{"id":852,"date":"2024-08-16T06:00:00","date_gmt":"2024-08-16T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/?post_type=speech&#038;p=852"},"modified":"2024-08-16T18:17:40","modified_gmt":"2024-08-16T18:17:40","slug":"o-amor-nao-e-cego","status":"publish","type":"speech","link":"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/talks\/bruce-c-hafen\/o-amor-nao-e-cego\/","title":{"rendered":"O amor n\u00e3o \u00e9 cego: Reflex\u00f5es para os alunos universit\u00e1rios sobre f\u00e9 e ambiguidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><strong><em>Pretendemos modificar a tradu\u00e7\u00e3o se for necess\u00e1rio. Para dar sugest\u00f5es, envie um e-mail para: speeches.por@byu.edu<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Obrigado, Presidente Oaks. \u00c9 bom estar de volta ao campus. Se voc\u00eas perguntassem aos nossos filhos de onde eles s\u00e3o, eles ainda diriam: &#8220;Provo&#8221;. N\u00e3o sei por quanto tempo continuar\u00e3o a dizer isso; esperamos que logo se acostumem com a vida em Rexburg. Provo e Rexburg t\u00eam muito em comum, e n\u00e3o menos importante \u00e9 que nessas duas cidades h\u00e1 duas maravilhosas faculdades. Tem sido uma fonte de grande satisfa\u00e7\u00e3o para mim, perceber o apoio, preocupa\u00e7\u00e3o e carinho que as pessoas da BYU t\u00eam para com a Ricks College. Quero que voc\u00eas, da BYU, saibam que as pessoas da Ricks College prezam seu interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Gostaria tamb\u00e9m de compartilhar com voc\u00eas algo que ouvi recentemente sobre os alunos das faculdades da Igreja, para podermos estar atentos ao que o inimigo est\u00e1 dizendo. Um amigo meu, formado em outra faculdade deste estado, me perguntou recentemente se eu sabia a semelhan\u00e7a entre um galo e uma aluna que vai a uma faculdade da Igreja. Eu disse que n\u00e3o sabia a semelhan\u00e7a, mas que sempre tive essa exata pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele disse: O galo diz &#8220;cocoric\u00f3&#8221; e a aluna diz &#8220;coquecarad\u00e1&#8221; (qualquer cara d\u00e1). Isso obviamente n\u00e3o se aplica a n\u00f3s, exceto na ocasi\u00e3o em que pedi minha esposa em casamento aqui em Provo, h\u00e1 v\u00e1rios anos. Naquela \u00e9poca, pelo menos, fiquei feliz por haver alguma verdade naquela observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O t\u00edtulo do meu discurso hoje, irm\u00e3os e irm\u00e3s, \u00e9 simples, e vai deixar voc\u00eas se perguntando o que quero dizer. Espero que esteja claro quando eu terminar. O t\u00edtulo \u00e9 &#8220;O amor n\u00e3o \u00e9 cego&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu era aluno de direito, minha esposa e eu frequent\u00e1vamos uma ala na qual a maioria dos membros era alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Desenvolvemos amizades pr\u00f3ximas com muitos daqueles que estavam vivenciando, como n\u00f3s, a grande expans\u00e3o de nossa mente ao aprendermos as ferramentas da an\u00e1lise intelectual e a expans\u00e3o de nosso esp\u00edrito ao nos aproximarmos do Senhor por meio de experi\u00eancias como o casamento e o nascimento de nossos primeiros filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Certa manh\u00e3 de domingo, o Qu\u00f3rum de \u00c9lderes de nossa ala fez uma reuni\u00e3o especial de testemunho caracterizada pelo calor espiritual e pela sinceridade pessoal. Durante aquela reuni\u00e3o, um colega da faculdade de direito relatou uma experi\u00eancia de inf\u00e2ncia que ocorreu pouco depois de ele ter sido ordenado di\u00e1cono. Ele morava em uma fazenda e havia recebido a promessa de que um bezerro prestes a nascer seria seu para criar. Numa manh\u00e3 de ver\u00e3o, quando seus pais n\u00e3o estavam presentes, ele estava trabalhando sozinho no celeiro quando a vaca que estava prenha come\u00e7ou a parir prematuramente. Ele testemunhou, com grande assombro, o nascimento do pequeno bezerro, e ent\u00e3o, sem aviso, a m\u00e3e subitamente rolou&nbsp; por cima do bezerro. Ele viu que ela estava tentando mat\u00e1-lo. Em seu cora\u00e7\u00e3o, ele clamou ao Senhor pedindo ajuda. Sem pensar no quanto a vaca pesava mais do que ele, ele a empurrou com toda a sua for\u00e7a e, de alguma forma, a afastou. Ele pegou o corpo sem vida do bezerro nos bra\u00e7os e, de cora\u00e7\u00e3o partido, com l\u00e1grimas escorrendo pelo rosto, olhou para ele, se perguntando o que havia acontecido e o que poderia fazer. Ent\u00e3o ele se lembrou, nos disse, de que agora possu\u00eda o sacerd\u00f3cio e tinha todo o direito de orar pedindo ajuda adicional. E assim ele orou do fundo de seu cora\u00e7\u00e3o crente de crian\u00e7a. Pouco tempo depois, o pequeno animal come\u00e7ou a respirar novamente, e ele sabia que sua ora\u00e7\u00e3o havia sido respondida.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de contar a hist\u00f3ria, seus olhos encheram de l\u00e1grimas e ele nos disse: &#8220;Irm\u00e3os, eu lhes conto essa hist\u00f3ria porque n\u00e3o sei se faria hoje o que fiz naquela \u00e9poca. Acho que talvez eu n\u00e3o esperaria a ajuda do Senhor nesse tipo de situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tenho certeza se acreditaria agora, mesmo que revivesse essa experi\u00eancia, que a sobreviv\u00eancia do bezerro foi algo mais do que uma coincid\u00eancia. N\u00e3o entendo o que aconteceu comigo desde aquele incidente, mas sinto que algo deu um pouco errado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu amigo do Qu\u00f3rum de \u00c9lderes n\u00e3o estava dizendo que havia perdido a f\u00e9 no Senhor; em vez disso, ele estava simplesmente sendo muito honesto conosco, creio eu, ao compartilhar tanto a dimens\u00e3o sofisticada de sua experi\u00eancia, quanto a dimens\u00e3o da f\u00e9 de uma crian\u00e7a. Essa hist\u00f3ria reflete os pensamentos e sentimentos que muitos de n\u00f3s vivenciamos, da nossa pr\u00f3pria maneira, durante os anos da faculdade. Esses pensamentos e sentimentos s\u00e3o uma parte importante do crescimento rumo \u00e0 maturidade espiritual e intelectual, bem como uma parte importante do entendimento tanto dos pontos fortes quanto das limita\u00e7\u00f5es de uma educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de entrar na faculdade, a maioria de n\u00f3s pensa nas coisas, em sua maior parte, em termos de preto e branco \u2014 h\u00e1 pouco cinza na dimens\u00e3o intelectual ou espiritual de nossa perspectiva. Assim, a maioria dos calouros em lugares como a BYU e Ricks tem um maravilhoso otimismo e lealdade como as criancinhas que os tornam mais ensin\u00e1veis e mais agrad\u00e1veis do que qualquer outro grupo de alunos. Estar associado a tantos jovens neste momento de sua vida na Ricks College \u00e9 uma das maiores b\u00ean\u00e7\u00e3os na minha vida. \u00c9 comum que esses jovens adultos confiem em seus professores, acreditem no que lerem e respondam com entusiasmo ilimitado aos convites para servirem na Igreja. Em qual outro lugar, sen\u00e3o em uma ala de estudantes composta principalmente de calouros, que as alas s\u00e3o t\u00e3o grandes onde o bispo se v\u00ea compelido a inventar chamados, voc\u00eas achariam um membro da Igreja t\u00e3o entusiasmado para ser chamado pelo bispo como coordenador dos hin\u00e1rios, ou talvez o especialista de suco de laranja da Sociedade de Socorro nas manh\u00e3s de domingo? Como disse um ex-mission\u00e1rio, uma das melhores coisas em uma ala de estudantes composta principalmente de calouros e alunos do segundo ano da faculdade \u00e9 que, quando um t\u00f3pico como f\u00e9 ou arrependimento \u00e9 debatido, ningu\u00e9m fica com sono.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, com o passar do tempo, novas experi\u00eancias podem apresentar uma nova dimens\u00e3o \u00e0 perspectiva de um aluno. Em geral, eu caracterizaria essa nova dimens\u00e3o como uma crescente conscientiza\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 uma certa disparidade entre o real e o ideal, entre o que \u00e9 e o que deve ser. Para ilustrar, pe\u00e7o que imaginem em sua mente dois c\u00edrculos, um dentro do outro. A linha interior delimita o que \u00e9 o real, ou o que \u00e9; a linha exterior delimita o que \u00e9 o ideal, ou o que deve ser. Estamos \u00e0 borda do limite interior, estendendo a m\u00e3o, tentando nos aproximar dos ideais aos quais nos comprometemos. Tornamo-nos cientes da dist\u00e2ncia entre esses dois limites quando sentimos que algumas coisas em n\u00f3s mesmos ou nas circunst\u00e2ncias que testemunhamos n\u00e3o s\u00e3o o que gostar\u00edamos que fossem. Nesse ponto, algumas frustra\u00e7\u00f5es podem surgir. Deixem-me dar algumas ilustra\u00e7\u00f5es do que quero dizer.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudantes em uma grande faculdade da Igreja podem sofrer desilus\u00e3o quando perderem alguma grande batalha com a gigantesca m\u00e1quina burocr\u00e1tica, ou quando permanecerem desconhecidos e sem nome para o bispo de sua ala de estudantes por semanas ou at\u00e9 mesmo meses, ou quando se depararem com um professor cuja fidelidade \u00e0 Igreja lhes parece duvidosa. A um n\u00edvel mais pessoal e espiritual, talvez uma ora\u00e7\u00e3o importante fique muito tempo sem resposta, ou eles sofram algum infort\u00fanio devastador com as notas, sa\u00fade ou perspectivas de casamento, e talvez os c\u00e9us pare\u00e7am fechados em um momento de grande necessidade. Eles tamb\u00e9m podem tornar-se cada vez mais conscientes das imperfei\u00e7\u00f5es de outras pessoas, inclusive dos pais, de outros membros da Igreja ou at\u00e9 mesmo de um bispo ou presidente de estaca. Como dizem os historiadores, quando nos familiarizamos mais com aqueles que foram nossos her\u00f3is, podemos come\u00e7ar a ver suas limita\u00e7\u00f5es humanas. Os alunos tamb\u00e9m podem come\u00e7ar a enfrentar quest\u00f5es pol\u00eamicas como o papel das mulheres na Igreja e opini\u00f5es pol\u00edticas diferentes entre os membros da Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 incomum que os mission\u00e1rios tamb\u00e9m se deparem com essa disparidade entre o real e o ideal, talvez porque os novos mission\u00e1rios geralmente assumem compromissos mais idealistas do que jamais assumiram antes. E, no entanto, apesar de seus esfor\u00e7os mais valentes, eles podem se encontrar mais de uma vez lutando para conter as l\u00e1grimas de decep\u00e7\u00e3o quando os frutos prometidos de uma atitude mental positiva de alguma forma os escapam. H\u00e1 uma esp\u00e9cie de frustra\u00e7\u00e3o naqueles momentos em que descobrimos pela primeira vez que pode haver algumas limita\u00e7\u00f5es na ideia de que conseguimos fazer qualquer coisa que decidirmos fazer. Certa vez, dediquei-me totalmente a essa expectativa, determinado a ser o melhor arremessador de peso da hist\u00f3ria de minha escola do Ensino M\u00e9dio. Mas eu simplesmente n\u00e3o era grande o suficiente \u2014 realmente era uma causa perdida.<\/p>\n\n\n\n<p>Experi\u00eancias como essas podem produzir confus\u00e3o e incerteza \u2014 em outras palavras, ambiguidade \u2014 e podemos sentir saudades de momentos mais simples e mais f\u00e1ceis em que as coisas pareciam n\u00e3o apenas mais claras, como tamb\u00e9m mais sob nosso controle. Essas experi\u00eancias podem provocar o in\u00edcio do ceticismo, da cr\u00edtica, da falta de vontade de responder \u00e0 autoridade ou aos convites para buscar ideais que agora parecem realmente inating\u00edveis. Nem todos v\u00e3o se deparar com o que estou descrevendo, e n\u00e3o quero sugerir que todos <em>ir\u00e3o <\/em>vivenciar<em> <\/em>essas experi\u00eancias. Mas \u00e9 mais prov\u00e1vel que os alunos da faculdade se deparem com &#8220;ambiguidade&#8221; do que quase qualquer outro grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ensinamentos fundamentais do evangelho restaurado s\u00e3o fortes, claros e sem ambiguidades; mas \u00e9 poss\u00edvel, ocasionalmente, encontrar alguma ambiguidade mesmo no estudo das escrituras. Considerem, por exemplo, o caso \u2014 conhecido por todos n\u00f3s \u2014 de N\u00e9fi, que matou Lab\u00e3o para obter o registro das escrituras (ver 1 N\u00e9fi 4:5\u201318). Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 livre da ambiguidade at\u00e9 que o leitor perceba que o pr\u00f3prio Deus, que deu o mandamento &#8220;N\u00e3o matar\u00e1s&#8221; (\u00caxodo 20:13), tamb\u00e9m foi o autor das instru\u00e7\u00f5es dadas a N\u00e9fi naquele caso excepcional.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensem tamb\u00e9m no caso de Pedro na noite em que ele negou qualquer conhecimento de seu Mestre tr\u00eas vezes seguidas (ver Mateus 26; Marcos 14; Lucas 22; Jo\u00e3o 18). Geralmente vemos Pedro como um covarde cujo compromisso n\u00e3o era forte o suficiente para que ele se levantasse \u00e0 defesa do Salvador, mas certa vez ouvi o Presidente Spencer W. Kimball oferecer<a href=\"https:\/\/speeches.byu.edu\/talks\/spencer-w-kimball\/peter-brother\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\"> uma interpreta\u00e7\u00e3o alternativa da situa\u00e7\u00e3o de Pedro<\/a> (ver tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/rsc.byu.edu\/ministry-peter-chief-apostle\/appendix-peter-my-brother\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Peter, My Brother | Religious Studies Center [byu.edu]<\/a>). Em um discurso neste campus em 1971, o Presidente Kimball, que na \u00e9poca era membro do Qu\u00f3rum dos Doze, disse que a declara\u00e7\u00e3o do Salvador de que Pedro o negaria tr\u00eas vezes antes que o galo cantasse poderia ter sido um pedido a Pedro, e n\u00e3o uma previs\u00e3o. Jesus poderia ter instru\u00eddo seu ap\u00f3stolo principal a negar qualquer rela\u00e7\u00e3o com ele a fim de garantir uma lideran\u00e7a forte para a Igreja ap\u00f3s a Crucifica\u00e7\u00e3o. Perguntou o Presidente Kimball, quem pode duvidar da ousadia e disposi\u00e7\u00e3o de Pedro de se levantar e ser reconhecido quando ele cortou a orelha do guarda no jardim do Gets\u00eamani? O Presidente Kimball n\u00e3o ofereceu essa vis\u00e3o como a \u00fanica interpreta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, mas ressaltou que h\u00e1 justificativa suficiente para que ela seja considerada. Ent\u00e3o, qual \u00e9 a resposta: Pedro era um fraco, ou foi ele t\u00e3o crucial para a sobreviv\u00eancia da Igreja que foi proibido de arriscar sua vida? N\u00e3o temos certeza. Esse \u00e9 um incidente das escrituras em que h\u00e1 alguma ambiguidade que inibe nosso entendimento total.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos comparar algumas outras passagens das escrituras. O Senhor disse que n\u00e3o pode encarar o pecado com o m\u00ednimo grau de toler\u00e2ncia (D&amp;C 1:31), mas em outros lugares disse \u00e0 ad\u00faltera: &#8220;Onde est\u00e3o (&#8230;) teus acusadores? (&#8230;) Nem eu tamb\u00e9m te condeno; vai-te, e n\u00e3o peques mais&#8221; (Jo\u00e3o 8:10, 11). Existe de fato o princ\u00edpio de justi\u00e7a, mas tamb\u00e9m existe o princ\u00edpio de miseric\u00f3rdia. \u00c0s vezes, esses dois princ\u00edpios corretos colidem um com o outro enquanto o princ\u00edpio superior unificador da Expia\u00e7\u00e3o se torna eficaz. Embora Deus tenha nos dado princ\u00edpios corretos pelos quais devemos nos governar, nem sempre \u00e9 f\u00e1cil aplic\u00e1-los a situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas em nossas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfrentamos exemplos concretos desse processo todos os dias, ao tentarmos cumprir nossos deveres com quest\u00f5es da fam\u00edlia, da Igreja, da comunidade e da carreira. Uma jovem m\u00e3e que mora nesta vizinhan\u00e7a e que tem v\u00e1rios filhos, um chamado importante na Igreja e um marido ocupado e fiel, expressou sua consterna\u00e7\u00e3o ao tentar decidir o que deveria vir em primeiro lugar em sua vida e quando. Disseram para ela: &#8220;Bem, certifique-se de colocar a obra do Senhor em primeiro lugar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua resposta: &#8220;Mas e se tudo for a obra do Senhor?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, minha esposa e eu muitas vezes nos perguntamos como devemos lidar com nossos filhos em um dos quatro mil incidentes n\u00e3o previstos por nenhum dos livros sobre cria\u00e7\u00e3o de filhos. \u00c0s vezes, um de n\u00f3s tem um sentimento claro sobre o que deve ser feito, mas muitas vezes eu me pego simplesmente lhe dizendo, com grande convic\u00e7\u00e3o e total confian\u00e7a nela: &#8220;Bem, minha querida, certifique-se de fazer a coisa certa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A igreja e a vida familiar n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas \u00e1reas em que a resposta certa nem sempre est\u00e1 na ponta da l\u00edngua. Se voc\u00eas expandissem seus pensamentos \u00e0s implica\u00e7\u00f5es da ambiguidade, talvez iriam reconsiderar suas opini\u00f5es acerca da Guerra do Vietn\u00e3. Ser\u00e1 que nossa na\u00e7\u00e3o deveria ter tentado fazer mais do que fez, ou menos do que fez? Ou talvez voc\u00eas possam pensar se devemos vender tudo o que temos e doar o dinheiro para os milh\u00f5es de pessoas que est\u00e3o passando fome. Voc\u00eas tamb\u00e9m podem ponderar o quanto o governo deve intervir nos neg\u00f3cios e na vida privada. As pessoas nos lados extremos dessas quest\u00f5es transmitem grande certeza sobre o que deve ser feito. Entretanto, acho que algumas dessas pessoas est\u00e3o mais interessadas em ter certeza do que em ter raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando a mais um campo f\u00e9rtil para ilustrar a naturalidade da ambiguidade, lembro-me da declara\u00e7\u00e3o de Arthur King de que a maioria das obras liter\u00e1rias realmente grandiosas levanta alguma pergunta profunda sobre um problema humano, explora a pergunta com habilidade e profundidade e, em seguida, deixa a pergunta para o leitor resolver. Ele acrescentou que, se a resolu\u00e7\u00e3o parecer muito clara e muito f\u00e1cil de entender, ou a literatura n\u00e3o \u00e9 muito boa, ou o leitor n\u00e3o entendeu o ponto. Vejam, por exemplo, o romance <em>O Idiota<\/em>, de Dostoi\u00e9vski, que levanta seriamente a quest\u00e3o de saber se \u00e9 poss\u00edvel para um verdadeiro crist\u00e3o amar sem ego\u00edsmo. O personagem principal da hist\u00f3ria \u00e9 uma pessoa pura e boa que ama duas mulheres diferentes de duas maneiras diferentes. Uma, ele a ama como a maioria dos homens ama as mulheres \u2014 ela cuida dele, ela o ajuda, ele se sente atra\u00eddo por ela romanticamente e ela poderia tornar sua vida muito feliz. A outra mulher, uma pessoa pateticamente inadequada, ele a ama principalmente porque ela precisa dele desesperadamente e porque ele tem um cora\u00e7\u00e3o compassivo. Ao apresentar o dilema de qual das duas mulheres o homem deve escolher para ser sua esposa, Dostoi\u00e9vski parece perguntar se \u00e9 poss\u00edvel que os homens mortais sejam honestamente dedicados aos ideais altru\u00edstas do cristianismo. Como era de se esperar, ele deixa a grande pergunta sem solu\u00e7\u00e3o, for\u00e7ando o leitor a ponderar por si.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentei intencionalmente sugerir uma ampla variedade de casos em que as respostas que buscamos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o rapidamente aparentes quanto poder\u00edamos esperar. Minha sugest\u00e3o \u00e9 que a incerteza \u00e9 caracter\u00edstica da experi\u00eancia mortal. A n\u00e9voa de escurid\u00e3o do sonho de Le\u00ed \u00e9, por essa mesma raz\u00e3o, uma representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da vida que enfrentamos neste planeta. \u00c9 claro que muitas coisas s\u00e3o muito certas e muito \u00f3bvias, como \u00e9 t\u00e3o bem representado pela barra de ferro no sonho de Le\u00ed; mas, especialmente para aqueles que buscam uma educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, h\u00e1 complexidade suficiente para tornar o t\u00f3pico da ambiguidade digno de discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando, portanto, a exist\u00eancia de uma disparidade para a maioria de n\u00f3s entre onde estamos e onde gostar\u00edamos de estar, e considerando que teremos pelo menos algumas experi\u00eancias que nos far\u00e3o pensar: o que devemos fazer? Creio que h\u00e1 tr\u00eas n\u00edveis diferentes de lidar com a ambiguidade. Pode haver mais, mas gostaria de falar apenas de tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>No n\u00edvel um, h\u00e1 duas atitudes t\u00edpicas. Uma delas \u00e9 que simplesmente n\u00e3o vemos \u2014 talvez sejamos incapazes de ver \u2014 os problemas que existem. Algumas pessoas parecem filtrar, quase conscientemente, qualquer percep\u00e7\u00e3o de uma disparidade entre o real e o ideal. Os que est\u00e3o nessa categoria s\u00e3o aqueles para quem o evangelho, em sua melhor forma, \u00e9 um aperto de m\u00e3o firme, uma sauda\u00e7\u00e3o entusiasmada e um broche com carinha sorridente no peito. A miss\u00e3o deles foi a melhor, a ala de estudantes \u00e9 a melhor, e cada novo dia ser\u00e1 provavelmente o melhor dia que j\u00e1 tiveram. Essas pessoas alegres s\u00e3o felizes, espont\u00e2neas e otimistas, e eles sempre conseguem ficar de bem com a vida. Eles s\u00e3o capazes de enfrentar muitas tempestades que pareceriam formid\u00e1veis para pessoas mais pessimistas, embora seja de se perguntar se o motivo \u00e9 que, de alguma forma, eles n\u00e3o ouviram que uma tempestade estava acontecendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um segundo grupo no n\u00edvel um tem um problema bem diferente com a disparidade entre o que \u00e9 e o que deveria ser. Aqueles nesta categoria decidem apagar o c\u00edrculo interno da realidade para eliminar a frustra\u00e7\u00e3o criada ao sentirem uma dist\u00e2ncia entre o real e o ideal em seu mundo. Eles se apegam ao ideal t\u00e3o fixamente que s\u00e3o capazes de evitar sentir a dor que adviria de enfrentar a verdade sobre si mesmos, sobre outras pessoas ou sobre o mundo ao seu redor. Suponho que \u00e9 essa categoria que, \u00e0s vezes, \u00e9 representada nas cartas ao editor dos jornais da BYU e da Ricks, nas quais se expressa um choque t\u00e3o grande pelo fato de alguma pessoa ou parte da institui\u00e7\u00e3o ter ficado aqu\u00e9m da perfei\u00e7\u00e3o, deixando o escritor at\u00f4nito \u2014 &#8220;certamente n\u00e3o na universidade do Senhor&#8221;. Um dos problemas vivenciados pelos que est\u00e3o nesse grupo \u00e9 que eles parecem incapazes de distinguir entre imperfei\u00e7\u00f5es que importam muito e as que talvez n\u00e3o importem tanto. Acho que Hugh Nibley estava pensando nessas pessoas quando falou daqueles que acham que \u00e9 mais louv\u00e1vel levantar-se \u00e0s 5 horas da manh\u00e3 para escrever um livro ruim do que acordar \u00e0s 9 horas da manh\u00e3 para escrever um livro bom. \u00c9 \u00f3bvio para o Irm\u00e3o Nibley que a hora exata em que nos levantamos n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante quanto o que fazemos ap\u00f3s acordados.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro-me de ouvir um grupo de alunos discutindo qual dos dois tipos de pessoas que acabei de descrever oferecia o modelo mais adequado para sua emula\u00e7\u00e3o. Eles sentiram que tinham de escolher entre ser relaxados, felizes e despreocupados com o evangelho ou ser intensamente perfeccionistas. Depois de ouvir o debate, senti que ambos os tipos sofrem da mesma limita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma grande escolha optar entre uma preocupa\u00e7\u00e3o fren\u00e9tica com a perfei\u00e7\u00e3o e uma felicidade superficial for\u00e7ada. Ambas as perspectivas carecem de profundidade, e seus proponentes entendem as coisas muito rapidamente e tiram conclus\u00f5es de suas experi\u00eancias com muita facilidade. Nenhum dos dois tipos est\u00e1 muito bem preparado para enfrentar a adversidade, e temo que o primeiro vento forte que vier, v\u00e1 derrub\u00e1-los. Isso, creio eu, \u00e9 principalmente porque suas ra\u00edzes n\u00e3o penetraram profundamente no solo da experi\u00eancia para estabelecer um firme alicerce. Ambos tamb\u00e9m refletem a fragilidade da filosofia n\u00e3o temperada pelo senso comum. Em ambos os casos, seria \u00fatil simplesmente ser mais realista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s experi\u00eancias da vida, mesmo que isso signifique enfrentar algumas perguntas e limita\u00e7\u00f5es que deixam as pessoas um pouco desconfort\u00e1veis. Esse desconforto pode ser uma motiva\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao crescimento real. Como algu\u00e9m disse, a Igreja verdadeira tem como objetivo n\u00e3o apenas consolar os aflitos, mas incomodar os acomodados.<\/p>\n\n\n\n<p>Convido-os, ent\u00e3o, a subir para o n\u00edvel dois, onde ver\u00e3o as coisas como elas s\u00e3o, pois s\u00f3 assim poder\u00e3o lidar com elas de forma significativa e construtiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o estivermos dispostos a enfrentar a frustra\u00e7\u00e3o que adv\u00e9m de encarar honesta e corajosamente as incertezas que encontramos, talvez nunca desenvolvamos o tipo de maturidade espiritual necess\u00e1ria para nossa prepara\u00e7\u00e3o final. Foi Heber C. Kimball que disse certa vez que a Igreja tem muitos lugares estreitos pelos quais ela ainda precisa passar e que aqueles que vivem com luz emprestada n\u00e3o poder\u00e3o ficar de p\u00e9 quando esses dias chegarem. Portanto, precisamos desenvolver a capacidade de formar nossos pr\u00f3prios julgamentos sobre o valor de ideias, oportunidades ou pessoas que possam surgir em nossas vidas. Nem sempre teremos a seguran\u00e7a de saber se uma determinada ideia \u00e9 &#8220;aprovada pela Igreja&#8221;, porque novas ideias nem sempre v\u00eam com pequenas etiquetas anexadas dizendo que a Igreja deu o selo de aprova\u00e7\u00e3o. Seja na forma de m\u00fasica, livros, amigos ou oportunidades de servir, h\u00e1 muito que \u00e9 &#8220;am\u00e1vel, de boa fama [e] louv\u00e1vel&#8221; (Regra de F\u00e9 13) que n\u00e3o \u00e9 assunto de debate detalhado nos manuais ou cursos da Igreja. Acredito que aqueles que n\u00e3o se arriscarem a se expor a experi\u00eancias de vida que n\u00e3o estejam obviamente relacionadas a algum trabalho ou programa bem conhecido da Igreja ter\u00e3o uma vida menos abundante e significativa do que o Senhor pretende. Precisamos desenvolver suficiente independ\u00eancia de julgamento e maturidade de perspectiva para que estejamos preparados para lidar com a f\u00faria dos ventos da adversidade e contradi\u00e7\u00e3o que certamente surgir\u00e3o em nossa vida. Quando esses tempos chegarem, n\u00e3o poderemos estar vivendo com luz emprestada. N\u00e3o devemos nos deixar enganar pelos r\u00f3tulos bem definidos que alguns podem usar para descrever circunst\u00e2ncias que, na verdade, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o claras. Nossos encontros com a realidade e a decep\u00e7\u00e3o s\u00e3o, de fato, est\u00e1gios vitais no desenvolvimento de nossa maturidade e compreens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do valor desse tipo de conscientiza\u00e7\u00e3o de n\u00edvel dois sobre o qual tenho falado, ainda h\u00e1 alguns perigos a considerar. Aceitar a n\u00e9voa de incerteza pode ser feita de modo t\u00e3o completo que a barra de ferro desaparece na n\u00e9voa e o ceticismo se torna uma filosofia orientadora. Frequentemente, essa perspectiva adv\u00e9m de apagar o c\u00edrculo <em>externo<\/em> que representa o ideal, ou o que deve ser, e concentrar-se excessivamente no c\u00edrculo interior da realidade. Quando eu era professor na Faculdade de Direito da BYU, percebi como era comum nossos alunos do primeiro ano sentirem grande frustra\u00e7\u00e3o ao descobrirem o quanto nosso sistema jur\u00eddico \u00e9 caracterizado n\u00e3o por regras r\u00edgidas e definitivas, mas por princ\u00edpios jur\u00eddicos que muitas vezes parecem se contradizer.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, me lembro de um aluno do primeiro ano que veio conversar comigo depois de uma aula no in\u00edcio do semestre para expressar a confus\u00e3o que ele estava encontrando em seu estudo de direito. Ele disse que tinha o que chamava de &#8220;baixa toler\u00e2ncia \u00e0 ambiguidade&#8221; e que estava se perguntando se parte do seu problema era o fato de ter retornado da miss\u00e3o h\u00e1 apenas algumas semanas, e l\u00e1 tudo era n\u00edtido e claro e onde at\u00e9 mesmo as palavras que ele deveria falar eram fornecidas para ele. Para ter sucesso, ele s\u00f3 tinha que seguir o plano passo a passo que lhe foi dado para cada dia e cada tarefa na miss\u00e3o. A faculdade de direito estava fazendo com que ele se sentisse totalmente \u00e0 deriva, e ele procurava desesperadamente diretrizes simples que lhe dissessem o que fazer. Sua situa\u00e7\u00e3o foi apenas outro exemplo do que tentei descrever anteriormente como t\u00edpico dos universit\u00e1rios no in\u00edcio de sua experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, quando nossos alunos de direito chegavam ao terceiro ano de estudo, n\u00e3o era incomum que eles desenvolvessem uma toler\u00e2ncia t\u00e3o alta para com a ambiguidade que se tornavam c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o a tudo, inclusive algumas dimens\u00f5es de sua f\u00e9 religiosa. Enquanto antes eles sentiam que tinham todas as respostas, mas simplesmente n\u00e3o sabiam quais eram as perguntas, agora pareciam ter todas as perguntas, mas poucas respostas. Tive vontade de dizer ao nosso aluno do terceiro ano de direito que aqueles que se deleitam demasiadamente com suas ferramentas finamente aperfei\u00e7oadas de ceticismo e an\u00e1lise imparcial limitar\u00e3o sua efetividade na Igreja e em outros lugares, porque se tornar\u00e3o contenciosos, indiferentes, arrogantes e relutantes a se envolver e se comprometer.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 vi algumas dessas pessoas experimentarem suas novas ferramentas intelectuais no contexto de um qu\u00f3rum do sacerd\u00f3cio ou uma classe da Escola Dominical. Um professor bem-intencionado faz uma observa\u00e7\u00e3o que eles consideram um pouco rid\u00edcula, e eles sentem uma vontade irresist\u00edvel de se levantar e jogar um balde de \u00e1gua fria no professor. Se eles conseguirem, eles come\u00e7ar\u00e3o a procurar outras oportunidades para apontar a exce\u00e7\u00e3o de qualquer regra que algu\u00e9m possa afirmar. Eles come\u00e7ar\u00e3o a se deleitar com a inquiri\u00e7\u00e3o, apenas procurando os incautos por a\u00ed para jogar \u00e1gua fria neles. E em tudo isso, eles deixam de perceber que, quando as pessoas ficam molhadas e com frio, o ressentimento vem; e assim se vai grande parte do sentimento de confian\u00e7a, lealdade, harmonia e sinceridade que s\u00e3o t\u00e3o essenciais para preservar o Esp\u00edrito do Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Se isso come\u00e7ar a acontecer em sua ala, em sua casa ou em seu casamento, voc\u00ea pode ter come\u00e7ado a destruir a delicada confian\u00e7a que nos une em todos os relacionamentos pr\u00f3ximos. Os membros de sua ala podem se perguntar, depois de algumas conversas com voc\u00ea, como \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea tenha um compromisso profundo com a Igreja, e ainda assim fa\u00e7a certas coisas que faz?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estou sugerindo que devamos sempre apenas sorrir e aprovar tudo, dando a entender que tudo est\u00e1 maravilhoso e que nossa maior esperan\u00e7a \u00e9 que todos tenham um bom dia. Esse \u00e9 o n\u00edvel um. Estou sugerindo que voc\u00eas percebam o potencial para o mal, assim como para o bem, que pode surgir com o que uma educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria pode fazer com sua mente e sua maneira de lidar com outras pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os perigos dos quais falo n\u00e3o se limitam a nosso relacionamento com outras pessoas. Eles podem se tornar muito pessoais, penetrando em nosso cora\u00e7\u00e3o de maneira prejudicial. A capacidade de reconhecer a ambiguidade n\u00e3o \u00e9 o \u00e1pice do aperfei\u00e7oamento. Tendo admitido a disposi\u00e7\u00e3o de adiar temporariamente o julgamento de perguntas que parecem dif\u00edceis de responder, tendo desenvolvido maior toler\u00e2ncia e mais paci\u00eancia, nossa atitude b\u00e1sica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja pode, se n\u00e3o tivermos cuidado, mudar gradualmente de estarmos comprometidos para n\u00e3o comprometidos. Essa atitude n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel. De fato, em muitos aspectos, um membro da Igreja que passa de um n\u00edvel de compromisso para um n\u00edvel de relut\u00e2ncia e falta de compromisso est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o pior do que aquele que nunca experimentou um compromisso b\u00e1sico. A pessoa que anteriormente estava comprometida e desenvolveu uma alta toler\u00e2ncia para com a ambiguidade pode facilmente presumir que j\u00e1 passou pela rotina de &#8220;atitude positiva&#8221; e &#8220;agora sabe mais&#8221; ao julgar as coisas. Ela pode presumir que ser submisso, manso, obediente e humilde s\u00e3o assuntos com os quais j\u00e1 est\u00e1 familiarizada, e que finalmente superou a necessidade de se esfor\u00e7ar muito para ser assim novamente. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, essas s\u00e3o as presun\u00e7\u00f5es de um cora\u00e7\u00e3o endurecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Certa vez, tive uma experi\u00eancia que me ensinou uma grande li\u00e7\u00e3o sobre a maneira pela qual uma toler\u00e2ncia altamente desenvolvida para &#8220;ser realista&#8221; pode inibir o trabalho do Esp\u00edrito em nossa vida. Quando eu estava em minha miss\u00e3o na Alemanha, com cerca de um ano no campo, fui designado para trabalhar com um mission\u00e1rio novo chamado \u00c9lder Keeler, que tinha acabado de chegar do avi\u00e3o, achando que havia convertido todas as aeromo\u00e7as no voo de Nova Iorque para Frankfurt. Poucos dias depois de sua chegada, fui chamado para uma reuni\u00e3o em outra cidade e tive que deix\u00e1-lo trabalhando em nossa cidade com outro mission\u00e1rio inexperiente, cujo companheiro tinha ido comigo. Voltei tarde da noite.<\/p>\n\n\n\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, perguntei-lhe como tinha sido seu dia. Ele abriu um grande sorriso e disse que havia encontrado uma fam\u00edlia que certamente se filiaria \u00e0 Igreja. Em nossa miss\u00e3o, j\u00e1 era raro ver uma pessoa sequer se filiar \u00e0 Igreja, e era ainda mais raro uma fam\u00edlia inteira. Pedi mais detalhes, mas ele havia se esquecido de escrever o nome ou o endere\u00e7o. Tudo o que conseguia lembrar era que a fam\u00edlia morava no \u00faltimo andar de um grande bloco de apartamentos. &#8220;Ah, que \u00f3timo&#8221;, pensei sozinho ao contemplar toda aquela escadaria. Ele tamb\u00e9m explicou que sua habilidade no alem\u00e3o era t\u00e3o fraca que falou s\u00f3 um pouco com a mulher que atendeu a porta. Mas ele achou que ela queria que volt\u00e1ssemos \u2014 e ele queria que f\u00f4ssemos procur\u00e1-la e que eu falasse com ela naquele exato momento. Expliquei para ele que s\u00f3 por uma pessoa n\u00e3o ter batido a porta na cara dos mission\u00e1rios, n\u00e3o significa que ela planeje se filiar \u00e0 Igreja. Mas l\u00e1 fomos n\u00f3s procur\u00e1-la, principalmente para agrad\u00e1-lo. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o se lembrava da rua certa, ent\u00e3o escolhemos um local prov\u00e1vel em nossa \u00e1rea de proselitismo e come\u00e7amos a subir e descer aquela escadaria polida intermin\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de uma hora frustrante, decidi que realmente precisava ser sincero com ele. &#8220;Com base em meus muitos meses de experi\u00eancia&#8221;, eu disse, &#8220;simplesmente n\u00e3o vale a pena continuarmos tentando encontrar essa mulher. Desenvolvi toler\u00e2ncia para com as realidades do trabalho mission\u00e1rio e simplesmente sei mais sobre tudo isso do que voc\u00ea&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Seus olhos se encheram de l\u00e1grimas e seu l\u00e1bio inferior come\u00e7ou a tremer. (Aquele \u00e9lder n\u00e3o era burro \u2014 ele tinha recentemente se formado na Escola de Direito Boalt, em Berkeley). Lembro-me muito bem \u2014 ele me disse com aqueles olhos cheios de l\u00e1grimas: &#8220;\u00c9lder Hafen, vim para a miss\u00e3o para encontrar os sinceros de cora\u00e7\u00e3o. O Esp\u00edrito me disse que essa mulher vai se filiar \u00e0 Igreja, e voc\u00ea n\u00e3o pode me impedir de encontr\u00e1-la&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Decidi que tinha que lhe dar uma li\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, fiz com que ele corresse uma escadaria ap\u00f3s a outra, at\u00e9 que ele estivesse pronto para desistir, e eu tamb\u00e9m. &#8220;\u00c9lder Keeler&#8221;, perguntei, &#8220;j\u00e1 cansou?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o&#8221;, ele disse. &#8220;Temos que encontr\u00e1-la.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Comecei a perder a paci\u00eancia. Decidi faz\u00ea-lo trabalhar at\u00e9 que ele implorasse para que eu parasse \u2014 ent\u00e3o talvez ele entendesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, no fim de uma longa escadaria, encontramos o apartamento. A mulher veio at\u00e9 a porta. Ele bateu em minhas costelas com o cotovelo e sussurrou em voz alta: &#8220;\u00c9 ela, \u00c9lder. \u00c9 aqui. Fala com ela&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pouco tempo, irm\u00e3os e irm\u00e3s, em uma vizinhan\u00e7a a alguns quarteir\u00f5es daqui, o marido dessa mulher se sentou em nossa sala de estar. Ele estava aqui para a confer\u00eancia geral porque \u00e9 o bispo da Ala Mannheim. Seus dois filhos est\u00e3o se preparando para a miss\u00e3o; sua mulher e suas filhas s\u00e3o pilares da Igreja. Essa \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o que nunca esquecerei sobre as limita\u00e7\u00f5es do ceticismo e a toler\u00e2ncia \u00e0 ambiguidade que v\u00eam com o aprendizado e a experi\u00eancia. Espero nunca estar t\u00e3o ciente da &#8220;realidade&#8221; que n\u00e3o esteja atento aos sussurros do c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece-me que a resposta mais produtiva \u00e0 ambiguidade, ent\u00e3o, est\u00e1 no n\u00edvel tr\u00eas, em que n\u00e3o apenas vemos as coisas com os olhos bem abertos, mas tamb\u00e9m com nossos cora\u00e7\u00f5es abertos. Quando fizermos isso, haver\u00e1 muitas ocasi\u00f5es em que seremos chamados a fazer algo quando acharmos que precisaremos de mais evid\u00eancias antes de saber exatamente o que fazer. Essas ocasi\u00f5es podem variar desde seguir o conselho das Autoridades Gerais sobre o controle de natalidade at\u00e9 aceitar uma designa\u00e7\u00e3o de mestre familiar. (Nota do tradutor: As diretrizes atuais da Igreja com respeito ao controle de natalidade podem se encontrar no <a href=\"https:\/\/www.churchofjesuschrist.org\/study\/manual\/general-handbook\/38-church-policies-and-guidelines?lang=por&amp;id=title108#title108\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Manual Geral<\/a>). Com base na minha experi\u00eancia, acredito que \u00e9 sempre melhor dar ao Senhor e \u00e0 Sua Igreja o benef\u00edcio da d\u00favida quando algum caso parecer inconclusivo. Ressalto que a disposi\u00e7\u00e3o de acreditar e aceitar nesses casos \u00e9 muito diferente da obedi\u00eancia cega. \u00c9, em vez disso, um tipo de obedi\u00eancia amorosa e consciente.<\/p>\n\n\n\n<p>O escritor ingl\u00eas G. K. Chesterton certa vez abordou perguntas semelhantes \u00e0s que propus hoje. Ele fez uma distin\u00e7\u00e3o entre &#8220;otimistas&#8221;, &#8220;pessimistas&#8221; e &#8220;melhoradores&#8221;, como ele os chamou, que correspondem aproximadamente aos meus tr\u00eas n\u00edveis de lidar com a ambiguidade. Ele concluiu que tanto os otimistas quanto os pessimistas olham demasiadamente para apenas um lado das coisas e observou que nenhum deles pode realmente ajudar na melhoria da condi\u00e7\u00e3o humana, porque as pessoas n\u00e3o podem resolver problemas a menos que estejam dispostas tanto a reconhecer que existe um problema como a conservar suficiente lealdade genu\u00edna para fazer algo a respeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais especificamente, Chesterton escreveu que o mal do otimista excessivo (n\u00edvel um) \u00e9 que ele&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>ir\u00e1 defender o indefens\u00e1vel. Ele \u00e9 o ufanista do universo; dir\u00e1: &#8220;O meu cosmos, certo ou errado&#8221;. Ser\u00e1 menos inclinado \u00e0 reforma das coisas e mais ao tipo de resposta oficial de gabinete: em todos os ataques e perigos quer acalmar a multid\u00e3o com falsas garantias. N\u00e3o limpar\u00e1 o mundo, mas encobrir\u00e1 os seus erros.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o mal do pessimista (n\u00edvel dois), escreveu Chesterton, n\u00e3o \u00e9<\/p>\n\n\n\n<p><em>castigar os deuses e os homens, mas em n\u00e3o amar o que castiga (&#8230;). <\/em>Ouso dizer que o mau no amigo sincero \u00e9 simplesmente n\u00e3o ser sincero. Ele esconde algo: seu pr\u00f3prio prazer sombrio em dizer coisas desagrad\u00e1veis. Tem um desejo secreto de ferir e n\u00e3o de ajudar.. (&#8230;) <em>Ao inv\u00e9s de usar as terr\u00edveis informa\u00e7\u00f5es que lhe foram dadas para fortalecer o ex\u00e9rcito, usa-as para desencorajar o alistamento.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ao descrever os &#8220;melhoradores&#8221; (n\u00edvel tr\u00eas), Chesterton se refere \u00e0s mulheres, que tendem a ser muito leais \u00e0queles que precisam delas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>[Certas pessoas est\u00fapidas] espalharam a ideia de que o apoio incondicional da mulher ao marido significa que as mulheres s\u00e3o cegas e nada enxergam. [Essas pessoas] dificilmente conheceram alguma mulher. As mesmas mulheres que est\u00e3o prontas para defender seus homens na alegria e na tristeza, s\u00e3o (&#8230;) quase morbidamente l\u00facidas<\/em> <em>a respeito da vacuidade de suas desculpas e a dureza de suas cabe\u00e7as. (<\/em>&#8230;)&nbsp;<em>O amor n\u00e3o \u00e9 cego; esta \u00e9 a \u00faltima coisa que ele \u00e9. O amor \u00e9 obrigado; e quanto mais obrigado, menos cego \u00e9 <\/em>[G. K. Chesterton, Orthodoxy, London, UK: The Bodley Head, 1908 <a href=\"https:\/\/pt.scribd.com\/document\/686820006\/Ortodoxia-Gilbert-Keith-Chesterton-ecclesiae-1\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\"><em>Ortodoxia<\/em><\/a>; traduzido por Murilo Rezende Ferreira, \u2014 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o \u2014 Ecclesiae, 2019].<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez Harold B. Lee estivesse pensando no ponto de vista de Chesterton sobre as mulheres quando dizia: &#8220;Por tr\u00e1s de todo grande homem, h\u00e1 uma mulher maravilhada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o dessas categorias por Chesterton me faz pensar em mais uma maneira simples de comparar os diferentes n\u00edveis de perspectiva que as pessoas t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como lidam com a ambiguidade. Penso na imagem metaf\u00f3rica descrita no hino: &#8220;Brilha, Meiga Luz&#8221;. No n\u00edvel um, as pessoas n\u00e3o veem ou n\u00e3o conseguem ver que h\u00e1 tanto uma &#8220;meiga luz&#8221; como uma &#8220;escurid\u00e3o&#8221; ou, se percebem ambas, n\u00e3o veem nenhuma grande diferen\u00e7a entre as duas. No n\u00edvel dois, por outro lado, a diferen\u00e7a \u00e9 bem aparente, mas a aceita\u00e7\u00e3o da ambiguidade entre a luz e a escurid\u00e3o pode ser t\u00e3o pessimista a ponto de dizer: &#8220;Lembre-se de que a hora \u00e9 mais escura pouco antes de tudo ficar completamente escuro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Qu\u00e3o diferentes s\u00e3o essas respostas da ora\u00e7\u00e3o calma, por\u00e9m honesta, do n\u00edvel tr\u00eas:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Na escurid\u00e3o, \u00f3 brilha, meiga luz!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Guiar-me vem!<\/em>&#8230;<em> N\u00e3o pe\u00e7o luz a fim de longe ver<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Somente luz em cada passo ter.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>[<em>Hinos<\/em>, n\u00famero 60]<\/p>\n\n\n\n<p>Gostaria de concluir com uma ilustra\u00e7\u00e3o simples da resposta de algu\u00e9m que estava no n\u00edvel tr\u00eas. Ele havia passado do n\u00edvel um porque seus olhos estavam totalmente abertos para a realidade, incluindo parte da dor, de ver as coisas como elas eram. No entanto, ele havia passado do n\u00edvel dois de realismo para o n\u00edvel tr\u00eas, em que sua perspectiva madura permitia que o que ele via com aqueles olhos bem abertos fosse subordinado ao que ele sentia em um cora\u00e7\u00e3o bem aberto.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem neste caso \u00e9 meu pr\u00f3prio pai, que faleceu h\u00e1 cerca de quinze anos. Na \u00e9poca desse incidente, ele estava na casa dos 50 anos e estava muito envolvido em sua vida profissional e em outras obriga\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que frequentemente o levavam para fora de sua cidade por v\u00e1rios dias seguidos. Ele estava cansado. Muitos anos antes em sua vida, ele havia servido por dez anos na presid\u00eancia da estaca e havia cumprido in\u00fameras outras designa\u00e7\u00f5es na Igreja. Um dia, seu amigo, o Irm\u00e3o Whitehead, aproximou-se dele para dizer que a presid\u00eancia da estaca o havia chamado e que o Irm\u00e3o Whitehead havia dito \u00e0 presid\u00eancia que s\u00f3 aceitaria a designa\u00e7\u00e3o se meu pai fosse seu primeiro conselheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 excessivamente dif\u00edcil ser chamado como conselheiro no bispado quando se \u00e9 jovem e cheio de entusiasmo para aprender sobre lideran\u00e7a na Igreja e quando se tem tempo dispon\u00edvel. \u00c9 compreens\u00edvel que se tenha uma atitude um pouco diferente em um momento futuro da vida. Gostaria de compartilhar com voc\u00eas os pensamentos mais profundos do cora\u00e7\u00e3o de meu pai quando ele escreveu em seu di\u00e1rio pessoal naquele dia:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi: Se \u00e9 poss\u00edvel, passe de mim este c\u00e1lice (&#8230;). Conhe\u00e7o um pouco da responsabilidade exigida de um bispado; \u00e9 um trabalho constante e desgastante, sem descanso (&#8230;). Estou ocupado e minha profiss\u00e3o exige o pouco tempo livre e a energia que tenho. Em alguns aspectos, n\u00e3o sou suficientemente humilde e n\u00e3o oro tanto quanto devo; nem sempre estive disposto a me submeter inquestionavelmente a todas as decis\u00f5es da Igreja (&#8230;) mas tamb\u00e9m n\u00e3o sinto que posso dizer n\u00e3o a qualquer chamado que seja feito pela Igreja, e ent\u00e3o agora acrescento \u00e0 minha primeira rea\u00e7\u00e3o: &#8216;Por\u00e9m, n\u00e3o seja como eu quero, mas como Tu queres&#8217;. Vou decidir fazer o melhor que puder. Haver\u00e1 momentos em que me sentirei incomodado com as intermin\u00e1veis reuni\u00f5es, mas vou entrar em sintonia com o programa da Igreja em todos os sentidos. N\u00e3o pretendo ser presun\u00e7oso e arrogante, mas sei que n\u00e3o deve haver ressalvas em meu cora\u00e7\u00e3o quanto aos meus deveres e responsabilidades. O trabalho da Igreja tem que vir em primeiro lugar. N\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil pagar o d\u00edzimo e frequentar regularmente, pois tenho feito isso. Mas suponho que terei de aprender a amar a <\/em>Deseret News<em>, ou pelo menos a Se\u00e7\u00e3o da Igreja, tanto quanto amo a <\/em>Tribune<em> (&#8230;).<\/em> (Nota do tradutor: <em>Deseret News<\/em> \u00e9 um jornal publicado por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos \u00daltimos Dias, enquanto [<em>The Salt Lake<\/em>]<em> Tribune \u00e9 um jornal local de Utah que \u00e9 mais cr\u00edtico da Igreja<\/em>).<em> Vou ter que ir ao templo com mais frequ\u00eancia (&#8230;). Vou ter que me familiarizar melhor com os membros da ala e estar genuinamente interessado neles e em seus problemas (&#8230;). Terei de aprender a amar cada um deles e a me dispor de tal forma que eles possam sentir o mesmo por mim. Talvez, em minha fraqueza, eu tenha que tentar viver t\u00e3o pr\u00f3ximo ao Senhor quanto esperamos que as Autoridades Gerais vivam.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez meu apre\u00e7o pela mod\u00e9stia e meu conhecimento pessoal de que meu pai era um homem honesto fa\u00e7am com que essa declara\u00e7\u00e3o me pare\u00e7a um exemplo mais marcante de como lidar humildemente com a ambiguidade do que realmente \u00e9. Mas sua declara\u00e7\u00e3o me incita a querer ser como uma criancinha, da mesma maneira que minha educa\u00e7\u00e3o me ensinou a ter uma mente r\u00edgida \u2014 creio que o Salvador descreveu isso como ser prudente como as serpentes e inocente como as pombas.<\/p>\n\n\n\n<p>T\u00e3o somente pe\u00e7o, irm\u00e3os e irm\u00e3s, que n\u00f3s, que frequentamos a faculdade, sejamos honestos e corajosos o suficiente para enfrentar quaisquer incertezas que possamos encontrar, e que tentemos entend\u00ea-las e fazer algo a respeito. Talvez, ent\u00e3o, n\u00e3o estaremos vivendo com luz emprestada. Amamos a Igreja; amamos nossa f\u00e9. Podemos n\u00e3o entender tudo no universo, mas isso n\u00e3o diminui nosso amor. &#8220;O amor n\u00e3o \u00e9 cego; esta \u00e9 a \u00faltima coisa que ele \u00e9. O amor \u00e9 obrigado; e quanto mais obrigado, menos cego \u00e9&#8221;. Em nome de Jesus Cristo. Am\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00a9 Intellectual Reserve, Inc. Todos os direitos reservados.<\/em><\/p>\n","protected":false},"template":"","tags":[],"class_list":["post-852","speech","type-speech","status-publish","hentry","event_type-devocional","podcast-byu-speeches-portugues","speaker-bruce-c-hafen","topic-amor","topic-caridade","topic-fe"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.5 (Yoast SEO v27.5) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>O amor n\u00e3o \u00e9 cego: Reflex\u00f5es para os alunos universit\u00e1rios sobre f\u00e9 e ambiguidade | BYU Speeches Portugu\u00eas<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"T\u00e3o somente pe\u00e7o que n\u00f3s sejamos honestos e corajosos o suficiente para enfrentar quaisquer incertezas que possamos encontrar.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/talks\/bruce-c-hafen\/o-amor-nao-e-cego\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O amor n\u00e3o \u00e9 cego: Reflex\u00f5es para os alunos universit\u00e1rios sobre f\u00e9 e ambiguidade\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"T\u00e3o somente pe\u00e7o que n\u00f3s sejamos honestos e corajosos o suficiente para enfrentar quaisquer incertezas que possamos encontrar.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/talks\/bruce-c-hafen\/o-amor-nao-e-cego\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"BYU Speeches Portugu\u00eas\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.youtube.com\/@BYUSpeechesPortugues\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-08-16T18:17:40+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/speeches.byu.edu\/por\/wp-content\/uploads\/sites\/7\/2024\/01\/Speeches_ShareCard2024_PORT.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1920\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1080\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"37 minutos\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"Bruce C. 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