo vivo de que isso n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda mentira da meritocracia \u00e9 a mentira da autossufici\u00eancia &#8211; que voc\u00ea pode se fazer feliz; que se conseguir conquistar mais uma vit\u00f3ria, perder sete quilos ou se ficar bom em ioga, voc\u00ea ser\u00e1 feliz. Se voc\u00ea perguntar \u00e0s pessoas, no final de suas vidas, o que as fez felizes, n\u00e3o foi a autossufici\u00eancia; foram os momentos de total depend\u00eancia, quando elas eram totalmente dependentes de outra pessoa e outra pessoa era totalmente dependente delas.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira mentira \u00e9 que a vida \u00e9 uma jornada individual. Compramos para as crian\u00e7as um livro chamado <em>Ah, os lugares aonde voc\u00ea ir\u00e1!<\/em><sup>3<\/sup> do Dr. Seuss. Nesse livro, h\u00e1 um jovem que se formou na faculdade e sua vida \u00e9 uma s\u00e9rie de experi\u00eancias no caminho para o sucesso. Ele n\u00e3o tem amigos, n\u00e3o tem relacionamentos e n\u00e3o tem conex\u00f5es, porque pensamos na vida como uma jornada individual. Se voc\u00ea der esse livro a grupos de imigrantes, eles o odiar\u00e3o, porque esta n\u00e3o \u00e9 a vida que eles vivenciam.<\/p>\n\n\n\n<p>A quarta mentira \u00e9 a de que voc\u00ea pode criar sua pr\u00f3pria verdade &#8211; que voc\u00ea deve criar sua pr\u00f3pria vis\u00e3o de mundo; que a verdade n\u00e3o \u00e9 algo fora de voc\u00ea, presa \u00e0 ordem natural do universo; e que a verdade \u00e9 algo que voc\u00ea cria por conta pr\u00f3pria. Se voc\u00ea disser \u00e0s pessoas que elas precisam criar sua pr\u00f3pria verdade, muitas vezes elas n\u00e3o conseguir\u00e3o fazer isso.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais mentiras sobre a meritocracia: A cultura da meritocracia diz que voc\u00ea \u00e9 aquilo que conquista e que dignidade e respeito se obt\u00eam ao se associar a marcas de prest\u00edgio. A emo\u00e7\u00e3o da meritocracia \u00e9 o amor condicional: voc\u00ea precisa merecer ser amado. A antropologia da meritocracia v\u00ea o ser humano n\u00e3o como uma alma a ser salva, mas como um conjunto de habilidades a ser maximizado. E a grande mentira no topo da meritocracia, realmente corrosiva, \u00e9 a ideia de que as pessoas que conquistaram mais valem mais do que as outras. Se voc\u00ea quiser destruir uma sociedade, essa \u00e9 uma mentira bastante eficaz para come\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns anos, havia uma creche em Israel que tinha um problema: os pais chegavam atrasados para buscar as crian\u00e7as. Ent\u00e3o, a creche imp\u00f4s multas aos pais que chegavam atrasados. O n\u00famero de pais que chegavam atrasados dobrou. Isso porque, antes, buscar a crian\u00e7a no hor\u00e1rio era uma responsabilidade moral para com o professor para que este pudesse ir para casa. Uma vez que a multa foi imposta, n\u00e3o se tratava mais de uma responsabilidade moral; era uma transa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A lente moral foi retirada e a lente econ\u00f4mica foi colocada no lugar. Nossa sociedade faz um trabalho relativamente bom, no dia a dia, para remover as lentes morais e nos ajudar a ver a vida por meio de lentes econ\u00f4micas, tornando-nos cada vez mais moralmente insens\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi exatamente isso que aconteceu em minha vida ao longo de uma carreira muito mais bem-sucedida do que eu jamais imaginei. Eu escrevia, e escrever \u00e9 uma profiss\u00e3o solit\u00e1ria. E quando alcancei o sucesso, descobri que era ainda mais solit\u00e1rio. Na turn\u00ea do livro <em>A estrada para o car\u00e1ter<\/em>, passei noventa e nove dias consecutivos na estrada, e comi quarenta e duas refei\u00e7\u00f5es seguidas sozinho, entre aeroportos, avi\u00f5es e hot\u00e9is.. Quando sua vida \u00e9 assim, voc\u00ea fica completamente fora dos trilhos. Mais ou menos nessa \u00e9poca, vi uma foto da Britney Spears, que em um determinado momento teve uma crise e raspou todo o cabelo. E pensei: &#8221; Sim, eu poderia fazer isso. Cheguei a esse ponto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer de sua carreira, s\u00f3 de se deixar levar e dar muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0s mentiras da meritocracia, voc\u00ea acaba desejando as coisas erradas. Voc\u00ea deseja reputa\u00e7\u00e3o e, pelo menos no meu caso, passa a idolatrar o tempo. Voc\u00ea come\u00e7a a valorizar mais a produtividade do que as pessoas. Em vez de se estabelecer em relacionamentos profundos com as pessoas, voc\u00ea sempre tem um rel\u00f3gio na cabe\u00e7a: \u201cAh, tenho que fazer isso, tenho que fazer aquilo e tenho que fazer aquilo outro\u201d. E, assim, voc\u00ea meio que passa pelas pessoas sem realmente se conectar.<\/p>\n\n\n\n<p>O sal\u00e1rio do pecado \u00e9 o pr\u00f3prio pecado. O meu fundo do po\u00e7o veio em 2013. Meus filhos j\u00e1 tinham sa\u00eddo de casa ou estavam indo para a faculdade. Meu casamento havia terminado. Minhas amizades estavam dentro do movimento conservador, e eu n\u00e3o fazia mais parte desse movimento. Eu estava morando sozinho em um apartamento, sem receber ningu\u00e9m em casa, tentando me afundar no trabalho. O v\u00edcio no trabalho \u00e9 uma boa maneira de evitar problemas espirituais e emocionais. Como eu n\u00e3o recebia pessoas em casa, se voc\u00ea fosse \u00e0 minha cozinha e abrisse a gaveta onde deveria haver talheres, havia apenas post-its. E se voc\u00ea abrisse a gaveta onde deveria haver pratos, havia apenas papel. Eu s\u00f3 trabalhava. E eu estava sofrendo o desfecho l\u00f3gico da meritocracia cultural: o afastamento completo das outras pessoas &#8211; uma m\u00f4nada solit\u00e1ria em ascens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto eu sofria com isso, muitas outras pessoas tamb\u00e9m sofriam: 35% das pessoas acima de 45 anos nos Estados Unidos se dizem cronicamente solit\u00e1rias. A organiza\u00e7\u00e3o religiosa que mais cresce \u00e9 a dos sem filia\u00e7\u00e3o religiosa. O movimento pol\u00edtico que mais cresce \u00e9 o dos sem filia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Desde 1999, a taxa de suic\u00eddio aumentou 30%. Desde 2011, a taxa de suic\u00eddio entre adolescentes aumentou 70%. As taxas de depress\u00e3o entre universit\u00e1rios dobraram nos \u00faltimos dez anos. H\u00e1 muitas pessoas muito solit\u00e1rias, muito isoladas e com muito medo. E parte disso se deve \u00e0 cultura da meritocracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte disso provavelmente tamb\u00e9m se deve \u00e0 Internet. A Internet \u00e9 uma fonte de m\u00e1 comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o nos comunicamos de cora\u00e7\u00e3o e alma na Internet; nos comunicamos por meio de nossos egos, por meio da compara\u00e7\u00e3o. Minha vida \u00e9 melhor que a sua &#8211; isso \u00e9 o Instagram. Suas opini\u00f5es s\u00e3o mais est\u00fapidas do que as minhas &#8211; isso \u00e9 o Twitter. N\u00e3o somos programados e n\u00e3o fomos criados para nos comunicarmos nesse n\u00edvel t\u00e3o superficial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-enxergar-uns-aos-outros-profundamente\">Enxergar uns aos outros profundamente<\/h2>\n\n\n\n<p>De alguma forma, entramos em uma era de generaliza\u00e7\u00f5es ruins. N\u00e3o conseguimos enxergar uns aos outros de verdade. Os liberais acreditam nisso. Os evang\u00e9licos acreditam nisso. Os santos dos \u00faltimos dias acreditam nisso. Todos os grupos, todos os estere\u00f3tipos, todas as generaliza\u00e7\u00f5es ruins &#8211; deixamos de ver o cora\u00e7\u00e3o e a alma de cada pessoa, apenas um monte de r\u00f3tulos ruins. Para mim, esse \u00e9 o principal problema que nosso car\u00e1ter democr\u00e1tico enfrenta. Muitos dos grandes problemas de nossa sociedade decorrem do fato de as pessoas n\u00e3o se sentirem vistas e conhecidas: os negros sentem que sua experi\u00eancia cotidiana n\u00e3o \u00e9 compreendida pelos brancos. A popula\u00e7\u00e3o rural n\u00e3o se sente vista pelas elites do litoral. Jovens deprimidos n\u00e3o se sentem compreendidos por ningu\u00e9m. Pessoas de todas as vis\u00f5es pol\u00edticas se irritam umas com as outras e se sentem incompreendidas. Funcion\u00e1rios se sentem invis\u00edveis no trabalho. Maridos e esposas vivem em casamentos falidos, percebendo que quem mais deveria conhec\u00ea-los, na verdade, n\u00e3o faz a menor ideia de quem eles s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mim, o tra\u00e7o democr\u00e1tico mais essencial \u2014 e que todos n\u00f3s precisamos cultivar um pouco mais \u2014 \u00e9 a capacidade de enxergar o outro com profundidade e de permitir que nos enxerguem tamb\u00e9m. \u00c9 uma quest\u00e3o epistemol\u00f3gica: trata-se de compreender uns aos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>John Ruskin, um dos meus her\u00f3is, disse:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A melhor coisa que uma alma humana pode fazer neste mundo \u00e9 <\/em><strong><em>ver<\/em><\/strong><em> algo e dizer o que <\/em><strong><em>viu<\/em><\/strong><em> de forma clara. Centenas de pessoas podem falar por cada uma que sabe pensar, mas milhares podem pensar por uma que consegue ver.<\/em><sup>4<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Se pensarmos bem, h\u00e1 uma habilidade que est\u00e1 no centro de qualquer fam\u00edlia, empresa, sala de aula, comunidade, universidade ou na\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel: a capacidade de enxergar outra pessoa com profundidade, de conhec\u00ea-la profundamente e de fazer com que ela se sinta ouvida e compreendida.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho refletido muito sobre isso: \u201cQue habilidade \u00e9 essa? E como algu\u00e9m se torna bom nisso?\u201d N\u00e3o se trata de uma habilidade intelectual isolada; \u00e9 uma forma emocional de conhecimento. Nosso mestre aqui \u00e9 Santo Agostinho, que disse que o conhecimento \u00e9 uma forma de amor.<sup>5<\/sup> O amor \u00e9 um foco de aten\u00e7\u00e3o. O amor \u00e9 um estado motivacional para aprender mais sobre o outro. O amor \u00e9 um impulso para se mover em harmonia com o outro. Separamos o cora\u00e7\u00e3o e a cabe\u00e7a, mas Agostinho nunca fez isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Na B\u00edblia, h\u00e1 muitos casos diferentes em que as pessoas foram mal compreendidas e n\u00e3o realmente vistas. Em Lucas, Jesus n\u00e3o foi reconhecido nem mesmo por Seus pr\u00f3prios disc\u00edpulos. Na par\u00e1bola do bom samaritano, o levita notou o homem ferido na beira da estrada, mas n\u00e3o o enxergou de verdade. Somente um samaritano realmente o viu. Esses casos na B\u00edblia est\u00e3o sempre brincando com diferentes tipos de reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A palavra b\u00edblica para \u201cconhecer\u201d em hebraico \u00e9 <em>yada<\/em>, e ela tem dezenas de usos diferentes que atravessam a linha entre a raz\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o, significando desde rela\u00e7\u00f5es sexuais, at\u00e9 lealdade a algu\u00e9m ou fazer conv\u00eanios com outras pessoas. Portanto, a B\u00edblia foi escrita em uma linguagem que coloca o conhecimento profundo e a emo\u00e7\u00e3o profunda no centro do que fazemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho procurado estudar pessoas que s\u00e3o realmente boas em enxergar o outro, conhec\u00ea-lo e fazer com que se sinta conhecido. Tenho uma iniciativa no Instituto Aspen chamada Tecelagem: O Projeto do Tecido Social. Viajamos pelo pa\u00eds e encontramos pessoas que s\u00e3o \u00f3timas em criar comunidades ou relacionamentos. N\u00f3s as chamamos de tecel\u00e3s. Elas s\u00e3o especialistas em fazer com que voc\u00ea se sinta ouvido e compreendido &#8211; \u00e9 isso que elas fazem. Eu observo como elas fazem isso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-os-teceloes-criam-raizes\"><em>1. Os tecel\u00f5es criam ra\u00edzes<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das coisas que os tecel\u00f5es fazem \u00e9 criar ra\u00edzes em algum lugar. Eles n\u00e3o s\u00e3o de lugar nenhum, n\u00e3o s\u00e3o cosmopolitas. Eles escolhem um lugar com o qual realmente se importam, e sabem de onde v\u00eam. Eles sabem quem \u00e9 seu povo. Eles est\u00e3o enraizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Conheci uma mulher chamada Aiesha Butler. Aiesha morava em Englewood, um bairro perigoso de Chicago, e estava prestes a se mudar porque n\u00e3o era seguro e ela tinha uma filha de nove anos. No dia em que estava se mudando, ela olhou para o outro lado da rua e viu uma menina com um vestido rosa brincando em um terreno baldio com garrafas quebradas. Aiesha virou-se para seu marido e disse: &#8220;N\u00e3o vamos abandonar isso. N\u00e3o vamos ser apenas mais uma fam\u00edlia que foi embora&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Aiesha criou ra\u00edzes em Englewood. Ela pesquisou no Google \u201cvoluntariado em Englewood\u201d e foi se voluntariando mais e mais. Agora ela dirige uma grande organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria l\u00e1, e se voc\u00ea for \u00e0s lojas de Englewood, encontrar\u00e1 camisetas que dizem: \u201cFilha orgulhosa de Englewood\u201d ou \u201cFilho orgulhoso de Englewood\u201d. Ela se comprometeu com aquele lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos meus her\u00f3is \u00e9 um cara que espero que tamb\u00e9m seja um her\u00f3i para voc\u00eas, um pseudo-Messias, Bruce Springsteen. Bruce Springsteen cresceu em um lugar chamado Freehold, perto de Asbury Park, em Nova Jersey. Seus dois primeiros \u00e1lbuns n\u00e3o fizeram sucesso. Seu terceiro \u00e1lbum, <em>Born to Run<\/em>, foi um grande sucesso. O pr\u00f3ximo passo l\u00f3gico para ele teria sido se tornar uma estrela global, fazendo um \u00e1lbum que agradasse a todos. Mas ele fez exatamente o contr\u00e1rio. Voltou para Freehold e Asbury Park, em Nova Jersey, e fez um \u00e1lbum pequeno e despojado sobre o que mais lhe importava: as pessoas daquelas cidades e como elas estavam sofrendo. Ele se enraizou.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns anos, eu estava em Madri, no grande est\u00e1dio de futebol do Real Madrid, para um show do Bruce Springsteen. Olhei para os jovens na plateia e eles tinham camisetas que diziam \u201cStone Pony\u201d, que \u00e9 um bar em Asbury Park; \u201cHighway Nine\u201d, que \u00e9 uma rodovia que passa por Freehold; e \u201cGreasy Lake\u201d, que \u00e9 um lago pr\u00f3ximo de l\u00e1. Springsteen, assim como William Faulkner e tantos outros grandes artistas, criou seu pr\u00f3prio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tecel\u00f5es se enterram; eles se enra\u00edzam. E o p\u00fablico vem at\u00e9 eles. O p\u00fablico quer saber que voc\u00ea tem ra\u00edzes e que pertence a um lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>No meio daquele show, vi 65 mil jovens gritando: &#8220;Nascido nos EUA! Eu nasci nos EUA!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>E eu pensei: \u201cN\u00e3o, voc\u00eas n\u00e3o nasceram!\u201d Mas eles vieram para ver Springsteen.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-os-teceloes-sao-exploradores-sociais-ousados\"><em>2. Os tecel\u00f5es s\u00e3o exploradores sociais ousados<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, os tecel\u00f5es s\u00e3o exploradores sociais ousados. Uma de minhas express\u00f5es favoritas vem da psicologia. Ela diz que a vida \u00e9 uma s\u00e9rie de aventuras ousadas a partir de uma base segura.<sup>6<\/sup> Os tecel\u00f5es sabem quem s\u00e3o e j\u00e1 criaram ra\u00edzes. Portanto, eles sentem seguran\u00e7a para ir al\u00e9m. Muitos dos tecel\u00f5es que admiramos adoram ser a \u00fanica pessoa como eles no grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma mulher chamada Sarah Heminger que \u00e9 uma de nossas tecel\u00e3s favoritas. Ela cresceu em Indiana. Seu pai ia na igreja e descobriu que o pastor estava desviando dinheiro, ent\u00e3o ele denunciou. Em vez de se livrar do pastor, a congrega\u00e7\u00e3o baniu Sarah e sua fam\u00edlia. Por oito anos, ela n\u00e3o foi convidada para festas. \u00c0s vezes, nas festas de Natal na casa de sua pr\u00f3pria av\u00f3, ela e seu irm\u00e3o tinham de se sentar em uma sala diferente porque tinham sido rejeitados. Ela sabia o que era isolamento de verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, ela foi para a Universidade Johns Hopkins. Enquanto andava de \u00f4nibus em Baltimore, viu alguns jovens fora da escola &#8211; jovens afro-americanos &#8211; e pensou: &#8220;Sei exatamente o que eles est\u00e3o sentindo. Reconhe\u00e7o esse isolamento&#8221;. Sarah agora est\u00e1 dedicando sua vida a ajudar esses jovens &#8211; pessoas completamente diferentes dela, uma garota branca do meio-oeste americano. Mas os tecel\u00f5es se sentem entusiasmados em estar com pessoas completamente diferentes deles mesmos, e em criarem esse v\u00ednculo humano e serem transparentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-os-teceloes-sao-emocionalmente-transparentes\"><em>3. Os tecel\u00f5es s\u00e3o emocionalmente transparentes<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>O terceiro ponto forte das pessoas que conhecem profundamente os outros \u00e9 o fato de serem emocionalmente transparentes. H\u00e1 alguns anos, em 2015, minha esposa e eu fomos convidados para ir \u00e0 casa de um casal chamado Kathy e David. Anos atr\u00e1s, Kathy e David tinham um amigo nas escolas p\u00fablicas de Washington DC que tinha um amigo chamado James. A m\u00e3e de James tinha problemas de sa\u00fade e outros desafios, e James muitas vezes n\u00e3o tinha nada para comer e nem para onde ir. Kathy e David disseram: \u201cBem, o James pode ficar com a gente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>James tamb\u00e9m tinha um amigo, e esse amigo tinha outro amigo, que por sua vez tinha outro amigo. Quando fui \u00e0 casa de Kathy e David em 2015, havia cerca de quarenta jovens em volta da mesa de jantar, e quinze estavam dormindo em outras casas. Eles haviam criado uma grande fam\u00edlia escolhida.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu entrei, um cara reservado, branco e de meia-idade, e estendi a m\u00e3o para cumprimentar um dos jovens. Ele disse: &#8220;N\u00f3s n\u00e3o apertamos as m\u00e3os aqui. N\u00f3s nos abra\u00e7amos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sou a pessoa mais chegada em abra\u00e7os na face da Terra, mas temos voltado l\u00e1 e nos tornamos parte dessa comunidade nos \u00faltimos quatro anos. E abra\u00e7amos quarenta pessoas na entrada e quarenta na sa\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Os jovens irradiam transpar\u00eancia emocional, e exigem que voc\u00ea tamb\u00e9m seja emocionalmente transparente. Eles transformam voc\u00ea em um tipo diferente de pessoa. O cara reservado e um pouco distante de repente se torna razoavelmente bom em ser emocionalmente transparente quando emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o lan\u00e7adas sobre ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Levei minha filha l\u00e1 uma vez. Ela disse: &#8220;Esse \u00e9 o lugar mais caloroso em que j\u00e1 estive na vida. E isso faz de voc\u00ea&nbsp; uma pessoa muito mais aberta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu estava em um festival h\u00e1 algumas semanas. Eles nos deram a letra de uma m\u00fasica e disseram: \u201cEscolha um estranho na plateia e cante essa m\u00fasica olhando nos olhos dessa pessoa\u201d. H\u00e1 tr\u00eas anos, isso teria me causado um derrame. Mas agora consigo ser um pouco mais aberto, porque fui treinado por aqueles jovens.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-os-teceloes-usam-bem-seu-proprio-sofrimento\"><em>4. Os tecel\u00f5es usam bem seu pr\u00f3prio sofrimento<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>A quarta coisa que os tecel\u00f5es fazem que lhes permite conhecer os outros e serem profundamente conhecidos \u00e9 aprender a usar bem o pr\u00f3prio sofrimento. Todos n\u00f3s temos momentos de sofrimento, mas podemos deixar-nos abater por eles ou nos tornarmos mais abertos por causa deles. Algumas pessoas est\u00e3o abaladas. Elas constroem uma prote\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil sobre a parte de si mesmas que est\u00e1 sofrendo e se fecham. Elas t\u00eam medo de serem tocadas. Essas pessoas costumam reagir com raiva e ressentimento. H\u00e1 um ditado que diz que a dor que n\u00e3o \u00e9 transformada \u00e9 transmitida.<sup>7<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Mas, outras pessoas se abrem. Elas se tornam cada vez mais vulner\u00e1veis e mais abertas. Elas vivem sua vida em um n\u00edvel mais profundo. O te\u00f3logo Paul Tillich disse que os momentos de sofrimento interrompem sua vida e o lembram de que voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 a pessoa que pensava ser. Eles escavam o que voc\u00ea achava ser o piso do por\u00e3o de sua alma e revelam um vazio. Ent\u00e3o, escavam esse vazio e revelam outro ainda mais profundo. Voc\u00ea simplesmente v\u00ea mais profundamente em si mesmo do que jamais imaginou que existisse e, quando v\u00ea essas profundezas, percebe que somente o alimento espiritual e emocional preencher\u00e1 esses vazios. Assim, voc\u00ea come\u00e7a a viver a vida em um n\u00edvel mais profundo.<sup>8<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Uma amiga minha disse que, quando sua primeira filha nasceu, ela percebeu que a amava mais do que a evolu\u00e7\u00e3o exigia. Sempre gostei dessa frase porque ela fala desse n\u00edvel mais profundo. Fazemos algumas coisas para passar nossos genes adiante, mas em algum lugar nas profundezas de n\u00f3s mesmos h\u00e1 um n\u00edvel encantado que \u00e9 onde podemos encontrar nossa capacidade ilimitada de cuidar uns dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das tecel\u00e3s que conhecemos em Ohio \u00e9 uma mulher chamada Sarah Atkins. Aconteceu com ela a pior coisa que se pode imaginar. Ela estava passeando em lojas de antiguidades com sua m\u00e3e. Quando chegou em casa naquele domingo \u00e0 noite e abriu a porta, esperava ver seus filhos e seu marido. Ela disse: \u201cCheguei! A mam\u00e3e chegou!\u201d N\u00e3o houve resposta. Um colch\u00e3o estava cobrindo a porta que dava acesso ao por\u00e3o. Ela pensou que eles estavam brincando de esconde-esconde, ent\u00e3o desceu correndo. Foi ent\u00e3o que viu seu marido ca\u00eddo no ch\u00e3o. Quando ela olhou para o sof\u00e1, viu seu filho com o que parecia ser chocolate em volta dele. Ela o tocou e ele estava frio. Seu marido havia matado seus filhos e a si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora ela vive uma vida de puro servi\u00e7o. Ela ajuda mulheres que s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia. Ela tem uma farm\u00e1cia gratuita. Ela leciona na Universidade de Ohio. Sua vida \u00e9 de total abertura e cuidado. Ela \u00e9 uma pessoa que sofreu de forma inimagin\u00e1vel e, ainda assim, vive com o que Richard Rohr chama de \u201cuma tristeza iluminada\u201d.<sup>9<\/sup> Ela viu o pior do mundo, mas h\u00e1 um brilho e um humor nela, e h\u00e1 \u00e1gape &#8211; um amor altru\u00edsta que ela distribui.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela me disse: \u201cFa\u00e7o isso porque estou com raiva dele. O que quer que ele tenha tentado fazer comigo, n\u00e3o vai conseguir. Eu vou fazer a diferen\u00e7a no mundo\u201d. Ela \u00e9 algu\u00e9m que vive sua vida abertamente, porque o que ela tinha a perder, ela j\u00e1 perdeu, e decidiu se manter aberta durante tudo isso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-construir-comunidade\">Construir comunidade<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando olhamos para esses tecel\u00f5es e percebemos como eles s\u00e3o bons em enxergar os outros, percebemos que ver profundamente \u00e9 muito dif\u00edcil. E, no entanto, se olharmos ao nosso redor, veremos que isso acontece o tempo todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho uma amiga cuja filha estava enfrentando dificuldades quando estava na segunda s\u00e9rie. A professora disse a ela: \u201cSabe, voc\u00ea \u00e9 muito boa em pensar antes de falar\u201d. Naquele momento, a menina se sentiu conhecida, respeitada e compreendida, e o fato de a professora a ter visto profundamente tornou o seu ano muito melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha esposa, Anne, escreveu um livro, e um dos cap\u00edtulos fala sobre um lugar chamado Oaks Academy, em Indian\u00e1polis. Uma das crian\u00e7as de l\u00e1 estava se comportando mal, e o professor lhe disse: \u201cEstou pensando se sua consci\u00eancia ficou muito, muito pequena\u201d. Lembro-me de que o garoto n\u00e3o sabia o que consci\u00eancia significava, mas sabia que n\u00e3o queria que a sua fosse pequena.<sup>10<\/sup> Os grandes professores t\u00eam a capacidade de olhar e ver o interior de seus alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>Grandes amigos e grandes c\u00f4njuges tamb\u00e9m t\u00eam essa capacidade. Lembro-me com frequ\u00eancia de algo que aconteceu h\u00e1 algumas semanas. Minha esposa, Anne, estava na porta da frente de nossa casa, que estava aberta. Por acaso, ela estava olhando para uma orqu\u00eddea que temos ali. Levantei os olhos do que estava fazendo e vi sua silhueta enquanto ela olhava para a orqu\u00eddea. Foi um daqueles momentos estranhos que os c\u00f4njuges t\u00eam, e eu pensei: \u201cNossa, eu realmente a conhe\u00e7o\u201d. Foi um daqueles momentos em que a realidade parece parar e voc\u00ea se d\u00e1 conta da profundidade que existe nos momentos comuns da vida, assim como da deliciosidade de se conhecer algu\u00e9m profundamente e de tamb\u00e9m ser visto por algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>As conex\u00f5es que podem acontecer entre as pessoas s\u00e3o realmente incr\u00edveis. Eu tinha um conhecido chamado Douglas Hofstadter, um cientista cognitivo da Universidade de Indiana. Ele estava em licen\u00e7a sab\u00e1tica com sua esposa, Carol, e seus dois filhos, que na \u00e9poca tinham tr\u00eas e cinco anos, quando Carol morreu repentinamente. Ele mantinha uma foto de Carol na c\u00f4moda de seu quarto e olhava para ela todos os dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas um dia ele a olhou com aten\u00e7\u00e3o especial e escreveu sobre o que sentiu:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Olhei para o rosto dela e o fiz t\u00e3o profundamente que senti que estava atr\u00e1s de seus olhos e, de repente, me vi dizendo, enquanto as l\u00e1grimas corriam: \u201cSou eu! Sou eu!\u201d E essas simples palavras me trouxeram de volta muitos pensamentos que eu j\u00e1 havia tido antes, sobre a fus\u00e3o de nossas almas em uma entidade de n\u00edvel superior, sobre o fato de que no \u00e2mago de ambas as nossas almas estavam as mesmas esperan\u00e7as e sonhos para nossos filhos, sobre a no\u00e7\u00e3o de que essas esperan\u00e7as n\u00e3o eram separadas ou distintas, mas eram apenas uma esperan\u00e7a, uma coisa clara que definia a n\u00f3s dois, que nos fundia em uma unidade, o tipo de unidade que eu havia apenas imaginado vagamente antes de me casar e ter filhos. Percebi ent\u00e3o que, embora Carol tivesse morrido, aquela parte essencial dela n\u00e3o havia morrido, mas vivia com muita determina\u00e7\u00e3o em meu c\u00e9rebro.<\/em><sup>11<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>O livro que ele escreveu chama-se <em>I Am a Strange Loop<\/em> [Eu Sou um Loop Estranho]. Seu argumento \u00e9 que, como seres humanos, somos loops estranhos e nossos loops se intercalam. E isso \u00e9 a coisa mais local, mais particular e mais relacional que se pode imaginar. E, no entanto, uma vasta sociedade &#8211; 330 milh\u00f5es &#8211; depende dessa conex\u00e3o local e de centenas e centenas e milh\u00f5es de milh\u00f5es dessas conex\u00f5es locais. O que uma na\u00e7\u00e3o tem? Ela possui algum n\u00edvel b\u00e1sico de confian\u00e7a \u2014 a ideia de que podemos confiar uns nos outros. Possui algum n\u00edvel b\u00e1sico de fraternidade \u2014 de que, em algum grau, conseguimos nos entender. Uma no\u00e7\u00e3o assumida de humanidade em comum. E tamb\u00e9m, uma hist\u00f3ria em comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, nossa hist\u00f3ria \u00e9 uma hist\u00f3ria de \u00eaxodo. Escapamos da opress\u00e3o, atravessamos o deserto, chegamos \u00e0 terra prometida e tentamos edificar essa terra. Mois\u00e9s quase foi inclu\u00eddo no grande selo dos Estados Unidos; Benjamin Franklin queria que ele estivesse l\u00e1. Martin Luther King falava mais sobre o \u00caxodo do que sobre o Novo Testamento. Para os grupos de imigrantes, para as pessoas desta igreja, o \u00eaxodo \u00e9 a grande hist\u00f3ria, e \u00e9 a grande hist\u00f3ria unificadora de nosso pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m precisamos de um grande projeto comum, coisas que fa\u00e7amos juntos. Em G\u00eanesis, a cria\u00e7\u00e3o do universo \u00e9 descrita em nove vers\u00edculos. Em \u00caxodo, a cria\u00e7\u00e3o do tabern\u00e1culo se estende por 300 vers\u00edculos. Por que ela se estende por tanto tempo? Porque os israelitas eram um povo dividido que precisava ser unificado em um s\u00f3 povo. E, se voc\u00ea quiser unificar um povo, ele precisa ser capaz de trabalhar junto em um projeto comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha descri\u00e7\u00e3o favorita de uma comunidade vem de Jane Jacobs. Ela estava morando no sudoeste da cidade de Nova York por volta de 1960. Ela estava em seu apartamento, no segundo andar, olhando para a rua, e viu um homem puxando com raiva uma menina de nove anos. Jane Jacobs n\u00e3o sabia se era um sequestro ou apenas um pai disciplinando sua filha. Ela estava prestes a descer para verificar a situa\u00e7\u00e3o, s\u00f3 para ter certeza de que n\u00e3o se tratava de um sequestro, mas, enquanto descia, olhou para a rua e notou que a esposa do a\u00e7ougueiro tinha sa\u00eddo do a\u00e7ougue. O homem da banca de frutas tinha sa\u00eddo para a rua. O chaveiro tinha sa\u00eddo para a rua. Jane escreveu: \u201cAquele homem n\u00e3o sabia, mas estava cercado. Ningu\u00e9m permitiria que uma garotinha fosse arrastada, mesmo que ningu\u00e9m soubesse quem ela era.\u201d<sup>12<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>Para mim, isso \u00e9 o que \u00e9 comunidade. \u00c9 um grupo de pessoas que cuidam umas das outras, um grupo de pessoas que se v\u00eaem &#8211; e se v\u00eaem profundamente, dedicando tempo para realmente estabelecer um relacionamento com as outras, para depender umas das outras, para apoiar as hist\u00f3rias e o comportamento umas das outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Anne e eu temos um amigo chamado Rod que mora no norte da Louisiana. Sua irm\u00e3, Ruthie, morreu em uma idade tragicamente jovem. Ela era professora, e todos na cidade gostavam dela. Ela fazia algo pela cidade na v\u00e9spera de Natal: ia ao cemit\u00e9rio e colocava uma vela acesa em cada l\u00e1pide, como forma de reconhecer os mortos. Ela faleceu justamente nesta \u00e9poca do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Na v\u00e9spera de Natal, Rod perguntou \u00e0 sua m\u00e3e: \u201cVoc\u00ea quer ir ao cemit\u00e9rio hoje \u00e0 noite e fazer o que Ruthie costumava fazer? Colocar as velas l\u00e1?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sua m\u00e3e disse: \u201cSabe, eu farei isso nos pr\u00f3ximos anos, mas agora isso me destruiria. Ainda \u00e9 cedo demais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, eles decidiram n\u00e3o faz\u00ea-lo. Enquanto dirigiam pela cidade at\u00e9 a casa de uma fam\u00edlia, passaram pelo cemit\u00e9rio e viram que algu\u00e9m havia colocado uma vela em cada l\u00e1pide. Isso \u00e9 o que acontece em uma comunidade &#8211; os comportamentos, as normas e os dons s\u00e3o replicados e espalhados por pessoas que est\u00e3o profundamente engajadas e que se veem profundamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mim, o resultado final de tudo isso \u00e9 uma esp\u00e9cie de alegria. Voc\u00ea pode ser feliz sozinho. Voc\u00ea ganha um jogo, recebe uma promo\u00e7\u00e3o, sente-se bem consigo mesmo. A felicidade \u00e9 a expans\u00e3o do eu. Mas a alegria \u00e9 a fus\u00e3o do eu. \u00c9 o tipo de coisa que acontece quando voc\u00ea esquece onde voc\u00ea termina e onde outra coisa come\u00e7a, quando voc\u00ea est\u00e1 realmente vendo profundamente o outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho um amigo chamado Christian Wiman, que \u00e9 poeta e mora em Praga. Certo dia, ele estava escrevendo suas poesias na mesa da cozinha e um falc\u00e3o pousou por acaso no parapeito da janela. Ele olhou para o p\u00e1ssaro e ficou deslumbrado com sua beleza. Ele chamou sua namorada, que estava no banho: \u201cVenha c\u00e1. Voc\u00ea precisa ver isso!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ela saiu correndo, molhada, e eles ficaram olhando para a beleza do p\u00e1ssaro. Ent\u00e3o, o p\u00e1ssaro, que estava olhando para a rua, virou-se e olhou para Wiman. Wiman e o p\u00e1ssaro ficaram olhando um para o outro. E Wiman disse: \u201cSenti meu est\u00f4mago se contrair. Senti que estava olhando para s\u00e9culos\u201d. Ele estava tendo um momento com a cria\u00e7\u00e3o eterna.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua namorada compreendeu a import\u00e2ncia do momento e disse: \u201cFa\u00e7a um pedido, fa\u00e7a um pedido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Wiman escreveu um poema sobre a experi\u00eancia, cuja estrofe diz: \u201cEu desejei e desejei e desejei que o momento n\u00e3o acabasse. E, sem mais nem menos, ele desapareceu.\u201d<sup>13<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>O que estou falando hoje \u00e9 algo que parece apol\u00edtico &#8211; n\u00e3o se trata de democracia; trata-se simplesmente de nos enxergarmos uns aos outros. E, no entanto, parece-me que essa \u00e9 a cola que nos mant\u00e9m unidos. Estamos tentando fazer algo que nunca foi feito antes, algo que \u00e9 fenomenalmente dif\u00edcil: estamos tentando construir a primeira democracia multicultural em massa. Devemos ter um pouco de paci\u00eancia com n\u00f3s mesmos. \u00c9 uma coisa dif\u00edcil de se fazer. Mas isso s\u00f3 ser\u00e1 feito se dedicarmos tempo para olharmos nos olhos uns dos outros e cantarmos essa can\u00e7\u00e3o uns para os outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito obrigado.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00a9 David Brooks. 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