{"id":850,"date":"2024-08-23T06:00:00","date_gmt":"2024-08-23T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/?post_type=speech&#038;p=850"},"modified":"2024-07-09T16:24:43","modified_gmt":"2024-07-09T16:24:43","slug":"encontrar-maravilhamento-em-lugares-remotos","status":"publish","type":"speech","link":"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/talks\/janis-b-nuckolls\/encontrar-maravilhamento-em-lugares-remotos\/","title":{"rendered":"Encontrar maravilhamento em lugares remotos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size wp-block-paragraph\"><strong><em>Pretendemos modificar a tradu\u00e7\u00e3o se for necess\u00e1rio. Para dar sugest\u00f5es, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bom dia! Sinto-me muito grata e honrada por estar aqui com voc\u00eas hoje. Gostaria de compartilhar um pouco do que aprendi com as vozes que expressam palavras de maravilhamento, sabedoria e profundas verdades. O que essas vozes t\u00eam em comum \u00e9 que v\u00eam de pessoas em lugares remotos que compartilham uma preocupa\u00e7\u00e3o profunda com o cuidado e a preserva\u00e7\u00e3o. Um desses lugares, uma aldeia na regi\u00e3o amaz\u00f4nica do Equador, \u00e9 fisicamente remota porque o isolamento das cidades faz a viagem para l\u00e1 muito inconveniente. O outro lugar \u00e9 vivencialmente remoto, embora n\u00e3o muito longe de n\u00f3s geograficamente. Esse segundo lugar remoto \u00e9 a pris\u00e3o \u2014 especificamente o Pres\u00eddio Estadual de Utah e o Pres\u00eddio Estadual de San Quentin, na Calif\u00f3rnia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deixem-me come\u00e7ar com a Amaz\u00f4nia equatoriana. H\u00e1 alguns anos, eu estava fazendo uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em lingu\u00edstica. Caso alguns de voc\u00eas n\u00e3o estejam familiarizados com esse campo de estudo, deixem-me primeiro falar-lhes um pouco sobre o que a lingu\u00edstica <em>n\u00e3o \u00e9.<\/em>&nbsp;Muitas pessoas presumem que um linguista \u00e9 algu\u00e9m que fala muitos idiomas diferentes. Mas esse n\u00e3o \u00e9 necessariamente o caso. Outro conceito err\u00f4neo sobre linguistas \u00e9 que eles s\u00e3o a &#8220;pol\u00edcia da gram\u00e1tica&#8221; que monitoram as pessoas para detectar o quanto est\u00e3o falando corretamente. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o que fazemos, embora definitivamente nos interessa o porqu\u00ea de as pessoas considerarem algumas maneiras de falar mais corretas do que outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu caracterizaria a lingu\u00edstica como o estudo cient\u00edfico e human\u00edstico do idioma em todas as suas dimens\u00f5es poss\u00edveis, mas h\u00e1 tantas maneiras de ser um linguista quanto h\u00e1 pessoas que se consideram linguistas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-linguistica-e-maravilhamento-na-amazonia-equatoriana\">Lingu\u00edstica e maravilhamento na Amaz\u00f4nia equatoriana<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha abordagem se chama lingu\u00edstica antropol\u00f3gica, que se concentra em algumas das maneiras \u00fanicas pelas quais l\u00ednguas e culturas est\u00e3o interligadas. Para seguir essa abordagem, fiz uma pesquisa em uma comunidade remota na Amaz\u00f4nia equatoriana, chamada Puka Yaku, que significa &#8220;\u00e1gua vermelha&#8221;. Os habitantes dessa aldeia s\u00e3o falantes de uma l\u00edngua chamada Kichwa. Minha meta era aprender esse idioma o suficiente para escrever uma disserta\u00e7\u00e3o sobre alguns aspectos sobre sua estrutura. Tamb\u00e9m estava interessada sobre como a maneira de falar dessas pessoas podia refletir suposi\u00e7\u00f5es sobre o mundo que eram diferentes das minhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que eu n\u00e3o planejei foram os desafios de viver em um lugar totalmente diferente de qualquer coisa que eu j\u00e1 havia vivenciado. N\u00e3o havia estradas que levavam a Puka Yaku, nem hot\u00e9is, mercados e absolutamente nada de \u00e1gua encanada ou saneamento b\u00e1sico. E at\u00e9 hoje n\u00e3o h\u00e1 estradas que levam a Puka Yaku, como descobri no ver\u00e3o passado, quando voltei de canoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde o dia em que pisei pela primeira vez nesta comunidade, fiquei impressionada com o cen\u00e1rio espetacular da mata tropical, t\u00e3o complexa e biodiversa quanto qualquer lugar na Terra. No entanto, apesar dos ambientes naturais inspiradores, foi f\u00e1cil me sentir desencorajada por causa das minhas dificuldades em entender o idioma e aprender a viver neste mundo desconhecido. Houve dias em que eu n\u00e3o conseguia fazer nada a n\u00e3o ser me deitar em uma rede com um olhar vazio para o belo arredor, imaginando o que eu estava fazendo l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora as pessoas com quem eu morava conseguissem desfrutar da minha companhia \u00e0s vezes, eu tinha plena consci\u00eancia de minhas limita\u00e7\u00f5es. At\u00e9 mesmo realizar a tarefa mais simples, como retirar ervas daninhas de uma horta com um fac\u00e3o, me deixou com bolhas nas m\u00e3os. Sempre estava me preocupando em me impor na vida das pessoas, embora tenha ajudado de todas as maneiras que pude, especialmente com pedidos de coisas que n\u00e3o estavam prontamente dispon\u00edveis, como anz\u00f3is de pesca e atum enlatado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Felizmente para mim, os membros desta comunidade est\u00e3o entre as pessoas mais agrad\u00e1veis que j\u00e1 conheci. Eles adoram rir. Sei disso porque minha incapacidade de fazer as coisas mais simples era muitas vezes o que fazia eles rir. Achei dif\u00edcil, por exemplo, permanecer limpa enquanto caminhava pela mata lamacenta. Frequentemente eu chegava \u00e0 casa de algu\u00e9m com as botas e as cal\u00e7as jeans toda melada de lama vermelha. \u00c0s vezes, eu at\u00e9 gostava de andar em meio a po\u00e7as. Meus amigos riam e diziam que eu estava agindo igual a um porco selvagem do mato.&nbsp;<em>Eles se mantinham<\/em> o mais limpos poss\u00edvel, sempre limpando qualquer lama que tivessem nos p\u00e9s e nas pernas antes de se aproximarem da casa de algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A capacidade de meus amigos de se manterem limpos em meio aos arredores lamacentos era apenas uma das muitas coisas que me deram motivos para me maravilhar, e esse maravilhamento muitas vezes me ajudou a sair de meus momentos baixos e a voltar ao trabalho. Houve muitos aspectos das habilidades do povo Kichwa que inspiraram minha curiosidade. Apesar de a maioria de meus amigos nunca ter tido oportunidades formais de educa\u00e7\u00e3o, o seu conhecimento sobre o ambiente ao redor \u00e9 abrangente. Pode-se at\u00e9 dizer que eles praticam sua pr\u00f3pria forma de alfabetiza\u00e7\u00e3o lendo a paisagem, e seu curr\u00edculo tem como base observar animais, plantas e insetos. O que sempre me impressionou sobre o surpreendente conhecimento detalhado desse grupo sobre seu lar na mata \u00e9 a maneira como eles expressam esse conhecimento. Os falantes de Kichwa n\u00e3o se envergonham de admitir que &#8220;assombro [lhes] causa&#8221;<sup>1<\/sup> o mundo ao seu redor, e abertamente expressam seu maravilhamento por ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ilustrar, gostaria de compartilhar uma experi\u00eancia que minha aluna Auna Nygaard e eu tivemos recentemente ao entrevistar uma falante Kichwa chamada Belgica no Zoom. Est\u00e1vamos perguntando a ela como v\u00e1rias esp\u00e9cies de animais cuidam de seus filhotes. Nossa amiga relatou com linguagem e gestos v\u00edvidos como h\u00e1 um tipo de peixe onde a m\u00e3e mant\u00e9m seus beb\u00eas a salvo dos predadores, permitindo que entrem em sua boca para que ela possa proteg\u00ea-los enquanto nada. Esse relato incr\u00edvel foi resumido por nosso amigo nas seguintes palavras traduzidas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ela atravessa a \u00e1gua de um lado para o outro, levando os beb\u00eas com ela em sua boca. Se n\u00e3o houver outros peixes l\u00e1 quando ela chegar, ela abre bem a boca e todos os beb\u00eas nadam para fora.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ent\u00e3o, se apenas um peixe se aproximar de seus beb\u00eas, ela vai atac\u00e1-lo. Depois de persegui-lo, ela abre a boca novamente e todos os beb\u00eas voltam em seguran\u00e7a para dentro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha amiga ent\u00e3o exclamou em Kichwa, com maravilhosa admira\u00e7\u00e3o e surpresa: &#8220;Riki! Piskadowas yuyayuk man!&#8221; Eu traduzo isso como: &#8220;Olha! At\u00e9 os peixes possuem consci\u00eancia! Belgica acrescentou que esse tipo de peixe pode at\u00e9 ser melhor como m\u00e3e do que alguns seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sempre gostei dessas descri\u00e7\u00f5es detalhadas e v\u00edvidas de meus amigos falantes de Kichwa. Essa descri\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de uma m\u00e3e que protegeu seus filhos inclu\u00eda gestos expressivos imitando os movimentos r\u00e1pidos da m\u00e3e dos peixes sobre a \u00e1gua. Em outra imita\u00e7\u00e3o do peixe, minha amiga abriu bem a boca para nos mostrar como a m\u00e3e dos peixes convidava seus beb\u00eas para seu espa\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o. Foi s\u00f3 recentemente, por\u00e9m, que comecei a ver descri\u00e7\u00f5es como tendo significado espiritual. Essa observa\u00e7\u00e3o foi inspirada ao ouvir uma entrevista com a antrop\u00f3loga e linguista Mary Catherine Bateson. Em um podcast chamado<em> On Being,<\/em> ela disse \u00e0 apresentadora Krista Tippett que o ponto de partida para qualquer tipo de sentimento religioso \u00e9 um sentimento de maravilhamento, porque o maravilhamento leva ao louvor. Para apoiar sua reivindica\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia do assombro, ela fez refer\u00eancia a J\u00f3, do Velho Testamento, caracterizando-o como<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Um membro virtuoso de uma institui\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 respeit\u00e1vel. Ele obedece a todas as regras. Ele \u00e9 complacente. Ele passa pelos rituais adequados que eram exigidos em sua comunidade naquela \u00e9poca. Mas ele perdeu o senso de assombro.<\/em><sup>2<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posso estar me arriscando aqui, mas n\u00e3o acho que Jeov\u00e1 precisaria lembrar a meus amigos em Puka Yaku a necessidade do maravilhamento como Ele precisou lembrar J\u00f3: &#8220;A isso, \u00f3 J\u00f3, inclina os teus ouvidos; det\u00e9m-te, e considera as maravilhas de Deus&#8221; (J\u00f3 37:14).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus amigos que falam Kichwa usam uma linguagem que parece ter sido projetada para enfatizar o maravilhamento e o fasc\u00ednio pelos seus arredores. Eles adoram capturar os melhores detalhes de uma experi\u00eancia sensorial, que imitam com palavras onomatopaicas v\u00edvidas, entona\u00e7\u00e3o expressante e gestos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As ideias de Bateson tamb\u00e9m me ajudaram a entender por que a seguinte passagem de 3 N\u00e9fi 17:16\u201317 sempre me comoveu:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>E desta forma testemunham: Os olhos jamais viram e os ouvidos jamais ouviram, at\u00e9 agora, coisas t\u00e3o grandes e maravilhosas como as que vimos e ouvimos Jesus dizer ao Pai;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>E n\u00e3o h\u00e1 l\u00edngua que possa expressar nem homem que possa escrever nem pode o cora\u00e7\u00e3o dos homens conceber coisas t\u00e3o grandes e maravilhosas como as que vimos e ouvimos Jesus dizer; e ningu\u00e9m pode calcular a extraordin\u00e1ria alegria que nos encheu a alma na ocasi\u00e3o em que o vimos orar por n\u00f3s ao Pai.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora essa passagem pare\u00e7a tratar principalmente da grandiosidade da ora\u00e7\u00e3o de Jesus, acho que ela tamb\u00e9m enfatiza a impossibilidade de compreender o efeito da ora\u00e7\u00e3o nas pessoas que a ouviram. Em outras palavras, essa passagem enfatiza os sentimentos de fasc\u00ednio, rever\u00eancia e maravilhamento das pessoas ao ouvir as palavras de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o povo de Puka Yaku viva em uma cultura que n\u00e3o se beneficiou da educa\u00e7\u00e3o formal ou da alfabetiza\u00e7\u00e3o, eles me inspiraram por meio de sua capacidade de ler as paisagens do mundo criado por Deus. Sua cuidadosa aten\u00e7\u00e3o \u00e0s maravilhas inspiradoras que os cercavam e maneira em que desfrutavam delas t\u00eam revigorado meu esp\u00edrito muitas e muitas vezes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-linguistica-e-maravilhamento-na-prisao\">Lingu\u00edstica e maravilhamento na pris\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deixem-me voltar agora para outro grupo de pessoas que me inspiraram \u2014 pessoas em um tipo diferente de lugar remoto, o mundo da pris\u00e3o. Quando a pandemia nos for\u00e7ou ao isolamento e ao lockdown durante o ver\u00e3o de 2020, tamb\u00e9m atrasou meus planos de voltar a Puka Yaku. Eu n\u00e3o tinha conseguido voltar desde meus dias de pesquisa de disserta\u00e7\u00e3o e estava ansiosa para me reconectar com as pessoas de l\u00e1. A pandemia tamb\u00e9m interferiu nos planos de minha aluna Chloe Rampton de viajar para a R\u00fassia para fazer pesquisas para sua tese de mestrado. Quando Chloe e eu conversamos sobre as possibilidades de um novo projeto, n\u00e3o pude deixar de pensar sobre as pessoas encarceradas que estavam vivendo uma vida muito restrita mesmo antes da pandemia e que n\u00e3o tinham acesso a muitos dos privil\u00e9gios que muitos de n\u00f3s tomamos por garantido. Como eles lidam com isso? Eu me perguntava. Como eles d\u00e3o sentido e satisfa\u00e7\u00e3o sob condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o dif\u00edceis? Eu tinha ouvido falar do Programa Educacional de Pris\u00f5es em Utah, com sede na Universidade de Utah. Esse programa oferece instru\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel universit\u00e1rio para homens e mulheres encarcerados no Pres\u00eddio Estadual de Utah. Al\u00e9m disso, Chloe j\u00e1 havia expressado interesse pelo jarg\u00e3o da pris\u00e3o. Ent\u00e3o pensamos em um projeto que envolveria tanto o voluntariado para dar aulas de lingu\u00edstica na pris\u00e3o quanto usar recursos online para estudar met\u00e1foras usadas para descrever a vida na pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora Chloe pudesse simplesmente ter usado recursos online para sua tese, era importante para n\u00f3s vivenciar as condi\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es de pessoas que vivem em um mundo desconhecido para muitos de n\u00f3s, mas que afeta muitas pessoas nos Estados Unidos. Surpreendentemente, quase um de cada cem adultos em nosso pa\u00eds \u00e9 uma pessoa encarcerada.<sup>3<\/sup> De acordo com algumas fontes, os Estados Unidos t\u00eam uma das maiores \u2014 se n\u00e3o, a mais alta \u2014 taxa de encarceramento no mundo.<sup>4<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Introduzir-se no mundo das pessoas a fim de estudar seu idioma se chama &#8220;observa\u00e7\u00e3o participante&#8221;, \u00e9 um m\u00e9todo marcante para a lingu\u00edstica antropol\u00f3gica e a antropologia geral. Ent\u00e3o, Chloe e eu viajamos para o Pres\u00eddio Estadual de Utah para dar aulas quase todas as tardes de sexta-feira durante o semestre de outono de 2020 e o semestre de inverno de 2021. Trabalhamos principalmente com seis alunos. Certo dia, dei-me conta de que, se eu tivesse sido subitamente atingida por uma amn\u00e9sia de curto prazo ao enfrentar essa classe de alunos, sem ter nenhuma lembran\u00e7a do arame farpado e dos muitos postos de inspe\u00e7\u00e3o pelos quais t\u00ednhamos passado para chegar \u00e0 nossa sala de aula, n\u00e3o teria sido \u00f3bvio para mim que esses alunos eram sequer diferentes dos meus alunos regulares aqui na BYU. Seus coment\u00e1rios e observa\u00e7\u00f5es sobre lingu\u00edstica foram incisivos. Dois alunos espec\u00edficos tinham perspectivas semelhantes \u00e0s dos alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o com respeito aos artigos de pesquisa que l\u00edamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro aluno na pris\u00e3o, a quem vou chamar de Mia, destacou-se devido a uma hist\u00f3ria que ela nos contou durante a aula um dia. Mia tinha participado de um programa de treinamento de animais na pris\u00e3o e amava animais de todos os tipos. A hist\u00f3ria dela era sobre resgatar um ganso beb\u00ea. Por algum motivo, h\u00e1 gansos em toda parte no terreno do Pres\u00eddio Estadual de Utah. Certo dia, quando ela estava do lado de fora. Mia notou um ganso beb\u00ea que havia se prendido no arame farpado que cercava o terreno. Como a pris\u00e3o era o que era. Mia teve que pedir permiss\u00e3o ao oficial correcional para poder se aproximar e tentar ajud\u00e1-lo a sair de l\u00e1. O oficial disse que n\u00e3o. Depois de algum tempo, por\u00e9m, houve uma mudan\u00e7a na guarda, e um novo oficial veio supervisionar. Mia novamente tentou obter permiss\u00e3o para ajudar o beb\u00ea que estava emaranhado e se debatendo. O oficial disse que tudo bem, e Mia e suas companheiras ajudaram a libertar o beb\u00ea ganso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa hist\u00f3ria revela duas das qualidades de Mia que realmente me surpreenderam. Em primeiro lugar, teve a sabedoria de manter a sua compaix\u00e3o e a sua empatia, permitindo-se sentir por aquela ave beb\u00ea. E segundo, ela manteve vivo o senso de esperan\u00e7a. Depois que o primeiro oficial disse n\u00e3o, ela tentou novamente. Como, eu me perguntava, ela mantinha sua compaix\u00e3o e esperan\u00e7a em tal situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser capaz de ensinar os alunos do Pres\u00eddio Estadual de Utah e ter oportunidades de aprender com a perspectiva deles foi um privil\u00e9gio que jamais esquecerei. Fez com que as restri\u00e7\u00f5es da pandemia se sentissem muito menos opressivas quando percebi quanta liberdade eu tinha, relativamente falando. Tamb\u00e9m levei essa percep\u00e7\u00e3o para casa pelo que aprendi com os recursos online que minha aluna Chloe usou para coletar dados para sua tese. Ela descobriu um podcast chamado <em>Ear Hustle <\/em>que \u00e9 gravado no Pres\u00eddio Estadual de San Quentin, na Calif\u00f3rnia. Esse podcast j\u00e1 recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios e at\u00e9 foi indicado para o Pr\u00eamio Pulitzer de Reportagem em \u00c1udio. O programa \u00e9 organizado por dois presidi\u00e1rios e um civil que s\u00e3o volunt\u00e1rios em San Quentin. Agora, em sua nona temporada, o podcast apresenta narrativas de pessoas encarceradas sobre todos os tipos de assuntos, inclusive alguns t\u00f3picos extremamente dif\u00edceis. Ouvi essas narrativas porque Chloe estava recolhendo exemplos delas para sua tese. Ao me familiarizar com os dados dela, meu cora\u00e7\u00e3o ficou profundamente tocado por tantas pessoas apresentadas nesse podcast maravilhoso. Gostaria de compartilhar algumas palavras de duas pessoas cujas perspectivas me afetaram particularmente. Elas revelam sabedoria e verdade, algumas delas t\u00e3o profundas quanto o lindo conhecimento de nossos textos sagrados e de nossa grandiosa literatura.&nbsp;Vou deixar que a primeira pessoa se apresente:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Meu nome \u00e9 Ronell Draper, mas as pessoas me chamam de Rauch. Meu relacionamento com as pessoas \u00e9 muito dif\u00edcil. N\u00e3o confio nelas. Desde o in\u00edcio, elas t\u00eam sido uma fonte de dor para mim.<\/em><sup>5<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devido \u00e0s circunst\u00e2ncias extraordinariamente dif\u00edceis de sua inf\u00e2ncia, o Sr. Draper cultivou uma vida significativa dentro da pris\u00e3o cuidando de animais \u2014 ou, como eles o chamam em San Quentin, &#8220;tomar conta&#8221; de outras formas de vida. Veja como ele descreve isso:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ronell Draper (Rauch):<\/strong>&nbsp;<em>Adoro animais, ent\u00e3o, n\u00e9? Desde que estive na pris\u00e3o, tive vi\u00favas negras, tar\u00e2ntulas, muitos gafanhotos, besouros, cobras, lesmas, grilos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Earlonne Woods:<\/strong>&nbsp;<em>Em San Quentin, os prisioneiros n\u00e3o t\u00eam permiss\u00e3o para ter animais de estima\u00e7\u00e3o, mas alguns s\u00e3o criativos, como Rauch aqui.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Draper (Rauch):<\/strong>&nbsp;<em>Toupeiras, coelhos. Eu tive quatro andorinhas, um sapo, um louva-a-deus, 21 carac\u00f3is, sapo, um passarinho de peito vermelho que quebrou o bra\u00e7o, pombos. Eu tive um ratinho do deserto que estava parcialmente paralisado. Um hamster peludo, pregui\u00e7oso demais e com uma atitude daquelas. Uma centopeia, o bicho era um lobo. Era um monstrinho mesmo. Eu tive dois peixes que tiveram beb\u00eas duas vezes. Uma tar\u00e2ntula minha fugiu uma vez, e meu colega de cela disse: &#8220;A\u00ea, tua aranha saiu&#8221;.<\/em><sup>6<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que podemos aprender com o Sr. Draper, que pode ser considerado um tipo de S\u00e3o Francisco de San Quentin? Aqui est\u00e1 o que ele disse sobre por que faz o que faz:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Cuido dos animais porque eles me ensinam o que n\u00e3o consigo aprender com as pessoas. \u00c9 afei\u00e7\u00e3o ou apre\u00e7o incondicionais.<\/em><sup>7<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A capacidade do Sr. Draper de aprender sobre e sentir o amor incondicional \u00e9 t\u00e3o comovente para mim porque atesta as lindas possibilidades para o esp\u00edrito humano. Ele descobriu como vivenciar o que nunca sentiu de sua fam\u00edlia, mas que cada crian\u00e7a tem direito de sentir. O pr\u00f3prio Jesus Cristo sentiu o amor incondicional de Seu Pai. Logo depois que Cristo foi batizado e antes mesmo de come\u00e7ar Sua vida p\u00fablica realizando milagres, Seu Pai O elogiou, proclamando que Cristo \u00e9 Seu &#8220;Filho amado em quem [Ele Se compraz]&#8221; (Marcos 1:11).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vamos pensar em outra pessoa em San Quentin: Sr. Richard Lathan, um homem que usa um casaco dourado especial. Esse casaco sinaliza aos outros presidi\u00e1rios que ele tem um papel especial como cuidador das pessoas seriamente doentes e que est\u00e3o morrendo em San Quentin. Especificamente, ele limpa as pessoas. Ele cuida de quaisquer problemas e disfun\u00e7\u00f5es que estejam afetando seus corpos. Ele descreveu seu papel e respondeu \u00e0 pergunta de por que ele faz o que faz assim: &#8220;Meu nome \u00e9 Richard Lathan (&#8230;) e o trabalho que fa\u00e7o \u00e9 cuidar das pessoas&#8221;.<sup>8<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Earlonne Woods:<\/strong>&nbsp;<em>Sabe, Nigel, eu perguntei para Richard<\/em> <em>por que ele passa o tempo cuidando dos doentes e dos idosos, porque n\u00e3o pode ser<\/em> [um] <em>trabalho f\u00e1cil.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nigel Poor:<\/strong>&nbsp;<em>Nossa, de jeito nenhum.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Woods:<\/strong>&nbsp;<em>Por que voc\u00ea tomou essa posi\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Richard Lathan:<\/strong>&nbsp;<em>Como eu era membro de uma gangue, agora essa \u00e9 minha chance de dar de volta. \u00c9 assim que fa\u00e7o. Acho que, se eu der de volta para vida, ent\u00e3o minha vida ser\u00e1 dada de volta para mim. H\u00e1 26 anos, eu tirei a vida de outra pessoa e (&#8230;) tentei cometer<\/em> <em>outros <\/em>[dois] <em>homic\u00eddios no processo. Eu era jovem, tinha 21 anos. Voc\u00ea sabe. Vou fazer 49 anos em janeiro. N\u00e3o tenho mais a mesma perspectiva. N\u00e3o tenho as mesmas ideologias. N\u00e3o tenho os mesmos valores, os valores de rua que me foram incutidos. N\u00e3o. Siga isso n\u00e3o. Sabe o que t\u00f4 dizendo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Woods:<\/strong>&nbsp;<em>A idade tamb\u00e9m est\u00e1 chegando para Richard e ele teve seus pr\u00f3prios problemas de sa\u00fade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lathan:<\/strong>&nbsp;<em>Tive uma convuls\u00e3o h\u00e1 algumas semanas, e a \u00fanica coisa que consegui pensar foi em cuidar dos manos. \u00c9 a \u00fanica coisa em que consigo pensar.<\/em><sup>9<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando ou\u00e7o o Sr. Lathan falar sobre sua perspectiva mudada \u2014 seu novo eu \u2014 n\u00e3o consigo deixar de pensar nas palavras ditas por Oliver, um personagem de William Shakespeare em <em>Como gostais<\/em> que havia conspirado para ajudar a acabar com a vida de seu irm\u00e3o mais novo. No entanto, depois de ter uma mudan\u00e7a de cora\u00e7\u00e3o, Oliver afirma quem ele \u00e9 agora, dizendo: &#8220;Fui eu, mas n\u00e3o o sou mais&#8221;.<sup>10<\/sup> Al\u00e9m disso, quando ou\u00e7o o Sr. Lathan dizer que a \u00fanica coisa em que ele conseguia pensar era cuidar de seus manos, mesmo depois de sua pr\u00f3pria convuls\u00e3o, lembro-me das palavras de Cristo em Mateus 16:25: &#8220;Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perd\u00ea-la-\u00e1, e quem perder a sua vida por amor de mim, ach\u00e1-la-\u00e1&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conclusao\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caso estejam se perguntando a que tudo isso leva, deixem-me refazer nossos passos. Eu estive falando sobre meus amigos na Amaz\u00f4nia equatoriana que me inspiraram por sua aten\u00e7\u00e3o \u00e0s maravilhas ao seu redor. O maravilhamento de minha amiga em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e3es dos peixes n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente de meu pr\u00f3prio maravilhamento com a postura protetora de Mia em rela\u00e7\u00e3o a um filhote de ganso ou sobre o amor do Sr. Draper por todas as formas de vida. Os apresentadores do podcast <em>do Ear Hustle<\/em> tamb\u00e9m expressaram fasc\u00ednio e maravilhamento pela dedica\u00e7\u00e3o do Sr. Lathan de servir aos doentes e aos que est\u00e3o morrendo da maneira mais altru\u00edsta poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui est\u00e1 o que eu gostaria de oferecer: Como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos \u00daltimos Dias, temos acesso ilimitado \u00e0 sabedoria, verdade e b\u00ean\u00e7\u00e3os de nossas escrituras, nossas ordenan\u00e7as e nossos conv\u00eanios. Talvez devamos acrescentar uma dose di\u00e1ria de maravilhamento \u00e0s nossas pr\u00e1ticas espirituais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seu discurso na Confer\u00eancia Geral de abril de 2022,&#8221;Maravilhar-se com Cristo e Seu evangelho&#8221;, o \u00c9lder Ulisses Soares pediu que nos concentr\u00e1ssemos na import\u00e2ncia de cultivar sentimentos de maravilhamento ou encanto pelo evangelho e por Jesus Cristo. Ele descreveu o sentimento contagiante de fasc\u00ednio que sentiu ao ouvir um amigo falar sobre como era visitar a Terra Santa e saber que estava andando por onde Jesus j\u00e1 andou. O \u00c9lder Soares declarou que, quando vivemos maravilhando-nos com o evangelho de Jesus Cristo, somos protegidos contra a complac\u00eancia e a apatia espiritual.<sup>11<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 tamb\u00e9m apoio cient\u00edfico para os benef\u00edcios de dar mais espa\u00e7o para o maravilhamento e o fasc\u00ednio em nossa vida. Um artigo recente intitulado &#8220;O maravilhamento e o eu interconectado&#8221; analisa uma variedade de estudos que relatam que o fato de nos permitirmos sentir assombro leva a um maior senso de nossas conex\u00f5es com os outros e com o ambiente que nos cerca. As autoras, Susan K. Chen e Myriam Mongrain descobriram que essas experi\u00eancias tamb\u00e9m podem diminuir o estresse, reduzir o tipo de pensamento autocr\u00edtico que leva \u00e0 depress\u00e3o e inspirar mais humildade, generosidade e toler\u00e2ncia para com a incerteza.<sup>12<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto do \u00c9lder Soares sobre a contagiosidade da admira\u00e7\u00e3o e a pesquisa de Chen e Mongrain sobre o poder do maravilhamento para aliviar a incerteza foram destacados este ver\u00e3o quando levei 14 alunos da BYU ao Equador para um estudo de seis semanas no exterior para estudar o idioma Kichwa. Dois dias depois de chegarmos, uma greve nacional foi anunciada em todo o pa\u00eds, e durou 18 dias. Isso significava que muitas estradas estavam bloqueadas pelos manifestantes, e produtos essenciais como g\u00e1s, alimentos e \u00e1gua engarrafada n\u00e3o podiam circular livremente. Embora sempre tiv\u00e9ssemos comida para comer, vimos uma diminui\u00e7\u00e3o gradual de frutas e legumes frescos. Tivemos que tomar banho frio. Meus alunos n\u00e3o puderam fazer viagens curtas de fim de semana para ver outras partes do Equador. Nos \u00faltimos dias da greve, est\u00e1vamos bebendo \u00e1gua da chuva fervida, e as pessoas generosas e trabalhadoras encarregadas de nos alimentar acabaram tendo que cortar lenha para fazer fogueiras para cozinhar nossa comida. Tudo isso me causou certa ansiedade como diretora cuidando de meus alunos. Quando est\u00e1vamos quase duas semanas na mesma situa\u00e7\u00e3o, questionei cada aluno individualmente sobre como estavam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora todos dissessem que estavam bem, o que realmente me ajudou com minha ansiedade em rela\u00e7\u00e3o ao bem-estar deles foi o modo como muitas vezes expressavam seu maravilhamento pelo nosso redor. J\u00e1 fui ao Equador tantas vezes que esqueci, por exemplo, qu\u00e3o fascinantes s\u00e3o as formigas-cortadeiras. V\u00e1rios alunos ficaram fascinados com as longas colunas de formigas marchando de uma forma incans\u00e1vel. Eles passaram um tempo observando-os em a\u00e7\u00e3o, at\u00e9 notando como alguns pareciam ajudar uns aos outros altruisticamente. Certo dia, um aluno anunciou com muito \u00e2nimo no almo\u00e7o que havia encontrado seu ninho depois de seguir a trilha por certa dist\u00e2ncia. Essa descoberta levou a perguntas para nosso professor de Kichwa sobre por que os ninhos das formigas foram constru\u00eddos t\u00e3o longe de sua fonte de alimento, bem como sobre as pessoas e suas fontes de alimento vindo de lugares distantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O maravilhamento de meus alunos pelos mist\u00e9rios das formigas-cortadeiras e de muitos outros habitantes da mata tropical era contagiante. Muitas vezes eu tamb\u00e9m fui levada pelo maravilhamento deles, e minha ansiedade pelo bem-estar deles diminuiu um pouco. Embora eu estivesse, em princ\u00edpio, cuidando deles, eles tamb\u00e9m estavam, sem perceber, cuidando de mim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sinto-me muito privilegiada por ser uma linguista antropol\u00f3gica porque minha pesquisa sobre l\u00ednguas me d\u00e1 muitas oportunidades de me conectar com pessoas cujas experi\u00eancias parecem bem diferentes das minhas. Tenho procurado comunicar minha pr\u00f3pria emo\u00e7\u00e3o por este evangelho, salientando a import\u00e2ncia do assombro e expressando o maravilhamento que sinto quando percebo que, por mais remotas que sejam as circunst\u00e2ncias, encontro outras pessoas oferecendo compaix\u00e3o, quer o chame de &#8220;cuidar&#8221;, &#8220;tomar conta&#8221;, &#8220;zelar&#8221; ou &#8220;ministrar&#8221;. Deixo-lhes meu testemunho de que o evangelho de Jesus Cristo \u00e9 para todos n\u00f3s, e digo isso com grande humildade em nome de Jesus Cristo. Am\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a9 Brigham Young University. 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